A silly season avança confortavelmente país adentro. Nada pára a desavergonhada. Depois dos avisos à navegação, mais areia, da fina e da grossa, para os olhos dos portugueses, entretidos a discutir coisas menores e desinteressantes como novos aeroportos, linhas de comboio e TGVs e, pasme-se, originalidade suprema, energia eólica. São estes os novos desígnios a bem da nação e dos portugueses. Isso e uma coisa com o sinistro nome de Programa de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias, que promete 25 mil milhões de euros de bandeja para distribuir por aí.
Entretanto, não muito longe daqui, o eng. Sócrates, que não leu nem conhece Maquiavel, prepara-se, sorrateiramente, para lançar nova vaga de austeridade lá para Outubro, de preferência depois de perdidas, por pouco, as eleições. Já nada espanta. Os sinais contraditórios já são tantos, que toda a gente está resignada, mesmo que ministros e primeiro-ministro falem linguagens diferentes e nada incomode verdadeiramente as criaturas, embrenhadas num animalesco carnaval de asneiras, de demagogia e da pior espécie de ruído.
Também ao longe, saindo do intenso nevoeiro, um novo D. Sebastião toma forma e ganha peso. Adoptou aliás táctica já por si municiada (com relativo insucesso): a do tabu. Cavaco, esse homem luminoso, esse profeta, que nos fez entrar a Europa casa adentro e que forjou o novo indígena (como foi brilhantemente descrito por Vasco Pulido Valente), é o senhor que se segue. Provavelmente, por dez anos. Por dez longos anos.
Ao olhar para isto, pergunto-me, que futuro nos resta? Quanta desilusão é possível aguentar? Bem sei que o calor (e esta maldita humidade) aperta, mas já nem um banho de mar me lava a alma ou me dá alento. Estou cansado. Hoje sinto-me cansado.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
19.7.05
Lavar a alma...
18.7.05
Duas formas de ver as coisas.
Visões opostas do mundo...
Parménides (515-440 a. C.): Nada muda; tudo é constante.
A função é mais importante
Uma das principais diferenças entre Carlos Pereira e Miguel Albuquerque tem a ver com uma coisa muito simples: enquanto que o primeiro está mais preocupado com a constituição da Câmara, o segundo está mais empenhado na função da Câmara. Oakeshott no seu “Moralidade e Política na Europa Moderna” explicou esta enorme diferença.
As novelas continuam
Tomasson assinou pelo Estugarda. Como é óbvio, para o senhor Veiga, que alimentou tão grandiosa odisseia, a culpa foi do jogador que começou a exigir demais.
Aguardam-se pedidos de desculpas. As contratações seguem dentro de momentos.
PS: O Miguel já voltou?
13.7.05
Mais três !!!
Utilizando os habituais métodos rasteiros, espalharam a dor, o terror e a morte. A reinvindicação do assassinato anuncia a luta até à destruição do Estado de Israel.
Numa altura em que os governantes israelitas fazem um esforço feroz para cumprir o acordado, acabar com os colonatos em Gaza, estes complexados vêm e tudo comprometem. Negociar com seres assim torna-se frustrante.
Resta a abnegação, a força, a energia e a fé de um povo, o povo escolhido mas, também e se calhar por isso, o povo perseguido. Essa força, que tive o privilégio de testemunhar, vencerá, sempre e no fim, o fanatismo.
A cara e a história das vítimas.
As notícias.
Três gerações estavam lá.
12.7.05
Matemática
Razões que nos fazem permanecer na cauda da Europa:
70% chumba no exame de matemática.
E ainda vamos no 9º ano...
7.7.05
De novo.
Venham agora defender o fim de Guantanamo, venham agora defender o fim da intervenção no Iraque e no Afeganistão. Talvez o diletante Fernando Rosas queira negociar com os facínoras, talvez os estúpido-pacifistas do Bloco estejam dispostos a integrar uma Comissão de Reconciliação com estes hordas de destituidos. Talvez a sra. Deputada Ana Drago, a exemplo das asneiras que produziu em relação ao arrastão, venha dizer que nada se passsou no mítico Tube, que foi tudo fruto da nossa imaginação.
