30.6.06

O campeonato

Os quartos-de-final do Campeonato do Mundo de Futebol, provam que o Mundial não é mais do que um Campeonato da Europa alargado à Argentina e ao Brasil.

Um serial killer lusitano

Santa Comba Dão, terra pacata do ditador, produziu recentemente o nosso mais novíssimo serial killer. Absorvidos e hipnotizados pelas séries televisivas, os portugueses seguiram com alguma atenção e consideração os meandros dos crimes e o seu respectivo deslindamento. O empreendimento prometia. E assegurava algum desvio de atenções numa época de hipnose futebolística que ultrapassa os próprios limites do jogo: as suas quatro linhas. Talvez inspirados pelo CSI ou por uma qualquer série americana, muita gente se desfez em explicações e em considerações que avançavam, em algumas situações, com as teorias mais abstrusas. Contudo, o método seguido pela Polícia revelou-se acertado e trouxe frutos: ou seja, capturou o serial killer. Mas reconheçamos que o serial killer nem era nada de especial. Nem muito original, o que fará dele uma espécie de imitador barato. Já o John Doe (Kevin Spacey) do David Fincher (Seven) tornou-se conhecido por virar o pecado contra o pecador, executando-o de seguida com alguns requintes de malvadez. Mas o que mais espanta é a dificuldade em se lidar com o problema e a evidência da maldade humana, arranjando mil e um subterfúgios para ignorá-la ou simplesmente jogá-la para debaixo do tapete. Muita gente crê no positivismo de Comte. E acredita que a sociedade perfeita gerará homens perfeitos, limpos e puros, incapazes de qualquer atrocidade. Isto pressupõe que os crimes hediondos que por aí pululam só podem ter uma de duas explicações: ou são resultado de uma origem social de miséria ou são resultado de uma manifesta insanidade mental, momentânea ou permanente, o que é indiferente. Como é notório, qualquer uma das explicações tenta desresponsabilizar o acto do suposto “pecador”, passando o ónus da culpa para a sociedade que nos acolhe ou para o cérebro recalcado. Ou seja, desresponsabiliza-se individualmente para, em parte, responsabilizar-se colectivamente. Mas estas explicações são simplistas porque procuram precisamente... simplificar. A maldade humana infelizmente existe e existe muitas vezes bem perto de nós. Lembrem-se de monstros conhecidos como Estaline, Mao ou Hitler e percebam que o género humano não é propriamente conhecido pelo seu amor ao próximo. E que ainda há sessenta anos atrás um povo tido como culto ouvia música clássica de manhã e exterminava gente à noite. E que o vizinho alcoólico que bate diariamente na mulher não passa muitas vezes de uma besta que usa a violência apenas para magoar os outros. Ou será que já não acreditamos que as pessoas não sabem distinguir o bem do mal?

Terminou




Muitos meses e muitas trapalhadas depois, Freitas do Amaral saiu do Governo. Por motivos de saúde, é certo. Como também é certo que tinha a saida marcada para a primeira remodelação.

Terminado o "sonho"

(utopia)

presidencial, o homem que saltou para o Governo do PS por achar que poderia ser útil numa fase dificil do país

(foi esta a justificação que deu, mas poderia ter sido outra qualquer!)

saiu sem que tivesse tido qualquer utilidade enquanto ministro

(embora, políticamente, tenha contribuído de alguma forma para credibilizar o Governo, o que, se calhar, abona pouco em favor do mesmo!)

Chegou assim ao fim a carreira política de um homem de direita que um dia resolveu voltar-se para a esquerda. E que, por isso, é visto com antipatia por quase todos os sectores da vida política portuguesa.

Deve reconhecer-se que Freitas do Amaral foi uma figura maior da democracia. E que, por isso mesmo conseguiu, há 20 anos, cativar a simpatia

(e os votos)

de mais de um milhão de portugueses.

Mas tudo tem o seu tempo. E o tempo de Freitas enquanto agente político de relevância chegou ao fim.

Poder ser que enquanto "comentador"

(está na moda)

ainda faça alguma mossa. Pode ser...

Mais um

Mais um blog. De uma velha amiga que não está cá. A ler.

Unfortunately, they are british (II)




Unfortunately, they are british (I)




Nem um tostão para Timor


Como não fiz parte da histeria nacional em torno da independência de Timor Leste, não sinto nenhuma comoção especial pelo caos que lá se vive. Até porque, bastava saber alguma coisa da história daquela metade de ilha para se perceber que qualquer plano civilizador não daria em nada.
Lembro-me até do boicote que se fazia a tudo quanto era made in Indonésia, como se, por serem feitos na Indonésia, eu (e muitos outros) deixasse de comprar gadgets ou calçado desportivo de qualidade. Lembro-me ainda da deprimente propaganda musical cantada pelos infelizes Trovante de mãos dadas com o palavroso Jorge Sampaio, que ainda se orgulha não se sabe bem de quê.

E hoje, como era inteiramente previsível, Timor é um saco de gatos. Ainda para mais infortúnio, os timorenses preferem os portugueses aos australianos. Se fizessem bem as contas, coisa de que duvido, o povo maubere ficaria bem melhor na companhia dos australianos, que certamente lhes extorquiria o petróleo, mas deixaria lá mais dignidade de vida do que Portugal deixou em três séculos.
Com pena fico é do meu amigo Paulo Rodrigues, que se viu forçado sem mais a zarpar daquela “floresta”. Já minha amiga Madalena Dias, que por lá andou “degredada” quatro anos a ensinar português, farei tudo para que esta boa mulher não volte a pôr lá os pés. Por isso, nem um tostão para Timor, da minha parte pelo menos.

28.6.06

Porque será?

O Sr. enviado especial do Governo português garantiu que a situação estava bem mais calma e estabilizada. Porque será que tenho a impressão de que não devemos confiar na personagem?

