11.3.06

Para anti-americanos lerem

«O cinema americano, que é visto pelos intelectuais europeus como um conjunto de banalidades decadentes, provoca debate político e força mudanças sociais. É mais relevante do que qualquer filme que se limite a juntar planos fixos que duram vinte minutos.»

Editorial da revista Sábado

9.3.06

A fragmentação socialista

Tenho a impressão de que a direcção do partido do “soco”, como antes os pequenos o chamavam, não vai chegar longe. Talvez não dure até ao Natal.

Isto também porque o socialista comum, bem como o evoluído, e ainda para mais madeirense, é avesso à autoridade, às regras, à disciplina e aos jogos de poder. O seu genético apetite para dizer tontices livremente afasta, de facto, qualquer hipótese de harmonia de grupo. Coisa que Jacinto Serrão ainda não deu conta.

Mas vendo bem, e fora as causas endémicas, todas aquelas cabeças que chefiam o grupo vieram directamente dos confins da Madeira para “escola secundária” da Penteada, para aí congeminarem o seu pequeno assalto ao partido socialista. O que também não foi difícil.

Como, quase sem excepções, são todos rústicos e de maus fígados, vão acabar por rebentar por dentro. O que está quase. E o que, diga-se, não será nenhuma tragédia para a democracia madeirense. Ou para o que resta dela.

E só de pensar que um dia muitos (demasiados!) colocaram a hipótese destes bípedes chegarem ao Governo Regional, dá-me vontade de emigrar.

Magno Velosa

Repita lá, Dr. Serrão!?

Eu ainda não percebi qual é o mérito político que se pode reconhecer a Jacinto Serrão.
O homem, de cada vez que faz uma intervenção política profere idiotices sem tamanho, as suas opiniões não têm qualquer sustentação, não passam, enfim, de lugares-comuns que até se podem admitir ao Sr. Manuel, que é taxista, mas que não são dignas do líder do maior partido da oposição madeirense.

Então não é que agora o homem “descobriu” que a relação de Jorge Sampaio com os sucessivos governos foi marcada pelo bom relacionamento institucional (DN-Madeira). Desculpe, repita lá! Bom relacionamento institucional? Disso não tenho dúvidas, se falarmos na relação entre o Dr. Sampaio e o Eng. Guterres, ou entre o (já - felizmente) ex-presidente e o Eng. Sócrates. Mas dizer que a relação de Sampaio com os governos PSD foi marcada pelo bom relacionamento demonstra uma cegueira atroz na interpretação política. Esta relação foi sempre muito tumultuosa e por vezes com conflitos abertos (apesar de na maior parte das vezes terem sido muito discretos). E diga-se de passagem que determinados episódios só não foram mais graves devido ao bom-senso por parte dos líderes do PSD. Basta lembrarmo-nos dos episódios com Durão Barroso, com a crise do Iraque. Sampaio admitiu mesmo que teria demitido o Governo (curiosamente aceitara, anos antes, a participação portuguesa noutros conflitos, também sem o aval da ONU), caso este insistisse no envio de tropas para o Iraque. Tinha legitimidade para tal? Claro que sim. O que não se percebe lá muito bem é que isto se tenham passado pouco tempo depois da demissão do anterior PM, por considerar que Portugal estava mergulhado num lodaçal. Como é que Sampaio contribuiu para a serenidade? Com ameaças. “Ganda” relacionamento institucional, sim senhor!

Por outro lado, na tomada de posse de Santana, alertou logo que estaria atento ao Governo. Ou seja, deixou a espada de Dâmocles pender sobre a (já) bastante frágil cabeça de Santana Lopes. Das duas uma: ou o homem não aceitava a solução proposta pela maioria, ou então não tinha nada que andar a dizer que iria estar atento às medidas tomadas no âmbito da política externa, economia e justiça. Tivesse ficado calado, porque a um presidente não compete proferir ameaças. A ele compete fazer cumprir a Constituição. Mas naquele momento, todos os portugueses souberam que o “bebé” do Santana estaria condenado antes de chegar à segunda infância. Depois, ainda diz que soube interpretar o desejo dos portugueses, o que abriu um precedente terrível: sempre que um governo estiver com sondagens desfavoráveis corre o risco de ser demitido. Sim, porque convenhamos que a demissão daquele governo não se deveu à incompetência do então PM (que o era, de facto). Se assim fosse, a primeira medida a ser tomada por Cavaco Silva seria demitir o montanhês do Sócrates (ó homem, tome um acto digno, uma vez na vida e beba sicuta, como o seu homónimo!). Não! A demissão deveu-se a contingências políticas muito especiais. O Governo estava a ser atacado por tudo o que mexia, o Eng. Sócrates, com aquele seu ar de constante virgem ofendida, estava bem colocado nas sondagens, não se vislumbrava a retoma económica. Tudo factores que, obviamente, demonstravam que o PS ganharia as eleições.

A demissão deveu-se a trapalhadas? Ora, e então as mentiras claras não merecem igual castigo?
Não meu caro Dr. Serrão: a presidência de Sampaio não foi marcada pelo bom relacionamento institucional. Estes 10 anos foram marcados por atitudes titubeantes do Sr. presidente, que em caso de dúvida apoiava os seus camaradas de partido. Fez-me lembrar aqueles árbitros (como o de ontem, no jogo Liverpool-Benfica) que decidem sempre a favor do mesmo. Na hora de decidir, o cartão rosa sempre falou mais alto.


