"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
5.2.10
Até o Sol
Vou ali e já venho
Nota de rodapé: O facto do Governo utilizar a LFR como pretexto para abrir uma crise política baseia-se na crença de que a opinião pública nacional apoia a posição de força. O que nos deve fazer pensar sobre algumas questões relacionadas connosco.
4.2.10
Basta que Sim que o Miguel tem piada
Piada do ano
Um humorista, este Teixeira dos Santos!
Uma dúvida
3.2.10
Mais uma cabala. É a vida!
Se as duas frases escritas acima fossem publicadas há duas semanas neste blog, a "caixa de correio" teria recebido uma série de comentários elogiosos do género
devia era haver mais como ele
aquilo é que é um jornalista
etc.
Curiosamente, após o jornalista ter denunciado uma atitude no mínimo questionável desse arauto da democracia que é o "primeiro" Sócrates, a dita caixa deverá receber comentários inflamados a referir mais uma terrível cabala contra aquela espécie de "madre Teresa", aquele poço de virtudes e de qualidades, aquele exemplo de honestidade e de rectidão chamado José Sócrates.
É a vida, como diria o Toneca do Contra-Informação... É a vida, de facto.
Depois, há quem queira ser levado a sério quando denuncia pressões políticas na Madeira. É a vida!
Post-Scriptum: Acompanho há muitos anos o trabalho de Mário Crespo enquanto jornalista, por isso mesmo desafio quem quiser, com o mínimo de bom-senso, a denunciar qualquer laivo de parcialidade naquilo que escreve, diz ou publica.
Chamar "operação de marketing" a uma denúncia que pode pôr em risco a carreira de Mário Crespo enquanto jornalista é risível.
Creio é que a denúncia deveria servir para que todos nós pensássemos sobre a qualidade da nossa democracia - inclusive sobre a qualidade da democracia na Madeira - e sobre o clima de fim de regime que paira sobre este desgraçado país, com as instituições (quase todas elas) desacreditadas.
Post-Scriptum 2: Tenho o prazer de conhecer pessoalmente Mário Crespo, com quem já estive por mais de uma vez. Dele, tenho a melhor das impressões e não hesito em classificá-lo como uma das pessoas mais educadas que conheço.
Vai ser preciso esperar muito mais?
- Que ráio se passou na cabeça de José Eduardo Bettencourt (JBB) para contratar o actual treinador do Sporting?
- Que ráio se passou na cabeça de JBB para dar 6,5 milhões por um senhor de nome Pongolle, quando o Ruben Micael foi para o Porto por menos de metade? Já agora, para continuar a jogar aquele rapaz que dá pelo nome de Saleiro, cheio de boa vontade. Mas só de boa vontade...
- Vamos ter de aturar por muito mais tempo os polgas, grimis, adriens, abeis e djalós deste mundo?
- Porque ráio de carga de água o Varela joga no Porto e o Djaló no Sporting?
- Por quanto tempo mais vamos ter de aturar uma política de contratações imbecil, uma política desportiva desastrosa e uma política financeira que, a julgar pelos números recentes, também não é famosa?
Se quiserem transformar o Sporting numa espécie de Belenenses, pelo menos assumam. Que merda, é humilhação atrás de humilhação!
2.2.10
Uma evidência
Em mais um repasto dominical, o Dr. Alegre, em adiantada e precipitada campanha, declarou três coisas: que não é candidato em nome de nenhum partido, que não é candidato para governar e que não é candidato para criar condições para demitir o governo. O Dr. Alegre achou por bem esclarecer a malta quanto aos seus intuitos que, pelos vistos, não resumem nada de tenebroso ou que ponha em causa a vidinha quotidiana da nossa tão estimada pátria.
Não fosse a nossa assumida capacidade para a prestidigitação e não conseguiríamos entender as evidentes entrelinhas de tão brilhante e inesquecível momento. O Dr. Alegre já percebeu que o único partido que por agora o apoia não é o seu e que há muita gente que desconfia das suas verdadeiras intenções quando ele aparece de braço dado com o Dr. Louçã, um profeta para quem a democracia é um notório incómodo. É necessário então que ele diga alguma coisa que descanse as cúpulas que mandam e que não assuste, ou abane, em demasia o sistema.
