Porque todos nós começamos a ficar fartos da política e dos políticos, hoje escrevo sobre um tema que gera paixões e divide profundamente e legitimamente a sociedade portuguesa: o aborto e o referendo que se aproxima (isto é, caso o Presidente da República decida convocá-lo).
Até ao momento, tenho visto os defensores do Sim à pergunta do referendo alegarem 4 razões fundamentais para justificarem o seu voto.
a – são as mulheres que mandam no seu corpo;
b – é uma vergonha mulheres serem julgadas por praticarem ou serem sujeitas a um aborto;
c – as condições deploráveis a que algumas mulheres se submetem;
d – famílias e mulheres sem condições para educarem uma criança.
Alguns defendem apenas uma, outros defendem várias e outros, menos cuidadosos, defendem todas.
Eu voto Não. Como sei bem que os defensores da liberalização (é disso que se trata, deixem-se lá de eufemismos) não estão interessados nas minhas razões, e como também sei que mesmo que as ouçam, não as valorizam, vou apenas dizer porque não concordo com os argumentos pelo Sim.
a) Vociferem o que quiserem vociferar os movimentos feministas mais apaixonados e mais ou menos radicais, mas jamais aceitarei discutir com base de que no corpo das mulheres mandam elas. Um embrião não é um apêndice do corpo feminino. As mulheres que disponham como quiserem do seu aparelho reprodutivo, mas nunca lhes reconhecerei o direito de disporem de um embrião. Porque um embrião é uma vida, numa fase que ainda compreendemos pouco, mas que não deixa de ser uma vida. Não sou eu que o digo, é o dr. Gentil Martins.
b) O argumento de que é vergonhoso mulheres serem julgadas também está enfermo de falácias:
1.º - um dos casos mais mediáticos foi o de uma mulher de Setúbal, que fez um aborto aos seis meses. Ora, caso a liberalização (insisto) tivesse sido aprovada em 1998, a sra. teria sido julgada na mesma. Para além disso, perdoem-me, mas abortar voluntariamente aos seis meses não me parece defensável racionalmente. Qual é o argumento?
2.º - quando uma mulher fizer um aborto, recorrendo aos antigos métodos, às 11 ou 12 semanas, como é que vai ser? Serão essas mulheres julgadas? Continuaremos com essa vergonha? O que é que a alteração da actual lei irá mudar?
c) Este é um dos poucos argumentos a que sou sensível. Não conheço nenhum local onde pratiquem abortos. Nunca tive que recorrer, mas não me parece que aquela ideia que a Dra. Odete Santos defende, de abortos feitos com agulhas de tricotar, tenha alguma relação com a verdade. Com tantos medicamentos abortivos, de venda livre, que existem no mercado, não sei se continua a ser necessário agulhas que estraçalhem os fetos. A realidade continua a ser hedionda e brutal, mas acredito que sem esta ficção demagógica.
O não quer dizer que os abortos sejam menos perigosos. But, then again, qualquer aborto está envolto no perigo, que não sei se diminui por ser feito num hospital público. Realço ainda o facto de que estes párias continuarão a existir, uma vez que continuará a haver clientela (gravidez com mais de 10 semanas).
d) Este é um argumento complicado: o que são consideradas condições adequadas para criar uma criança? Os meus pais nunca foram ricos e criaram 6 filhos. Conheço pessoas ainda mais pobres que também educaram os seus filhos, com, amor, carinho, e sem que lhes tivesse faltado qualquer bem essencial. Por outro lado, sabemos que o mundo é volátil e as minhas condições financeiras de hoje, poderão não ser as de amanhã. Em relação ao abandono de crianças, sejam honestos e digam lá: acreditam que o mundo vai passar a ser um lugar melhor para as crianças? Que estas terão mais amor e melhores condições? Que vão deixar de haver os abandonos, os maus tratos? Acham mesmo que a miséria vai desaparecer? Ou, sequer, que as crianças irão desaparecer da miséria?
Reconheço que a questão é complicada. Mas sinceramente não revejo qualquer peso aos argumentos apresentados. São demasiado falaciosos. Ainda assim, continuo aberto à discussão. Argumentem! Afinal, também é para isso que os blogs servem.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
24.11.06
22.11.06
Georges Remi

O criador de Tintim dá pelo nome de Georges Remi. E por que se chama Hergé então? Porque, pegando nas iniciais de cada nome, invertendo a sua ordem e soletrando cada letra por extenso dá her(r) e ge(g), daí o Hergé. Felizmente, já sabia isto muito antes de pôr os pezinhos no Museu da Banda Desenhada de Bruxelas.
Pierre Marcolini

Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas do mundo não ensinam mais que a confeitaria.
(Fernando Pessoa/Álvaro de Campos)
Comer chocolates é melhor do que fazer quase tudo. E então se for na melhor chocolataria do mundo, não sei se será o superior dos prazeres.
A chocolataria Peirre Marcolini de Bruxelas é um daqueles espaços únicos no mundo que, mesmo sem seguranças à porta, afugenta logo a saloiada, a qual, em regra, pouco quer saber da pureza do cacau ou da sua proveniência (Equador, Madagáscar ou Venezuela). E muito menos quer ouvir as explicações dos funcionários trajados com cores de chocolate semi-amargo.
Neste lugar tudo é absolutamente cuidado, mas sem folclore e sem nos impingirem nada: a apresentação da iguaria, a sua disposição na vitrina e a cara, quase sempre neutra, de quem sabe o que vende. Depois, vem a caixinha, e que caixinha! Já na rua, e com a cumplicidade de uma nova amiga de muito bom gosto, fiquei sem saber se o que levávamos na mão era uma jóia ou um doce.
Na América, pois claro
Sem grande esforço facilmente se conclui que a ciência económica e, por arrasto, a da gestão, é uma invenção dos EUA. Ou, pelo menos, foi nos EUA que se aperfeiçoou como verdadeira ciência.
Desde 1969, ano em que foi criado o prémio nobel da economia, a esmagadora maioria dos premiados são norte-americanos, e quando não o são, são ingleses, o que é substantivamente o mesmo. Quanto a mim, só isto chega para explicar quase tudo aquilo que representa a sociedade americana hoje no mundo.
Milton Friedman, claro, também está lá. “A liberdade de escolher” foi o seu livrinho que, mesmo sem darmos conta, mudou parte do mundo. Certo Gonçalo?
