29.8.06

Para ver

Faz pensar

Em 2006, já morreram mais de 2.000 pessoas nos mares de Canárias. Gente que tentava entrar na UE para sobreviver. Foram recuperados mais de 500 cadáveres. Os números levam-nos a pensar até quando resistirá esta... "fortaleza".

28.8.06


A Empresa de Electricidade da Madeira no seu melhor. Poste a meio da levada.
Fantástico! Como no Verão não corre água...

25.8.06

Blogs Antena 3

A Antena 3 previligou a criação de blogs para que os animadores comuniquem com os ouvintes.

Aqui vão alguns links:

Prova Oral

Manhãs da 3

A Voz da Tribo (um excelente programa, por sinal, da Ana Marta).

Há outros.

Sorteios

Gostei do sorteio da Taça UEFA. O Rapid de Bucareste é uma equipa ao alcance do Nacional. A fase de grupos deixa de ser uma miragem.

Já na Liga dos Campeões, o "meu" Sporting teve uma sorte desgraçada. Bayern e Inter, mais uns russos são o pior que poderia ter calhado.

Mesmo assim, e acho que não sou só eu, creio que o Liedson, o Moutinho, o Ricardo e a restante rapaziada terão uma palavra a dizer na discussão da passagem à segunda fase.

21.8.06

Bom sítio

Um bom sítio

T(ake) A(nother) P(lane)!

Aeroporto do Porto Santo, um dia de Verão.

Dirigi-me ao balcão da GroundForce (seja lá o que isso for) para pagar os portes de uma encomenda.

Entreguei os 150 euros que me foram pedidos e, tal como me fora indicado pelo funcionário de serviço, dirigi-me ao quiosque dos jornais. Para chamar a funcionária do Aeroporto, entretida em amena cavaqueira com a menina da tabacaria. O que, de tão habitual já se tornou rotineiro.

Contrafeita ao ver-se obrigada a voltar para a mesa onde, supostamente, deveria sentar-se a justificar o ordenado, a funcionária resmungou qualquer coisa na línguagem hermética utilizada pelos servidores do estado quando alguém lhes diz para trabalhar. E, com os modos de quem não achou graça nenhuma a brincadeira, pegou num telefone para chamar uma "colega". Que me acompanhou até ao Armazém de carga.

Atravessei várias portas assinaladas com "entrada não autorizada". Acompanhado pela "colega" e sem ver vivalma. E cheguei a um espaço quase vazio. No armazém faziam-me companhia três caixotes atirados para cima de uma palete, uma empilhadora, e um tipo de farda azul deitado a um canto.

Apareceu-me, saido de uma porta que eu não vira, um baixote munido do poder de anunciar o destino a quem ali chegava. Que olhou para a carta de porte que lhe estendi à frente do nariz. Que revirou a carta de porte que lhe pus ao caminho. E que me disse:

-Ainda nã chegou!

O diálogo é surrealista:

- E então, os 150 euros que paguei?

- Nã sei

- E quem saberá?

- Nã sei

- Mas que merda é esta?

- Nã sei. Vou procurar melhor!

- Procurar o quê? esta porra tá vazia. A não ser que existam portas secretas...

- Nã sei

- O quê, se há portas?

- Isse nã há...

- Foda-se!

Com o papel na mão, e já sem a "colega", voltei à GroundForce.

Reclamei que a encomenda não tinha chegado. Mas que já a tinha pago.

O tipo de bigode que estava atrás do balcão prometeu que "ia ver". Mas que tinha de fazer uma "coisa" primeiro. E então levantou-se e com olhos de diarreia correu para a casa de banho.

Apareceu cinco minutos depois.

- Então vamos ver o que podemos fazer...

- É isso, veja lá.

Telefonou para cinco números diferentes. Ninguém sabia de nada. Mandou dois faxes. Não teve resposta a nenhum. Encolheu os ombros.

- É esperar que respondam

disse, resignado. Passara quase hora e meia.

Recorri ao meu instinto de sobrevivência.

Peguei numa agenda telefónica que o tipo de estendeu. Comecei a marcar números.

- daqui é Lisboa

- e não me pode passar ao Porto?

- não. Desculpe. Tente o 22 qualquer merda!

- Se quiser alterar a sua reserva, marque 1. Se quiser informações sobre horários marque dois...

- Se quiser que a merda do mundo exploda marque 44...

- O Call Center da TAP...

- R'áis parta a TAP!