Mas, e lamentavelmente para o Dr. Alegre, o Eng. (?) Sócrates sabe bem o que a casa gasta e o modo como a política doméstica funciona. É por isso que neste momento esfrega as mãos de contente, perante a rifa que lhe coube em sorte: ao pé do putativo candidato da esquerda, revolucionário imprevisível e cheio de amizades inoportunas, o outro previsível candidato, o Prof. Cavaco, não passa de um conservador moderado com algumas ideias fixas, que o primeiro-ministro não admira, mas que inevitavelmente suporta.
Num tempo já de si incerto, e entre o conhecido e o desconhecido, o Eng. (?) Sócrates já não tem qualquer dúvida e definiu claramente a sua opção: mais vale um Cavaco que dê a mão, que um Alegre em permanente jantar.
Goebbels e lacaios
PS - Alguém da blogosfera madeirense questionava se é lacaio quem defende Sócrates nesta questão com o Mário Crespo. Não, só lacaio, não! Pateta, imbecil, servil, energúmeno, são, assim, umas características que me recordo rapidamente.
Marítimo financia Braga?
Ou seja, o Marítimo não beneficia das mais-valias desportivas, nem do potencial económico do jogador. E não me admirava nada que o dispensassem, a título definitivo, no final da época, em benefício do Braga, sem qualquer tipo de compensação, como fizeram ao Marcinho… Ou ao Mossoró, ou ao Evaldo, ou…
Sinceramente, esta política de gestão de jogadores do Marítimo começa a roçar o absurdo. Carlos Pereira nem consegue dar qualquer estabilidade ao plantel (ou aos treinadores e depois põe-se a vociferar), nem consegue mais-valias financeiras para o clube (se ao menos as saídas compensassem!). Tem uma estratégia ziguezagueante, sem qualquer nexo e começo a suspeitar que não é em benefício do Marítimo. Aliás, estaremos atentos para ver se o Marítimo será ressarcido deste empréstimo (que ricos que somos, para emprestar jogadores ao líder do campeonato…).
Nisto, estou com o BBS: é tempo de agradecer a mandar o Sr. Carlos Pereira à sua vidinha… E rapidamente, antes que ele dê cabo do clube!
O Amazongate
Entretanto, a floresta amazónica sofre igualmente com o aquecimento global ou com as ideias teóricas sobre o aquecimento global. De acordo com projecções pouco optimistas, entre
A tese foi desenvolvida e incluída num imenso relatório que, entrementes, também, já foi desmontado e desmentido por nítida falha de cálculos e de referência a fontes. Uma vez mais se vê que anda toda a gente a brincar com o assunto. E uma vez mais se prova que ou querem tornar mentiras em dogmas ou teorias em verdadeiras inconveniências.
Quando cientistas e políticos abraçam uma ideologia que não admite o contraditório, estão eles próprios a cavar a inevitabilidade do seu destino quando se depararem com falsos argumentos ou com informação não controlada ou evidentemente manipulada.
Depois da enorme crença ambiental no aquecimento global, que arrastou milhões de fiéis, há agora um evidente mal-estar provocado pelas manipulações em nome da causa. Não vale a pena se queixarem agora que do outro lado da barricada surgiu uma falange disposta a usar os mesmos métodos, o mesmíssimo tipo de argumentos e idêntica escala de propaganda. Errar uma vez, acontece. Errar duas vezes, ainda pode ser. Errar sistematicamente, só pode ser brincar. Com o ambiente, como é óbvio.
O Glacier Gate
Depois das estatísticas enviesadas, chegou a vez dos Himalaias. De acordo com estudos publicados, os Himalaias iam derreter por obra divina ou do aquecimento global, até 2035. Entretanto, descobriu-se que 2035 era um mais que evidente exagero e corrigiu-se a projecção para uma janela temporal de 300 anos. 25 ou 300 anos é, na prática, para alguns cientistas, quase a mesma coisa. 12 vezes mais para ser justo e preciso. Continuamos sem saber com quem estes tipos aprendem a fazer contas e projecções, mas convém que pelo menos não se dediquem, por enquanto, à construção de pontes ou de incineradoras. Em nome do ambiente, e de alguma gente inocente, já era qualquer coisa de muito útil.