Diálogo surreal

- Fernando Ruas esteve na Madeira durante a Festa da Flor, não foi?

- Sim, porquê?

- Ah, agora já entendo isto... Deve ter sido aqui que veio buscar a inspiração!

Sorte

Ontem, dizia-me alguém com piada: A sorte dos média portugueses é que, acabada a época de futebol, começa a época dos incêndios!

O Olegário lá do sítio

Após ter lido e ouvido as declarações do Sr. Ivanov, um árbitro ao nível dos melhores da Superliga - Olegário Benquerença incluído -, começo a achar que o homem estava era mesmo feito com os ingleses. Nestes "novos russos" não se pode confiar!

Lucky us

O Cowboy que dispara mais rápido que a própria sombra juntou-se ao Público. Caso para dizer que, finalmente, há um colecção de jeito! Todas as quartas-feiras.

27.6.06

Coisas de que gosto I

Aeroportos

Houve tempo em que morei ao lado do Aeroporto de Lisboa. E ia frequentemente à plataforma de partidas sentar-me num café, com um jornal, só para deixar o tempo voar. Sentia-me bem por lá. Porque tinha a sensação perfeita da fugacidade de todas as coisas.

Num Aeroporto, até as noções de tempo e de espaço são inexactas. Todas as emoções são breves.

(por exemplo, conheci gente fantástica em aeroportos ou em viagens de avião. Gente com quem, durante breves momentos, estableci ligações tangíveis. E que nunca mais vi)

Nada há de sólido numa plataforma de um aeroporto. Que por isso mesmo é a mais perfeita tradução da vida.

25.6.06

Bandeira sem cruz

Sem a cruz “devota” da Ordem de Cristo a bandeira da Região Autónoma da Madeira ficaria esteticamente bem mais aceitável. Por arrasto, até faria lembrar a próspera Suécia, cuja bandeira também tem uma cruz, mas uma cruz com origens históricas muito menos fanáticas.

23.6.06

Mais pérolas ministeriais

A senhora Ministra da Educação, falando do que considero uma boa medida (facultar autonomia às escolas para que possam contratar docentes), teve mais uma pérola digna de quem anda a leste do paraíso. Então não é que a senhora afirma que o processo de recrutamento dos professores que estiveram afectos ao Programa de Generalização do Ensino do Inglês ao 1º Ciclo foi exemplar. Será que esta senhora sabe que a média paga aos docentes foi de 7 Euros? Será que a senhora sabe que os Municípios não têm legitimidade ou competência para enquadrar pedagogicamente os docentes, logo apenas os podiam contratar em regime de prestação de serviços? E que nestes casos o valor a pagar não pode ultrapassar os 5.000 Euros? Será que a senhora sabe que muitas empresas que pululam por esse país fora e que prestam estes serviços pagam 5 Euros e até menos a professores formados e profissionalizados? Será que a senhora sabe que este Programa serviu apenas para fomentar o emprego precário de quadros qualificados?

E vem esta mulher afirmar que o regime de contratação foi exemplar?! Como diria um amigo transmontano: bai mas é pastar a baca!

Não é humano

Não sou anti-América. Não alinho da diabolização do presidente dos Estados Unidos que, a despeito do que afirma alguma esquerda intelectualóide europeia, foi eleito legitimamente pelos seus pares.
Também não gosto de ditadores. Não nutro qualquer simpatia por regimes autoritários, sejam eles de esquerda, de direita, oligárquicos ou teocráticos. Por isso, não tive, então - como não tenho agora - qualquer afeição pelo ex-ditador do Iraque. Gostei de vê-lo cair! Apenas lamentei que tal não tivesse acontecido mais cedo, aquando da primeira guerra do Golfo. Mas não sou indiferente à dor, ao sofrimento dos outros. Por isso chocam as imagens que vejo do Iraque. O rosto destas crianças, destes homens e mulheres que sofrem por uma guerra que não é sua horroriza. O rosto dos que tombam e o dos que sobrevivem.
A diplomacia moderna arranjou uma forma simpática de denominar estas atrocidades: danos colaterais. Mas o eufemismo desfaz-se perante as lágrimas de uma criança. Qualquer tentativa racional de justificar os erros, cai por terra perante o corpo inanimado de um bebé. E ficamos apenas com as palavras entaladas na garganta, sem as conseguir verbalizar: não é justo. Não é humano!

22.6.06

Leituras de fim de semana


Aos confusos Filhos de Atenas e Jerusalém

Pode a ideia de Europa definir-se por axiomas tais como os cafés, a paisagem à escala humana "que possibilita a travessia", as ruas e praças nomeadas segundo estadistas, poetas, músicos, acontecimentos (prepetuando a memória), a herança dupla de Jerusalém e de Atenas ou a "apreensão de um capítulo derradeiro", tão cara à Filosofia hegeliana?

Segundo George Steiner, um dos grandes pensadores europeus da actualidade, sim.

A ideia de Europa, "de helénicas formas, filha de Homero e Platão" - esta é do Fausto - permitiu a criação de um padrão comum de hábitos, de trocas, de comportamentos, crenças e atitudes que une os europeus, conclui Steiner. E deve ser posta em práctica rapidamente. "Liberto de ideologias falidas, o sonho pode, e deve, ser sonhado novamente", escreve Steiner.

Um pequeno ensaio que deve obrigatoriamente ser lido. Com prefácio do presidente da Comissão Europeia.

Steiner, George; "A Ideia de Europa"; Lisboa, Janeiro de 2006; Gradiva

21.6.06

Comemorações

Confesso que não vejo razão para tanto alarde, para tanta virgem ofendida, para tanto gritinho histérico, para tanto chilique atontalhado.