Esta gente (a muito custo que lhes chamo gente) sem escrúpulos merece, apenas, o nosso asco, o nosso desprezo. O único caminho possível é a luta sem tréguas, o combate decidido, até à eliminação destes fenómenos. Não existe negociação possível, nada se acorda com criminosos sem princípios.
Sinto dor e raiva perante as imagens que se sucedem nos diversos media, sentimentos que se acentuam quando recordo afirmações condescendentes e contemporizadoras em relação a estas matilhas de torcionários.
Uma última palavra de sentida e sincera solidariedade com os londrinos em particular e com os britânicos em geral.
6.7.05
Cadeia com eles (penas não inferiores a 5 anos) !!!
Os bandalhos do costume manifestam-se na Escócia. Desrespeitam e agridem os agentes da autoridade, destroem a propriedade privada, uivam e grunhem pelas ruas, conspurcam os espaços públicos, violam a lei, tudo em nome da defesa dos países pobres. Esta gentalha sem escrúpulos, a maioria indigentes vadios, julga-se no direito de reclamar alguma coisa. Poderiam estar com a razão absoluta mas o seu comportamento infra-humano retira-lhes qualquer laivo de legitimidade. Julgam ser detentores de uma superioridade moral acima de qualquer crítica (os portugueses dessa laia foram, memoravelmente, barrados à entrada em Espanha, quando se preparavam para asneirar em terras de Castela).
É, pois, importante que as autoridades britânicas não cedam e não tenham qualquer tipo de complacência. Urge dissuadir e, acima de tudo, castigar exemplarmente estas atitudes desprezíveis.
Era, talvez, altura dos países pobres mostrarem o seu repúdio pelos "apoios" que estes reles meliantes lhes estendem.
4.7.05
O Sr. Vieira
PS: Zenden, jogador mediano que foi dado como reforço do Benfica várias vezes, vai assinar pelo Liverpool, pondo fim a mais uma novela alimentada pelo Sr. Vieira e pelos jornais que adoram enganar papalvos.
Se houvesse um índice que medisse a quantidade de asneiras que saem nos jornais, não havia quem batesse os jornais desportivos.
2.7.05
"Atarrachador"
A RTP-Madeira coloca no ar mais um regionalismo. Suspense imenso mas, voilá, mistério desfeito, a escolha recai sobre “atarrachador” (sic), uma palavra tão banal aqui como em Trás-os-Montes ou no Alentejo.
Desconheço se houve mudança de orientação na rubrica ou ordens para perguntar banalidades. Mas uma coisa é certa: sem querer a RTP-Madeira inaugurou uma nova secção de regionalismos. Passou dos regionalismos falados para os, novidade suprema, regionalismos escritos. Só isso explica que nenhuma alma caridosa tenha percebido que é "atarraxador" e não “atarrachador”, como qualquer dicionário minimamente decente explica.
30.6.05
Contradições
Curiosamente, o Diário de Notícias apregoa, há mais de 100 anos, a liberdade de imprensa que, como é óbvio, se devia traduzir em liberdade de expressão. Contradições...
Um abraço solidário ao Bento.
Perguntas (legítimas)
Sei lá, eu também, sempre que vou a Londres, lembro-me do Funchal. São cidades tão parecidas...
29.6.05
Mais papista que o Papa
Tudo muito bem. Nada que não se esperasse de um parlamentar da bancada que tem a mesma cor partidária do governo da República e que faz do seu discurso uma tentativa, vã e efémera, de legitimação da actual acção política de um executivo há demasiado tempo à deriva.
Mas o extraordinário nisto tudo, e espantem-se, é que o referido deputado é, para além de deputado pelo Partido Socialista, presidente do Sindicato Democrático da Função Pública na Madeira. Isso mesmo, leram bem: presidente do Sindicato da Função Pública na Madeira. Ora, neste cenário absurdo, não estaremos perante um caso gritante de incompatibilidade política? Como se sentirão os associados deste sindicato ao verem um presidente que não os defende e que não é com eles solidário? É para isto que servem os sindicatos? Bem fez Roberto Almada, deputado pelo Bloco de Esquerda, ao anunciar no hemiciclo que ia cessar imediatamente a sua inscrição neste sindicato e distribuir cópias do referido discurso pelos trabalhadores do mesmo. Se eu fosse sindicalizado, faria o mesmo.