- Desculpe. Este é o serviço de informações. Marque o 22 a puta que o pariu...

Após ter marcado 22 vezes (aproximadamente) a combinação 22 (com o meu telefone, obviamente, já que o funcionário esgueirara-se, mais uma vez, por um atalho, para o caminho de paz interior que descobrira nos lavabos), consegui que alguém me atendesse.

- Vamos ver o que se passa..

- Veja lá...

- Humm,

- Sim?

- Não sei de nada!

- Desculpe?

- Não me chegaram reclamações daí "de" Porto Santo...

- Mas o seu colega enviou dois faxes...

- Para aqui não foi!

- Entendam-se!

Passei o telefone ao mais assíduo frequentador das retretes públicas da ilha.

Esperei mais 15 minutos.

- A gente liga-lhe assim que souber alguma coisa...

- Que remédio!

Pelo que soube depois, os meus caixotes ficaram esquecidos (literalmente) no Porto. E o Porto Santo reclamou. Para o faxe errado!

A encomenda chegou dois dias depois. E eu paguei a urgência que tinha em recebê-la. Ninguém me reembolsou ou pediu desculpa.

O baixote encolheu os ombros. Pareceu-me ouvi-lo dizer

- É a vida!

(Este ano, foram às dezenas os passageiros ou os receptores que sofreram com os atrasos - ou mesmo com o desaparecimento - de bagagens e de encomendas. Sei do caso de um casal jovem do continente que, após quatro ou cinco dias sem bagagem, regressou a casa. E não foi o único. Enquando vivia o meu filme privado, vi que alguns dos passageiros de um voo que acabara de chegar passavam pela mesma provação. O mau serviço da TAP - e dessa tal de GroundForce - poderá ser um óbice ao nascimento de um destino turístico. Ainda por cima, o parto, por si só, é difícil. Com a "ajuda" do enfermeiro TAP poderá tornar-se impossível).

Teatro de absurdos

Lech Walesa pensa renunciar à honraria de cidadão honorário de Gdansk para não a compartilhar com Gunther Grass. Razão tem o escritor alemão: o mundo é uma teatro de absurdos!

19.8.06

Sobre uma certa ideia do papel dos partidos comunistas

Uma ideia feita que muito circula por aí, é aquela que nos diz que os partidos comunistas, apesar dos seus modelos de sociedade terem baqueado inapelavelmente, foram os principais responsáveis pela melhoria das condições de trabalho das pessoas e por uma melhor reivindicação dos seus direitos. Esta tese é falsa. E é muitas vezes utilizada para enganar incautos e desprevenidos. A maioria das conquistas dos trabalhadores (como o direito de associação ou de união, o direito à greve, a liberdade sindical, etc) aconteceu entre 1850 e 1914 e teve lugar no seio das sociedades ditas liberais e industrializadas. O mesmo se sucedeu com a Segurança Social (a saúde, a reforma, as férias pagas ou os subsídios de desemprego) que surgiu, em termos práticos entre as duas guerras, e depois de 1945, em países onde o Partido Comunista era inexistente ou sem expressão como a Suécia, a Inglaterra (que supostamente seria o primeiro país socialista do Mundo), a Alemanha ou a Holanda ou em países em que a sua presença era muito forte mas nunca maioritária como a França ou a Itália. Como se vê, esta ideia não tem nenhuma força que a sustente. No entanto, a suprema ironia de tudo isto é verificar que a maioria destas introduções surgiram pela mão daquilo que hoje em dia se chamaria de governo conservador.

Totalitarismo de esquerda e de direita

No mesmo café, a conversa acaba nos totalitarismos. Na contabilidade dos milhões de mortos há uma espécie de consenso absoluto: nenhum totalitarismo serve o ideal humano. Seja de esquerda, seja de direita. De esquerda ou de direita? Eis um paradoxo quase imperceptível: os totalitarismos são ditaduras de pensamento único. E ser-se de direita ou ser-se de esquerda, no plano da acção ou da teoria, pressupõe uma liberdade política que os totalitarismo não admitem. Logo, parece-me, estamos perante uma evidente incongruência. Para não dizer impossibilidade.