O Dia da Região é um dia solene, os iluminados oposicionistas aproveitavam este ensejo para o linguajar do costume, aquela cantilena monocórdica e "regasta". Ora, este ano, isso não vai acontecer, vamos, apenas seguir o modelo aplicado nos Açores (engraçado, aí ninguém barafusta, os "Rosas" não arrebitam as suas cabecinhas "esclarecidas" para protestar com tamanha falta de democracia).

São os coitados do costume, com dois pesos e duas medidas, com uma coerência fantástica, movidos pelos seus interessezinhos particulares. Não vão a Machico, batem o pé, fazem birra, amuam e mostram o beicinho. Façam o mesmo quando os Açores comemorarem o seu dia, organizem uma manifestação, invadam as ilhas nos vossos "chavelhas", queixem-se ao Presidente da Republica, à Assembleia da República, à Assembleia de Moradores, ao cão e ao gato, façam greve de fome, escrevam às Nações Unidas, mas sejam coerentes.

19.6.06

Por que vibramos quando falam bem de Portugal?


O exercício de jornalismo por estes dias mais vulgar, e aquele que mais emociona o espectador, é quando nos surge no écran alguém a elogiar Portugal. Pode ser o maior palerma do mundo, e até nem saber nada sobre este pais, mas se gabar Portugal, por mais ténue e infundado que seja o elogio, nós derretemo-nos. Já fiz esta experiência, comigo mesmo até, e dá sempre o mesmo resultado: o embevecimento.

Isto tem acontecido com uma frequência avassaladora a propósito do campeonato do mundo de futebol. Que os jogadores portugueses sejam bons, já não é mau que o digam, mas extrair daí as qualidades míticas que este “bom povo” não tem é que é mau. E vai daí que se diz de tudo e por tempo interminável. Até já ouvi, com um sorriso cordato de um jornalista, um alemão dizer que Portugal deveria ser um exemplo a seguir pelo mundo. Claro que eu, depois de ouvir isto, não me importava nada em trocar de nacionalidade com este alemão ignorante.

De tempos a tempos, quase sempre motivados pela bola, surgem estes ataques de nacionalismo exacerbado. E então dá-nos pra dizer que somos muitos bons, que temos especialistas de tudo na América e nos grandes países, que há um cientista português na NASA, que o titânio usado nos satélites é feito em Portugal, etc, etc. Enfim, o mais infeliz desta “estória” é que se esquecem que, e em maiores quantidades, há por todo o mundo cientistas e especialistas iranianos, iraquianos, sírios, quenianos, uruguaios e nepaleses. E o facto destes países exportarem alguma inteligência não faz deles, como é do senso comum, países prósperos ou sequer próximos da prosperidade.

Porém, o pior é quando aparece alguém de fora que conhece bem as nossas fraquezas e nos aponta com o dedo nos sítios certos. Como fez bem recentemente o gestor Jack Welsh, dizendo-nos, pedagogicamente, que somos desorganizados até à medula, que não gostamos de trabalhar e que a continuarmos assim nem nos próximos 40 anos apanharemos o comboio europeu. Claro que, tirando apenas alguns indivíduos atentos, veio logo a ladainha de que os estrangeiros “têm a mania”, de que “nós não recebemos lições de ninguém” e que “há gente que acha que o que vem de fora é que é bom”. Enfim, um espectáculo deplorável.

De outro ângulo, mas igualmente ilustrativo, é o exemplo dos grandes concertos poprock, também eles paradigmáticos. Todas as bandas que na sua agenda arranjam um tempinho (quando arranjam!) para passar pelo rectângulo dizem invariavelmente que o público português é o melhor do mundo. E claro, isto faz eco nos ouvidos indígenas, os quais ficam convencidos que são mesmo o melhor público do mundo. Não lhes ocorre que essas bandas dizem exactamente o mesmo, e se calhar com mais justeza, em todas as cidades por onde actuam.

Mas a resposta à pergunta inicial é muito simples. Como em quase tudo vivemos fora da realidade, quando falam bem de nós, mesmo que a efabular, vibramos.

18.6.06

Há coisas assim, não se explicam


Já era para o ter escrito. Final: Portugal – Brasil.

É este o meu sonho. Podem dizer que os sonhos não são para realizar, senão, não seriam sonhos. No entanto, este vai acontecer.
É a minha aposta.

16.6.06

Marca caracterizadora do tuga

Soubemos esta semana que Manuel Pinho autorizou a Brisa a comprar a empresa Auto-Estradas do Atlântico. A despeito do parecer da Autoridade da Concorrência. Lesando, assim, os consumidores. Não está mau para um Ministro da Economia, afinal é tudo em prol do desenvolvimento económico...dos donos da Brisa!

Soubemos, também esta semana, que o nosso Socratíssimo quer que as seguradoras deixem de pagar consertos que ultrapassem o valor dos automóveis. Eu percebo: os carros em Portugal são todos topos de gama e as seguradoras estão à beira da falência. Tadinhas....

Ainda não percebi os defensores deste governo: apoiam-no porque são socialistas ou porque são liberais? Isto é, gostam do governo porque é um governo de Esquerda, ou porque governa à Direita (se bem que algumas medidas estão mais para o caciquismo do que para qualquer doutrina democrática)? É que começo a achar que continuamos a ser a carneirada que nos caracterizou durante séculos!

PS - Soubemos, há já algum tempo, que o Sr. Belmiro de Azevedo quer que o Governo apoie mais as empresas em vez de apoiar entidades que desenvolvem trabalho social. Ó homem, decida-se: você quer mais ou menos intervenção do Estado na Economia? É que essa treta do venha a mim, venha a mim, venha a mim, já enjoa!

Filosofia Tuga

O Tuga é cínico. O Tuga é maldizente. O Tuga é agoirento. O Tuga tem má-fé. O Tuga é invejoso. Enfim, o tuga não se importa de dar um tiro no pé desde que possa afirmar: “eu cá avisei!”