27.6.05
Amuo da Esquerdalha
Acabou-se o pavonear burguês da esquerda queque. Era de prever, falta-lhes a consistência e a fibra necessárias para qualquer projecto de médio/longo prazo. Vivem do e para o momento, da chama fugaz, da faísca.
O regresso de Mohammed Saeed al-Sahaf

Ele fez história. E deixou seguidores:
Kumba Ialá garante que não perdeu as eleições.
A dupla Daniel Oliveira/Ana Drago garante que não houve arrastão e que os assaltos na praia de Carcavelos foram provocados pelo pânico de uma carga policial.
Saddam Hussein garante que ainda é presidente do Iraque.
Eu, perante o delírio, não garanto nada.
26.6.05
Este blogue até ganha torneios...
O Magno, um dos bloggers (!) deste espaço, ganhou um torneio de golfe no Porto Santo. Está por isso de parabéns.
PS para o Magno: espero que agora apareças por cá mais vezes...Os populistas também se abatem
O Dr. Carrilo ameaça bater com a porta e abandonar a sua formosa candidatura a Lisboa. Percebo-o perfeitamente: o Dinis Maria afinal ainda não consegue articular um ensaio inteiro, o Eduardo Prado Coelho sozinho não chega para as encomendas e o antigo namorado da Bárbara (um tipo também conhecido por "cabelo azul") voltou à apresentação de programas de televisão. O pessoal do marketing, desesperado, também entende que a coisa assim não vai lá e que a conjugação dos planetas não está a ajudar o pobre político-filósofo (ou será filósofo-político?).
O Dr. Carrilho medita por isso profundamente. E medita profundamente à procura de algo que evite o naufrágio que as sondagens prometem. Por um lado, pode fugir (desistindo); e por outro, pode deixar-se ir de fantasia em fantasia até à estocada final (candidatando-se). Dê por onde der, um e outro caminho adivinham o fim do mito e são a prova provada que os intelectuais populistas também se abatem.
Impressões
É impressão minha, ou o Diário de Notícias transforma-se numa espécie de Caras de cada vez que o Cristiano Ronaldo cá põe os pés?
23.6.05
Mon Puteaux
Au Blog citoyens!
Na edição de 21 de Junho, o “Libération” faz manchete com o caso. O município de Puteaux, nos arredores de Paris, decidiu processar o socialista Grébert por textos que este colocou no seu blog.
A autarquia, controlada há várias décadas por uma poderosa família local, Ceccaldy-Raynaud, não terá gostado das críticas do internauta. Nem das fotografias colocadas on-line por este, e que ilustram uma realidade diferente daquela que as autoridades locais tentam mostrar.
A decisão judicial do “Caso Grébert” é esperada com alguma expectativa em França. E na “blogosfera” criou-se uma corrente de solidariedade.
Em editorial publicado no “Libération”, Patrick Sabatier acusa os poderes político e económico franceses de procurarem silenciar os blogs, particularmente os mais incómodos. Defende que a blogosfera representa o advento da “e-democracia”. E apela “Au Blog Citoyens !”.
Embora a tendência esquerdista da publicação francesa seja (re)conhecida, Sabatier não deixa de ter razão. A blogosfera representou o advento do “cidadão-repórter” e poderá contribuir para a democratização do acesso e da circulação à, e da informação. Aliás, há quem defenda que estamos perante uma autêntica “revolução”, que deixará marcas indiscutíveis nos média tradicionais.
São os casos do colunista do “New York Times” Hugh Hewitt - "Blog: Understand the New Information Revolution and How It Is Redefining the Media, the Culture, and Business"- de Pierre Lévy – “Cibercultura” – de Luca Tochi, entre outros.
Segundo alguns autores, entre as quais os supracitados, a revolução começa a partir do momento em que os grupos social e economicamente dominantes perdem o exclusivo da produção de informação à escala global, perdendo por isso poder e, obviamente, dinheiro.
O movimento está a nascer - existem, actualmente, 11,5 milhões de blogs. Aqueles que mais têm a perder farão tudo para “institucionalizar” a blogoesfera. E para começar procurarão dar-lhe o “devido enquadramento legal”. Daí a importância que o “Caso Grébert” vem assumindo em França. E o interesse com que vem a ser seguido internacionalmente.