Embargo e bloqueio

No café um amigo meu, leitor pelos vistos compulsivo deste modesto blogue, diz que a questão cubana não é simples nem muito menos rudimentar para ser tratada com a leviandade que um suposto post meu deixou no ar. O meu amigo, pessoa bem informada e formada e alguém por quem tenho admiração, utiliza como principal argumento o célebre bloqueio promovido pelos Estados Unidos, considerando os americanos como co-responsáveis por aquilo que ali se sucede. Quanto a ele, esta foi a nódoa que eu não podia nem devia apagar. Claro que discordo. E veementemente discordo porque a confusão lançada entre bloqueio e embargo é uma velha táctica da esquerda para lançar a confusão na opinião pública e nos incautos, ao mesmo tempo que serve de justificação abusiva e alargada para a decadência do regime cubano. Mas onde reside então esta confusão propositada? Reside numa absoluta mentira. Porquê? Porque não existe nenhum bloqueio. O que existe sim, é um embargo por parte de um país (a América) que prefere não manter nenhum relacionamento com um outro país (Cuba que em tempos ameaçou a sua segurança, plantando-lhe quase no quintal um arsenal de mísseis). É muito simples de se perceber isto: Cuba pode manter os seus relacionamentos institucionais, comerciais, políticos ou outros com quem muito bem lhe apetecer. Ninguém lhe faz mal absolutamente nenhum como diariamente se comprova, (pelo menos os mais atentos e que percebem como a táctica é facilmente desmontável diariamente nos jornais) com o Sr. Chavez da Venezuela ou com o Sr. Zapatero de Espanha. Espanha que, recorde-se, é das maiores injectoras de dinheiro na economia cubana. Por isso nada de confundir embargo com bloqueio.

Blogue em serviços mínimos

Pelos vistos muita gente anda de férias. É difícil assegurar sozinho os serviços necessários para a sobrevivência desta coisa tecnológica. Os nossos fiéis leitores que nos perdoem. O blogue segue dentro de momentos.

17.8.06

Descobertas preocupantes

Estamos naquela época do ano em que o Eng. Sócrates anda nos safaris e deixa isto nas mãos do Dr. António Costa.

PS: Se costuma pensar muito seriamente em emigrar, fugir, bazar, desandar, esgueirar-se ou, simplesmente, evadir-se do país (riscar o que não se aplicar), tem aqui mais uma bela e decisiva oportunidade. Não hesite. O mundo precisa de si.

Descobertas extraordinárias

As amas deste país pagam em média mais 700 euros de IRS do que os advogados.

Descobertas insignificantes

De acordo com o Público, dois dos meus actores favoritos fazem anos hoje: de Niro e Sean Penn.

Um (possível) epitáfio político

Que devia ser o de António Costa pelo seu irresponsável aproveitamento político quando estava na oposição.

"Quem com ferros mata, com ferros morre".

14.8.06

Caro Bento,

Infelizmente para ti, não conseguiste refutar o argumento principal deste post que teve origem aqui. O que é um facto indesmentível é que os partidos que cumprirem a lei receberão mais dinheiro. Isto é, e se quisermos utilizar termos fortes e pesados, uma forma de proxenetismo político ao serviço dos senhores dos aparelhos partidários.

Quanto aos adjectivos que utilizas para me qualificar, aceito-os mesmo que com eles não concorde. Mas convém que tente esclarecer o seguinte: demagogia é geralmente uma forma de acção política que pretende agradar às massas populares e misoginia uma forma, declarada ou não, de horror às mulheres. Como muito bem sabes, e julgo que já o interiorizaste, nenhum dos adjectivos se enquadra aqui. Por dois motivos: é mais fácil, primeiro motivo, ser a favor da paridade (porque é mais popular) e misóginos, segundo motivo, são todos aqueles que tratam as mulheres com diferença, recusando-lhes a igualdade baseados numa qualquer motivação de arrogante superioridade.

Por fim, queria apenas dizer-te que temo um Estado omnipresente. É essa a razão principal de alguns dos posts que escrevo, tentativas vãs de denunciar algumas situações que entendo não se coadunarem com a liberdade em que acredito. É por isso que utilizo a blogosfera como espaço privilegiado de exposição de ideias, onde se pode divagar e até filosofar sobre aquilo que nos apetecer. Gosto demais da liberdade, da minha liberdade, para achar normal que o Estado actual, o nosso Estado, se ande a imiscuir em todos os assuntos públicos e privados, digam eles respeito ao indivíduo, às famílias, às empresas ou aos partidos políticos, como os posts a que te referes muito bem retractam. Sermos condescendentes com isto, mesmo que cada um de nós deseje e almeje uma sociedade melhor (e temos esse direito de sonhar, de desejar, de querer), é escancarar a porta para todos os males e fantasmas do mundo. A sociedade perfeita, ou o seu aperfeiçoamento se preferirmos, não se consegue, nem se persegue, obstinadamente, por decreto, mesmo que imbuídos da maior das boas vontades e intenções. A racionalidade burocrática e centralista do Estado, convertida numa espécie de totalitarismo onde há regras para tudo, é uma quimera perigosa. E com resultados geralmente desastrosos. Mas isso eu nem precisava de te dizer.