Desde 1969, ano em que foi criado o prémio nobel da economia, a esmagadora maioria dos premiados são norte-americanos, e quando não o são, são ingleses, o que é substantivamente o mesmo. Quanto a mim, só isto chega para explicar quase tudo aquilo que representa a sociedade americana hoje no mundo.
Milton Friedman, claro, também está lá. “A liberdade de escolher” foi o seu livrinho que, mesmo sem darmos conta, mudou parte do mundo. Certo Gonçalo?
Stimorol

Como um sem número de coisas boas, há muito que o Stimorol não se vende em Portugal. Disseram-me que era porque tinha alguns elementos com propriedades cancerígenas. Pois bem, mas na Bélgica podemos encontrá-lo. E não me parece que possamos dar lições de saúde aos belgas.
Por mim, mesmo sem ser fã de chicletes, aprecio o pacotinho que ainda mantém o grafismo dos anos 70 e, mais importante do isso, não deixa que as “pastilhinhas” se colem umas às outras quando expostas ao calor. Quer isto dizer que já faço parte do clube da Lenca.
17.11.06
16.11.06
"Até que dê sim"
Uma amiga, quando quer exemplificar a insistência absurda numa tese, numa ideia ou noutra coisa qualquer, utiliza a expressão "é como o referendo ao aborto. Vai tentar até que dê sim...".
E isto vem a propósto de um texto (muito bem) escrito aqui. A ler.
E isto vem a propósto de um texto (muito bem) escrito aqui. A ler.
Milton Friedman
Regresso
Hoje, voltei a um sítio onde não ia há anos. E senti saudades. Do cheiro, dos monitores encostados uns aos outros, da "maior notícia do mundo" prestes a sair, do tocar incessante dos telefones, das portas que abrem e fecham constantemente...
Só 350 milhões?
Ao que parece, o Governo da Republica "escondeu" 350 milhões de euros da dívida pública. Para quem se dá ao luxo de apontar o dedo, não está nada mau...
Será que o Ministro das Finanças multar-se-á a si próprio? Espero para ver.
Será que o Ministro das Finanças multar-se-á a si próprio? Espero para ver.
Festival
O Festival Internacional de Cinema do Funchal continua com mais espectadores do que o ano passado, com melhores filmes e com boa cobertura mediática. Quem parece ainda não saber o que se passa é o Governo Regional, atendendo ao "distanciamento" com que tem acompanhado o conjunto de eventos. É pena que aquele que poderia ser um óptimo cartaz turistico só recolha o apoio da Câmara Municipal do Funchal, que pese embora todas as suas limitações financeiras, faz o que pode...
12.11.06
Viva Portugal
1 - Foi bonito ver no Expresso desta semana Miguel Sousa Tavares elogiar o melhor primeiro-ministro português. Fiquei sensibilizado e deduzo que Sócrates também terá ficado. Começo a achar que mais dia, menos dia, MST vai mesmo para a RTP. É bonito ver que a amizade entre os dois prolifera a olhos vistos. O que é óptimo porque a amizade é uma relação nobre. Gostava é que o MST deixasse aquela sua pose de eu-que-sou-isento-tenho-reserva-moral-para-dizer-tudo-o-que-me-apetece. Porque também começamos a perceber que as suas opiniões estão profundamente inviezadas pelas suas crenças pessoais. Era bem melhor que o opinion-maker assumisse que gosta de fazer favores ao PS de Sócrates, como já assumiu que não gosta de Jardim. Pelo menos era mais honesto.
2 - De Santarém, nada de novo: os fiéis socialistas continuam a beijar o chão que Sócrates pisa. Esperemos que não sejam espezinhados.
3 - Parece que a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) vai investigar as pressões do PS aos jornalistas da RTP. Não percebo o silêncio do Sindicato dos Jornalistas que ainda não tomou qualquer posição sobre o assunto. Mas continuo à espera.
4 - Sócrates diz ouvir a rua. É pena que este fabuloso democrata não oiça os jornalistas quando lhe fazem perguntas incómodas. Não são muitas vezes, mas sempre que acontece Sócrates dá a sua melhor parte e o que mais gosta de dar: as costas. É interessante o processo de transformação que afecta o nosso PM: no início, sempre que a pergunta ponha em causa as suas posições, Sócrates assumia a postura de virgem ofendida e dizia: pelo amor de Deus! Agora, fica com ar furioso, não responde e pressiona, por trás do pano, os jornalistas. Cheira-me que qualquer dia começa a esmurrá-los. O que até nem seria mau, para ver se acordam e deixam de proteger este governo miserável.
5 - Por falar em jornalistas, é usual ver, nos dias que correm, a comunicação social questionar a progressão automática na carreira dos professores e demais função pública. Será que a rapaziada esquece que também eles têm um sistema de progressão automática? Afirmam que nem todos os jornalistas podem ser editores. Ora, pois bem, mas também nem todos os professores pertencem aos órgãos dirigentes das escolas.
Definitivamente, a falácia toldou a mentalidade a esta gente.
2 - De Santarém, nada de novo: os fiéis socialistas continuam a beijar o chão que Sócrates pisa. Esperemos que não sejam espezinhados.
3 - Parece que a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) vai investigar as pressões do PS aos jornalistas da RTP. Não percebo o silêncio do Sindicato dos Jornalistas que ainda não tomou qualquer posição sobre o assunto. Mas continuo à espera.
4 - Sócrates diz ouvir a rua. É pena que este fabuloso democrata não oiça os jornalistas quando lhe fazem perguntas incómodas. Não são muitas vezes, mas sempre que acontece Sócrates dá a sua melhor parte e o que mais gosta de dar: as costas. É interessante o processo de transformação que afecta o nosso PM: no início, sempre que a pergunta ponha em causa as suas posições, Sócrates assumia a postura de virgem ofendida e dizia: pelo amor de Deus! Agora, fica com ar furioso, não responde e pressiona, por trás do pano, os jornalistas. Cheira-me que qualquer dia começa a esmurrá-los. O que até nem seria mau, para ver se acordam e deixam de proteger este governo miserável.
5 - Por falar em jornalistas, é usual ver, nos dias que correm, a comunicação social questionar a progressão automática na carreira dos professores e demais função pública. Será que a rapaziada esquece que também eles têm um sistema de progressão automática? Afirmam que nem todos os jornalistas podem ser editores. Ora, pois bem, mas também nem todos os professores pertencem aos órgãos dirigentes das escolas.
Definitivamente, a falácia toldou a mentalidade a esta gente.
