10.1.07

Contribuições I

Porque me parece relevante para o debate, tomei a liberdade de trazer "para cima" um comentário do Jorge Sousa sobre a questão do referendo ao aborto, colocado num post do Magno.


Como parece que todos os que entram neste blog são defensores do 'não' - é triste ver tanto jovem com pensamento conservador, completamente anti-natural para a sua idade -, resolvi escrever para deixar uma palavra de solidariedade: eu também vou votar 'sim', como já o fiz em 1998.

Esta questão do aborto transformou-se numa estranha luta entre conservadores (de todos os partidos) e liberais (idem), o que me parece ser o pior serviço que se pode fazer a um exercício de cidadania como é o referendo e a um problema que é, simplesmente, uma questão de consciência.

Embora não acredite na democracia directa - em nenhum país democrático funciona, com excepção da Suíça mas aí devido a ter a única alternativa a uma legislação federal maluca - como os próprios resultados da abstenção mostram.

Em relação ao teu 'post', começo por não concordar com a 'consideração' que toda a gente convencionou ter por António Borges. Para mim é um dos maiores 'bluffs' produzidos na última década. Se estivermos atentos às suas intervenções,a frio, não diz coisa-com-coisa e vive num planeta que não é o nosso: é o planeta da alta finança, responsável pela maioria dos males de que nos queixamos. Parece-me que foi este senhor, junto com uns anormais do 'Compromisso Portugal' que deram como receita para o nosso país... o despedimento de 200 mil (!) funcionários públicos. Bonito!

Voltando ao aborto e comentando algumas afrirmações introduzidas neste 'blog', considero ridículo e até desumano tratar a questão como uma 'despesa' do Estado. Esta alteração à lei é uma questão de saúde pública, de direito à escolha de cada cidadã e, sobretudo, uma aproximação à esmagadora maioria dos países ocidentais.

Embora não seja defensor de 'seguidismos cegos' em relação aos países mais desenvolvidos, neste caso só deixava uma pergunta... Não estarão os defensores do 'não' a comportar-se como o pai do recruta que olhava para a parada e dizia "num batalhão inteiro, o meu filho é o único a marchar com o passo certo"?

Uma referência final para as campanhas. O 'sim' tenta convencer-nos que todas as mulheres que abortaram foram julgadas, o que não é verdade. O 'não' comete uma aldrabice de todo o tamanho ao transformar um feto de dez semanas (dois meses e meio) num bebé de colo. Vergonhoso.Como já escrevi uma vez, tudo isto teria sido evitado se os eleitos do povo cumprissem a sua obrigação e legislassem sobre esta matéria.

Um abraço

Jorge F. Sousa