26.6.05

Este blogue até ganha torneios...

O Magno, um dos bloggers (!) deste espaço, ganhou um torneio de golfe no Porto Santo. Está por isso de parabéns.

PS para o Magno: espero que agora apareças por cá mais vezes...

Os populistas também se abatem

O Dr. Carrilo ameaça bater com a porta e abandonar a sua formosa candidatura a Lisboa. Percebo-o perfeitamente: o Dinis Maria afinal ainda não consegue articular um ensaio inteiro, o Eduardo Prado Coelho sozinho não chega para as encomendas e o antigo namorado da Bárbara (um tipo também conhecido por "cabelo azul") voltou à apresentação de programas de televisão. O pessoal do marketing, desesperado, também entende que a coisa assim não vai lá e que a conjugação dos planetas não está a ajudar o pobre político-filósofo (ou será filósofo-político?).
O Dr. Carrilho medita por isso profundamente. E medita profundamente à procura de algo que evite o naufrágio que as sondagens prometem. Por um lado, pode fugir (desistindo); e por outro, pode deixar-se ir de fantasia em fantasia até à estocada final (candidatando-se). Dê por onde der, um e outro caminho adivinham o fim do mito e são a prova provada que os intelectuais populistas também se abatem.

Uma dúvida:

Pagar 25€ ou 30€ para ver a Ana Bola e a Maria Rueff não é um luxo demasiado caro?

Um projecto

Um projecto muito interessante do Hugo, um colega meu de mestrado.

Impressões

É impressão minha, ou o Diário de Notícias transforma-se numa espécie de Caras de cada vez que o Cristiano Ronaldo cá põe os pés?

23.6.05

Mon Puteaux

www.monputeaux.com/ é o endereço do blog de Grébert. Já agora, a audição do editor do blog foi adiada para 3 de Fevereiro de 2006

Au Blog citoyens!

Christophe Grébert tem 36 anos e é editor de um blog. Ficará na história como o primeiro francês a responder, em Tribunal, a uma acusação de difamação por textos publicados na blogosfera, mais concretamente no espaço “monputeaux.com”.
Na edição de 21 de Junho, o “Libération” faz manchete com o caso. O município de Puteaux, nos arredores de Paris, decidiu processar o socialista Grébert por textos que este colocou no seu blog.
A autarquia, controlada há várias décadas por uma poderosa família local, Ceccaldy-Raynaud, não terá gostado das críticas do internauta. Nem das fotografias colocadas on-line por este, e que ilustram uma realidade diferente daquela que as autoridades locais tentam mostrar.
A decisão judicial do “Caso Grébert” é esperada com alguma expectativa em França. E na “blogosfera” criou-se uma corrente de solidariedade.
Em editorial publicado no “Libération”, Patrick Sabatier acusa os poderes político e económico franceses de procurarem silenciar os blogs, particularmente os mais incómodos. Defende que a blogosfera representa o advento da “e-democracia”. E apela “Au Blog Citoyens !”.
Embora a tendência esquerdista da publicação francesa seja (re)conhecida, Sabatier não deixa de ter razão. A blogosfera representou o advento do “cidadão-repórter” e poderá contribuir para a democratização do acesso e da circulação à, e da informação. Aliás, há quem defenda que estamos perante uma autêntica “revolução”, que deixará marcas indiscutíveis nos média tradicionais.
São os casos do colunista do “New York Times” Hugh Hewitt - "Blog: Understand the New Information Revolution and How It Is Redefining the Media, the Culture, and Business"- de Pierre Lévy – “Cibercultura” – de Luca Tochi, entre outros.
Segundo alguns autores, entre as quais os supracitados, a revolução começa a partir do momento em que os grupos social e economicamente dominantes perdem o exclusivo da produção de informação à escala global, perdendo por isso poder e, obviamente, dinheiro.
O movimento está a nascer - existem, actualmente, 11,5 milhões de blogs. Aqueles que mais têm a perder farão tudo para “institucionalizar” a blogoesfera. E para começar procurarão dar-lhe o “devido enquadramento legal”. Daí a importância que o “Caso Grébert” vem assumindo em França. E o interesse com que vem a ser seguido internacionalmente.

22.6.05

Sempre a abrir

O mundo do futebol é mesmo extraordinário. Depois de ter sido dado como certo em cinco ou dez clubes (incluindo o Inter e o Real Madrid), eis que afinal Luisão vai ficar no Benfica até 2011.
Em termos de surrealismo ninguém bate os jornais desportivos. E, arrisco, no ridículo também não.