O que move Maximiano Martins
Não existem muitos socialistas madeirenses que mereçam o meu reconhecimento e admiração. Maximiano Martins foi uma excepção. Não só pela sua competência técnica e política, mas pelo facto de denotar um profundo sentir democrata. Por isso, sempre me pareceu que o deputado reunia condições óptimas para vir a ser, um dia, candidato a presidente do Governo Regional.
Todavia, nos últimos tempos, as suas atitudes têm sido uma desilusão. Isso mesmo fiz saber ao deputado, através de carta, aquando da polémica sobre o Centro Internacional de Negócios da Madeira (proposta para descida de IVA para as empresas de novas tecnologias). Na ocasião, o deputado teve a amabilidade de responder e reservando-me o direito de não publicar a sua resposta - não me parece curial, tendo em atenção que a troca de respondência obedeceu a um critério de eleitor-eleito - , retiro apenas uma citação; Maximiano Martins afirmou-me: Eu defendo, segundo o meu critério e a minha consciência, os interesses mais gerais da Madeira, dos madeirenses e do meu país.
Na ocasião, a sua afirmação bastou-me: afinal, podia divergir, mas teria que reconhecer a legitimidade da posição contrária. Todavia, desde o debate na 2, no passado sábado, as suas palavras têm me atormentado e não me saem da cabeça. Para quem não viu, quando inquirido sobre a bondade da proposta do Governo para a Lei das Finanças Regionais (LFR), o deputado eleito pelo círculo eleitoral da Madeira apenas soube dizer, em sua defesa, que a actual lei previa a sua revisão em 2001. Nada sobre a violação do Estatuto Político-Administrativo da Madeira, nada sobre o empolamento do PIB devido ao off-shore, nada sobre a real perda de fundos que a RAM irá sofrer e que, mais do que o Governo Regional e o seu presidente, irá prejudicar o povo madeirense. A sua posição foi não só frustrante, mas agoniante. Que interesses mais gerais da Madeira poderia o deputado defender com a apologia desta proposta do Governo, que prejudica objectivamente e de facto o povo madeirense? Para mim, foi a gota final que fez transbordar o copo: não tenho mais ilusões sobre o que move o deputado Maximiano Martins. Hoje, sei bem que a defesa clubística do seu partido é mais importante do que a defesa da Madeira e dos madeirenses. E isso jamais poderei aceitar.
Todavia, nos últimos tempos, as suas atitudes têm sido uma desilusão. Isso mesmo fiz saber ao deputado, através de carta, aquando da polémica sobre o Centro Internacional de Negócios da Madeira (proposta para descida de IVA para as empresas de novas tecnologias). Na ocasião, o deputado teve a amabilidade de responder e reservando-me o direito de não publicar a sua resposta - não me parece curial, tendo em atenção que a troca de respondência obedeceu a um critério de eleitor-eleito - , retiro apenas uma citação; Maximiano Martins afirmou-me: Eu defendo, segundo o meu critério e a minha consciência, os interesses mais gerais da Madeira, dos madeirenses e do meu país.
Na ocasião, a sua afirmação bastou-me: afinal, podia divergir, mas teria que reconhecer a legitimidade da posição contrária. Todavia, desde o debate na 2, no passado sábado, as suas palavras têm me atormentado e não me saem da cabeça. Para quem não viu, quando inquirido sobre a bondade da proposta do Governo para a Lei das Finanças Regionais (LFR), o deputado eleito pelo círculo eleitoral da Madeira apenas soube dizer, em sua defesa, que a actual lei previa a sua revisão em 2001. Nada sobre a violação do Estatuto Político-Administrativo da Madeira, nada sobre o empolamento do PIB devido ao off-shore, nada sobre a real perda de fundos que a RAM irá sofrer e que, mais do que o Governo Regional e o seu presidente, irá prejudicar o povo madeirense. A sua posição foi não só frustrante, mas agoniante. Que interesses mais gerais da Madeira poderia o deputado defender com a apologia desta proposta do Governo, que prejudica objectivamente e de facto o povo madeirense? Para mim, foi a gota final que fez transbordar o copo: não tenho mais ilusões sobre o que move o deputado Maximiano Martins. Hoje, sei bem que a defesa clubística do seu partido é mais importante do que a defesa da Madeira e dos madeirenses. E isso jamais poderei aceitar.
6.11.06
4.11.06
Porque a irritação não permite escrever muito
1 - Eu, que não me revejo na arruaça, cada vez mais acho que só temos um caminho: para rua e com força, porque estou convencido que a luz ao fundo do túnel é efectivamente a de um combóio que nos vai albarroar.
2 - Felizmente, parece que este povo de brandos costumes começa a despertar para o perigo que nos ameaça. Prevejo que a insatisfação social continue a crescer e que o coro de assobios aos membros deste governo continue a aumentar. Não me parece que os próximos tempos sejam pacíficos para Sócrates e seus pares, o que é uma boa notícia.
3 - Os socialistas madeirenses aplaudem a nova lei das Finanças Regionais. O absurdo e a idiotice continuam a comandar a Rua do Surdo. Também esta é uma boa notícia. Pelo menos porque nos garante que a Madeira não será governada por um qualquer serrãozito. O cúmulo da estupidez é que ele não perceba isso.
4 - Afinal, as FARC não vêm à reunião do PCP. Esta é uma má notícia. Porque poderia ser que assim alguns destes criminosos fossem colocados a ferros. Que é o que merecem.
Já os democratas Norte-Coreanos irão marcar presença. Pode ser que instruam o Bernardino Soares na nobre arte de fazer morrer o povo, enquanto se criam umas bombinhas nucleares para ameaçar tudo o que mexe.
Por hoje chega. Estou demasiado irritado com o que se passa no meu país. Só me apetece fugir, mas não sem antes deixar umas bombas nuns lugares que eu cá sei.
2 - Felizmente, parece que este povo de brandos costumes começa a despertar para o perigo que nos ameaça. Prevejo que a insatisfação social continue a crescer e que o coro de assobios aos membros deste governo continue a aumentar. Não me parece que os próximos tempos sejam pacíficos para Sócrates e seus pares, o que é uma boa notícia.
3 - Os socialistas madeirenses aplaudem a nova lei das Finanças Regionais. O absurdo e a idiotice continuam a comandar a Rua do Surdo. Também esta é uma boa notícia. Pelo menos porque nos garante que a Madeira não será governada por um qualquer serrãozito. O cúmulo da estupidez é que ele não perceba isso.
4 - Afinal, as FARC não vêm à reunião do PCP. Esta é uma má notícia. Porque poderia ser que assim alguns destes criminosos fossem colocados a ferros. Que é o que merecem.