Pensamento Tuga

Pensamento intrinsecamente tuga: "Toda a gente é incompetente, menos eu e tu... Mas, ainda assim, tenho sérias dúvidas a teu respeito!"

14.6.06

Os professorezinhos


Em 2005 nenhum professor, classe a que pertenço por uma série coincidente de acidentes, recebeu avaliação negativa. Ou dito de outra forma, no ano lectivo passado nenhum docente português, sem nenhuma excepção, obteve uma classificação (ou menção, como capciosamente preferem) de “não satisfaz”.

Ora, só isto, mesmo que se vivesse em Marte e se desconhecesse por completo a realidade educativa, chegaria para deduzir que as coisas estão mal.

Sendo uma evidência os maus resultados dos nossos alunos, tanto entre eles, como quando comparados com os alunos estrangeiros (relatórios PISA) e , presumo, sendo em princípio “ensinados” por professores, como é possível ninguém, nem um, ser responsável por este descalabro? Por sinal, e pelo que o Diário da República publica, verdadeiramente ninguém.

Sabe-se que a “máquina educativa” está pejada de um sem número de profissionais habituados a privilégios que na Europa já não existem. Depois, claro, há uma imensa maioria de docentes ignorantes e impreparados que, não tendo tido jeito para mais nada na vida, acabaram a ensinar o que na verdade não sabem nem nunca vão saber.

Ah, mas concluíram um curso superior! Pois concluiriam, bastando-lhes para isso e sem grande esforço repetir vezes sem conta aos pedagogos “românticos” das universidades e das escolas superiores de educação frases como (e eu as ouvi) «o professor é um facilitador da aprendizagem».

Ora, tendo esta “empresa” tão maus funcionários e tão maus resultados, a nova ministra, tal como um novo gestor que pega pela primeira vez numa empresa, está a tentar arranjar forma de expurgar muitos milhares de inúteis do sistema e melhorar o produto final. O que só por si já não é mau.

Claro que há asneiras, não que o sejam na sua essência, mas porque não são simplesmente aplicáveis num país como Portugal. É o caso do contributo dos pais e encarregados de educação na avaliação final do desempenho dos professores. Como à mínima facilidade o português comum aldraba o jogo, o mais certo é haver notas negociadas, as dos alunos com as dos professores, entenda-se.

Por fim, existem todas aquelas questões típicas de um funcionalismo que premeia a antiguidade e o simples marcar presença. Como o mérito é há décadas estranho à maioria dos docentes, o mais leve indício de avaliação do seu desempenho, de comparação com os demais, de obrigação, de quotas, de produção de conhecimento e de responsabilização pelos resultados dos alunos, causa-lhes pesadelos.

Finalmente, há os sindicatos. Pelo que os vejo dizer, e fazer, pergunto-me se o país onde vivo não é realmente a Albânia.

Como, por outras bandas, sei que há melhor do que isto, e que funciona, apoio a ministra. E fim de conversa.

Os sacos de plástico


O nosso atraso civilizacional vê-se em coisas tão pequenas como um simples saco de plástico de supermercado. Aflige-me, por isso, que em 2006 ainda estejamos a falar de sacos de plástico.

Como os nossos saquinhos terceiro-mundisitas são cada vez mais frágeis, a ideia agora é substitui-los por sacos de plástico mais resistente e, como se não chegasse, ainda nos querem fazer pagar por eles.

Sem muito esforço, basta abrir a televisão (no Hollywood, por exemplo) e em qualquer filme americano dos anos 70 a única coisa que se vê são sacos de papel. Já sei que me vão dizer que os americanos têm os carros mais poluidores do mundo e que comem fast food até à morte. Isso não me interessa. A verdade é que o uso de sacos de papel na América do Norte é vulgar há mais de 30 anos.

Se isto não chega para nos envergonhar, o que é que nos envergonha então?

13.6.06

Da próxima será melhor!

R'áis parta, o Togo perdeu.

2 a 1. Não há de ser nada, com a Suiça será melhor. Alez, Togo Alez!!!!

Alez Togo Alez!!!

Alez, Togo Alez!!!!

1-0 ao intervalo! Alez, Togo Alez!!!

Eu acredito!


Hoje entra em campo a equipa que mais anseio ver jogar: O Togo!

Vamos rapazes, eu acredito!

Fernanda Barroso

Álvaro Cunhal morreu há um ano. E hoje, morreu a companheira do antigo líder comunista, Fernanda Barroso. Segundo o PCP, a senhora foi responsável pela Organização dos Trabalhadores da Função Pública da Organização Regional de Lisboa do partido. Seja lá o que isso for.

Eugénio de Andrade


O homem que tinha "um sentido muito forte do ritmo, ordem no movimento, como dizia Platão" morreu há um ano.

Respiro o teu corpo

Respiro o teu corpo

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

As palavras

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luze são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Urgentemente

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

12.6.06

É bom que se diga tudo.

Não existem verdades absolutas, isto é válido para todas as partes. Como as notícias internacionais, especialmente as veiculadas pela Reuters (que sem confirmação e num acesso de mau profissionalismo, avança com "takes" panfletários e propaganda grosseira), apenas mostram uma versão (altamente manipulada), aqui vai a visão do outro lado.
Tragedy On Gaza Beach.