Actualização, ou as mulheres socialistas III

De acordo com uma notícia um pouco manhosa saída no Público de ontem, a D. Sónia, actual presidente e deputada na Assembleia da República, derrotou a D. Maria Manuela (candidata a presidente e actual vereadora em Oeiras) por apenas 53 votos, na corrida mais louca de que há memória para a presidência das mulheres socialistas.
Relembremos que esta eleição fica marcada não só pelo tempo que demorou a divulgar os resultados (num processo kafkiano que pode ser comparado à primeira eleição de Bush e à contagem e recontagem de votos na Florida) como também pelas acusações que fizeram lembrar homens de barba rija numa qualquer lota de peixe. Pelo meio discutiram-se algumas ideias interessantes. Como as quotas, os lugares e as posições.

Gerir mal os silêncios

Se o treinador de futebol do Marítimo sempre foi o Juca, porque razão se demorou tanto tempo a destruir este mistério que tanta tinta, desnecessária e desgastante, fez correr? Será que o Juca não merecia mais respeito? Será que o Juca não merecia mais consideração por tudo o que tem feito pelo Marítimo? Ou será ele apenas uma solução de último recurso depois de gorada a contratação de algum nome sonante do panorama futebolístico internacional?
Este processo foi tão mal gerido que a dúvida ficará para sempre no ar.

O mistério adensa-se

O país continua sem saber quem vai liderar as mulheres socialistas. O mistério adensa-se. Como numa novela da TVI.

Brigadas Internacionais

Só para quem se interessa por História contemporânea

http://www.brigadasinternacionales.uclm.es/

21.6.05

Novos axiomas

“Os institutos de sondagens tornaram-se, nos dias de hoje, os adivinhos dos tempos antigos que lêem os inquéritos de opinião com a gravidade com que os seus predecessores interpretavam as entranhas das galinhas.”

Fareed Zakaria, “O Futuro da Liberdade”, Gradiva

Professores

Os professores estão chateados. Dizem eles que não podem ser prejudicados na carreira, na sua progressão, na reforma e numa série de direitos adquiridos. Não consegui confirmar, mas penso que já acham bem, por um outro prisma, reunir muito sem qualquer propósito, ensinar sem qualidade, ter 4 e 5 meses de férias, produzir hordas de analfabetos e ter horários que lhes permite, entre outras coisas, ensinar formação profissional, dar explicações ou ter um segundo emprego. À custa do Estado.
Os professores esquecem-se, claro, que Portugal é dos países que mais gasta em educação per capita (e dos que piores resultados tem) e que os professores, comparativamente à Europa desenvolvida, são das classes que melhor recebem. Tudo isto parecem pormenores irrelevantes. Aliás, calmamente ignorados por todos.
Do alto da sua sapiência, e da mais abjecta demonstração corporativa, demagógica e de duvidosa ética, os professores ameaçaram e ameaçam faltar aos exames, testes e outros derivados. O Ministério está numa posição de força e não quer ceder perante a chantagem e outros nomes feios. Pelo meio lixa-se o mexilhão, que é como quem diz lixam-se os alunos, que só por acaso são a parte mais interessada no assunto, factor convenientemente apagado pelos doutos cultos que ensinam as nossas criancinhas.
Fica a lição desta gente ilustre e mais este gentil ensinamento às gerações futuras: não podes vencê-los? Podes sempre lixar a vida de outros que nada têm a ver com o assunto. Nem mais.

17.6.05

Títulos e manchetes

Selecção do “lê-se” da parte desportiva do Diário de Notícias do Funchal de 17 de Junho de 2005

“Benfica recusa 7 milhões da Juventus por Miguel” – O Jogo

“Não peçam a lua por mim” – Miguel em declarações à imprensa italiana, citadas por O Jogo

“Quero experimentar outro campeonato” – Miguel (Record)

“Sporting não vende Enak ao Dínamo por seis milhões” – O Jogo

“Empresário diz que jogador ficou furioso” – Idem

"Enakarhire não deseja jogar no Sporting" - A Bola

“O presidente disse bobagens sobre mim” – Luís Fabiano sobre Pinto da Costa (O Jogo)

“Koeman quer matulões” – Record

“Benfica vota contra sorteio dos árbitros” – Record

“Vai ser craque” – Ronaldinho Gaúcho sobre Anderson (A Bola)

O mundo do futebol é cada vez mais surreal.