Já os democratas Norte-Coreanos irão marcar presença. Pode ser que instruam o Bernardino Soares na nobre arte de fazer morrer o povo, enquanto se criam umas bombinhas nucleares para ameaçar tudo o que mexe.
Por hoje chega. Estou demasiado irritado com o que se passa no meu país. Só me apetece fugir, mas não sem antes deixar umas bombas nuns lugares que eu cá sei.
Super-Sócrates, o seu amigo Sousa Tavares e a RTP
Afinal, parece mesmo que o PM convidou Sousa Tavares para director da RTP. Felizmente, para todos nós, o Miguelito recusou o tachinho. É que o cargo não lhe garantia tempo de antena para continuar a proferir os dislates e alarvidades com que nos brinda na TVI.
Parece, também, que um assessor de Sócrates anda a querer mandar bitates na RTP. De acordo com um deputado do PSD, o tal assessor telefonou para impedir - ou, pelo menos, para dourar - uma notícia desagradável ao Governo Português. Desde há algum tempo que a minha intuição me tem alertado para as tendências absolutistas e autoritárias deste Governo. Infelizmente, parece que não me enganei. Curioso é que os socialistas continuem calados com esta atrocidade. Aqueles mesmos que bradaram em alto e bom som contra o décifit democrático da Madeira, desta feita ficam caladinhos. Cá continuaremos para ver até onde chega o desplante.
Parece, também, que um assessor de Sócrates anda a querer mandar bitates na RTP. De acordo com um deputado do PSD, o tal assessor telefonou para impedir - ou, pelo menos, para dourar - uma notícia desagradável ao Governo Português. Desde há algum tempo que a minha intuição me tem alertado para as tendências absolutistas e autoritárias deste Governo. Infelizmente, parece que não me enganei. Curioso é que os socialistas continuem calados com esta atrocidade. Aqueles mesmos que bradaram em alto e bom som contra o décifit democrático da Madeira, desta feita ficam caladinhos. Cá continuaremos para ver até onde chega o desplante.
Super-Sócrates
O Governo Português pagou uma pipa de massa a uma revista para publicar 10 páginas de elogios a Sócrates e a Manuel Pinho (esse personagem estranho, que profere imbecilidades a um ritmo estonteante, cujo principal mérito para os socialistas é o de ser exímio a fazer anúncios - aliás, se o investimento acontecesse ao ritmo com que anuncia, Portugal seria um fenómeno ímpar de competitividade). Ao que parece, no artigo, Sócrates é referenciado como um autêntico salvador da Pátria, qual D. Sebastião, que surge para nos livrar do jugo desgovernativo imposto por todos os seus antecessores. Parece mesmo que o Presidente da República surge como um figurante, para apadrinhar e embelezar a performance do nosso brilhante PM, que tão bom trabalho tem realizado no desenvolvimento do nosso país.
Resta esperar para ver o que fará a nossa Rainha de Inglaterra. Comportar-se-á como tal ou definitivamente fará o que esperam todos os eleitores que nele votaram? Cá estaremos para ver.
PS - Curioso que esta notícia tenha escapado à RTP, quando foi sobejamente esplanada no Sol.
Resta esperar para ver o que fará a nossa Rainha de Inglaterra. Comportar-se-á como tal ou definitivamente fará o que esperam todos os eleitores que nele votaram? Cá estaremos para ver.
PS - Curioso que esta notícia tenha escapado à RTP, quando foi sobejamente esplanada no Sol.
3.11.06
24.10.06
“Memórias de um rústico erudito”

É dos melhores livros autobiográficos que já li. Pode não parecer, mas Rosado Fernandes foi professor na Universidade de Columbia em Nova Iorque, onde, em poucas linhas, diz aquilo que já todos sabemos: que nos EUA ninguém ganha nada sem trabalhar.
Para a posteridade fica o episódio em que Rosado Fernandes, quando era eurodeputado eleito pelo CDS, esbofeteou um deputado dinamarquês, supostamente por este ter insultado o seu “bom nome” e o de Portugal. Sem dúvida um grande homem, nas armas e nas letras, claro está.
A diarreia de Miguel Sousa Tavares

O mais pulha dos comentadores portugueses, de quando em quando, vomita o seu ódio contra a Madeira. Se pudesse, Miguel Sousa Tavares deixava os madeirenses à fome. E se se aguentassem, não ponho de parte que os mandava gasear.
O seu ódio é de tal ordem de ordinarice que omite tudo que possa credibilizar os madeirenses. Omite a percentagem de aplicação dos fundos comunitários, omite a melhor rede de estradas do país, omite os progressos evidentes, o aumento do poder de compra, o desporto, o crescimento de grupos empresariais (como se fossem só os empresários madeirenses a estarem conluiados com o Estado). A MST só o anedótico interessa.
Felizmente, MST é só um simples comentador que intervala análises políticas superficiais na TVI com personagens dos “Morangos com Açúcar” ou, mais recuadamente, com teenagers anónimos do Big Brother.
Se MST fosse alemão ou filandês, ainda se aturavam as suas críticas maldosas. Agora, ouvir sermões de dedo espetado de um tipo que é dum país que não consegue dar um só exemplo de organização e eficiência é que não.
O Independentista de São Vicente
O que mais irrita na sociedade madeirense é a sua capacidade para amplificar disparates, como é o caso da teoria da independência da Madeira.
Ainda não vi ninguém vir dizer ao senhor Gabriel Drumond para ter juízo. Dão-lhe importância e rios de entrevistas onde espalha os seus pensamentos de aldeão.
Para nosso grande mal, a Madeira não é mesmo auto-viável. E não há volta a dar a isto, pelo menos nas próximas décadas. Resta-nos pedir, e com jeitinho, como sempre se fez.
Ainda não vi ninguém vir dizer ao senhor Gabriel Drumond para ter juízo. Dão-lhe importância e rios de entrevistas onde espalha os seus pensamentos de aldeão.
Para nosso grande mal, a Madeira não é mesmo auto-viável. E não há volta a dar a isto, pelo menos nas próximas décadas. Resta-nos pedir, e com jeitinho, como sempre se fez.
19.10.06
Patriotas (e cegos)
Quase 50% dos espanhóis querem uma união ibérica. "Deste" lado da fronteira, são pouco mais de 25% aqueles que defendem tal cenário. É a nossa tradicional cegueira a vir ao de cima!