PS – A cereja no topo do bolo foi a reencaminhamento de Vítor Constâncio para o cargo de Presidente do Banco de Portugal. O carrasco dos governos PSD, exactamente por o ter sido, é mantido no cargo pelo Sr. Presidente da República, pouco tempo antes de ser substituído e já com um novo Presidente eleito. Estou curioso para ver o que dirá a história destes dois mandatos. Por enquanto, resta manifestar a minha indignação e mágoa por ter vivido numa época em que um Presidente da República quis mais ser presidente dos socialistas do que de todos os portugueses.

Prece

Portas regressou. Que Deus nos salve!

8.3.06

As 7 vidas de Paulo Portas

O jornalista anti-europeísta e político defensor da vida e da não despenalização das drogas leves, entre outras idiotices latinas, voltou. Voltou para um programa de televisão com um título dissimulado: “O Estado da Arte”. Ao que parece, Paulo Portas vem para nos aclarar, com sua mundividência, os assuntos do “sítio”, como com razão outrora chamava Eça de Queirós a Portugal.

Mas então, ao que vem mesmo Paulo Portas? Em princípio, deverá vir dar voz à dita “direita” que ele putativamente ainda acha que representa, ou pior, que ainda acha que existe.

E na Madeira, vai ser bom de ver, os fiéis locais ficarão encarregues de anunciar a Boa Nova, isto é, o sétimo renascimento do “menino” Portas. Para já não falar nos seus artigos de opinião (como a contra-gosto os tenho que assim nomear) na impressa regional, onde se assistirá ao eco das ideias quinzenais deste “nobre” cuja única coisa que aprecio são os fatos de bom corte e algumas técnicas de retórica.

Magno Velosa

O Benfica ganhou - um apontamento vulgar

O clube de Salazar, dos esbirros do antigo regime e dos mais tontinhos e saloios portugueses ganhou. O jogo contra o Liverpool foi muito bom, muito mau será o zurzido que fará durante semanas. Mas pronto, por acidente é o meu clube, ainda que desapaixonadamente.

Magno Velosa

Elas

Para elas.....os meus sinceros parabéns.

Imaginem a que lhes der mais jeito. Quer dizer,.... pica.

Defesa acérrima

O meu amigo Bento, no http://www.esquina-do-mundo.blogspot.com/ vem fazendo uma defesa acérrima da actual liderança socialista. Não o critico nem questiono a opção, é um direito que lhe assiste. Mas hoje, numa resposta a um post meu datado de ontem, comete uma série de erros de análise que convém corrigir.
Em primeiro lugar, o então líder Mota Torres teve os melhores resultados percentuais que o PS-Madeira jamais obteve. É um facto, facilmente comprovável.
Dizer que a subida de 2004 se deve ao especial mérito do presidente socialista Serrão é, de facto, curioso. E revela uma analise com algumas…”omissões”, tais como o aumento do número de deputados, o resultado perfeitamente anormal de 2000 – creio que até o Inguilha a concorrer de camisola rosa teria aumentado o score – ou a situação especial em que o país vivia. Ou, em última instância, os trinta anos de poder laranja.
Em segundo lugar, faz uma série de considerações sobre as “fugas de informação” que deram origem à notícia Bernardo contra Bernardo. Quem quiser leia.
O resto não comento, porque acho que não vale a pena. Eu não tenho uma visão manequísta do universo, não entendo que de um lado estão os bons e do outro estão os maus. Limito-me a acreditar que nos dois lados da barricada existe gente de valor e com valores, que tenta, todos os dias, fazer o melhor. Eu, pelo menos, conheço gente assim.
E já agora, quanto a tachos, é necessário não esquecer o comportamento do líder Serrão quando chegou a Assembleia da Republica e de lá só saiu “à lei da bala”, quando prometera o contrário.
Da resposta do Bento emergem outros defeitos, mais relevantes. Em primeiro lugar, ele não desmente o essencial (até confirma), ou seja, os métodos agora criticados foram igualmente utilizados por quem detém o poder rosa. Como o Diário lembra hoje, aliás.
Em segundo lugar, falta qualidade ao grupo parlamentar do PS, o que se revela na ausência de produtividade do mesmo.
Em terceiro lugar, não se conhece, à actual direcção do PS-Madeira, uma única ideia política válida. Os socialistas não agem, reagem. E normalmente, andam a reboque dos meios de comunicação social que agora criticam.
Enfim, é uma direcção pobre, politicamente inábil, trauliteira ao jeito da música pimba do Quim Barreiros.
Bom, como isto já vai longo, que tal tomarmos uma cerveja amanhã, Bento?

7.3.06

Culé

El Barça es mes que un clube.

La Font de Canaletes. Se ainda andasse por aquelas bandas!

Post-Scriptum: O Ronaldinho joga que se farta!

Concurso

Um grupo israelita lançou um concurso de cartoons anti...semitas. Ver aqui. Via O insurgente.

Meia hora

Vi meia-hora de jogo. O suficiente para dizer que é uma pena se o Barça for eliminado.

E não tenho nada contra o Mourinho, antes pelo contrário...