A vidinha de Jenna Jameson


Dei 28 euros pelo livro de Jenna Jameson, intitulado em português “Como... fazer amor como uma estrela porno”. Mesmo que o livro literariamente não prestasse para nada, o que não anda muito longe disso, os prazeres solitários que esta loura de Las Vegas proporcionou a meio mundo já valem o dinheiro. E a gratidão.

Além das fotografias, felizmente abundantes, para quem tiver paciência e tempo tem mais de 500 páginas com as “estórias” da família desunida, dos primeiros “encontros”, da amiga mais velha, dos “namorados” e proxenetas, do dinheiro, de episódios exageradamente dramáticos, dos bastidores, dos filmes e das excentricidades. Tudo isto até chegar à vida normal com o casamento.

PS: Vou de férias e ainda não sei quem ficará a perder, se eu ou se os leitores.

O Cuba-Libre faz-se com Coca-Cola

Prometi a mim mesmo que não escreveria uma linha sobre o tiranete de Cuba que a “imensa minoria” dos intelectuais europeus estimam. Mas como, com demasiada facilidade, a imbecilidade irrita vou quebrar a promessa. Nunca, nem mesmo quando era mais vulnerável a este género de ideais, exprimi qualquer simpatia pelos “heróis” da Sierra Maestra. Não tive posters de Fidel Castro no quarto nem usei t-shirts com a estampa de Che Guevara, produto gráfico que é em si uma grande e lucrativa realização capitalista. Pois é.

Enquanto o mundo civilizado começava a ver os resultados previsivelmente desastrosos do comunismo, o utópico da América Central teimava em prosseguir na aberração em que tornou Cuba; a que alguns indigentes se atreveram chamar de “perfeita”.

Depois, foi o percurso normal como vem nos livros de História. Eternização no poder, eliminação sistemática de opositores, total ausência de liberdade de expressão, proibição de sair do país, redução da economia a pregos e martelos e padrões de vida próximos da Idade Média.

Tudo, claro, em nome repartição equitativa da riqueza no país e em nome dos tempos da ditadura Fulgencio Batista. E a isto, para legitimação desta inclassificável experiência de modelo de sociedade, juntou-se algumas dezenas de reconhecidos artistas desavindos com o mundo, os seus bons charutos, putas, mohitos e o “cuba-libre”.

Sinceramente, até gostava que Cuba não mudasse nas próximas décadas, pelo menos para ter sempre à mão um exemplo prático de como certas ideias podem inquinar um país.

Um monstro

Fidel fez anos. 80 ou 79 não há bem certeza de acordo com aquilo que leio nos jornais. Mas a idade pouco importa, já que um pouco por todo o lado se assiste à criação de obituários antecipados onde o monstro é apresentado como uma espécie de último herói revolucionário e romântico. Peço desculpa, mas quase cinquenta anos de poder, não podem apagar os métodos e os processos. Nem fazer esquecer o sofrimento infligido ao seu próprio povo. Comigo não contam para a absolvição ou redenção.
A revolução comunista cubana, um eufemismo, não passa de uma desagradável miragem que muitos se recusam ver. Alguns espantam-se com a educação e a medicina cubanas, aparentemente virtudes de comprovado sucesso. Num país onde não há liberdade de informação, onde tudo é devidamente controlado, não sei onde se vai tirar estas ideias abstrusas, mas desconfio que não deve ser por observação directa nem por experiência no terreno.
Cuba vive numa perfeita miséria e nem o embargo, aparente, o pode justificar. Aliás, Fidel que tem as noções básicas de propaganda soube habilmente usá-lo (o embargo, e já agora o ódio profundo à América - porque será que todos os regimes tirânicos odeiam a América?) como justificação para o subdesenvolvimento crónico do povo cubano. Quem anda na política, conhece bem a utilidade destes “inimigos” porque se Cuba fosse o tal paraíso na terra, boa parte da sua população não se entretinha a arriscar a vida para chegar às praias da Florida (acto que constitui, aliás, verdadeiro passatempo nacional cubano, com taxas de sucesso muito variáveis).
Num regime onde não há condições mínimas para uma coexistência democrática, pena que muitos, que se dizem democratas, fiquem do lado do opressor, daquele que espezinha e maltrata o povo.
Quando Fidel morrer (em abono da verdade, não conhecemos o seu verdadeiro estado de saúde), o regime ruirá com ele. De pouco adianta esta ténue passagem de testemunho familiar, uma tentativa vã de ludibriar e escamotear o mais que evidente e selado destino. E isto por dois motivos: primeiro, porque não é aceitável que um país nesta latitude não se converta numa eventual democracia depois de tantos anos de marasmo e atrofia; e, segundo, porque Fidel representa um exemplo evidente daquilo que Weber chamava de autoridade carismática: com o fim do líder, perde-se o carisma, razão de ser da própria autoridade. Consequentemente perde-se a legitimidade, o controlo e, claro, o poder. A transformação será inevitável. Por essa altura, os saudosistas abandonarão os obituários e relembrarão o chefe em calorosas e elaboradas hagiografias onde a história que se vai contar é a história que se queria que tivesse acontecido e não aquela que de facto aconteceu. Fidel será tratado como um santo e não como o monstro que de facto foi. No fundo, todos nós sabemos que são cada vez mais raros aqueles que estão dispostos a aprender com os erros e com a História.