O trolha de Portugal

Descoberto via Sinédrio, mas originalmente colocado no blogue Clube de Fans do José Cid, aprecie a eleição do Trolha de Portugal no inenarrável programa do Manuel Luís Goucha. E depois, claro e como não podia deixar de ser, delicie-se com o seu regresso.
Na televisão pode-se tudo. Há muito que batemos no fundo.

16.6.05

Jornalismo de referência

Atente-se a estas manipulações.

"The photo that started it all".

Asqueroso e reles.

Descarril(h)amentos

O Sr. Carrilho anda ligeiramente ofendido com aquilo que a comunicação social, e nomeadamente o jornal Público, lhe anda a fazer. Percebe-se a revolta. Percebe-se o narcisismo. Carrilho quer transformar a sua campanha numa reunião de família, onde só entram as coisas boas, que é como quem diz as coisas giras que ele tem para mostrar. Fez por isso um vídeo singelo onde mostra a sua bela mulher, o filho e até, dizem, a sua irmã (desconheço se declamou algum poema). E fez disso um grande alarido: convocou a comunicação social, convocou notáveis, convocou até o primeiro-ministro e o inesgotável Coelho. O vídeo não provocou boa digestão em algumas pessoas e o próprio Carrilho devia saber que a utilização deste tipo de imagens-propaganda pode ser uma faca de dois gumes (para não dizer de dois legumes, como o Jaime Pacheco). Alguns jornalistas atacaram-no comparando o dito vídeo ao do “menino guerreiro”, que tanta celeuma levantou por alturas de uma outra campanha eleitoral. Tudo muito certo e tudo muito natural. Há uns tempos atrás Carrilho agrediu um fotógrafo que tentava captar imagens do seu rebento à porta de sua casa. Há uns tempos atrás ainda Carrilho vendeu o exclusivo do seu casamento às revistas do coração, publicações aliás, que muito gostam de o promover como homem sério, de família, intelectual e muito chique. Frequentemente o Sr. Carrilho e a sua família (não incluir a irmã), são capa de revista e motivo de comentário. Apenas um conselho para o Sr. Carrilho: quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. É por isso errado comparar esta situação a outras situações como Carrilho (o homem deve ter explodido de raiva com a comparação com o “menino guerreiro”!!!) faz no seu artigo de hoje no Público (disponível apenas para assinantes).
Pode-se naturalmente mostrar a família. Pode-se até mostrar a casa, a cama, o escritório onde se trabalha ou os pratos onde se come. Pode-se inclusivamente mostrar a bela mulher (que rende muitos votos, de certeza absoluta) e o petiz (a dizer papá ou qualquer coisa do género). Mas coisa completamente diferente é encenar tudo isto disfarçado de normalidade como se fosse um qualquer folhetim de propaganda rasca ou de revista cor-de-rosa (aliás palco habitual do casalinho, como já foi referido).
Carrilho, também conhecido por Jack Lang português (nunca percebi muito bem porquê), devia por isso ter mais juízo e saber, que chatice, que não há assim tantos parvos e que há gente, outra chatice, que não pensa como ele. É um problema de forma. E também de conteúdo.

Luisão [afinal] quer ficar no Benfica

Ouvindo a SIC Notícias fico a conhecer as capas dos jornais diários de hoje. A d’”A Bola” é sugestiva: Luisão quer ficar no Benfica. Não sei se isto é interessante ou sequer pertinente, mas desde praticamente o fim da época que Luisão era cobiçado pelos principais (!) clubes europeus. De repente, parece que deixou de ser.
Sejamos sérios: a quem é que interessará (se é que alguma vez interessou) um central de categoria duvidosa, demasiado lento e descoordenado, que se fartou de meter água a época toda? Ao Inter? Ao Real Madrid? Ao Milão? A outros colossos europeus? Os absurdos são tantos que só podem ter mesmo por justificação a venda de jornais e as fábulas e mitos frequentes que diariamente se criam. Esta história do Luisão faz-me lembrar uma outra que saía nos jornais e era garante de manchetes e primeiras páginas (e consequentemente de receitas): a ida de Beto para o Real Madrid. Durante muitos anos, o Beto, outro central de categoria duvidosa, era figura assídua nestas peças de teatro divididas em muitos actos como convém. Mas até hoje, o mais perto que Beto esteve de Madrid foi quando, muito provavelmente, lá foi passear com a esposa.
Muitos outros exemplos irreais podiam ser dados. Arrisco avançar que boa parte das primeiras páginas desportivas portuguesas nunca se concretizam, principalmente quando não há campeonato. Isto é o mesmo que dizer que são falsas, manipuladas ou exageradas.
A quem serve este tipo de jornalismo? Porque será que até no jornalismo o futebol parece viver num regime de excepção? Será que ninguém percebe o ridículo de certas notícias? Será que não há uma alta autoridade que chame a atenção para estas poucas-vergonhas? Não estão os jornais fartos de enganar incautos? De enganar fanáticos? O Luisão no Inter? O Luisão no Real Madrid? Por favor: acabem com o ridículo.