"The media rushes to conclusions following a tragic incident in Gaza.The deaths of seven Palestinian civilians on a beach in Gaza on 9 June was a human tragedy irrespective of one's views on the Israeli-Palestinian conflict.
At the time of writing, the IDF is still investigating the circumstances behind the event, ruling out any involvement by the Israeli Navy or Air Force, despite many in the international media rushing to conclusions in the immediate aftermath of the terrible incident.
For example, despite suggestions that a single artillery shell was responsible, the Guardian claimed: "a barrage of Israeli artillery shells rained down on a busy Gaza beach...", while the Independent, without waiting for confirmation or otherwise, attributed the incident to "Israeli naval gunboats".
In fact, while the most likely explanation is a single stray artillery shell, the possibility of a Qassam missile fired from Gaza itself has not yet been discounted and has been made more difficult to ascertain due to Palestinian refusals to cooperate with Israeli investigators.
As emotions run high, it is likely that Israel will come in for heavy criticism in the media from those genuinely horrified by recent events and those who do not need an excuse to accuse Israel of "war crimes" or to attack its morality and very existence.
Many of HonestReporting's most vehement critics accuse us of being a mouthpiece and cheerleader for Israeli policies. Criticism of Israeli policies in a reasonable and informed manner is legitimate and something that Israelis themselves do on a regular basis, as is the norm in a healthy democracy. Israel is certainly not infallible and makes mistakes - just as all other states have the capacity to do when confronted with the dilemmas that Israel faces in trying to protect its population from terrorist attacks.
What we do, however, call for is that Israel is treated by the same standards as any other country in the world and not singled out for special treatment at the hands of those who prefer to ignore genocide and human rights abuses in places such as Darfur, Tibet and any number of Arab states in the Mideast.NO MORAL EQUIVALENCEWhen examining the circumstances behind the Gaza beach incident, it is worth looking at the wider context. An editorial in the Jerusalem Post excellently summarizes the Israeli situation:
Firstly, Israel, while confronting an enemy publicly committed to maximizing civilian fatalities, seeks relentlessly to minimize such casualties even as it defends itself. Fatah, Hamas and Islamic Jihad terrorists deliberately aim to kill and maim civilians, both in disputed and purportedly non-disputed Israeli-controlled territory, and show little concern for any "collateral" damage such attacks may inflict on their own people. Israel, in absolute contrast, acts concertedly to thwart the terrorists, not to attack the civilians from whose residential areas the terror cells despicably operate. Secondly, in times of war and conflict, accidents happen. Israel is properly investigating Friday's incident; it genuinely wants to understand what happened to ensure that, if the IDF was responsible, lessons are learned and appropriate preventative steps taken. Thirdly, and of crucial importance in understanding our often bloody reality, it is a simple and undeniable fact, and one that should go without saying but evidently must be repeated, that Israel would have no interest in, nor any need to be firing artillery shells or any other weaponry into the Gaza Strip were sovereign Israeli territory not coming under incessant attack from Gaza.
Indeed, as Qassams have rained down on Sderot and other areas of the Negev, striking residential buildings and schools, it is only due to immense luck that Israel has not already suffered multiple deaths and injuries as a result of such attacks. In the latest missile attacks, carried out by Hamas, an Israeli suffered critical injuries as a Qassam struck a school campus. These attacks, despite their potential for mass casualties, are described by the BBC's Simon Wilson as "mainly symbolic".
While the IDF has not taken responsibility for the Palestinian deaths until the conclusion of an inquiry, Israel has offered assistance to the Palestinians, including evacuating the wounded to Israeli hospitals, where a number are now being treated.
As Palestinians have continued to encourage or turn a blind eye to terrorist attacks and murders of Israeli civilians, while celebrating the culture of "martyrdom", Israel genuinely values human life and deeply regrets the deaths of Palestinian civilians.
Israeli PM Ehud Olmert has stressed that "The IDF is the most moral army in the world... It does not and never has made a policy of targeting civilians." Whatever the outcome of the Israeli inquiry into this tragic event, these words will remain true.
HonestReporting calls on its subscribers to be vigilant in the face of attacks in the media on the morality of the IDF and the State of Israel itself."

"
How the PA Blamed Israel for the Deaths on the Beach 13:44 Jun 12, '06 / 16 Sivan 5766by Hillel Fendel

The Palestinian Centre for Human Rights (PCHR) released a report on Saturday full of inaccuracies about the incident - and has not yet released a correction or apology.
The organization, whose reports are widely relied upon by the United Nations and other organizations, announced the following:
"PCHR’s preliminary investigation indicates that the attack which killed seven members of the same family took place at approximately 16:40 on Friday, 9 June 2006. An Israeli naval boat stationed off the coast of Beit Lahya fired seven successive artillery shells at civilians on the beach in the Waha area, north of Beit Lahya. The shells landed on the beach, which had been crowded with civilian men, women and children at the time. Seven civilians from the same family (father, mother and five children) were killed. A sixth child from the same family escaped death but was seen on television crying hysterically beside her father’s body. A further 32 civilians, including 13 children, were injured... Israeli television Channel 2 broadcast footage of the Israeli boat firing the shells at the beach, with one of the navy soldiers scanning the beach with binoculars; thus indicating that the crime had been perpetrated with a premeditated intent to kill."An indication of PCHR's bias is the fact that it consistently refers to the Israel Defense Forces (IDF) as the IOF - the Israeli Occupation Forces. The organization gathered data that led to the issuing of an arrest warrant in Great Britain against Gen. (ret.) Doron Almog in 2005 for "war crimes." He was to be charged with overseeing the dropping of a one-ton bomb in Gaza that killed Hamas arch-murderer Salah Shehadeh and several children in July 2002.Despite the PCHR claim that the explosion occurred at 16:40, the IDF investigation showed that the explosion did not occur before 16:58. IDF Southern Command O.C. Gen. Yoav Galant said that the IDF artillery in the area stopped firing at 16:51, and that at 16:58, "the IDF's electronic surveillance did not show any unusual activity on the beach."Arab affairs expert Yonatan D. HaLevy writes, "The PCHR version has turned rumors into 'facts' which then become 'proof' for PCHR to determine that Israeli naval soldiers 'meant to kill' the family."Writing for the NFC Hebrew news site, HaLevy adds, "The IDF fires 155mm artillery shells towards open areas in order to thwart the Kassam launchers, and often warns the locals not to be there. In the present case, it is very doubtful as to whether the family was hit by a 155mm shell. I carefully reviewed the video clips disseminated by the PA television, and the documentation of [Channel Two], and I did not find the large hole that a 155mm shell [would have made]."HaLevy said that for their part, the Arabs of the PA "made sure to exhibit the bodies of the dead, but refrained from showing the crater and the shrapnel as proof of their claims."Gen. (ret.) Yom Tov Samiyeh said, "It is almost certain that the incident [in which seven members of one family on a Gaza beach were killed in an explosion] was an accident caused by the Palestinians, and that the Palestinians took advantage of the situation to besmirch Israel.""I can imagine," Samiyeh said, "that there was some sort of mine, or at worst, even a set-up that the Palestinians arranged." He added that during his years of army service as IDF Southern District Commander, he experienced a number of incidents in which the Arabs set up attacks on citizens.The IDF investigation has so far shown that Israeli Navy ships definitely did not fire towards the beach at that time, based on the type of wounds and other evidence. HaLevy notes that video clips of navy sailors firing and scanning the beach were photographed at an earlier hour. HonestReporting.com, in a detailed review of the topic, notes that "many in the international media [rushed] to conclusions in the immediate aftermath of the terrible incident. For example, despite suggestions that a single artillery shell was responsible, the Guardian claimed that "a barrage of Israeli artillery shells rained down on a busy Gaza beach...", while the Independent, without waiting for confirmation or otherwise, attributed the incident to "Israeli naval gunboats". In fact, while the most likely explanation is a single stray artillery shell, the possibility of a Qassam missile fired from Gaza itself has not yet been discounted and has been made more difficult to ascertain due to Palestinian refusals to cooperate with Israeli investigators."