13.8.06

Dois milhões e ainda se queixa?!

Amo a pianista Maria João Pires. São indescritíveis as sensações que nos assaltam ao ouvir a virtuosa a interpretar Chopin. Mas acho que ela deveria ficar-se apenas pelo piano e não se meter em aventuras associativo-empresariais. Então não é que a pianista queixa-se da falta de apoio para o seu centro de artes de Belgais (que de resto, pelo pouco que conheço, tem desenvolvido um trabalho bastante meritório), quando desde 1999 já recebeu do Estado Português cerca de 2 milhões de Euros (para além do dinheirinho que vem a PT). E depois ainda ameaça que vai viver para o Brasil, porque não tem condições para trabalhar em Portugal?!Sinceramente, não estava à espera que uma artista que venceu por si só promova a subsídio-dependência da cultura. Ainda para mais quando a associação que fundou já beneficiou do apoio do Estado bem mais do que muitos milhares de associações que desenvolvem um trabalho tão bom, ao nível cultural, quanto aquele que é desenvolvido por Belgais. Se a sua associação não tem dinheiro, então é porque é muito mal gerida, o que apenas se deve à Maria João Pires. Como amante da música, continuarei a ser absolutamente fã da pianista. Enquanto cidadão, abomino os seus actos a as suas afirmações e, sinceramente, acho que de oportunistas anda o país cheio. Portanto se quer ir para o Brasil, faça favor! Não se prenda por nós!

Conversa de surdos a (propósito do Fidel)

Após uma longa, aturada, acesa e apaixonada conversa entre um conservador e um comunista, sobra apenas uma conclusão:

- A repressão, mas também a subversão são legítimas. Depende é das ideologias que as sustentam (primeira) e que as promovem (segunda).

Ora porra, que se lixe o Fidel! Viva o povo cubano!

Não haveria o macaco estar confuso!

"When you add it all up
The tears and the marrow bone
There's an ounce of gold, And an ounce of pride in each measures
And the Germans kill the Jews
And the Jews kill the Arabs
And the Arabs kill the hostages
And that is the news
And is it any wonder that the monkey's confused"

Roger Waters, Perfect Sense


ISRAEL

"You don't have to be a Jew
To disapprove of murder
Tears burn our eyes
Moslem or Christian, Mullah, or Pope
Preacher or poet, who was it wrote
Give any one species too much rope
And they'll fuck it up"

Roger Waters, Too much rope

11.8.06

Mais um...

O Emanuel Bento fechou a caixa de comentários. Lamento, compreendo mas lamento! É uma pena quando a ofensa leva a melhor sobre o debate!

10.8.06

WTC


Estreou ontem nos EUA World Trade Center, de Oliver Stone. É a América que continua a reencontrar-se.

Paridade?