13.6.05

Aqui há coisa de judeu !!!

A "grande" e fortemente apoiada (pela esquerda) democracia palestiniana deu mais uma prova da sua inegável evolução: executou quatro prisioneiros políticos. A sua peculiar e "moderna" Justiça triunfou, o seu irrefutável respeitos pelos Direitos Humanos (tal como os ataques suicidas a crianças) ficou, uma vez mais, demonstrado.
Espero, agora, as loas dos Franciscos Anacletos Louçãs deste mundo, terá a coragem de apresentar um voto de louvor no nosso Parlamento ? Exultará o povo oprimido da Faixa de Gaza ? Continuará a ter uma visão unilateral e condescendente em relação a um dos mais violentos e punitivos regimes do Mundo ?
É degradante assistir à defesa de semelhantes comportamentos, condenando a autodefesa de uma das mais estáveis e consolidadas Democracias actuais. Israel não executa quem pensa de forma diversa, não prende quem se exprime de forma diferente.
De certeza absoluta que a esquerda colorida, dita defensora da Liberdade e os seus aliados dos media encontrarão uma explicação "plausível" para esta EXECUÇÃO. Julgo que surgirão informações que a corda utilizada nos enforcamentos foi fornecida por algum judeu sem escrúpulos ou que a bala usada no fuzilamento foi entregue por algum agiota semita ou, para os mais criativos, estamos perante uma operação de contra-subversão montada pela Mossad com o objectivo de descredibilizar a Autoridade Palestiniana (os juízes eram agentes).
Continuarão os diletantes de esquerda a condenar Israel (única Democracia funcional da região), a defender os que executam, os que desrespeitam a livre opinião, os que limitam a liberdade dos seus cidadãos, os que matam indiscriminadamente, os que recorrem ao terrorismo para alcançar os seus objectivos políticos, os que usam as ajudas internacionais em benefício pessoal deixando o seu povo entregue à fome e à doença.
Curiosa esta esquerda, coitados, vivem para o momento, "alapam-se" às causas mediáticas não pensando nas incoerências que, entretanto, vão cometendo. Não passam de pobres de espírito (não haveria problema se, enquanto isso, inocentes não morressem e presos não fossem executados). Continuem, meus caros, o mundo agradece-vos !!!

Álvaro Cunhal

Álvaro Cunhal foi o derradeiro romântico português. (Terá até, quem sabe, sonhado a morte heroíca de Rosa do Luxemburgo).

Mais do que homenageado merece ser recordado. Por isso que se inscreva, na sua lápide, "aqui jaze o último revolucionário. Que Deus e o Diabo disputem a sua sorte".

Eugénio de Andrade

O Lugar da Casa

"Uma casa que nem fosse um areal

deserto;

que nem casa fosse;

só um lugar

onde o lume foi acesso, e à sua roda

se sentou a alegria; e aqueceu

as mãos; e partiu porque tinha

um destino;

coisa simples e pouca, mas destino:

crescer como árvore, resistir

ao vento, ao rigor da invernia,

e certa manhã sentir os passos

de abril

ou, quem sabe?, a floração

dos ramos, que pareciam

secos, e de novo estremecem

com o repentino canto da cotovia"

Eugénio de Andrade

Porque os poetas não morrem. Limitam-se a partir porque têm um destino. Coisa simples e pouca, um destino...

9.6.05

O Pedro era um mágico

O Pedro era um mágico. Escondia a bola dentro de uma cartola e jogava de fraque. E transformava o campo num palco. Atirava bolas que eram facas (e que fugiam, no último instante, ao corpo do guarda-redes). O Pedro era um mágico. Tinha uma varinha de condão que criava flores azuis na monotonia verde das tardes de domingo.

O Pedro iludia escondendo lenços no corpo (e dando-lhes a incrível forma de bolas de futebol). Fingindo adivinhar as cartas que ele próprio marcara com a tinta invisível dos prodígios. Atravessando paredes de pernas e de braços. Lentamente. E lentamente, o Pedro levantava o braço direito. E acendiam-se as luzes. Com graça, o Pedro agradecia. E abandonava o palco deixando as flores azuis. E ouvia os aplausos que se perdiam na distância dos sentidos. E guardava a caixa mágica e a varinha e os pós de prilim-pim-pim e a cartola. E saia. Lentamente. Porque o Pedro era um mágico.