Regresso
Depois de duas semanas de férias, uma delas passadas na melhor das cidades que conheço - Barcelona - voltar à realidade insular é um martírio. Brevemente, prometo escrever qualquer coisa sobre o assunto. Ah, e sobre a Lei das Finanças Regionais, o Estádio do Marítimo, o PS e o PSD e a CDU e o BÊEE. E sobre a crise, sobre os comboios que perdem carruagens em Cascais, sobre as novelas da TVI, sobre o Prof. Marcelo e sobre todos os assuntos que interessam à pátria lusa. Mas por agora, vou tomar qualquer coisa que me permita enfrentar o mundo como ele é.
Finalmente
Finalmente, a polícia fez o que lhe competia, ou seja, expulsou os ocupantes do Rivoli. O espectáculo já era deprimente!
16.10.06
Descobertas
O Público descobriu, através de um estudo encomendado pelo Ministério da Administração Interna destinado à reestruturação das polícias, que a larga maioria dos elementos da GNR não é dada ao uso das novas tecnologias. Diz o mesmo estudo que num total de aproximadamente 25 mil efectivos, apenas 300 têm correio electrónico, um número, pelos vistos, muito aquém do desejado e que manifestamente traduz o arcaísmo da instituição e dos seus elementos. A coisa não escandaliza, nem deve sobressaltar ninguém. O retrato do Portugal profundo está aqui e pedir mais é como pedir o impossível.
Num país onde navegar na net pode custar 35€ ao mês, muito me espanta a quantidade de gente que se predispõe a fazer um sacrifício enorme para ter um serviço péssimo, caríssimo e onde a velocidade de acesso não passa de uma mentira consentida e consagrada.
Quanto aos elementos da GNR, pelos vistos às vezes mais ligeiros no gatilho do que no botão do rato, nada a dizer. Se hoje estes elementos pertencem a uma força obsoleta, a culpa única é do Estado, incapaz de reformar e de requalificar as suas pessoas e de voltar a torná-las válidas para as funções nobres que exercem.
Para terminar apenas um aviso: não estendam estes estudos e estas preocupações aos professores, aos médicos, aos enfermeiros, aos juízes, aos advogados ou a outros largos sectores da função pública. Nunca se sabe quando pode surgir uma verdadeira, e desagradável, surpresa. É que não basta falar muito em tecnologia...
Num país onde navegar na net pode custar 35€ ao mês, muito me espanta a quantidade de gente que se predispõe a fazer um sacrifício enorme para ter um serviço péssimo, caríssimo e onde a velocidade de acesso não passa de uma mentira consentida e consagrada.
Quanto aos elementos da GNR, pelos vistos às vezes mais ligeiros no gatilho do que no botão do rato, nada a dizer. Se hoje estes elementos pertencem a uma força obsoleta, a culpa única é do Estado, incapaz de reformar e de requalificar as suas pessoas e de voltar a torná-las válidas para as funções nobres que exercem.
Para terminar apenas um aviso: não estendam estes estudos e estas preocupações aos professores, aos médicos, aos enfermeiros, aos juízes, aos advogados ou a outros largos sectores da função pública. Nunca se sabe quando pode surgir uma verdadeira, e desagradável, surpresa. É que não basta falar muito em tecnologia...
Dúvidas existenciais III
Não era o Dr. Dias Loureiro que queria fazer de Portugal uma imensa Madeira?
Negócios
O Google comprou o YouTube num negócio avaliado em largas centenas de milhões de dólares. Num mundo enlouquecido pelos grandes negócios – não apenas entre gigantes tecnológicos – este é apenas mais um exemplo de aparente sucesso. Mas o negócio, de contornos inimagináveis, tem algumas particularidades interessantes que valem a pena revelar. Por exemplo: ambas as empresas nasceram em garagens; ambas as empresas têm donos com idades inferiores a 35 anos; e ambas as empresas são fruto de verdadeiro capital semente oriundo de uma mesma empresa vocacionada para o capital de risco.
A ignorância leva-nos a que muitas vezes olhemos para a América como um monstro liberal de excessos em que a doutrina se resume ao dinheiro e à competição desenfreada entre pessoas que não olham a meios. Mas ao contrário desta Europa emperrada, onde quase tudo depende dos governos e consequentemente dos nossos impostos, na América o risco é um negócio que não é exclusivo dos bancos e dos seus inusitados e despropositados juros. Por isso, há verdadeiros mecenas dispostos a arriscar, no escuro, em gente nova e com ideias que aproveitam assim a deixa para mostrar o seu valor. Eis uma lição que alguns podiam aprender.
A ignorância leva-nos a que muitas vezes olhemos para a América como um monstro liberal de excessos em que a doutrina se resume ao dinheiro e à competição desenfreada entre pessoas que não olham a meios. Mas ao contrário desta Europa emperrada, onde quase tudo depende dos governos e consequentemente dos nossos impostos, na América o risco é um negócio que não é exclusivo dos bancos e dos seus inusitados e despropositados juros. Por isso, há verdadeiros mecenas dispostos a arriscar, no escuro, em gente nova e com ideias que aproveitam assim a deixa para mostrar o seu valor. Eis uma lição que alguns podiam aprender.
Dúvidas existenciais II
Se o jantar com o candidato a secretário-geral era apenas para destacados militantes, o que faziam na mesa de honra destacados independentes?
Dúvidas existenciais
O novo Sr. Loureiro não tinha prometido abandonar o cargo de deputado se fosse eleito presidente da Liga?
A verdadeira selecção
Eis uma verdadeira selecção dos grandes portugueses. Este, este, esta, este e ainda este. Delicioso, no mínimo. Neste país onde um povo ligeiramente ignorante e fantasioso se prepara para eleger o maior português de todos os tempos, há uma lição que todos temos que aprender: no humor, na tragédia e no suportar deste triste fado e destino ninguém nos bate. Só me espanta que ninguém se tenha lembrado da Teresa Guilherme, do Avô Cantigas, do Badaró, das Doce ou do Vítor Espadinha.
14.10.06
Professores e Sindicatos
Em boa parte, a proliferação de sindicatos e sindicatozinhos de professores chega para explicar a falta de qualidade da nossa Educação. E isto foi só uma pequena listagem compilada à pressa.