O Climategate
Depois de o mundo quase ter terminado por várias vezes nos últimos anos, os ambientalistas de pacotilha, viram-se metidos numa embrulhada que meteu falsificação de estatísticas e omissão de informação relevante. A bomba estourou quase
Claro está que omitir e escamotear informação não costuma ser processo que dê grande resultado, pelo que a cimeira acabou por redundar numa espécie de fracasso anunciado, ao mesmo tempo que abalava a credibilidade de alguns estudiosos que vêem o fim dos tempos em cada esquina deste mundo. Como é natural, a mentira teve perna curta e aos poucos as pessoas vão abrindo os olhos e vão percebendo as balelas que resumem uma gigantesca manipulação e um método que devia envergonhar gente crescida.
Agora, por causa do fundamentalismo de certas opiniões e da manipulação grosseira e (in)conveniente de estudos e estatísticas voltamos praticamente à estaca zero e sem sabermos bem qual é, na verdade, a gravidade da situação. Tudo o que se fez até agora pode resumir bem o espírito do tempo: quente e/ou frio, seco e/ou chuvoso. No fundo, apenas imprevisível. Com ligeiras abertas ao fim da tarde.
1.2.10
Mais uma tirada (so)cretina!
Mário Crespo
Ora, venham de novo dizer que é mentira, que Sócrates não convive mal com a imprensa livre e com os jornalistas que se atrevem a pensar pela sua cabeça e que ousam fazer aquilo que lhes compete, que é o escrutínio da coisa pública.
E venham acusar Mário Crespo de jornalismo de "sarjeta", como fez Sócrates à Manuela Moura Guedes.
A verdade é que Sócrates, que para grande infelicidade nossa, é PM deste país, é um psicopata com manias de perseguição, que representa um sério perigo para Portugal. E quanto mais tempo este tipo estiver no governo, mais riscos corremos...
31.1.10
Crusade (Choir) - Immediate Music (Kingdom of Heaven)
Comemoram-se 100 anos sobre a implantação da republica, sistema de Governo imposto e nunca referendado. Não seria uma boa oportunidade para discuti-lo?
Deixem ficar. Vamos passar o ano a ouvir falar dos "grandes ideais" da republica. "Coisa bonita de se dizer, viu"!
Os discursos desta manhã são premonitórios do que aí vem. Discutir abertamente o regime e a forma de Governo?! Perguntar ao povo aquilo que o Povo quer?! Que sacrilégios... Vá de (metro) Santanás que eu até sou ateu!
Fiquemos com a música.
Um poema "dedicado" à Republica
O que diz Pátria mas não diz glória
Com um silêncio de cobardia,
E ardendo em chamas, chamou vitória,
Ao medo e à morte daquele dia
A esse eu quero negar-lhe a mão,
Negar-lhe o sangue da minha voz,
Que foi ferida pela traição
E teve o nome de todos nós
O que diz Pátria sem ter vergonha
E faz a guerra pela verdade
Que ama o futuro, constrói e sonha Pão e poesia para a cidade
A esse eu quero chamar irmão
Sentir-lhe o ombro junto do meu
Ir a caminho de um coração
Que foi de todos e se perdeu
António Manuel Couto Viana
Lamentável!
Lamentável é que a CMF dê cobertura e financie manifestações deste tipo, quando falta dinheiro para acções bem mais relevantes (lembro-me da celeuma que deu a parceria estabelecida com a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas).
Uma política cultural muito sui generis, não haja dúvidas!
30.1.10
Orçamentos da treta!
Merecem-me, contudo, alguns comentários, as políticas subjacentes às tais contas.