Post-Scriptum: A direcção do Sporting não percebeu que o futebol não é um imenso somatório de números. E que por isso é necessário manter aqueles com quem os adeptos se identificam. E que podem enquadrar quem chega. É pena que sigamos aos maus exemplos, e que não olhemos para aqueles que andam à nossa frente. No Porto, seria impossível tratar um capitão de equipa como o Pedro Barbosa foi tratado.

8.6.05

O regresso


Lomu está de volta. Para gáudio de todos os que adoram este extraordinário desporto, eis um exemplo de um super-homem ou pequeno deus. Bem-vindo.

As mulheres dos socialistas II

Entre as mulheres socialistas, a briga está ao rubro. Por entre votos mal contados e indecisão periclitante quanto à vencedora, e de acordo com o Público de hoje, as duas putativas candidatas a presidente das mulheres socialistas acusam-se e digladiam-se numa guerrilha de contra-informação à procura do melhor posicionamento possível para uma eventual vitória na secretaria. Chega-se ao cúmulo de ambas apregoarem vitória por margens mínimas: num caso 50 votos, noutro pouco mais de 80. Por entre a trapalhada geral, e a ameaça de uma guerra civil, um pormenor, de pouca monta, salta à vista e necessita de urgente resposta: afinal, o que as faz assim tão diferentes dos homens?

7.6.05

É sim

Para os defensores do sim, e para os indecisos, nasceu o É sim. Com Marcelo Rebelo de Sousa. Deixo-vos o endereço:

http://esim.eu.com/

6.6.05

Al "ca..."

Há quem compare Jardim a Fraga Iribarne, histórico presidente da Xunta (Governo Autónomo da Galiza). E a verdade é que existem pontos em comum entre os dois. Desde logo o fervor autonomista, a longevidade política, a forma como combatem o poder central de Madrid e de Lisboa.

A falta de paciência que têm para lidar com notícias desfavoráveis é, com certeza, outra das características comuns. Senão atente-se a este exemplo: hoje, Fraga mandou "al carallo" (substitua-se o al pelo para o, e um l por um h e temos a a expressão correcta em português) o rival na luta pela presidencia do Executivo Galego, Anxo Quintana.

Quintana tinha acusado Iribarne de só conhecer a Galiza a partir do interior do carro oficial. E o líder histórico não esteve com meias medidas. Curiosamente, não há notícia de que alguém tenha pedido a intervenção do Rei de Espanha...

A "estória" foi publicada hoje pelo "Faro de Vigo". Pode ser lida em www.farodevigo.es .

5.6.05

As mulheres dos socialistas

Duas mulheres disputaram a liderança de uma coisa com o sugestivo nome de Mulheres Socialistas: uma moça de 32 anos e uma menos moça de 45. Desconheço o tipo de fauna que participa activamente neste jogo de aberrações e desconheço também o resultado das eleições deste programa da vida real. Mas ao recordar meia dúzia de notícias saídas sobre o assunto (incluindo um inenarrável artigo publicado a semana passada num jornal de referência) não me lembro de uma única ideia da D. Sónia Fertuzinhos ou da D. Maria Manuela Augusto para bem do país ou para bem do Partido Socialista. Minto: uma ideia parece habitar nestas mentes brilhantes o que, acreditem, não sendo pouco, é pelo menos raro. Mas espantem-se, porque a ladainha é a costumeira e a ideia não é original: passa pela pedincha de lugares de destaque em listas que dêem tachos bem remunerados, numa proporção apontada para os 30% mas que aparentemente tem de chegar aos 50. Claro que pelo meio vocifera-se qualquer coisa sobre ética, participação igual entre sexos, oportunidades, capacidades e outras coisas do género que soam bem e que são politicamente correctas. Conhece-se a táctica. Pessoalmente conheço mulheres que gostam muito de evocar a sua condição feminina. Mas nada como ganhar na secretaria aquilo que, normalmente, não se consegue ganhar dentro de campo. Acreditem que é mais fácil, é mais simples e dá muito menos trabalho.