FENPROF – Federação Nacional dos Professores
FNE – Federação Nacional dos Sindicatos da Educação
SPLIU – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades
SNPL – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados
SEPLEU – Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades
FENEI – Federação Nacional do Ensino e Investigação
ASPL – Associação Sindical de Professores Licenciados
PRÓ-ORDEM – Associação Sindical dos Professores Pró-Ordem
FEPECI – Federação Portuguesa dos Profissionais da Educação, Ensino, Cultura e Investigação
SIPPEB – Sindicato dos Professores do Pré-Escolar e do Ensino Básico
SIPE – Sindicato Independente dos Professores e Educadores
USPROF – União Sindical dos Professores
SINPROFE – Sindicato Nacional dos Professores e Educadores
SNPES – Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Secundário
FENPROF – Federação Nacional dos Professores
FNE – Federação Nacional dos Sindicatos da Educação
SPLIU – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades
SNPL – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados
SEPLEU – Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades
FENEI – Federação Nacional do Ensino e Investigação
ASPL – Associação Sindical de Professores Licenciados
PRÓ-ORDEM – Associação Sindical dos Professores Pró-Ordem
FEPECI – Federação Portuguesa dos Profissionais da Educação, Ensino, Cultura e Investigação
SIPPEB – Sindicato dos Professores do Pré-Escolar e do Ensino Básico
SIPE – Sindicato Independente dos Professores e Educadores
USPROF – União Sindical dos Professores
SINPROFE – Sindicato Nacional dos Professores e Educadores
SNPES – Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Secundário
10.10.06
O ciclo das Obras
A história da Madeira é rica em ciclos. Primeiro foi o ciclo dos cereais. Encerrado o capítulo, foi criado o ciclo do vinho, o ciclo da cana-de-açucar. Depois, veio o do vinho
versus turismo. Turismo versus vinho e banana. Por último. Banana, versus vinho, turismo e obras.
Entre 1995 e 2005. Muitas Obras versus turismo; menos vinho e muito menos banana.
Futuro 2007 - 2010. A região procura uma nova saída. Precisa de fazer face ao fim de mais um ciclo. Nos últimos 4 séculos, tem sido esta a sina da Madeira.
Será que vai conseguir dar novamente a volta?
E já agora. Onde está a “Madeira nova”? Hoje percorri metade da ilha e só encontrei obra para inglês ver.
Os novos espaços balneários estão às moscas. Todos juntos, não sei se empregam 70 pessoas. Pergunto. Como vão viver os madeirenses? Vão voltar a emigrar? Vão regressar à agricultura? À pesca, etc,…
É verdade que a paisagem mudou, e muito, o resto está igual. A obra só dura enquanto há máquinas no terreno. Concluídos os trabalhos, ficam as estradas, os novos edifícios, mas para que servem, se não geram riqueza?
A Zona Franca está mais de que provado, que não passou de mais balão de ensaio. O projecto, entretanto, fraquejou
É esta a encruzilhada da Madeira nova. Uma obra inacabada. Mas pior do que isso, uma obra sem fim à vista, dadas as circunstâncias.
versus turismo. Turismo versus vinho e banana. Por último. Banana, versus vinho, turismo e obras.
Entre 1995 e 2005. Muitas Obras versus turismo; menos vinho e muito menos banana.
Futuro 2007 - 2010. A região procura uma nova saída. Precisa de fazer face ao fim de mais um ciclo. Nos últimos 4 séculos, tem sido esta a sina da Madeira.
Será que vai conseguir dar novamente a volta?
E já agora. Onde está a “Madeira nova”? Hoje percorri metade da ilha e só encontrei obra para inglês ver.
Os novos espaços balneários estão às moscas. Todos juntos, não sei se empregam 70 pessoas. Pergunto. Como vão viver os madeirenses? Vão voltar a emigrar? Vão regressar à agricultura? À pesca, etc,…
É verdade que a paisagem mudou, e muito, o resto está igual. A obra só dura enquanto há máquinas no terreno. Concluídos os trabalhos, ficam as estradas, os novos edifícios, mas para que servem, se não geram riqueza?
A Zona Franca está mais de que provado, que não passou de mais balão de ensaio. O projecto, entretanto, fraquejou
É esta a encruzilhada da Madeira nova. Uma obra inacabada. Mas pior do que isso, uma obra sem fim à vista, dadas as circunstâncias.
60 mil bípedes
60 mil bípedes docentes em escolas portuguesas desceram a Avenida da Liberdade para protestarem contra o quê? Contra o que justamente já deveria ter sido feito há 40 anos: a progressão na carreira pelo mérito.
Pelo que quer que seja, e com pouca ou nenhuma razão, não deixa de ser uma imagem triste ver uma imensa corporação (com qualificações de quadros superiores) bater em latas e agitar varapaus.
A verdade é que não vejo outros grupos laborais (advogados, médicos ou engenheiros) fazerem estas figuras. Em regra, estas corporações dão-se ao respeitinho, porque, o que explica quase tudo, não se deixaram disseminar por 1001 sindicatos. Daí o seu poder negocial e a sua maior dignidade.
Pelo que quer que seja, e com pouca ou nenhuma razão, não deixa de ser uma imagem triste ver uma imensa corporação (com qualificações de quadros superiores) bater em latas e agitar varapaus.
A verdade é que não vejo outros grupos laborais (advogados, médicos ou engenheiros) fazerem estas figuras. Em regra, estas corporações dão-se ao respeitinho, porque, o que explica quase tudo, não se deixaram disseminar por 1001 sindicatos. Daí o seu poder negocial e a sua maior dignidade.
Sócrates na Madeira
José Sócrates veio à Madeira. Veio na qualidade de secretário-geral do PS mas com mensagens do Primeiro-Ministro. Até aqui nada de estranho. Estranho foi o “brilhozinho” nos olhos dos seus confrades locais, talvez porque já sentem o cheiro do poder. Por mim, espero que se fiquem só pelo cheiro.
Mas o mais patético foi, no jantar, se terem atropelado mutuamente para estarem ao lado de Sócrates que, pelo que sei, é uma companhia bem desagradável. Fora da televisão, e já antes de ser Primeiro-Ministro, Sócrates era agressivo e empertigado. Todos o diziam e dizem, de uma ponta a outra do parlamento nacional.
Ora, este embevecimento com o sotaque e os modos continentais explica, em boa parte, o insucesso endémico do PS-Madeira. Sócrates veio dizer que haverá menos dinheiro para a região e estes bípedes ainda aplaudem, esquecendo que, no orçamento geral do Estado, a Madeira conta uns irrelevantes 0,38%. Depois o que é que querem que os madeirenses lhes digam?
Mas o mais patético foi, no jantar, se terem atropelado mutuamente para estarem ao lado de Sócrates que, pelo que sei, é uma companhia bem desagradável. Fora da televisão, e já antes de ser Primeiro-Ministro, Sócrates era agressivo e empertigado. Todos o diziam e dizem, de uma ponta a outra do parlamento nacional.