Discretamente, o Dr. Cavaco (um "perigosíssimo homem de direita", não me canso de repetir) mandou publicar a lei que nos diz, no essencial, que ter uma determinada percentagem de mulheres nas listas dos partidos políticos, rende dinheiro. A partir de agora quem conseguir cumprir com a quota recebe a subvenção total a que tem direito e quem não cumprir, não recebe. Tudo de uma clareza aterradora.
Há quem chame a isto paridade. Mas eu duvido do disfarce. E, claro, da intenção. Conheço alguns países onde ainda é (infelizmente) prática corrente trocar mulheres por gado, terrenos ou outro tipo de bens que valem como um dote. Mas isso, julgava eu, era lá longe, bem longe da civilização e dos princípios em que acreditamos. Em Portugal, bem mais perto, e no século XXI, troca-se as mulheres mesmo por dinheiro. Reconheça-se que é mais directo. Mas não lhe chamem paridade.

Co Adriaanse

O futebol português, como toda a gente sabe, detesta gente educada, aprumada e bem vestida. Daí que seja normal o afastamento (ou demissão) do treinador do Porto por motivos, julgo eu, relacionados com alguma questão de autoridade ou descontentamento com o plantel. Confesso que não era grande admirador do senhor nem do futebol enfadonho e repetitivo que o Porto praticou uma época inteira e que chegou a desesperar muita gente. Mas uma coisa reconheço: Adriaanse era um cavalheiro, um perfeito gentleman, que assumia totalmente as suas responsabilidades, mesmo quando isso nos dizia inapelavelmente que ele era totalmente deslocado da realidade imunda, prática e teórica, do futebol português. Por isso, é com alguma pena, mas também com alguma satisfação, que o vejo partir. É que o nosso futebol merece mesmo é os Pachecos, os Cajudas, os Necas, os Santos e os Bentos: tudo gente com muito mais nível, que enche estádios e que em muito contribui para a pacificação e clareza do futebol português, nomeadamente no sector da arbitragem.
Como em muita coisa na vida, a corda rebentou no lado mais fraco. Infelizmente, para o futebol português. Acho eu.

Primeiro como tragédia, depois como comédia

Na Irlanda um curioso anúncio desperta as atenções. Uma empresa pretende contratar para os seus quadros apenas não fumadores. Perante aquilo que muita gente considera um atentado impossível de concretizar, eis que na União Europeia algumas mentes iluminadas decidem aplaudir e “ratificar” o direito da empresa em questão. Eu não fumo e por isso, talvez não obviamente, discordo deste delírio. Esta coisa de ser comandado à distância começa a saturar e, desconfio, começa a arregimentar cada vez mais adeptos para a linha “inimiga”. Os eurocratas de Bruxelas, um bando de perfeitos inúteis, irritam pelo politicamente correcto e pelo inferno burocrático que querem construir a soldo da nossa liberdade. Daí até se meterem a regulamentar o tamanho dos amendoins, as embalagens do azeite, o aspecto das tascas e até o peso das laranjas e a respectiva cor da casca foi um passo. Mais um, rumo ao inferno portanto. Mas a coisa como se vê, promete não ficar por aqui porque no fundo, tenho a certeza, não há limite para a estupidez. Contudo, face a esta caminhada para a loucura (subitamente desdita), polvilhada de enorme irresponsabilidade, desfaçatez e, claro, falta de bom senso, eu gostaria de colocar três pequeníssimas e singelas questões: 1- Se fumar é assim tão mau por que razão ainda não proibiram o comércio do tabaco? 2- É possível colocar anúncios onde apenas se manifeste desejo de contratar gente loira de olhos azuis? 3- E se for apenas para gajas com sutiã 46, pode ser?
Um tipo que se suicidou num bunker em 1945 deve andar a rir-se. E à força toda, de certeza absoluta. E ainda dizem que a história não se repete?

O último gajo do União

9.8.06

Calças sem Co (u)

No Porto, foi o Co mas ficaram as calças!

Virtual

Sócrates, no Brasil, inaugurou mais uma "plataforma virtual". É, de facto, um verdadeiro Governo Virtual, este que temos!

7.8.06

São Pedro

Sempre achei piada ao restaurante São Pedro. Principalmente quando se mantinha aberto a noite toda, guardando um conjunto de estranhas personagens. Ontem, descobri que tinha sido totalmente remodelado. O espaço tá engraçado, decorado em tons negros e vermelhos, com mobiliário moderno e mais luz. E os empregados são os mesmos. E é caricato ver o senhor Júlio

(acho que o homem se chama assim!)

tentar servir imperiais com tremoços a meio de um balcão desenhado por um arquitecto, ou mover-se por entre mesas de design italiano,

(mas de fabrico nacional, com certeza!)

procurando sobretudo não causar danos de monta

(e na montra!).