Descriminações

O Público lançou na semana passada uma nova colecção de DVDs dedicada à II Guerra Mundial. Hoje consegui comprar o segundo volume, já que o primeiro nem vê-lo. De acordo com três vendedores, o primeiro volume, o primeiríssimo, não foi distribuído na Madeira. Coisa recorrente, ao que sei. Ao que sinto. As promoções quando chegam, chegam tarde, é certo e sabido. Com sorte, no dia a seguir. E às vezes nem chegam, como este caso específico demonstra. Apenas mais um exemplo sintomático: o primeiro número da revista Atlântico foi distribuído gratuitamente a nível nacional com uma das edições do Público de Março (ou na última quinta-feira ou na última sexta, não estou bem certo). Ainda hoje, o famigerado número um cá não aterrou. Nem mesmo pagando num qualquer quiosque é possível obtê-lo. E assim, primeiro número, e de acordo com um email que recebi entretanto da Atlântico, só mesmo encomendando. Descriminações sem sentido.

3.6.05

Europa

Esta Constituição não nasceu de uma reflexão sobre o que é a Europa e sobre as bases em que crescerá.

A Europa é o quê? Um espaço geográfico? Um espaço político? Um espaço de partilha cultura e de valores civilizacionais? Um bloco económico? Uma mistura destes todos?

Afinal, de que falamos quando nos referimos ao conceito de Europa?

Sem estas definições, é impossivel responder a perguntas simples. Exemplos: deve, ou não, a Turquia entrar no espaço único europeu? Deve a Europa receber, no seu seio, países de forte influência europeia, mas que, geograficamente, não pertencem ao espaço continental compreendido entre o Atlântico e os Urais? O alargamento a leste deve continuar?

Quais serão as directrizes da política externa comum? Previlegiará o eixo Atlântico? O Leste? Países lusófonos? francófonos? Tudo? Nada? Em resumo, que figura fará essa espécie de "senhor PESC" refrescado? Para onde irá?

Este é o tempo certo para responder a estas questões. Para percebermos onde vamos. Para parar e pensar. O Tratado Constitucional é, por isso, um passo maior do que a perna. E, se for aprovado, acabará por matar a própria Europa, asfixiando-a num rol de contradições. É por isso que qualquer europeísta deve estar contra este suposto avanço.

Só para terminar, aconselho a leitura de um texto magnifíco do filósofo espanhol Gustavo Bueno sobre a Constituição. Está em http://www.nodulo.org/ec/2005/n036p02.htm

2.6.05

Por favor, esclareçam-me!!!

A dinâmica negacionista cresce a cada dia que passa. Chovem os opositores, acotovelam-se os argumentos anti, brotam os gritinhos entusiasmados pelos resultados da França e da Holanda.
Toda a gente tem direito à sua opinião, qualquer tomada de posição terá o seu valor intrínseco mas, convenhamos, o valor de uma opção cresce exponencialmente se soubermos quais os factores que a suportaram. É nesta perspectiva que me encontro num estado de alguma perplexidade uma vez que 90% daqueles que apoiam o não à Constituição Europeia, fazem-no sem saber porquê e, consequentemente, sem avançar com as alterações, adendas e/ou supressões que quereriam ver consideradas.
A horda move-se sem destino e sem controlo.
Porventura, existirão aspectos que devam ser melhorados mas não consigo compreender a posição de certos portugueses que, desconhecendo ou, mais grave, conhecendo "ao de leve" o texto da Constituição, afirmam ruidosamente que são contra. Estarão esquecidos das vantagens do projecto europeu, estarão olvidados do Portugal pré-1985, julgar-se-ão capazes de prosseguir "orgulhosamente sós", serão as disposições em causa tão diversas das actuais, estaremos perante uma refundação absoluta da Europa ?
Urge, com efeito, um profundo debate. Só assim poderemos combater tanta "santa" ignorância, que por aí, teima em aparecer.

Certidão de óbito

Segunda-feira, quando anunciar a anulação do referendo no Reino Unido, o Governo de Blair vai passar a certidão de óbito do Tratado Constitucional Europeu.

Que Deus o guarde (ao Tratado) em eterno descanso!

O sobrevivente

Muitos militantes do CDS-PP da Madeira advogavam a teoria de que José Manuel Rodrigues não sobreviveria às "autárquicas". Num partido sui-generis seria substituido, diziam, por Ricardo Vieira, líder que curiosamente o antecedera, numa espécie de "jogo das cadeiras" só com dois jogadores e um assento.

Pois bem, mais uma vez a capacidade de sobrevivência de Rodrigues veio ao de cima. Convencendo Vieira a candidatar-se à Câmara do Funchal, conseguiu que o rival se tornasse cúmplice dos maus resultados que esperam o partido. E garantiu a sobrevivência. Até às próximas regionais, que lhe valerão mais quatro anos na Assembleia Regional.