É preciso mais

Se quiser fazer qualquer coisa de relevante na Alemanha, a selecção portuguesa terá de fazer bem melhor do que no jogo contra a medíocre equipa de Angola. Não acho que tenhamos a obrigação de ser campeões, mas creio que temos a obrigação de jogar bem melhor.

Constelação de estrelas no Funchal Jazz

Entre 7 e 9 de Julho, os Jardins Quinta Magnólia serão palco de momentos únicos de jazz. Com o compositor e pianista brasileiro IVAN LINS em destaque, aqui fica a programação do Funchal Jazz 2006.

Com um peculiar sentido harmónico e um extraordinário talento melódico, Ivan é um dos compositores brasileiros de maior universalidade. O conjunto da sua obra abrange mais de 400 composições, sendo que uma grande parte delas tem sido gravada tanto por intérpretes brasileiros como estrangeiros. “Lembrança”, “A Noite”, “Começar de Novo”, são exemplos de temas que foram registados por músicos de Jazz como Terence Blanchard, Dianne Schuur ou Sarah Vaughan. Tocará na Quinta Magnólia, com o seu grupo, a 7 de Julho.

Para dar continuidade à tradição de celebrar o Blues, a 7ª edição contará também com a presença de LONNIE BROOKS, inventor do voodoo blues e um nome fundamental desta cena musical. Wayne Baker, Andre Howard, Brian James Vollriede e Michael Rodbard, serão os companheiros de jornada de Brooks. O ritmo estonteante da banda vai por certo contagiar o público. Lonnie encerra a segunda noite do festival.

O cartaz do festival integra ainda PAQUITO D’RIVERA, LAÏKA FATIEN, JOANA MACHADO e McCOY TYNER.

PAQUITO D’ RIVERA foi um dos lideres duma geração que, indiscutivelmente, revolucionou a cena internacional do Jazz, com o seu conceito inovador de fusão de rock, jazz, música clássica e música tradicional cubana e será este complexo mundo musical que irá tomar conta do palco a 6 de Julho, abrindo em grande a edição 2006 deste evento. Além de um extraordinário saxofonista e clarinetista, Paquito D’ Rivera, é também reconhecido pela originalidade e versatilidade do seu trabalho como compositor.

O concerto será antecedido pela actuação da jovem e talentosa cantora madeirense JOANA MACHADO, a mais recente revelação do Jazz nacional. Vem apresentar o seu trabalho “CRUde”, editado em Janeiro de 2006 e a acompanhá-la estarão Afonso Pais, Bernardo Moreira e Bruno Pedroso.

LAIKA FATIEN já provou que não é mais uma cantora de Jazz. Com a sua voz intensa e luminosa, dominando com mestria as técnicas do jazz vocal, acrescenta às suas interpretações uma grande originalidade, para a qual contribui fortemente o gosto de se aventurar por territórios menos convencionais, interpretando de forma igualmente brilhante os tradicionais standards ou temas compostos por músicos contemporâneos como Nicholas Payton ou Wayne Shorter.

McCOY TYNER é uma verdadeira lenda do Jazz, tendo influenciado, com o seu estilo único, várias gerações de pianistas nos últimos 50 anos. Acompanhado por um excepcional conjunto de músicos, (Wallace Roney, Steve Turre, Eric Gravatt, Charnet Moffett, Donald Harrison e Eric Alexander), que não é fácil reunir numa mesma formação, vem apresentar um projecto com características muito especiais: The Story of Impulse! Records. Ao longo da sua carreira, McCoy Tyner já editou 80 álbuns e recebeu 4 Grammys, mas continua a ser um músico inovador, sempre em busca de novos horizontes musicais, marcando de modo indelével a história do Jazz.
E será desta forma muito especial que o FUNCHAL JAZZ FESTIVAL encerrará a 7ª edição.

Todas as noites, depois dos concertos na Quinta Magnólia, a festa continua no “O’Briens Pub”, com as jam sessions animadas pelo grupo LisMad Connection O6 e contando também com a presença de alguns dos actores do palco principal.