Provar do mesmo veneno

Tenho ouvido e lido acusações a João Isidoro, José António Cardoso e outros que tais. Entendo-as. Os “críticos” do PS-M são personagens burlescas. Tal como, de resto, a maioria dos “respeitáveis” membros da actual direcção do partido, politicamente a mais pobre que há memória.
Com um líder inapto (espécie de marioneta nas mão de um tipo de Santana a quem não se conhece uma ideia que seja).
Com um simpático fumador de cachimbo, que entre uma cachimbada e outra um dia rasgou o belo cartãozinho de militante rosa.
Com um Emanuel que os quer ver a todos pelas costas, fingindo sacrificar-se pela causa enquanto espera pelo o voo seguinte para Bruxelas.
Com um grupo parlamentar que é, tão só, o menos produtivo entre todos os que compõem a AR.
É óbvio que Isidoro e Cardoso são tipos pouco recomendáveis. Mas e os actuais geradores do “status quo” são o quê? Não trilharam eles os mesmos caminhos? Não foi Freitas santanense quem levou José António Cardoso à vitória num célebre congresso disputado contra o João de São Vicente?
Não foi o Freitas de Santana quem tramou Bernardo Trindade e Bernardo Martins, passando para a imprensa – DIÁRIO DE NOTÍCIAS - a informação prematura de que eles se candidatariam à liderança no dito congresso, eliminando as pretensões de qualquer um deles?
Não foi Serrão que, enquanto líder da JS, tramou (ou ajudou a tramar, porque sozinho, duvido que conseguisse!) o então líder do partido?
Não foram estes senhores que ajudaram a boicotar o trabalho da anterior direcção do PS-Madeira, contribuindo para o “belo” resultado de 2000?
E agora pregam lições de moral? Acusam de conspiradores aqueles que utilizam os mesmos métodos que os colocaram onde estão? Não foi através dos mesmos jornais que chegaram lá? Será que o DN foi sempre “instrumento privilegiado de comunicação do PSD”? E se assim é, deu jeito, não?
Eu não tenho rigorosamente nada a ver com o PS-Madeira. Não defendo Isidoros, Cardosos, Caldeiras, Pestanas, Freitas ou outros quaisquer. Não tenho de ter opinião sobre quem é o melhor líder para os socialistas cá do burgo. Mas sei apenas que, observando as coisas como elas são, a actual direcção está apenas a provar o veneno que destilou durante anos. Com uma particularidade. É que Mota Torres teve o melhor resultado de sempre do PS-M. Emanuel Jardim Fernandes esteve perto de ganhar a Câmara do Funchal. E Serrão, até agora, ficou-se por resultados “satisfatórios mas aquém das expectativas que o PS Madeira legitimamente tinha”.

Post-Scriptum: Poupem-se ao trabalho de dizer que “este texto foi feito por encomenda porque não interessa ao PSD ver o PS com uma direcção forte. Está mal escrito e tem erros. E faz parte da conspiração para acabar com o líder - transitório porque continuam à espera de Bernardo – e colocar lá o Cardoso, para bem do PSD”. Pois que assim seja. Estou-me nas tintas.

6.3.06

Parabéns e saudação

Ao contrário do que acontece com outros tripulantes deste blog, a condecoração dada por Sampaio ao jornalista Tolentino Nóbrega não me choca. Porque reconheço a sua capacidade profissional.

Aprendi a admirar as pessoas pela sua inteligência. E não pela ideologia ou pela sua “praxis” política. Os meus parabéns ao Tolentino.

Post-Scriptum: É bom voltar a ler o Magno neste blog. Para irritação de alguns atrasados mentais armados em “comentadores”.

5.3.06

Honrarias

O senhor Toletino Nóbrega, que não conheço, recebeu uma condecoração do Presidente da República, supostamente por ser, na Região Autónoma da Madeira, a única pessoa independente e lúcida.

Em princípio, para se receber uma condecoração é necessário que se tenha mérito. Ora, como o que este jornalista faz não é mais do que de vez em quando mandar mil e tal caracteres para Lisboa, relatando algumas peripécias regionais, não vejo onde está a justificação da honraria, a qual infelizmente já se tornou num reconhecimento para gente absolutamente vulgar.

Depois, o que é mais grave, é que este “prémio” essencialmente político pretende legitimar a ideia do “défice democrático” na Madeira. Comparando, implicitamente, um esforçado correspondente de um arquipélago democrático, como é o nosso, a um jornalista que, sob risco, exerça a sua actividade informativa numa região totalitária e sem liberdade de expressão, como não é a nossa.

Se a ideia era essa, penso que para receber o penduricalho com uma fita em melhor lugar estaria a malta que rabisca o “Garajau”.

Magno Velosa

Fim de semana

Dispensável. O texto e os comentários, creio eu. Mas é fim de semana, por isso percebe-se...

A naifa



Vale a pena ouvir. E manter um contacto próximo aqui.

2.3.06

O Óbvio e o Obtuso

Confesso que não compreendo a condecoração do Presidente da República ao jornalista Tolentino de Nóbrega.

É no mínimo um paradoxo.

Sempre que foi necessário intervir na vida pública, regional, Jorge Sampaio evitou entrar em confronto com o poder local.

Agora atribui uma condecoração a quem?

Ao profissional, às notícias, ou à coragem em escrever o que mais nenhum outro jornalista publicou?

A outra interpretação, possível, é que ao atribuir esta condecoração Sampaio dá o dito pelo não dito.

Faz uma espécie de meia culpa.

Pode ser lida como um reconhecimento, ainda que implícito, de que algo vai menos bem na vida pública regional.

Será?

Condecoração

Tolentino Nóbrega será condecorado pelo Presidente da República. Mandam as regras da boa educação que o felicite, pois bem, as minhas felicitações.

As razões que levaram a este acto dizem respeito ao Presidente mas, também, a todos nós, representados pela mais alta figura do Estado. Neste contexto tenho apenas uma crítica a fazer, crítica essa que se prende com o teor das notícias por ele produzidas. A sua independência será inquestionável, pelo menos quero acreditar que assim seja e deve ser esta a premissa da minha análise, no entanto, já não consigo ver a sua equidistância. Com efeito, este jornalista foi sempre incapaz de construir uma notícia que relevasse qualquer aspecto positivo que tenha tido origem na Madeira. Todas as suas notícias, daqui enviadas, reflectiram, única e simplesmente, os aspectos menos positivos da vida regional. Esta minha afirmação resulta da tristeza que sinto quando, ao abrir as páginas do Público, vejo o nome da Madeira associado, apenas, a situações negativas. Não que essas devam ser branqueadas ou esquecidas, o que seria aceitavável e tolerável é que os assuntos regionais fossem tratados com a justiça e imparcialidade que deve reger a actividade jornalística.