Pena é que o São Pedro agora feche às 23:00. São os revezes da modernidade!

3.8.06

Israel e Portugal


Comentou-se, em relação a um texto meu, que Portugal era “melhor” país do que Israel. Ora, tendo em conta que o existe para medir as diferenças entre as nações é o Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano, Israel, lato senso, é “melhor” país do que Portugal, como empiricamente se previa.

Segundo este ranking anual (fiável e insuspeito), Israel em 2005 é o 23º país do mundo com maior Índice de Desenvolvimento Humano, enquanto Portugal é o 27º. A diferença não é substancial, mas tendo em conta que Israel canaliza há muitos anos grande parte do seu esforço económico para a indústria bélica, que vende mas que sobretudo gasta, o lugar é em si revelador da capacidade deste povo.

Para não ter que ouvir comentários tontos, adianto que o Índice de Desenvolvimento Humano é uma média comparativa que tem em conta a pobreza, a alfabetização, a educação, a esperança de vida, a natalidade e o PIB per capita, entre outros factores. E já agora, também ao contrário do que se afirmou, Israel tem um PIB per capita mais alto do que Portugal; 20,8 dólares de Israel para 17,9 de Portugal.

Claro que isto não me deixa feliz, mas factos são factos.

2.8.06

Quando o crime compensa

Um bando de criminosos agride até à morte um transexual no Porto. O juiz absolve praticamente os meninos porque eles não podem ser os únicos culpados, porque são produto das instituições que os acolhem e porque provêm de famílias desestruturadas. Claro que o Sr. Dr. Juiz, que deve gostar muito de Rousseau e de Confúncio, não parou para se perguntar três coisas muito simples: se isso só por si pode justificar o desporto que os meninos praticavam e que consistia, basicamente, em agredir repetidamente o transexual; se os meninos tinham, ou não, a noção plena de que aquilo que faziam não era correcto nem humanamente aceitável; e, por último, se esta sua decisão não acabou por legitimar toda e qualquer agressão oriunda de gente deste calibre (absolvidas à cabeça pela desestruturação familiar e pelo caos institucional).
Eu não digo que a nossa sociedade e as instituições do Estado sejam o melhor deste mundo. E não digo também que estas sejam um poço de virtudes. Mas daí até dizer que elas são tão ou mais responsáveis pelas agressões até à morte vai um passo muito grande. É que sendo assim, mais vale fechar a porta. E entregar a chaves. Na casa do Sr. Dr. Juiz, de preferência.

1.8.06

Axiomas

O futebol em Portugal é um feudo de Loureiros.

A lista

À procura da sociedade perfeita e perfeitamente transparente anda o governo nacional. Vai daí decidiu avançar com a publicação de uma lista na Internet (não sei se esta era uma das medidas do célebre plano tecnológico) de conceituados e milionários caloteiros. Conhece-se o método, fascista por sinal, para arranjar bodes expiatórios e demonstrar a plena incapacidade do Estado em exercer o poder que lhe delegamos. É a prova inequívoca de como o Estado, o nosso Estado, não cumpre com as suas funções e que tem de descer ao mais baixo e reles dos métodos para conseguir dividendos. Muitos puritanos irão dizer que quem não deve não teme. E que é justo que essa lista seja publicada para se saber quem deve e quem não deve ao Estado, nem que seja pela mais pública das vergonhas. Lamento discordar porque o problema de fundo é o princípio. E só depois o método. È este mesmo princípio que qualquer dia justificará a publicação de listas dos que têm multas por pagar, dos medicamentos que cada um compra, dos exames que cada cidadão faz, das doenças que foram diagnosticadas, do cadastro individual, das dívidas aos bancos e outras pérolas do género. Não haverá travão. Nem perdão. Tudo em nome da justiça e de um ideal de clareza e transparência onde o cidadão se sentirá plenamente esmagado. Porém tenho a certeza absoluta que tudo isto seria mais simples e perfeitamente evitável, se este mesmíssimo Estado fosse um Estado como deve ser e cumprisse com as suas obrigações. Como não é, os métodos já não espantam. Ou pelo menos não devem espantar.