9.6.06

World Press Photo

Pela primeira vez, o Funchal recebe a World Press Photo. A exibição está incluída no programa oficial do V centenário da Cidade do Funchal. Estão patentes as 200 melhores fotografias referentes a 2005 no que a fotojornalismo diz respeito, escolhidas entre as mais de 83.000 concorrentes.
Como ontem me dizia alguém na inauguração,"quando saimos daqui, até parece que temos o cérebro coberto de imagens".
Imperdível.
Para saber mais:
http://www.worldpressphoto.com/

8.6.06

Savem a Republica!

Uma reportagem da RTP, ou melhor, um desfilar de lugares comuns anteontem transmitido pela televisão do Estado, lançou um alerta:

"Há extrema direita em Portugal e os tipos até têm armas (pelo menos uma caçadeira) e as bestas de besta vão invadir as ruas e isto vai ser uma tragédia"

gritou parte do Zé povo, amedrontado.

Creio até que algumas senhoras mais dadas à religiosidade correram à Igreja da esquina para pôr uma velinha a Santo Inácio.

"Antes o Barroso e o Sócrates e o Louçã", gemeram os mais pragmáticos.

A Senhora Polícia, zelosa, foi logo prender o dono da caçadeira que apareceu na televisão, esse sanguinário que ameaçou com um golpe de estado! Os 47 membros do partido do homem (incluindo duas velhinhas que não sabem que estão inscritas, mas estão) devem ser as próximas vítimas.

O Sr. Ministro, guardião do bem comum, também falou sobre o assunto e garantiu à populaça que o Governo não permitiria que a calmaria reinante fosse posta em causa por uma caçadeira e por bestas armados com bestas!

Já um responsável pela segurança interna, personagem perfeitamente desconhecida, veio pôr água na fervura e dizer que afinal a arma e as bestas não eram assim tão perigosos.

"A gente tá d'olho neles", complementou, entre uma bica e uma dentada numa queijada de Sintra.

Também os senhores agentes da Guarda e da PSP, que ontem marchavam ao som da Internacional, indignaram-se pelo facto das justas reevindicações do proletariado, por eles ali representado, poderem ser manchadas pelo facto de 30 tipos com a bandeira de um partido que ninguém conhece (mas que até já concorreu a umas eleições, tendo obtido magnifícos 9.000 votos) marcharem com eles. Se calhar, com um i-pod a tocar o hino da Mocidade! Onde já se viu tal afronta?

Hoje, os comentadores do costume vão concorrer em graus de indignação. A républica está ameaçada, gritarão. Uns mais alto que outros, mas lá que gritarão, gritarão!

Daqui a uma semana ninguém se lembra de nada disto. De qualquer forma, esses perigosos extremistas-fascistas-neonazis-comedores de negos ao pequeno almoço,

"sim, porque aquilo tá tudo misturado, aquilo é tudo a mesma raça, Deus
me livre e guarde!"

esses tipos que preparam um golpe de Estado em reuniões secretas na Quinta da Berdalejona, em plena Aldeia de Ranhosa da Serra, agradecem a publicidade gratuita.

7.6.06

Na rota do budismo tibetano

Para quem se interessa por viagens espirituais, para quem gosta do Oriente ou, simplesmente, para quem quiser ver excelentes fotografias, fica o link

http://www.youtube.com/watch?v=XFkUp6HmFP8

As fotos, e o video, são da autoria da Lhasa, do Chuva de Peixe. E também poderão ser vistas através desse blog.

Valem a pena.

Crónica de um olhar

Entrei ao final da tarde; algures entre o despertar da Lua e o nascer das estrelas, num bar para tomar um café. Lá fora, caíam vindas do céu umas gotas de orvalho. Era um anoitecer diferente. Minimalesco para o mês de Junho.

Abriguei-me ao lado de duas lindas flores. Leia-se jovens. Sobre uma delas cintilavam raios de luz vindos do tecto. Percebi o confortável peito e do delicioso rosto de uma, quando me sentei. Fiquei abesbélico. Ainda Resisti à tentação de voltar a olhar novamente para confirmar o que, os meus esbugalhados olhos tinham acabado de transmitir ao cérebro. Fiz como Cristo na cruz. Manti-me firme.

O mesmo já não conseguiu o cliente que estava numa outra mesa com um “neto”. Levantou-se e pediu lume a uma delas. Passados uns minutos voltou a aproximar-se. Por acaso da mais dotada. Compreendo o homem. Estava de frente para elas. Aparentava uns 60 anos. A idade de quem já viu e tudo fez na vida. No entanto, não conseguiu resistir.

Quem não gostou do repetido gesto, foi o empregado de mesa. Autoritário, dirigiu-se ao senhor e disse alto e em bom som: elas estão à espera dos namorados!

Sei que o homem ainda lhe retorquiu. Voltou para a mesa onde o aguarda o “neto” e passados uns minutos saiu porta fora.

Grande lata. Quer isto dizer que apesar da idade, o homem já não pode conversar com uma miúda? Os preconceitos só existem porque alguém os fabrica. E o empregado, quando chegar àquela idade, o que é que lhe vão fazer?

6.6.06

Quo Vadis, Benedictus?

É incrível como uma mentira repetida muitas vezes pode ser elevada à qualidade de verdade. Mas assim é, a táctica da propaganda nazi continua a dar frutos. Só assim é que posso entender a opinião do Bento sobre os Departamentos de Educação das Autarquias. Então não é que o companheiro reduz a intervenção das autarquias a umas “festinhas e transporte” e acha que estas têm um papel importante na “intenção de levar os pais à escola”?

Como esta opinião do Bento está minada de falácias, vamos lá colocar alguns pontos nos iis.

1- As autarquias apenas têm competências ao nível da educação pré-escolar (PE) e 1º ciclo (EB1). Noutros níveis de ensino, as Direcções Regionais de Educação não reconhecem legimitidade às autarquias, logo não deixam que estas tenham qualquer intervenção.