Ora, este embevecimento com o sotaque e os modos continentais explica, em boa parte, o insucesso endémico do PS-Madeira. Sócrates veio dizer que haverá menos dinheiro para a região e estes bípedes ainda aplaudem, esquecendo que, no orçamento geral do Estado, a Madeira conta uns irrelevantes 0,38%. Depois o que é que querem que os madeirenses lhes digam?
9.10.06
É no mínimo estranho. O Primeiro Ministro de Portugal deslocou-se à Madeira para reafirmar os cortes de dinheiro à região e foi para meu espanto aplaudido por um punhado de madeirenses.
Basta inverter o ónus da prova para perceber a falsa cruzada de José Sócrates: - Portugal também furou e continua a ultrapassar os limites do pacto de estabilidade da União Europeia, mas nunca foi crucificado. A Madeira fê-lo e é imediatamente penalizada. É justo?
É a questão que deixo esta segunda-feira aos homens e mulheres que aplaudiram as rigorosas medidas anunciadas pelo Secretário Geral do Partido Socialista.
Se eu sei que o produto interno bruto da Madeira está empolado, (por causa da Zona Franca) se o Governo Regional já reconheceu que ainda existem carências na região, se o próprio PS-M afirma que não somos uma região rica….como é que os madeirenses podem ser solidários com o resto do país? No entanto, ouviram a justificação do Primeiro Ministro, mas calaram-se.
Eu considero que fui assaltado pelo Primeiro Ministro. Não posso aceitar que no meu país as regras só sejam cumpridas por alguns.
Que de manhã ninguém faça caso delas e que à tarde a lei seja para cumprir.
Preocupa-me os madeirenses. Os que vão ficar sem trabalho, os que ainda precisam da ajuda “região” para viver. É esta a minha indignação face ao que ainda está para acontecer.
Basta inverter o ónus da prova para perceber a falsa cruzada de José Sócrates: - Portugal também furou e continua a ultrapassar os limites do pacto de estabilidade da União Europeia, mas nunca foi crucificado. A Madeira fê-lo e é imediatamente penalizada. É justo?
É a questão que deixo esta segunda-feira aos homens e mulheres que aplaudiram as rigorosas medidas anunciadas pelo Secretário Geral do Partido Socialista.
Se eu sei que o produto interno bruto da Madeira está empolado, (por causa da Zona Franca) se o Governo Regional já reconheceu que ainda existem carências na região, se o próprio PS-M afirma que não somos uma região rica….como é que os madeirenses podem ser solidários com o resto do país? No entanto, ouviram a justificação do Primeiro Ministro, mas calaram-se.
Eu considero que fui assaltado pelo Primeiro Ministro. Não posso aceitar que no meu país as regras só sejam cumpridas por alguns.
Que de manhã ninguém faça caso delas e que à tarde a lei seja para cumprir.
Preocupa-me os madeirenses. Os que vão ficar sem trabalho, os que ainda precisam da ajuda “região” para viver. É esta a minha indignação face ao que ainda está para acontecer.
5.10.06
David Cameron
Depois da Economist desta semana ter falado no assunto, os jornais portugueses começam também a despertar para o novo "conservadorismo liberal" personificado por David Cameron. As eleições são apenas em 2009. Mas o debate promete.
O cartão único do cidadão
Será uma realidade em breve e sem praticamente nenhuma observação de maior. Por mais que me garantam o contrário, este é mais um pequeno passo para um controlo excessivo do estado sobre o indivíduo. Ainda se lembram no que isto deu?
Delenda Est Carthago*
As palavras de Catão, o Antigo, servem que nem uma luva para catalogar esta interminável e idiota cruzada contra os voos da CIA, por parte do Dr. Coelho e da Dra. Gomes. Esperemos que tanta obsessão não lhes fira a vista e não os deixe a espumar raiva. Ou que tudo isto não seja uma triste vitória de Pirro. Esta coisa de gente sem legitimidade nenhuma vir para aqui armar-se em moralista num país soberano só tem um objectivo: dar nas vistas para agradar aos eurocratas – um bando cada vez mais insuportável –, e assim continuar a chefiar umas comissõezinhas que lhes dão um certo ar de gente importante (mas sem importância nenhuma). Basta olhar para as duas figurinhas.
Para mim, como já muitas vezes o referi, palhaçada só mesmo no circo, com tipos que engolem fogo ou contorcionistas que roem as unhas dos pés. São bem mais entretidos e não chateiam ninguém.
*Cartago tem de ser destruída
Para mim, como já muitas vezes o referi, palhaçada só mesmo no circo, com tipos que engolem fogo ou contorcionistas que roem as unhas dos pés. São bem mais entretidos e não chateiam ninguém.
*Cartago tem de ser destruída
O SITAM
Um sindicato de nome SITAM (pelo que percebi, qualquer coisa ligada ao comércio) veio reivindicar o fecho das grandes superfícies ao domingo como forma de combater a crise que grassa no comércio tradicional. A ideia, simplista como tudo, pretende colocar do lado das grandes superfícies o ónus da culpa de tudo o que aos mais pequenos acontece. Claro que ninguém explicou a estes senhores que a crise é generalizada, por exemplo. E que o movimento dos centros comerciais é de algum modo contracíclico relativamente ao movimento do comércio tradicional. Mais: quem aposta numa superfície comercial tem rendas mais elevadas, contratos mais exigentes e ainda um pagamento mensal, em muitos casos, que incide sobre a sua facturação bruta o que pouco lhe deixa de margem de manobra. Tem ainda, consequentemente, mais funcionários para pagar devido aos horários mais alargados. Escusado será dizer que mais funcionários implicam mais ordenados, mais segurança social, mais prémios, mais subsídios, mais seguros, etc. Como se vê, se a rentabilidade parece ser maior, as despesas também o são. Eis uma realidade indesmentível.
O problema do comércio tradicional não passa por eliminar a concorrência como maliciosamente pretende. O problema do comércio tradicional passa por tornar-se mais atractivo, exigente e, claro, moderno. Mas isso é um outro problema que o SITAM se recusa ver. Para finalizar apenas uma pergunta: se a medida proposta fosse para a frente, o SITAM tem ideia de quanta gente poderia ir para o desemprego?