A digressão

Numa pequena digressão pelo mundo, Chávez, um conhecido “democrata”, anda à procura de aliados para a sua infinita luta contra os americanos. Chávez, como todos sabem, julga-se importante. E julga-se com capacidade para incomodar os Estados Unidos e as suas políticas, como se eles não dormissem preocupados com tal criatura. Claro que Chávez tem tempo de antena devido ao discurso radical antiamericano e por ser, na sua generalidade, um perigoso, mas pelos vistos respeitado, populista que anda a criar exércitos de um milhão de homens em negociatas perigosas de armamento enquanto destrói os recursos de um país que vive da exportação do petróleo. Chávez vale o que vale. E perante uma comunicação social benévola e conivente nada como andar a fazer um périplo por aí passeando a sua retórica de bolso que se diz protectora dos fracos e oprimidos do capitalismo. Na sua cruzada recente, deu-se ao luxo de ser recebido, por exemplo, por gente ilustre como Zapatero e Sócrates, dois conhecidos homens de esquerda, mas cujo poder caiu no colo, como por certo se recordarão. E propôs-se continuar a senda na Bielorússia e, agora, mais recentemente, no Vietname onde voltou a apelar a uma frente mundial antiamericana. Não sei que tipo de gente admira este ser, mas pelas companhias percebe-se logo que a coisa não deve ser lá muito recomendável.

28.7.06

Só a televisão não chega

Ouve-se de tudo nesta guerra entre Israel, país próspero e invejado, e a fracassada civilização Árabe, medieval e tirânica. Coexistem, sobretudo na televisão, as opiniões mais superficiais com as ideias mais disparatadas. Mas há algumas coisas simples que convém recordar, as quais, claro está, não passam na televisão por parcialidade e por, acho eu, ignorância.

Se o espectador português, em particular, e o europeu, em geral, não fossem apenas informados pela “caixa”, ficariam a saber que as justificações dos judeus têm tantos e mais séculos de história do que as do lado árabe. Saberiam também que a primeira “afronta” veio do lado palestiniano com um atentado.

Saberiam ainda que, e embora Israel tenha ficado com pouco mais de metade do antigo território da então Palestina (54%), 60% dessas terras eram puro deserto. Parte desse deserto foi sendo convertido em terra fértil através do trabalho, da sabedoria e da ciência, coisa que nenhum estado árabe seria capaz de fazer, e pior, não quer fazer.

Claro que quem só vê um lado mais não conseguirá ver. Vai daí que ser informado pela RTP, SIC e TVI não chega manifestamente para entender o mundo, e muito menos este conflito.

E nisto, temos que levar com o “repórter de guerra” José Rodrigues dos Santos. Repórter que nunca se suja, transpira ou despenteia. Repórter que vê colunas de fumo de bombardeamentos a 100 metros dele, quando todos vêem que no mínimo estariam a um quilómetro. Também outro “repórter de guerra” português, mas da SIC, parece desconhecer por completo que o Hezbollah usa ambulâncias carregadas de dinamite e que as suas “trincheiras” são exclusivamente casas de civis. Ninguém explicou ainda a Paulo Camacho que, nesta guerra, o Pai Natal já não existe. Ninguém lhe explicou que na ânsia de enviar “filmes de acção” deturpados para Portugal, é provável que o seu regresso já não se faça pelo seu próprio pé. Foi em missão, foi pelo dever de informar. Está bem está.

Para não ter que ver e ouvir estas falácias todos os dias, e para não ter que corromper a simpatia que há muito tenho por Israel, desligo a televisão, pego num livrinho e vou para a praia.

O lugarzinho de cada um

Que somos insignificantes toda a gente já sabe. Porém, com medidas certas, tudo fica mais claro.

27.7.06

Gun


Foram poucos os fotógrafos que, como William Egglestone, captaram de forma tão nítida a America rural. O país das pequenas cidades e dos grandes espaços.


Gun, (Morton, Mississippi 1969-70).


Giacometti



Às vezes, parece-me que andamos todos às voltas na Caixa de Giacometti

Gostava de perceber

Gostava de perceber como foi possível o retrocesso civilizacional do Islão. Alguém ainda se recorda de que o Líbano, hoje refém de um bárbaro movimento terrorista como outrora o foi da Síria, foi um dos primeiros países modernos a abolir as Forças Armadas?

Esqueci-me

Esqueci-me da guerra no Líbano. Ah, mas isso é tão longe do Algarve do Porto Santo!

Rien

Nada de minimamente interessante se passa. O Verão instalou-se de forma cruel. Basta dar uma volta pelos jornais e pela blogosfera para ver isso mesmo.

Paris

Boas fotos de Paris aqui.