Convencer Vieira não terá sido assim tão dificil. Dizem as más línguas que o ex-presidente quer voltar a ser presidente. Mas prefere aguardar, tranquilamente, pela saída de Jardim da liderança do PSD e do Executivo da Madeira (algo que, pelo andar da carruagem, não acontecerá tão cedo). Traçada a estratégia, é fácil perceber que a Ricardo Vieira fica bem "dar a cara num momento dificil, etc. e tal" - adoro a gíria política!

Mesmo assim, curioso curioso é o facto do candidato do PSD, Miguel Albuquerque, ter como adversários dois candidatos com uma particularidade em comum. Como diria alguém que conheci há muitos anos, deixo a observação à laia de "adivinhança"...

Bem dito, general!

Muito bom o texto de Loureiro dos Santos, impresso na edição de ontem do Público, sobre a construção europeia.

Diz o general que há um desfazamento claro entre o discurso das elites e aquilo que pensam os europeus sobre o progresso da construção da Europa unida. Concordo em absoluto.

1.6.05

Fundo da gaveta

A Espanha dera um sim condicional. A França votou não. Espero, honestamente, que a Holanda siga o exemplo gaulês. E que o Tratado Constitucional - "mera simplificação dos tratados anteriores", dizem os defensores do sim - siga alegremente para o fundo de uma qualquer gaveta.

Pena que em Portugal se procure evitar o debate. Se tente, a todo o custo, esvaziar o conteúdo político do Tratado. E se teime na decisão de fazer o referendo em simultâneo com as "autárquicas".

Post-Scriptum 1: Curiosa a posição assumida por alguns intelectuais da esquerda moderada face ao comportamento dos eleitores franceses. Após anos a elogiar o esclarecido e culto povo gaulês, vêem agora dizer que os franceses votaram não por razões de política interna denotando, por isso, alguma falta de discernimento...

Numa coisa estou de acordo com eles: há na Europa um notório distanciamento entre a classe política e a generalidade dos cidadãos. As posições face à construção europeia são prova disso. E não significam que haja pouca informação, ou que os eleitores sejam pouco sensatos...

Post-Scriptum2:O sítio do Não (www.sitiodonao.weblog.com.pt) continua a contribuir para o debate.

Inversão

A excessiva centralização da tomada de decisão política num partido conduz ao afastamento das bases e, a médio prazo, a dificuldades eleitorais. O PSD-M começa a senti-lo. Em São Vicente, na Ponta do Sol... E em Novembro, promover autos de fé para encontrar os culpados das derrotas anunciadas será perda de tempo. Até porque o papel de algumas personagens acabará por se inverter.

24.5.05

Indira Gandhi

Este país, que se comemora como nenhum outro, olha melancólico para aqueles que além-fronteiras são capazes de vencer e de progredir na vida. Em praticamente todos os cantos do mundo há portugueses – ou pelo menos há um qualquer mito que nos diz isso – que vencem, que lutam, que ajudam a erguer cidades e países. O paradoxo é então evidente: lá fora somos tudo; cá dentro somos nada.
Também um dia Indira Gandhi se viu confrontada com a inevitável pergunta: “A primeira-ministra pode-nos explicar porque é que os indianos parecem triunfar sob todos os governos do mundo, com a honrosa excepção do seu?”

Nada muda, nada mudou

Parménides acertou: nada muda. É a lógica da repetição da história e dos seus movimentos cíclicos. É também por isso que Camilo e Eça, a esta distância, e como alguém recentemente notava, são hoje tão actuais como o foram no século XIX.

Ele usa Duracell

Há já algum tempo que o inebriante porta-voz do PS, o inefável Jorge Coelho, se desdobra na preparação do terreno para a criação de um ambiente propício ao anúncio das más novas. Faz este trabalho árduo praticamente sozinho quer na televisão onde participa quer no jornal onde escreve. Não se cansa. Jorge Coelho usa Duracell com toda a certeza.

22.5.05

Sítio do Não

É dificil crer numa Europa desenhada por burocratas de gabardines cinzentas, fechados nos gabinetes da mais desinteressante capital europeia. Numa Europa que cresce na mesma proporção em que afasta dos seus cidadãos. Numa Europa imposta.

Por isso, e porque acredito ser fundamental promover o debate, congratulo-me com o espaço sítio do não (www.sitiodonao.weblog.com.pt) e com a iniciativa de Pacheco Pereira.

Enfim...

Parabéns ao Benfica. É um pobre campeão, mas enfim...

20.5.05

Auto quê?