O problema do comércio tradicional não passa por eliminar a concorrência como maliciosamente pretende. O problema do comércio tradicional passa por tornar-se mais atractivo, exigente e, claro, moderno. Mas isso é um outro problema que o SITAM se recusa ver. Para finalizar apenas uma pergunta: se a medida proposta fosse para a frente, o SITAM tem ideia de quanta gente poderia ir para o desemprego?
Tudo pra medicina
Os dois melhores alunos da região do ano lectivo passado (3º ciclo e secundário) têm como meta de vida seguir medicina. Não tem nada de mau e é um objectivo legítimo.
Porém, a escolha não é inocente. Na base desta ambição está, quanto a mim, o mais serôdio espírito de funcionário público e de emprego certinho para vida toda.
Ainda não conheci nenhum aluno que, com média superior a 19 valores, queira outra coisa senão medicina. Sendo alunos excepcionais poderiam exercer uma centena de ofícios. Mas não, escolhem a medicina porque ainda é bem valorizada socialmente e a remuneração compensa.
Como Portugal é dos poucos países modernos que não exige pré-requisitos relevantes para se frequentar um curso da área da saúde, o mais certo é se perderem bons investigadores, cientistas e engenheiros e se ganharem mais médicos medianos. Há pouco tempo um professor da Faculdade de Medicina de Coimbra dizia que não se lembrava de ver tantos alunos com aversão a cadáveres como os das fornadas dos últimos cinco anos. Pudera, vai tudo pra medicina.
Porém, a escolha não é inocente. Na base desta ambição está, quanto a mim, o mais serôdio espírito de funcionário público e de emprego certinho para vida toda.
Ainda não conheci nenhum aluno que, com média superior a 19 valores, queira outra coisa senão medicina. Sendo alunos excepcionais poderiam exercer uma centena de ofícios. Mas não, escolhem a medicina porque ainda é bem valorizada socialmente e a remuneração compensa.
Como Portugal é dos poucos países modernos que não exige pré-requisitos relevantes para se frequentar um curso da área da saúde, o mais certo é se perderem bons investigadores, cientistas e engenheiros e se ganharem mais médicos medianos. Há pouco tempo um professor da Faculdade de Medicina de Coimbra dizia que não se lembrava de ver tantos alunos com aversão a cadáveres como os das fornadas dos últimos cinco anos. Pudera, vai tudo pra medicina.
O PIB empolado e sem números
Até que enfim alguém veio explicar de modo inteligível o caso do empolamento do PIB da região. Com um argumento tão bom, como há muito o GR não dava à oposição, foi preciso alguém de fora vir trocar tudo por miúdos, por sinal um ex-ministro (Augusto Mateus) do primeiro-ministro mais gastador de sempre (António Guterres).
Por cá, durante semanas, o PS repetiu até à exaustão que o PIB madeirense estava inflacionado. Mas mais não disse. E não disse porque não faz trabalho de casa e porque, o que é mais certo, não tem gente capaz ligar três ideias e formar uma conclusão. A “cantilhena” foi sendo repetida dias a fio, pelo séquito de iletrados que formam a oposição política madeirense e pela JS, e de lá não se saía.
Durante estes dias, a conversa do PIB nem sequer avançou um número. Nem líquido, nem por comparação com os das restantes regiões portuguesas, nem com as europeias. Nada, não houve nada. Houve até um debate na televisão em que se andou a divagar à volta de “contas de mercearia” e, pasme-se, da honradez das contas dum merceeiro.
Por cá, durante semanas, o PS repetiu até à exaustão que o PIB madeirense estava inflacionado. Mas mais não disse. E não disse porque não faz trabalho de casa e porque, o que é mais certo, não tem gente capaz ligar três ideias e formar uma conclusão. A “cantilhena” foi sendo repetida dias a fio, pelo séquito de iletrados que formam a oposição política madeirense e pela JS, e de lá não se saía.
Durante estes dias, a conversa do PIB nem sequer avançou um número. Nem líquido, nem por comparação com os das restantes regiões portuguesas, nem com as europeias. Nada, não houve nada. Houve até um debate na televisão em que se andou a divagar à volta de “contas de mercearia” e, pasme-se, da honradez das contas dum merceeiro.
Gonçalo Cadilhe em Angola
O “escritor” que andou a passar férias na casa da cultura da Calheta afinal não é tonto de todo. A propósito de Angola disse ele o seguinte:
«Segundo a minha perspectiva histórica, foi um alívio para este país ver-se livre dos portugueses – eram, na sua maioria, saqueadores tacanhos e iletrados, que sabiam apenas olhar para o próprio umbigo. Em 500 anos a colonizar não soubemos nem semear cultura, nem permitir a educação, nem fomentar uma classe média entre os colonizados – muito menos dividir qualquer dividendo com eles. E por isso, quando nos fomos embora, foi o descalabro que se viu.»
«Segundo a minha perspectiva histórica, foi um alívio para este país ver-se livre dos portugueses – eram, na sua maioria, saqueadores tacanhos e iletrados, que sabiam apenas olhar para o próprio umbigo. Em 500 anos a colonizar não soubemos nem semear cultura, nem permitir a educação, nem fomentar uma classe média entre os colonizados – muito menos dividir qualquer dividendo com eles. E por isso, quando nos fomos embora, foi o descalabro que se viu.»
Revista “ÚNICA”, Expresso nº 1767.
3.10.06
O real versus o obtuso
É caso para dizer que está tudo louco.
O Governo Regional foi confrontado com um buraco de 140 milhões de euros.
O Bispo já pediu perdão. Não sei se foi pela parte do bolo com que a Igreja foi servida, ou se pelos pecados que D. Teodoro Faria cometeu ao longo dos 50 anos de sacerdócio.
Rui Alves não pode ver Carlos Pereira. Agora percebo porquê. Com um vizinho como o Presidente do Marítimo……o que fez, é no mínimo, feio.
Pelo menos, uma coisa é certa. Na Madeira, os árbitros não foram enganados. Agora no continente, ofereceram-lhes gato por lebre.
O Governo Regional foi confrontado com um buraco de 140 milhões de euros.
O Bispo já pediu perdão. Não sei se foi pela parte do bolo com que a Igreja foi servida, ou se pelos pecados que D. Teodoro Faria cometeu ao longo dos 50 anos de sacerdócio.
Rui Alves não pode ver Carlos Pereira. Agora percebo porquê. Com um vizinho como o Presidente do Marítimo……o que fez, é no mínimo, feio.
Pelo menos, uma coisa é certa. Na Madeira, os árbitros não foram enganados. Agora no continente, ofereceram-lhes gato por lebre.
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