Ora, o governo pretende combater o deficit, uma vez mais, recorrendo à tradicional prática de entalar quem já anda entalado. Salários dos funcionários públicos, reformas, assistência médica, medicamentos, enfim…
Mas mesmo assim não chega, dizem-nos os tais “iluminados” de finanças (entre os quais se contam os bancários, os economistas da situação, os jornalistas e comentadores económicos, os políticos de pacotilha e escória semelhante). É preciso reduzir os salários dos funcionários, é preciso cortar ainda mais nas prestações sociais, é preciso…
(Curiosidade: já se nos atrevermos a criticar as subvenções escandalosas de alguns detentores de cargos políticos e de gestores públicos, cai o Carmo a e Trindade. Ah e tal que não podemos ser miserabilistas, que eles até ganham pouco, que é inveja social and so on…)
A verdadeira questão é que eu nunca vi ninguém ter coragem para ousar propor medidas de fundo que reduzissem efectivamente a despesa pública, com efeitos já a curto prazo e benefícios evidentes a longo prazo. Sugestões? Pois aqui vão:
- Extinguir-se os governos civis que são autênticos sorvedores de dinheiros públicos, sem que isso se traduza em mais valias para as populações. São representações feudais dos governos e que a nível local apenas servem para acções de caríssima propaganda e para satisfazer determinadas clientelas partidárias e associativas locais;
- Extinguir-se as comissões de coordenações regionais, que, actualmente, também não servem para nada Grande parte das funções que lhes estavam consignadas, ao nível de financiamentos europeus, já foram transferidas para entidades supra-municipais;
- Extinguir-se as direcções regionais de agricultura e de educação. Qualquer uma delas perdeu a maior parte dos seus conteúdos funcionais. As da agricultura, porque essa é uma actividade em vias de extinção. As de educação, porque neste momento, com o aumento da autonomia das escolas e agrupamentos, com os concursos por quatro anos, com a transferência de competências para os municípios, já não fazem absolutamente nada. Contudo, continuam a ser agências de empregos para as estruturas partidárias locais, mantendo um corpo de funcionários anormalmente elevado. Pergunte-se para que servem as dezenas de professores, os arquitectos, os engenheiros…
Para ser mais rigoroso, seria mandar, também, às malvas, as direcções de cultura, que só servem para atribuir subsídios aos amigos;
- Fazer uma reforma séria na organização do Estado, que permitisse a extinção de municípios que mais se assemelham a freguesias e freguesias que mais parecem paróquias ou bairros.
Ora, não faz sentido investir-se milhões em vias de comunicação e manter-se as estruturas locais que eram necessárias há 30 anos. Como não faz sentido municipalizar-se serviços e não extinguir as instituições antes responsáveis por essas competências. Como não faze sentido legislar-se para aumentar a eficiência das instituições e manter-se as despesas correntes, sem um aumento da sua eficácia.
Mais, para além do que se pouparia com estas extinções (que são meros exemplos), ao nível de despesas correntes, poder-se-ia alienar património (vendendo, por exemplo, aos municípios), com benefícios a curto prazo para diminuição do deficit (todos os edifícios onde funcioonam os serviços supracitados).
Reconheço que a aritmética pode não ser assim tão fácil como pareço fazer crer. Mas no essencial, estou convencido que apenas uma reforma de fundo ao Estado é que poderá permitir mudar alguma coisa. Não é fazendo cortes nos salários ou pensões dos trabalhadores que alteramos o actual estado do país. Isso é o mais fácil, porque para o resto é preciso coragem.
Mas percebemos – ó, se percebemos – porque é que os partidos não querem mexer no substancial. E enquanto a democracia estiver refém destes grupelhos, não se caia na ilusão de que alguma coisa vai mudar. Infelizmente, orçamento atrás de orçamento, será sempre a mesma coisa. Com o aplausos dos clientes do costume…!
29.1.10
Andersen Molière
Uma banda portuguesa que vai dar seguramente muito que falar. E isto não é um cliché...
Imitosis
when he put his Bunsen burners all away
and turning to a playground in a Petri dish
where single cells would swing their fists
at anything that looks like easy prey
in this nature show that rages every day
it was then he heard his intuition say
we were all basically alone
Imitosis - Andrew Bird
O senhor Drake
Gosto cada vez mais do senhor Nick Drake.
Sabem, acho que o senhor Drake é a prova de que se existe alguma coisa justa ela é a arte, pois garante o reconhecimento da qualidade, da originalidade e da criatividade mesmo que postumamente, como é o caso.