A condecoração será merecida, fica o amargo resultante da incapacidade de se abstrair de aspectos pessoais e de motivações tendenciosas. O trabalho teria sido melhor se mais justo e real. Não são só desgraças, nem crimes, nem problemas, nem faltas de respeito, nem vícios. Faltaram os bons exemplos, as inovações, as antecipações e os progressos. Teria sido mais interessante se o quadro transmitido fosse mais completo.

1.3.06

Hipotecar a consciência

No PSD-Madeira, o professor Virgílio Pereira faz parte do restrito grupo daqueles que pensam pela própria cabeça e, sobretudo, dizem publicamente aquilo que lhes vai na alma, mesmo que, por vezes, isso seja entendido como uma “ameaça” à suposta integridade do partido.

Pereira não é, nem nunca foi, homem de jogos de bastidores. Diz pela frente aquilo que outros teimam em dizer pelas costas. Fala de forma desassombrada, porque não teme mais que a sua própria consciência.

Ao contrário de alguns que conspiram nos bastidores - ratos que abandonarão o barco ao primeiro sinal de naufrágio - Virgílio Pereira assume claramente posições que, por vezes, são incómodas. Mas fá-lo de forma honesta.

Ao contrário de outros, o professor Virgílio não é “fonte anónima” de notícias prejudiciais ao partido e a companheiros de partido.

Não promove intrigas junto de destacados membros da oposição nos corredores do Parlamento.

Não diz mal, em festas “semi-privadas” - ou “semi-públicas” como se queira - do líder do partido.

Não põe negócios à frente dos interesses do PSD-Madeira.

Alerta para situações que, se não forem corrigidas, darão cabo do partido, para contentamento de alguns que por enquanto ainda andam por lá.

Não é, enfim, sabujo praticante do oficial lambebotismo.

Por isso, a ideia de “dispensá-lo” é, ela própria, o hipotecar da consciência do partido.

Gonçalo Nuno Santos

Post-Scriptum

Colaboro, com muito prazer e muita honra, a convite do Professor Virgílio Pereira, no Projecto Funchal 500 Anos. E fá-lo-ei enquanto ele me quiser por lá. Este texto nada tem a ver com essa colaboração, é apenas uma manifestação de respeito e simpatia para com uma figura que aprendi sempre a admirar e a respeitar. Sei que alguns, à falta de melhores argumentos, dirão o contrário. Sinceramente, estou-me a cagar para eles…

Coimbra, a Estética e a Casa da Madeira

Estive em Coimbra e conheci (salvo seja, porque apenas jantei na mesma mesa) Mário Perniola, professor da Universidade de Roma que apresentou a edição portuguesa do seu livro “O Sex-Appeal do Inorgânico”, editado pelo meu amigo João Diogo (http://www.ariadne-editora.com). A curiosidade filosófica voltou a manifestar-se e irei ler o livro deste pensador contemporâneo. Não é que a Estética seja uma disciplina que me agrade muito, não é! Mas gosto do título (às vezes é assim que descobrimos alguma coisa que gostamos).
Felicito, desde aqui, o João. É necessário coragem para publicar livros que poucos lêem. O trabalho de mediador do conhecimento não é fácil. Acredito que provoque algumas insónias. Mas vale a pena. Pelo menos para ele!

Aproveitei a minha estadia e visitei a Casa da Madeira de Coimbra e sinceramente fiquei desiludido com o que vi. O bar, um dos ex-libris da noite conimbricence continua fechado, passados 5 anos. Compreendo que o processo de (re)legalização não seja fácil (iniciei-o, portanto sei bem do que falo), mas já passaram 5 anos. E o governo regional até já disponibilizou dinheiro para as intervenções necessárias, mas segundo me disseram, faltou o projecto.
Outra coisa que me entristeceu foi a atitude de um dirigente que conheci à porta. Nunca foi fácil gerir esta associação. O pessoal é jovem, tem outros interesses, nem sempre está disposto a abdicar da sua vida em nome da Casa. Mas fico seriamente preocupado quando o vice-presidente responde da seguinte forma a algumas questões: “eu tenho exame de medicina legal no sábado, portanto até lá não sei de nada”.
Não sei quem é o rapaz! Acredito até que tenha boa-vontade. Mas convenhamos que esta não é uma resposta que se dê a um sócio (será porque não pago as quotas de sócio correspondente?). Porque se o rapazola não tem tempo, podia bem não ter aceite integrar a direcção.
Não é que este tipo de atitude seja novo. Sempre houve membros dos órgãos sociais que não se entregaram à causa. O que é novo é a forma como é assumida a atitude. Nunca tinha ouvido da boca de um dirigente, de forma tão clara e inequívoca, que se estava a marimbar para a Casa da Madeira.
Porventura é devido a esta nova forma de ser dirigente associativo que se chegou ao total abandono do bar da Casa da Madeira de Coimbra. Causa-me tristeza o facto deste espaço estar cada vez mais afastado da comunidade de madeirenses de Coimbra e até da comunidade onde se insere. O bar já foi um ponto de encontro e de partilha entre madeirenses e restante comunidade. Já foi um local de promoção da inter-culturalidade. Neste momento está morto e o óbito é atestado nos exames de medicina legal.
Espero que surja uma nova direcção, com uma nova atitude e já agora com novas pessoas. Que não se estejam a marimbar para a Casa da Madeira, só porque têm um exame de Direito.

Ventos de mudança

Como as coisas mudam...