Ele há cada um pior que o outro! Uma expressão que se encaixa perfeitamente no mais recente apelo do Presidente da República aos portugueses. Sampaio, com aquele ar afável e compreensivo, diz que é preciso auto-estima. O povo precisa de auto-estima... Numa altura em que o país se afunda, o chefe de Estado pede mais auto-estima! Vão aos bolsos dos portugueses e uma pessoa convence-se de que ser português é bom... São descobertas aldrabices todos os dias e o português tem de ficar imune a isso e pensar: «eu sou bom, eu sou mesmo bom. Vivo no país das maravilhas. Portugal é o melhor sítio do mundo... Isso de ter gente corrupta não é nada comparado com a vontade do português...» Não percebo como é que querem levantar a auto-estima de um povo massacrado, desgastado e desconfiado. Somos 10 milhões de almas que assistem diariamente a notícias tão más, mas tão más sobre a situação do País, que já estamos à espera que mais dia menos dia o primeiro-ministro anuncie a sua demissão porque Portugal está, de facto, num pântano. Os desempregados aumentam consideravelmente, as fábricas fecham, a Europa ameaça-nos com um processo se as nossas contas não endireitarem e ainda nos pedem AUTO-ESTIMA?! Para quê? Como? É que não há uma boa notícia que nos levante a moral... Será que estão à espera do Benfica ser campeão para os milhões de adeptos festejarem e terem um bocadinho de auto-estima?
SSFranco

18.5.05

From Russia... with Love



O inacreditável aconteceu. Mais uma vez.

Deve ser do tempo!

A Madeira não vai ser afectada pela crise das finanças publicas nacionais. E o ritmo de crescimento vai manter-se, disse ontem, ao Notícias da Madeira, o secretário regional das Finanças, Ventura Garcez. As declarações do governante foram publicadas hoje pelo matutino funchalense.

A crise das finanças públicas nacionais vai afectar a Madeira. E é inevitável que o ritmo de crescimento da Região diminua, disse ontem, ao Diário, o secretário regional das Finanças, Ventura Garcez. As declarações do governante foram publicadas hoje pelo matutino funchalense.

Como diria a minha avó, deve ser do tempo! Aliás, só pode ser do tempo!

16.5.05

O campeonato

Não sou do Benfica mas desejo loucamente que o Benfica seja campeão. Já não aguento tanto grito e tanto entusiasmo de quem tem uma espécie de contas a ajustar com o mundo. Na realidade, há já oito ou nove jogos que toda a gente percebeu que o Benfica, custasse o que custasse, seria o novo campeão nacional de futebol. Estava escrito nas estrelas, como dizia o outro. Bastou ver o conjunto de golos polémicos e de lances controversos sempre assinalados para o mesmo lado e com o mesmo objectivo para que esta minha ideia ganhasse forma e conteúdo: livres, expulsões, cargas sobre o guarda-redes, penaltis por assinalar, foras-de-jogo, jogos de bastidores, jogos no Algarve, etc, etc. Mas mal por mal, que duma vez se entregue as malditas faixas porque já ninguém aguenta tanto rancor e sentimento recalcado dos tais seis milhões. E já ninguém aguenta as buzinas. E já ninguém aguenta aquela gente a gritar histérica à frente da televisão. E já ninguém aguenta aquele bicho-do-mato que come relva em directo e que é, dizem, dono de um restaurante muito conhecido (Deus me livre de lá pôr os pés). E porque já ninguém aguenta o ridículo do Álvaro, o lamecha do Vieira, o burlesco do Veiga ou o nebuloso do Trappatoni. Já me chega de ladainhas, de choros, de idiotias, de rancores, de egotismos escabrosos, de complexos de superioridade por concretizar desta suposta nação. Não gosto do Benfica, mas desejo, peço e rezo, que ele seja campeão. A sério que já não aguento. Por arrasto, levem também a taça para ver se não chateiam por algum tempo. Será desta que veremos cumprido o teorema que nos diz que o país é melhor quando o Benfica é campeão. Até nisto o Sócrates tem sorte.
Maquiavel se fosse vivo, perceberia como afinal muitas vezes continua a ter razão: os fins justificam os meios, como ao longo destes penosos meses se tem vislumbrado e por mais que toda a gente ande distraída com os atropelos à verdade desportiva. Ontem e anteontem a olhar para a televisão e para uma euforia extemporânea e sem razão (porque afinal ainda não ganharam nada) percebi porque é que o Estado Positivista de Comte nunca acontecerá. Não sou do Benfica mas desejo loucamente que o Benfica seja campeão.