Gosto do dedilhar da guitarra do senhor Drake. Gosto da melancolia daquilo que canta. Gosto do universo poético em que se movimenta, construído com apaixonadas palavras de descrença. Enfim, gosto cada vez mais do senhor Drake.
27.1.10
Man w/ the Movie Camera 2
Estes senhores (Cinematic Orchestra) são, de facto, muito bons. Muito, muito bons.
Continuação da teoria anterior
Em Banguecoque, Oliver Stone decidiu continuar a alimentar a sua senda teórica sobre a morte de JFK.
Stone, que realizou esse inenarrável “JFK” sobre a morte do próprio Kennedy, diz mesmo que a versão oficial americana não passa de um “conto de fadas nacional” e que Lee Harvey Oswald não foi mais que um “bode expiatório” para resolver o problema.
Já sabemos que as teorias conspiratórias abundam por aí como cogumelos: desde o homem que não chegou à lua, passando por Roswell ou pelos frangos que não tinham cabeça da KFC, há devaneios para todos os gostos e fantasias para todos os feitios. A paranóia de Stone é a resolução do assassinato de JFK para que a estória não continue a ser o tal “conto de fadas” e Lee Harvey Oswald o tal eterno “bode expiatório”.
Para evitar ansiedades e ajudar a resolver o problema sem recurso a medicação, resta-nos pedir ao premiado realizador que contacte o Sr. Chávez da Venezuela, um prodígio na resolução deste tipo de enigmas. Vai rapidamente descobrir que a culpa é mesmo do mordomo, perdão, dos EUA, o que neste caso em particular só pode significar que tem toda a razão.
Uma teoria
De acordo com a teoria enunciada pelo presidente da Venezuela, o terramoto que devastou o Haiti foi causado por obra e graça dos EUA porque estes desenvolveram uma arma secreta capaz de provocar terramotos, cujo objectivo final – já que o Haiti foi apenas um primeiro teste – é atingir o Irão na mesma proporção. Se até agora, caro leitor, conseguiu ler isto sem se rir ou sem levantar as sobrancelhas você não passa de um crédulo sem remédio. Ou de um romântico incorrigível.
Nós, por cá, continuamos sem saber se tão complexa teoria é fruto de profunda e apurada introspecção ou se um simples desvio de atenções da anunciada e previsível catástrofe para onde caminha a sociedade e a economia idealizada pelo Sr. Chávez.
Na verdade, numa altura em que o dinheiro não abunda porque o petróleo perdeu força, nada como dramatizar o cenário e embelezar a comédia com os adversários do costume onde, claro está, os EUA surgem à cabeça como mentores e executores de tão maquiavélicos planos.
Não se espante assim, caro leitor, se a coisa por si só, implodir em pouco tempo, não por culpa do rumo socialista do Sr. Chávez, mas por culpa de uma qualquer arma americana que racionaliza os alimentos e a electricidade, fecha canais de televisão incómodos e nacionaliza a propriedade privada não alinhada com o desvario permanente.
Se entretanto, a novela acabar com toda a gente metida em coletes de força, também não se apoquente: a culpa só pode ser, e uma vez mais, dos EUA.
26.1.10
Políticos, empresários e jornalistas, ou o pior que existe na sociedade portuguesa
Lembram-se de ver, há uns anos a subserviência, dos ditos jornalistas, relativamente a Jardim Gonçalves, Oliveira e Costa, ou João Rendeiro, que eram apresentados quase como vedetas? "Self-made men, empreendedores, competentes, profissionais", era a ideia que nos vendiam. Por isso, justificavam-se os milhões com que estes senhores eram agraciados nas suas empresas Mais, lembro-me mesmo que alguns opinion-makers referiam que era fundamental atrair esta gente para a causa pública, apontando a necessidade de alterar a lei, de forma a permitir pagar os chorudos ordenados que auferiam no sector privado.
Ora, pensava eu que a crise serviria para, pelo menos, mostrar que estas sumidades da gestão, afinal poderiam não passar de sumiços. Triste engano: Fátima Campos Ferreira, José Gomes Ferreira e outros quejandos continuam a querer impingir-nos estes gestores do sector privado, apontando-os como salvação messiânica para Portugal. E é vê-los babarem-se para cima dos gestores, que na sua magnanimidade, alvitram as soluções para o país. A culpa do desastre que provocaram nas empresas que lideravam, como é bom de ver, é da crise (que parece não ter qualquer responsável).