22.6.05
Sempre a abrir
O mundo do futebol é mesmo extraordinário. Depois de ter sido dado como certo em cinco ou dez clubes (incluindo o Inter e o Real Madrid), eis que afinal Luisão vai ficar no Benfica até 2011.
Em termos de surrealismo ninguém bate os jornais desportivos. E, arrisco, no ridículo também não.
Actualização, ou as mulheres socialistas III
De acordo com uma notícia um pouco manhosa saída no Público de ontem, a D. Sónia, actual presidente e deputada na Assembleia da República, derrotou a D. Maria Manuela (candidata a presidente e actual vereadora em Oeiras) por apenas 53 votos, na corrida mais louca de que há memória para a presidência das mulheres socialistas.
Relembremos que esta eleição fica marcada não só pelo tempo que demorou a divulgar os resultados (num processo kafkiano que pode ser comparado à primeira eleição de Bush e à contagem e recontagem de votos na Florida) como também pelas acusações que fizeram lembrar homens de barba rija numa qualquer lota de peixe. Pelo meio discutiram-se algumas ideias interessantes. Como as quotas, os lugares e as posições.
Gerir mal os silêncios
Este processo foi tão mal gerido que a dúvida ficará para sempre no ar.
O mistério adensa-se
21.6.05
Novos axiomas
“Os institutos de sondagens tornaram-se, nos dias de hoje, os adivinhos dos tempos antigos que lêem os inquéritos de opinião com a gravidade com que os seus predecessores interpretavam as entranhas das galinhas.”
Fareed Zakaria, “O Futuro da Liberdade”, Gradiva
Professores
Os professores esquecem-se, claro, que Portugal é dos países que mais gasta em educação per capita (e dos que piores resultados tem) e que os professores, comparativamente à Europa desenvolvida, são das classes que melhor recebem. Tudo isto parecem pormenores irrelevantes. Aliás, calmamente ignorados por todos.
Do alto da sua sapiência, e da mais abjecta demonstração corporativa, demagógica e de duvidosa ética, os professores ameaçaram e ameaçam faltar aos exames, testes e outros derivados. O Ministério está numa posição de força e não quer ceder perante a chantagem e outros nomes feios. Pelo meio lixa-se o mexilhão, que é como quem diz lixam-se os alunos, que só por acaso são a parte mais interessada no assunto, factor convenientemente apagado pelos doutos cultos que ensinam as nossas criancinhas.
Fica a lição desta gente ilustre e mais este gentil ensinamento às gerações futuras: não podes vencê-los? Podes sempre lixar a vida de outros que nada têm a ver com o assunto. Nem mais.
17.6.05
Títulos e manchetes
Selecção do “lê-se” da parte desportiva do Diário de Notícias do Funchal de 17 de Junho de 2005
“Benfica recusa 7 milhões da Juventus por Miguel” – O Jogo
“Não peçam a lua por mim” – Miguel em declarações à imprensa italiana, citadas por O Jogo
“Quero experimentar outro campeonato” – Miguel (Record)
“Sporting não vende Enak ao Dínamo por seis milhões” – O Jogo
“Empresário diz que jogador ficou furioso” – Idem
"Enakarhire não deseja jogar no Sporting" - A Bola
“O presidente disse bobagens sobre mim” – Luís Fabiano sobre Pinto da Costa (O Jogo)
“Koeman quer matulões” – Record
“Benfica vota contra sorteio dos árbitros” – Record
“Vai ser craque” – Ronaldinho Gaúcho sobre Anderson (A Bola)
O trolha de Portugal
Na televisão pode-se tudo. Há muito que batemos no fundo.
16.6.05
Descarril(h)amentos
Pode-se naturalmente mostrar a família. Pode-se até mostrar a casa, a cama, o escritório onde se trabalha ou os pratos onde se come. Pode-se inclusivamente mostrar a bela mulher (que rende muitos votos, de certeza absoluta) e o petiz (a dizer papá ou qualquer coisa do género). Mas coisa completamente diferente é encenar tudo isto disfarçado de normalidade como se fosse um qualquer folhetim de propaganda rasca ou de revista cor-de-rosa (aliás palco habitual do casalinho, como já foi referido).