2 - No âmbito das competências descentralizadas (PE e EB1), são as autarquias que pagam o transporte, a alimentação, a componente de apoio à família - onde se engloba a acção social escolar -, as reparações das escolas, a construção de novas escolas, a aquisição de mobiliário, de equipamento tecnológico, o acesso à Internet... Até as comunicações telefónicas e consumíveis como giz, tinteiros, borrachas, são financiados pelas autarquias.

3 - As autarquias deste país substituem as falhas do Ministério, nomeadamente no que toca à actividade física, criando e financiando programas para que as crianças pratiquem exercício, pois o ME não garante esta vertente fundamental do desenvolvimento (apesar da componente pedagógica ser da sua responsabilidade e da Lei de Bases do Sistema Educativo atribuir esta competência ao ME).

4 - O ME descentralizou a gestão do parque escolar (PE e EB1) para as autarquias, “oferecendo” edifícios velhos, sem qualquer condição para a prática pedagógica. Logo depois publicou legislação situando as exigências para o Parque Escolar.

5 - Como o Ministério não garante os prolongamentos de horários em todas as escolas (a legislação muda este ano), têm sido as autarquias que têm garantido ATLs, promovendo a Música, a Dança, o Teatro e outras expressões plásticas e artísticas, o que exigiu um enorme esforço financeiro das autarquias.

6 - Uma verba muito significativa dos orçamentos das autarquias é disponibilizado para a educação, quer para as áreas que derivam das suas competências legais, quer direccionada para programas com pendor pedagógico.

7 - As autarquias têm investido em projectos educativos, recursos e equipamentos (autocarros multimédia, centros de recursos educativos, espaços de ciência, ludotecas, entre outros) que promovem aprendizagens não formais e emprestam um factor didáctico que muitas vezes não existe na escola, nem nos programas.

8 - Grande parte dos projectos educativos municipais têm como principal objectivo a mobilização de toda a comunidade educativa. Em qualquer projecto é comum aparecer objectivos relacionados com uma maior aproximação dos pais à escola, pois é sabido que os pais são os melhores mediadores de conhecimento.

9 - Sempre que as autarquias pretendem aprofundar mais o seu papel, são completamente trucidadas pelos Direcções Regionais e pelas Universidade (não pelos docentes, mas pelos centros que não querem ver os seus financiamentos perdidos pelo facto das CM estarem a desenvolver competências que seriam suas, mas que não as cumprem).

10 - As autarquias têm feito um esforço enorme para serem vistas como parceiros da educação. O grande opositor é mesmo o Ministério.

11 - É totalmente reconhecido que os pais têm um papel muito mais interventivo e activo no PE e no EB1 do que noutro qualquer nível.

E para confirmar isto, basta ir aos sites das Câmaras, ou ver quantidade de fóruns de educação que são organizados pelas autarquias, ou ir à Base de Dados da Associação Internacional das Cidades Educadoras. Lá encontramos experiências absolutamente fantásticas, desenvolvidas pelas autarquias.
Portanto, nesta luta de aproximação da comunidade à escola, não é novidade que as Autarquias estão a anos-luz do Ministério. E ao contrário do que afirma o Bento, não estão sempre a falar de dinheiro.

Eleições

Já que a questão de momento é o ensino vamos a ela.

Como considero que o que disse a Ministra da Educação (e bem, na minha opinião) é um assunto já suficientemente abordado pelo Sancho, pelo Gonçalo e na www.esquina-do-mundo.blogspot.com. Quero, por isso, introduzir uma outra matéria.

Neste momento estou curioso. Quero ver como vão ser realizadas as eleições para os conselhos executivos das escolas, na Madeira. Depois, quero saber quem vão ser os (re)eleitos.

A ideia do Grupo Parlamentar do PSD é realizar o acto eleitoral até 15 de Julho. Ou seja, em menos de um mês e meio arrumar a eleição dos conselhos directivos das escolas madeirenses. Com a agravante de a data (pré)agendada coincidir com a realização de testes de avaliação. Estão os alunos ocupados e os professores atarefados.

No entanto, até compreendo a pressa. Suponho que quererem mudar, ainda que contrariados, uma lei inconstitucional. A apreciação não é minha. Faz parte do acórdão proferido pelo Tribunal Constitucional. Além disso, e segundo os juízes, o anterior modelo de gestão das escolas, em vigor na Madeira, feria a lei de bases do sistema educativo.

A minha outra curiosidade é quem vão ser os eleitos. Será que Jorge Moreira substitui, Moreira. Será que a actual Directora da Escola Francisco Franco (que até é socialista, ou tem ligações próximas ao PS) é a senhora que se segue. E na Levada, na Horácio Bento, quem serão os eleitos?
Sou por natureza desconfiado. Aposto que através de eleições, nomeações, ou outro sistema que inventem, as caras vão ser, na larga maioria, as mesmas.

Agora pergunto. Face aos resultados dos últimos exames nacionais em que, a Madeira foi a terceira pior região do país a contar do fim, (Portalegre, Bragança, Madeira, …) esta não era a altura certa para também mexer em alguns senhores e senhoras professoras que, estão há anos instalados nas nossas escolas?

Ou acham que os maus resultados é uma matéria da exclusiva responsabilidade dos alunos, ou dos pais, como alguns querem fazer passar? Porque é que os docentes, também não assumem o insucesso dos seus educandos?

Acima de tudo acho que é necessário mudar, agitar algumas consciências adormecidas nas nossas escolas. As mudanças, ao contrário do que muitos pensam, devem começar por cima. De pouco serve substituir um soldado, quando o maior problema é o comandante.

É como no futebol. A equipa não ganha, substitui-se o treinador. Na maioria dos casos os resultados até aparecem.