Mas, agora, não são apenas os bancários: o jornalismo (?) económico, num acto inconfundível de democratização, alargou o seu leque e qualquer empresário medianamente bem sucedido é um potencial ministro das Finanças e Economia, apontado como o supra-sumo da gestão, com soluções milagrosas. E os senhores, claro está, não se fazem rogados a uns minutinhos de publicidade gratuita e é vê-los pulular de programa em programa, indicando soluções, sugerindo medidas, aconselhando políticas.
Por outro lado, também não consigo evitar um riso sarcástico quando vejo estes mesmos jornalistas opinarem sobre orçamentos e finanças públicas.
Ah, que a oposição tem de ser responsável (para com quem?); que são necessários sacrifícios, que os sindicatos têm de ficar calados; que os funcionários públicos, esses malandros, já foram muito beneficiados e o pobre português não pode continuar a sustentar esses velhacos; que as comparticipações sociais têm de diminuir, que os impostos têm de aumentar. Ou seja, teremos todos de comer e calar, na opinião desta gente. Confiar num governo que não elegemos e que não é digno da nossa confiança é que é, na opinião, destes anormais, a receita para o sucesso.
E nisto, estão com os seus ídolos, os tais gestores, que também apontam como soluções para a crise: a diminuição dos ordenados, a flexibilização dos horários de trabalho, a diminuição dos encargos sociais, a privatização dos serviços públicos. Em compensação, pedem menos impostos para as empresas, maiores apoios para os seus investimentos, comparticipação do Estado nas suas dívidas. Como corolário, exigem que os maiores partidos se acertem para garantir este bloco de(os seus) interesses.
Ora, são estas as elites que temos: políticos sabujos; uma classe jornalística acrítica, bajuladora e incapaz de assumir o seu papel escrutinador da vida pública seja ela política ou económica; um tecido empresarial arrivista e ganancioso.
E se uns (políticos) não são bons, a verdade é que os outros (poder económico e jornalismo) não são melhores. E uma vez que é isto que temos, começo a pensar que é isto que merecemos. No fim, estaremos todos bem uns para os outros.
Uma contribuição dispensável
As transferências para as regiões representam 0,2% do OE, por isso a posição de força de Sócrates só pode ser justificada com argumentos políticos e não orçamentais. Colá-la ao orçamento não deixa de ser uma estratégia que visa retirar o tal "peso político" ao debate. Mas a verdade é que, objectivamente, por motivos de política partidária, o Governo da Republica está a prejudicar uma parcela do território nacional, contribuindo, através de declarações mal medidas, de uma agressividade sem precedentes, para dar argumentos a uma minoria de madeirenses que advoga a separação definitiva entre a Madeira e o Estado português, "contribuição" perfeitamente dispensável.
25.1.10
Moção de confiança? Ora, que venha, a ver o que dá!
Por mim e porque não consigo conceber a ideia de negociar com trafulhas e revanchistas, deixava que o fizessem. E se o governo caísse, olha, não se perdia grande coisa.
O receio das oposições é que o PS pudesse usar de uma estratégia de vitimização para aumentar o número de deputados.
Sinceramente, tenho dúvidas: dificilmente algum português aceitaria que 111 milhões poriam em causa a boa governabilidade do país, quando já atirámos com mais de 4200 milhões de Euros para a fogueira do BPN. Mais, com tanto caso e casinho onde o homem está metido, já são poucos os portugueses que acreditam que Sócrates faz da solução para Portugal. É que já lhe vamos conhecendo todos os tiques. O que reforça a minha ideia de que a estratégia de vitimização poderia não passar.
Ó Jacinto, dali não vêm bons ventos. E casamentos não serão para ti!...
Defender a LFR, ainda para mais num momento de incerteza como este em que vivemos, é uma trapalhada que só mesmo Jacinto conseguiria engendrar.
E quando pensávamos que, em tão curto espaço de tempo, Jacinto não conseguiria parir nova idiotice, vai de afrontar o presidente do Partido Socialista, apenas porque Almeida Santos aconselhou o PS/Madeira a reconhecer a obra de Alberto João Jardim.