Hoje, quase que me emocionei. Realmente, aquilo que senti foi uma espécie surpresa e embaraço. Quase inexplicável, ver o "Grande Educador da Classe Operária" a viajar da forma mais burguesa possível: na primeira fila da primeira classe. (Já agora, eu, grande aproveitador da dita mamadeira regional, sabujo ignorante cuja empresa não presta embora já exista há mais de 30 anos e, que eu saiba, só estou metido nestas coisas da política há sete, viajava em classe económica).

O paladino dos direitos do proletariado, a Joana d'Arc do PREC, aquele que empunhava o estandarte dos direitos dos trabalhadores, rendido ao capitalismo primário. Faz-nos pensar.

Não vejo nenhum atentado em defender os direitos dos que são oprimidos e que menos têm e, simultaneamente, gozar os confortos e prazeres que a vida proporciona. É uma questão de confronto de princípios, de moralidade, no mínimo estranha para quem como eu não faria algo semelhante. Que dirão aqueles que por ele foram "educados", todos os que, religiosamente, beberam as suas palavras eivadas de ódio e romantismo, os milhares que acreditaram ser possível concretizar a utopia ?

Estando nos antípodas do pensamento político por ele defendido, abominando a forma e a substância da sua luta, não deixo de sentir um certo deslento e uma mágoa contida por assistir a este fim das coisas. É testemunhar a derrota de um sonho, por muito errado que ele possa estar, um sonho por tantos acalentado.

Importa perceber o que se passou, será que ele desistiu da sua luta, julgou-a inconsequente ? ou, por outro lado, concluiu que esteve errado este tempo todo ? Baixou os braços ou viu a luz ?

Só o próprio poderá responder. As motivações de cada um só a ele dizem respeito e julgá-las leva a conclusões estúpidas e, muito raramente, acertadas.

Fica a desilusão para os seus seguidores de outrora e a frieza da constatação de que a História e o Tempo tudo corrigem e acertam.

28.2.06

Se o rídiculo matasse...

Pedro Emanuel, um sofrível defesa central do FC Porto, admitiu estar "orgulhoso" por poder representar a selecção de Angola no próximo Campeonato do Mundo.

O homem, que apenas em caso de evidente calamidade seria convocado à selecção portuguesa, nasceu em Angola e veio para Portugal com 3 anos, em 1974. E nunca mais regressou à terra onde, por acidente, veio ao mundo. Mesmo assim, diz que não se esquece das origens.

Se o ridículo matasse, o bom do Emanuel caía redondo...

Quo Vadis?

Para onde caminha Isidoro? Para o PSD não é de certeza, porque Roma não paga a traidores...

Muro das lamentações

As cartas de leitor do DN transformaram-se no muro das lamentações dos deputados e dirigentes do PS-Madeira. O português de alguns, contudo, deixa muito a desejar....

Exemplo

O homem está imparável...

24 Horas

É Carnaval. Ninguém leva a mal. O que é pena...

27.2.06

Código Da Vinci

Dan Brow vai a tribunal, acusado de plágio. Não me comove particularmente. Ainda se tivesse copiado qualquer coisita de melhor qualidade...

Pelo segundo ano consecutivo Alberto João Jardim não entrou no Cortejo de Carnaval.

Apesar disso, a ausência do Presidente do Governo Regional da Madeira, foi mais destacada nas notícias do que o próprio Carnaval.

24.2.06

Rod Costa






Algumas fotografias de um dos melhores (e mais criativos) fotógrafos madeirenses da actualidade, Rod Costa.

Aqui há mais.

Tendências

Uma esplanada sobre o mar. Uma tarde de sol. Um bom livro e uma cerveja. Cenário agradável. Destruído repentinamente por Música pimba ao gritos. Ivete não sei das quantas aos berros. Porra às vezes despertam em mim tendências homicidas...

23.2.06

O Gosto Pelo Poder

Todos nós já percebemos que existem certas coisas que vão mal neste terra. O que jamais esperava era a luta pelo “pelo poleiro” na Associação de Mulheres Empresárias.

Porque se será que são raros os que querem deixar o poder?
Porque é que não dão oportunidade às instituições para se reinventarem?

Infelizmente quando instalados, querem perpetuar ideias e métodos, a maioria das vezes ultrapassados, custe o que custar.
Nem sempre os pais génitos são os que melhor desenvolvem os filhos. Julgo que a senhora Vignolo está a cometer idêntico pecado.

A realidade existe

O Comité Central do PCP, de acordo com uma notícia saída ontem no Público, entende que no caso das caricaturas de Maomé o que está em causa “não é a liberdade de imprensa e de expressão, mas acções provocatórias de carácter racista e xenófobo que insultando e identificando o islão com o terrorismo procuram atiçar a tensão, alimentar e explorar acções radicais que possam servir de pretexto para o prosseguimento da estratégia de agressão e guerra imperialista contra países soberanos e a criminalização das forças e povos que lhe resistem”. Mas como delirar não paga imposto e a asneira (liberdade de expressão) é livre, o Comité Central vê ainda “motivações” e uma “ofensiva mais geral do grande capital e do imperialismo”, interessado em propagar e em semear o ódio e a violência. A táctica não é nova. Aliás, está putrefacta de tanto ser utilizada. Daqui a pouco, o camarada Jerónimo dirá que o Presidente americano, himself, é o autor moral dos desenhos porque está interessado no petróleo e na instabilidade na região e que foi ele próprio que financiou o concurso. Pelo meio, os sionistas também entrarão em cena com uma série de métodos pouco ortodoxos e tenebrosos. No fim, surgirá como complemento a globalização predadora. O camarada Jerónimo, como se vê, é mais um caso perdido. Com o fim do comunismo (prática política), o discurso marxista (teoria) virou-se para o cinismo e para a má-fé, numa clara acção de desespero demonstrativa da sua impotência política. No seu discurso seráfico, e saudosista, o Camarada Jerónimo não vê que lá fora a realidade existe.