Carrilho, também conhecido por Jack Lang português (nunca percebi muito bem porquê), devia por isso ter mais juízo e saber, que chatice, que não há assim tantos parvos e que há gente, outra chatice, que não pensa como ele. É um problema de forma. E também de conteúdo.
Luisão [afinal] quer ficar no Benfica
Sejamos sérios: a quem é que interessará (se é que alguma vez interessou) um central de categoria duvidosa, demasiado lento e descoordenado, que se fartou de meter água a época toda? Ao Inter? Ao Real Madrid? Ao Milão? A outros colossos europeus? Os absurdos são tantos que só podem ter mesmo por justificação a venda de jornais e as fábulas e mitos frequentes que diariamente se criam. Esta história do Luisão faz-me lembrar uma outra que saía nos jornais e era garante de manchetes e primeiras páginas (e consequentemente de receitas): a ida de Beto para o Real Madrid. Durante muitos anos, o Beto, outro central de categoria duvidosa, era figura assídua nestas peças de teatro divididas em muitos actos como convém. Mas até hoje, o mais perto que Beto esteve de Madrid foi quando, muito provavelmente, lá foi passear com a esposa.
Muitos outros exemplos irreais podiam ser dados. Arrisco avançar que boa parte das primeiras páginas desportivas portuguesas nunca se concretizam, principalmente quando não há campeonato. Isto é o mesmo que dizer que são falsas, manipuladas ou exageradas.
A quem serve este tipo de jornalismo? Porque será que até no jornalismo o futebol parece viver num regime de excepção? Será que ninguém percebe o ridículo de certas notícias? Será que não há uma alta autoridade que chame a atenção para estas poucas-vergonhas? Não estão os jornais fartos de enganar incautos? De enganar fanáticos? O Luisão no Inter? O Luisão no Real Madrid? Por favor: acabem com o ridículo.
13.6.05
Aqui há coisa de judeu !!!
Espero, agora, as loas dos Franciscos Anacletos Louçãs deste mundo, terá a coragem de apresentar um voto de louvor no nosso Parlamento ? Exultará o povo oprimido da Faixa de Gaza ? Continuará a ter uma visão unilateral e condescendente em relação a um dos mais violentos e punitivos regimes do Mundo ?
É degradante assistir à defesa de semelhantes comportamentos, condenando a autodefesa de uma das mais estáveis e consolidadas Democracias actuais. Israel não executa quem pensa de forma diversa, não prende quem se exprime de forma diferente.
De certeza absoluta que a esquerda colorida, dita defensora da Liberdade e os seus aliados dos media encontrarão uma explicação "plausível" para esta EXECUÇÃO. Julgo que surgirão informações que a corda utilizada nos enforcamentos foi fornecida por algum judeu sem escrúpulos ou que a bala usada no fuzilamento foi entregue por algum agiota semita ou, para os mais criativos, estamos perante uma operação de contra-subversão montada pela Mossad com o objectivo de descredibilizar a Autoridade Palestiniana (os juízes eram agentes).
Continuarão os diletantes de esquerda a condenar Israel (única Democracia funcional da região), a defender os que executam, os que desrespeitam a livre opinião, os que limitam a liberdade dos seus cidadãos, os que matam indiscriminadamente, os que recorrem ao terrorismo para alcançar os seus objectivos políticos, os que usam as ajudas internacionais em benefício pessoal deixando o seu povo entregue à fome e à doença.
Curiosa esta esquerda, coitados, vivem para o momento, "alapam-se" às causas mediáticas não pensando nas incoerências que, entretanto, vão cometendo. Não passam de pobres de espírito (não haveria problema se, enquanto isso, inocentes não morressem e presos não fossem executados). Continuem, meus caros, o mundo agradece-vos !!!
Álvaro Cunhal
Mais do que homenageado merece ser recordado. Por isso que se inscreva, na sua lápide, "aqui jaze o último revolucionário. Que Deus e o Diabo disputem a sua sorte".
Eugénio de Andrade
"Uma casa que nem fosse um areal
deserto;
que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi acesso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino;
coisa simples e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia"
Eugénio de Andrade
Porque os poetas não morrem. Limitam-se a partir porque têm um destino. Coisa simples e pouca, um destino...