A verdade é que os decanos do PS, como Almeida Santos e Jaime Gama, bem tentam mostrar que a estratégia para o PS/Madeira combater Jardim não pode passar pela cegueira política com que os socialistas madeirenses nos brindam há décadas, mas não me parece que haja remédio*. Estão condenados à estapafúrdia estratégia de não reconhecer o óbvio. E enquanto assim for, não há alternativa.
* Pergunto-me se Serrão é leitor da blogosfera socialista madeirense. É que parece. E o pior é que ninguém lhe disse que daqueles lados nunca vêm bons conselhos. Pelo menos no que ao Jacinto diz respeito!
Jobim
Man Man
- Isto é bom, Man!
- Pois é, Man...
Man Man, ao vosso dispor. Com os hábitos do coelho (tradução literal para Rabbit Habits, como qualquer leigo pode constatar).
24.1.10
Não desista, Dr. Constâncio

E depois de uma quase certa eleição para vice-presidente do BCE, eis que o Dr. Vítor Constâncio se vê agora em situação aflitiva e aparentemente empatado com um rival inesperado. A trapalhada é tanta, que ficou mesmo decidido adiar em um mês a escolha de um novo vice-presidente para que todos os problemas jurídicos (!?) sejam devidamente esclarecidos pelos responsáveis pela eleição.
Não sei se uma análise mais cuidadosa ao currículo do Dr. Constâncio, que inclui contorcionismos variados e cegueiras momentâneas, terá feito com que alguns ministros recuassem nas suas intenções de voto. Mas uma coisa é certa: é necessário que este imbróglio se resolva rápida e urgentemente. E isto por um único e singelo motivo: se o Dr. Constâncio não for, não será um azar dele. Será mesmo um incrível azar nosso.
Uma condecoração
O Dr. Santana Lopes foi recentemente condecorado pelo PR em virtude do trabalho realizado pelo país. Claro está, que logo o mundo se ergueu contra tão vil reconhecimento porque o Dr. Santana não passa de um político medíocre que foi, no dizer dos entendidos, o pior primeiro-ministro de Portugal em 35 anos de democracia.
Lamento que seis meses de mandato sirvam para tudo, até para o ridículo costumeiro vindo nas vozes e nas palavras dos que simplesmente odeiam o Dr. Santana, mais por inveja, julgo eu, do que por outro motivo qualquer.
O Dr. Santana não foi feliz no seu mandato porque, como todos muito bem se recordam, houve contingências estranhas e uma campanha política indecente orquestrada por pessoal importante que o colocou na rua em nome de interesses dúbios e de justificações pouco transparentes. É por isso que ainda hoje sinto que ele foi uma marioneta nas mãos de gente poderosa que, com indecorosa conivência, decidiu mudar radicalmente o tabuleiro político português.
Sou, talvez, dos poucos que ainda reconhece ao Dr. Santana valor político e uma série de qualidades: é um político autêntico que mostra sempre o que é, que nunca se esconde de nada e que luta abnegadamente pelas coisas em que acredita. Se notarem bem, tudo isto são pormenores em vias de extinção pública e política, num momento em que na nossa sociedade há uma especial apetência pelo plástico imaculado da aparência.
No deve e no haver, o respeito pelo Dr. Santana devia ser, no mínimo, uma obrigação. Mas de um país de ingratos, não se deve esperar grande coisa. Nem sequer um mínimo de decência ou um mínimo de consideração.
Um congresso
Pelo que vi no telejornal da RTP-Madeira de hoje, o congresso do PS-Madeira esteve ao rubro neste seu primeiro dia.
Mas se pensa, caro leitor, que a discussão aconteceu por causa do futuro da Madeira, de uma estratégia que una os socialistas ou da Lei das Finanças Regionais, enganou-se redondamente. O motivo de tão acesa discussão foi mesmo uma suposta fraude eleitoral qualquer, que aconteceu numa suposta secção qualquer e que envolveu um suposto militante qualquer. Foi, digamos, muito educativo e muito edificante. Talvez mesmo muito promissor.