22.2.06

A sorte é que são socialistas

Mais duas notícias fabulosas, provenientes daquele verdadeiro manicómio socialista a que chamamos governo.

1ª - Todos nós vamos financiar a compra da PT, pela SONAE. Ficamos hoje a saber que o grupo de Belmiro de Azevedo, caso obtenha luz verde para a aquisição a Telecom portuguesa, com certeza não pagará IRC durante muitos aninhos, pois apresentará prejuízos ano após ano. E o mesmo governo que pede ao coitado que ganha 500€/mês para fazer sacrifícios em nome do bem comum, vai fazer este favorzinho ao Sr. Belmiro. Anualmente, a perda de receita ficará à volta dos 3 mil milhões de Euros. Coisa pouca, portanto, mas que era capaz de dar um jeitão ao Fundo de Pensões (aquele que o Sr. Ministro das Finanças teme que venha a falir).
Desde já aviso: também quero a minha quota parte nos lucros da PT e da SONAE, já que estou a financiá-las. E também quero poder apresentar resultados anuais negativos – o que de resto nem é difícil, porque a miséria que ganho chega para as despesas, mas muito à justa –, logo tendo direito à totalidade do que paguei ao IRS.

2ª - O Sr. ministro dos Negócios Estrangeiros, depois de despedir 39 funcionários do Ministério, nomeou amigos para cargos importantes e acima de tudo bem remunerados. Cada um dos amigos vai receber cerca de 13.000,00€. Diz-se que dois deles foram indicados pelo “diamond man”, mais conhecido por “bochechas”. Mas podem apenas as más-línguas e o miserabilismo, tipicamente português, a falar. Gostei foi da explicação para a contratação do conselheiro da UNESCO em Paris: “O dr. Martins Goulart é professor catedrático de Filosofia e corresponde à filosofia da UNESCO”. Bem, com esta explicação, vou que me colocar a jeito. Pode ser que necessitem de mais alguns profs de filosofia. E é verdade que não sou catedrático, mas também sou mais barato (uns quaisquer 4 mil Euros resolviam a questão).

Eis a Casa do ARTISTA


















Por questões técnicas, ( o computador esteve constipado) só agora revelo a casa dos artistas. Levei desta vez a máquina ao Laboratório de Engenharia Regional . Como não há outro laboratório.
Quer dizer,... até existe um pr`os lados do Campo da Barca, mas acho que está como estas imagens ( fora de prazo). No tal Laboratório(o de Engenharia) disseram-me para não me preocupar.
Garantem que não é estripe mais perigosa,... o tal HN1.
Estou, por isso, mais descansado.
Os leitores podem continuar a blogar....

É esta a explicação para a exagerada, demora, mas como qualquer artista, o verdadeiro tem destas coisas, ou esta não fosse a verdadeira casa de que tanto se falou, mas nunca se viu, nas últimas 3 semanas.

21.2.06

Às vezes


Às vezes, ainda acho que a Madeira é bonita...

Mais um

Brevemente, este blog terá mais um conspirador. Agora é que vão ser elas...

Comentar o quê?

Estive ausente por uns dias. Comecei de férias e, francamente, tenho tido muito pouca pachorra para comentar o que quer que seja. Particularmente quando o assunto mais em foco nesta santa terra é o estratégico passo atrás do vice-presidente que, aprecebendo-se da inevitabilidade da continuidade de Jardim, se antecipou inteligentemente àquilo que poderia ser a sua morte política.

De resto, parece reinar a santa concórdia por cá. E até o deputado Gouveia tem aproveitado os "quinze minutos de fama" para dar entrevistas. Souto Moura antecipou-se ao estranho marasmo do Procurador da terra e anunciou que ia processar o socialista. Nada de novo, portanto.

Em Lisboa, o Governo fez um ano. Sócrates atrapalhou-se várias vezes, não cumpriu rigorosamente nada do que prometera na campanha e anunciou uma OTA antes da OPA de Belmiro. Pelo meio, deu um choque no choque tecnológico e recebeu Gates com honras de chefe de estado, pondo vários ministros de cócoras ao mesmo tempo perante o senhor da Microsoft. E perdeu duas eleições, embora uma das derrotas tenha dado tremendo jeito...

E até o campeonato de futebol continua calmo e tranquilo, com o meu Sporting a demonstrar uma capacidade inesperada para dar luta aos do norte.

Enfim, nada de novo a norte deste Equador...

Por isso, comentar o quê?

Bem aparecido

Gosto que o Sancho esteja aqui. Independentemente da sua cor política/ideológica que, de resto, não é chamada para rigorosamente nada.

Já o tinha pensado convidar antes. Desde que o blog apareceu, mais concretamente. Por uma razão ou por outra, que nada têm a ver com a qualidade do que o Sancho escreve, ou com a amizade que sinto por ele, só o convidei agora.

Creio que tornará este espaço mais dinâmico e plural.

Tenho pena é que um ou dois imbecis, sem o conhecerem de lado nenhum, lhe coloquem rótulos à partida.

Saravá, Sancho. Estou á tua espera para tomar um copo na Páscoa.

Altruísmo

Recentemente, li que o dignissímo presidente da Junta de Gaula resolveu fazer uma comissão para comemorar os não sei quantos anos da freguesia. É saudável e salutar. Gostei, particularmente das declarações que fez, anunciando solenemente que "não queria rivalizar com a Comissão dos 500 anos da Cidade do Funchal". Ufa, que alívio, senhor presidente da Junta. A Comissão do V Centenário agradece embevecida o seu gesto altruísta...

Souto Moura: louco ou visionário?

Ainda não percebi o nosso Procurador Geral da República. Estou em dúvida acerca da personalidade do homem. Ou é um esquizofrénico perigoso ou um Robin Hood, que irá fazer revelações estrondosas no final do mandato, que justifiquem toda esta loucura que tem sido o seu reinado. Até lá, continuo na dúvida e não me atrevo a emitir qualquer juízo. Porque como a situação está, é sempre demasiado perigoso...

África

Quando se fala na pobreza em África é importante desmontar duas ideias, ou fantasias, falaciosas: o colonialismo acabou, mas continua responsável por aquilo que acontece em África (primeira ideia); a liberalização do comércio aumentou as desigualdades e, consequentemente, a pobreza em África (segunda ideia).
Entre 1960 e 1997 o continente africano recebeu qualquer coisa como o equivalente a seis planos Marshall. Resultado: um enorme e indescritível desastre. África está hoje muito pior do que estava, há quarenta anos atrás. Um exemplo particular: a esperança de vida no Zimbabwe passou de 56 para 33 anos. Vários outros exemplos gerais: metade da sua população vive com menos de um dólar; a fome mata anualmente milhões; a esperança de vida está nos 46 anos; uma em cada seis crianças morre antes de atingir os 5 anos; há 25 milhões de infectados (projecções simpáticas) com o HIV sendo que dois milhões sucumbiram à pandemia apenas em 2005. Problema central: o mundo perante a catástrofe evidente, alicerçado num forte sentimento de culpa (ocidental, sobretudo), decidiu doar rios de dinheiro que mais não serviram do que para encher os bolsos ou de políticos corruptos ou de senhores da guerra. Em qualquer das hipóteses, tratou-se sempre de gente pouco recomendável, que na maioria larga dos casos dedicou-se afincadamente à destruição física, e maciça, dos recursos disponíveis. Como lamento, a grande massa dos europeus convenceu-se de que doar dinheiro apagava o desconforto das imagens que corriam mundo e eliminava, da sua consciência, os dramas e as tragédias individuais e colectivas que entravam, via televisão, casa adentro. Por isso, nada como puxar do livro de cheques e comprar alguma leveza de consciência. Erro crasso, claro está. A maioria dos fundos disponibilizados acabou em parte incerta. Aliás, 80 cêntimos de cada dólar, para ser mais exacto. E claro que a caridade não desenvolveu as estruturas económicas nem deu azo ao desenvolvimento efectivo de uma classe média empreendedora capaz de solidificar alguma coisa de concreto que pudesse avalizar um qualquer futuro. O dinheiro mandou. Logo, o dinheiro comprou, por exemplo, as armas necessárias para amansar o povo e eliminar os adversários, principalmente os incómodos, em troca do forjar de algo levemente parecido com eleições.
Depois da Guerra Fria, situação complexa que não pode ser avaliada fora do contexto específico da época e dos blocos divididos por um muro, restou um único culpado: a América imperial, mais os falcões da sua administração (do passado e do presente, com especial ressonância na administração Reagan, afinal aquela que fez o muro ruir gerando um ódio evidente), responsáveis pelo arrastar das situações devido à sua política geoestratégica expansionista e predatória dos recursos terrestres ou mesmo devido à falta de interesse da região em questão. Outro grave, e roliço, engano. E explicação demasiado simplista para ser levada a sério. Os primeiros responsáveis da grave situação africana são os seus governantes, mesmo que educados nas melhores universidades americanas, inglesas, russas ou francesas e sob influência do “ocidente”. É preciso dizer as coisas como elas são. Usar o colonialismo, ou mesmo o pós-colonialismo, como justificação e desculpabilização pelo terror instituído e diversificado, não ajuda a resolver a situação porque, é preciso que se diga, boa parte dos líderes africanos são déspotas da pior espécie e, em alguns casos, notórios serial killers. Tudo o resto, é defender o indefensável e ser conivente com quem diariamente trai o seu povo, não criando uma única infra-estrutura que possa fazer crescer um país.
Quanto ao argumento da liberalização do comércio é preciso dizer que este é, e quanto a mim, um não argumento. Porque sucede precisamente o contrário: o problema africano resulta do excessivo proteccionismo de alguns mercados e não da liberalização do comércio ou da globalização em si. Basta ver a vergonha da União Europeia e das suas políticas agrícolas, o proteccionismo alfandegário e aduaneiro de blocos comerciais antagónicos e o recente falhanço da Organização Mundial de Comércio. O problema é estar, e continuar, à margem da globalização. Não é estar na globalização. O problema é que gostamos demasiado do nosso bem-estar e aceitamos que líderes africanos continuem impunes. O problema é que passar o raio do cheque é bem mais fácil. E dá menos chatices.

B. Macedo

19.2.06

O futebol de domingo

Costumo dizer que o futebol em Portugal é demasiado mau. Na verdade, quanto a mim, esta é uma evidência sem necessidade de grande comprovação. Ainda há pouco, o líder da prova entrou em campo com um tal de Ivanildo, um desastroso Alan, um inexistente Adriano, um ridículo Bosingwa e com um central mais conhecido na luta livre do que no futebol. Pelo meio, jogou ainda esse extraordinário Jorginho, candidato a pior jogador da liga das apostas. E o Marítimo, claro, ajudando à festa, conseguiu perder um jogo parecido com um filme de terror: mau demais para ser verdade. Há alguns anos atrás, uma equipa destas seria impossível num clube que lutasse pelo título. Hoje é uma prática recorrente e a fazer escola. Ao contrário do que muitos pensaram (eu inclusive) os holandeses que aterraram em Portugal no último defeso não trouxeram consigo nada de novo ou sequer de inovador. Trouxeram absurdos inexplicáveis disfarçados de tácticas e ilusões escondidas na suposta notoriedade dos seus currículos. Porto e Benfica são consequentemente erros de casting profundos que sobrevivem mais pelo peso das suas camisolas do que propriamente pela qualidade do seu futebol de todo inexistente. O futebol em Portugal piora a olhos vistos. Só não vê quem não quer. Mas continua-se a acreditar em milagres.

B. Macedo
Gosto desta malta.
Nem conhecem as pessoas, mas atribuem-lhes rótulos.

Vivas ao país dos matraquilhos!

Definitivamente cada vez mais me convenço que vivemos num país de matraquilhos. O jornalista do Público que fez a investigação ao caso Eurominas e desencadeou a Comissão Parlamentar fez hoje, de novo, revelações que implicam directamente o ex-ministro António Vitorino no caso. Enquanto ministro, porque como advogado já estava provado que o seu escritório foi responsável pela defesa da empresa canadiana. Ora, temos um ministro que inicia o processo de restituir a uma empresa uns terrenos que tinham sido “emprestados” pelo Estado, enquanto a fábrica laborasse por estas bandas. Isto depois de um antigo Primeiro-Ministro ter decidido, de acordo com a legislação, que os terrenos eram públicos e que não havia direito a qualquer indemnização. Atropela uma antiga decisão do Governo Português e decide salvar a empresa da falência, propondo o pagamento de uns meros milhões por parte da EDP que cometeu o “crime” de cortar a energia eléctrica à empresa, por falta de pagamento da facturinha mensal. Como se não bastasse, vai que também decide resolver o processo fora dos tribunais, alegando interesse nacional (a razão evocada prendia-se com a ínfima possibilidade do Estado ser condenado ao pagamento da indemnização). Como em Portugal a justiça anda a passo de caracol, passam-se uns aninhos e o senhor sai do Governo, voltando, por um período fugaz, à sua actividade de advogado. Por mera coincidência, a empresa em litígio com o Estado, contrata os préstimos do escritório do “D. Sebastião” socialista, para a representar nesse mesmo diferendo. O Dr. António Vitorino não fica com o processo, logo não há qualquer problema. E o Estado paga uma pipa de massa e a empresa fica contente e o antigo Secretário de Estado que tinha negociado com a empresa como governante e que (pasme-se) também era sócio do escritório de advocacia que negoceia com o Estado em nome da empresa, fica satisfeito e o Dr. António Vitorino fica satisfeito. Todos ficam satisfeitos! Passam-se uns anos, tudo isto torna-se público e a classe política, na generalidade, fica calada. Mas como a indignação de uns poucos é um bocadito para o grande, cria-se uma comissão de inquérito, omite-se as incongruências das explicações, aparecem como virgens ofendidas uns senhores que teriam muito que explicar, chega-se à conclusão que não se pode provar nenhuma ilegalidade, manda-se às malvas a ética e ficam as coisas assim. E não há nenhuma revolta e o povo não exige decência e o Presidente da República não diz nada e a vida continua. E é provável que o Dr. Vitorino ainda volte a ocupar uma cadeirinha, bem remunerada, no Estado e os portugueses, amestradinhos como estão e como bons matraquilhos que são, uma vez mais, comem e calam. E é este o quotidiano nacional. E é no meio desta indecência que temos que viver.

18.2.06

Porque a primeira vez é a mais difícil...

Pois é. Existe mais um conspirador das 7. Ou às 7! Ou então mais um, para ver se chega aos 7. Ou, por outro lado, a ideia é reunir 7 tolos a ver se chegam a sábios. Pode ser que daqui a algum tempo decidam(os) fazer algo em vez de discutir. Mas como acredito no diálogo, no debate, no confronto de ideias – às vezes sério, outras nem por isso – prontamente aceitei o convite que o Gonçalo, gentilmente, me endereçou (do qual, com certeza, já se arrependeu). Aqui está, portanto, um tolo à vossa disposição.
Neste espaço procurarei deixar algumas preocupações que tenho. Por vezes de forma sistematizada, outras de forma mais emotiva, logo subjectiva e legitimamente sujeita à crítica e ao contraditório. Portanto não se inibam: critiquem, contradigam. Tentarei, na medida do possível, responder. Sejam anónimos, estejam identificados, sejam de Direita ou de Esquerda. Pertençam ao Bloco ou ao CDS (não esquecendo os do intervalo). Estou aberto e preparado até para a ofensa, coisa que, acredito, não acontecerá frequentemente, pois sei que a maioria dos leitores deste blog gosta de discutir ideias.
Alerto, contudo, para o facto de não residir no Funchal. É possível, portanto, não comentar muitos assuntos de interesse puramente regional. Acompanho, com a disponibilidade que tenho, a vida da minha terra. Leio com frequência a imprensa regional (até o Furabardos, vejam só!). Mas perdoem-me por nem sempre me sentir suficientemente informado para opinar sobre o quotidiano madeirense. Com isto não quero dizer que os meus posts serão de completo desinteresse para os madeirenses. Pelo menos assim espero, porque como todos nós, adoro ouvir-me falar (escrever, neste caso), mas também gosto de um bocadito de atenção. E isso, sei bem, só acontecerá se postar sobre assuntos de interesse para a maioria dos que cá vêm.
Esta é a minha primeira incursão opinativa na blogosfera, como blogger. Espero que corra bem!

Sancho Gomes

PS – Ainda pensei em comentar a proposta “socialista” do nosso Ministro da Saúde, a quem parece que a única forma de resolver os problemas financeiros do seu Ministério é cobrar mais a quem menos tem. Mas como acredito que todos os portugueses estão devidamente elucidados…