A reboque da suposta necessidade de aprovação do Tratado Europeu, apareceram a terreiro uns doutos defensores da democracia representativa que, entre outras patacoadas, defendem a subscrição do documento sem a sua submissão a um referendo nacional.
Querem fazer-nos crer que ouvir a voz do povo é desnecessário, uma vez que o povo elegeu os seus representantes para que tomassem estas decisões em seu nome.
Ora, sem colocar a bondade e os méritos da democracia representativa, uma vez que não existe ainda melhor regime democrático, existem algumas questões que deixo aqui à reflexão dos leitores deste blog:
1. A democracia representativa não pode, de modo nenhum, inviabilizar esforços para reforçar a democracia participativa. O caminho é lento e com alguns retrocessos, é verdade, mas os insucessos não podem ser motivo para se abandonar o desbravamento deste terreno da participação. O cidadão deve ser chamado a participar e cabe às instituições democráticas criarem condições para tal. Ou a construção europeia não deverá ser alicerçada cada vez mais na participação?;
2. Nunca a adesão portuguesa à União Europeia foi referendada pelo povo português, como se não fosse importante ouvir os cidadãos sobre a integração num processo político que ruma ao federalismo. Esta seria uma óptima oportunidade. Ou não?;
3. Em qualquer país da UE (excepto, por razões óbvias, os países com adesões recentes), as legislativas europeias são as eleições com maior nível de abstenção. Isto demonstra que aos cidadãos pouco interessa o que os burocratas de Bruxelas e Estrasburgo andam a fazer. É fundamental envolver mais os cidadãos no processo de construção europeia. Porque o desinteresse das populações pode fazer abortar o processo;
4. No caso português, nas últimas legislativas todos os partidos concordaram com a necessidade de um referendo. Os governantes não podem continuar a fazer promessas sem qualquer respeito pelo seu cumprimento.
Apesar de tudo isto, e também ao contrário do que afirmam os pseudo-arautos da democracia representativa, eu sou a favor da ractificação do Tratado Europeu. Querem passar a ideia de que só defende o referendo os que estão contra o documento, quando na verdade o que não querem é o "incómodo" dessa "chatice" que dá pelo nome de sufrágio universal.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
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14.11.07
9.10.07
Socretinices
Bem pode pregar o primeiro-ministro, mas são já demasiadas manifestações para serem todas imputadas aos comunistas. Eu ainda não marquei presença em nenhuma, mas não perco a próxima que ocorra nas proximidades. Porque é preciso gritar alto e em bom som contra este (des)governo.
Gostei mesmo foi da sua naturalidade: enfrentar os sindicatos? Pelo amor de Deus, não, pá...
Mas o homem estava tão á-vontade que até a pronúncia serrana o traiu: trinta ianos.
Alguém que informe o senhor bacharel Sócrates - como, de resto, alguém o aconselhou a não virar as costas às câmaras de TV -, que para ser primeiro-ministro em Portugal não é necessário ser engenheiro, mas já agora convém saber falar português...
Mas temos que dizer isto baixinho. É que a bufaria anda por aí!
Gostei mesmo foi da sua naturalidade: enfrentar os sindicatos? Pelo amor de Deus, não, pá...
Mas o homem estava tão á-vontade que até a pronúncia serrana o traiu: trinta ianos.
Alguém que informe o senhor bacharel Sócrates - como, de resto, alguém o aconselhou a não virar as costas às câmaras de TV -, que para ser primeiro-ministro em Portugal não é necessário ser engenheiro, mas já agora convém saber falar português...
Mas temos que dizer isto baixinho. É que a bufaria anda por aí!
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4.10.07
Sem-vergonha elevado ao cubo
Agora foi o primeiro-ministro que não achou importante dar uma palavrinha aos portugueses sobre as acusações de João Cravinho.
Será que esta gente fez um pacto de silêncio? Compreendo que não tenham nada de interessante para dizer, mas ia sendo tempo de darem algumas justificações ao país. Ao que parece, acham que não têm esse dever. Democratas, estes senhores...
Será que esta gente fez um pacto de silêncio? Compreendo que não tenham nada de interessante para dizer, mas ia sendo tempo de darem algumas justificações ao país. Ao que parece, acham que não têm esse dever. Democratas, estes senhores...
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3.10.07
1.10.07
Sem vergonha
O ministro da Administração Interna, numa bela demonstração do seu espírito democrático, comenta a manifestação da ASPP com um contundente: "Muito obrigado e muito boa tarde!"
É impressão minha, ou a sem-vergonhice deste governo começa a utrapassar os limites do tolerável?
É impressão minha, ou a sem-vergonhice deste governo começa a utrapassar os limites do tolerável?
24.9.07
País progressista, com abortos e tudo
Aos poucos, a mentira começa a cair. Afinal, em 2 meses de completa liberalização, foram praticados em Portugal cerca de 1400 abortos (muito longe dos 60.000 abortos anuais que nos quiseram impingir), e apenas 5 foram feitos em grávidas com idades inferior a 15 anos.
Aliás, 67% (947) dos abortos praticados desde a entrada em vigor da nova legislação, foram realizados em mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos.
Posso estar a exagerar, mas estou convencido que se fizéssemos uma análise às condições socio-economicas das grávidas que abortaram, constataríamos que afinal não são provenientes das classes sociais mais desprivilegiadas.
Por enquanto, manda-nos a prudência aguardar. Mas veremos no futuro, quando algum estudo verdadeiramente sério for feito.
Se bem que nessa altura, o aborto será já tido como um método contraceptivo perfeitamente normal e legítimo e não um procedimento de excepção que deva er combatido. E isso é o que mais me revolta!
Aliás, 67% (947) dos abortos praticados desde a entrada em vigor da nova legislação, foram realizados em mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos.
Posso estar a exagerar, mas estou convencido que se fizéssemos uma análise às condições socio-economicas das grávidas que abortaram, constataríamos que afinal não são provenientes das classes sociais mais desprivilegiadas.
Por enquanto, manda-nos a prudência aguardar. Mas veremos no futuro, quando algum estudo verdadeiramente sério for feito.
Se bem que nessa altura, o aborto será já tido como um método contraceptivo perfeitamente normal e legítimo e não um procedimento de excepção que deva er combatido. E isso é o que mais me revolta!
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17.9.07
Ideias lunares
Apesar de algum retardamento, não posso deixar de passar algumas das afirmações do Jerónimo de Sousa, antes e pós Festa do Avante. Então não é que o homem continua a achar que na China existe uma sociedade socialista, que as FARC são um grupo de ches guevaras sequiosos de liberdade e que o Chávez é o ícone da libertação sul-americana. Eu às vezes pergunto-me onde raio é que vivem os comunistas portugueses. Na lua?!
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Viver em Cuba deve ser maravilhoso
Eu não sei, mas disseram
É delicioso o agradecimento de Bush a Sócrates, relativamente à intervenção da GNR no Iraque. Aquele thank you soou-me mais a fuck you very much. Mas pode ter sido impressão minha!
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10.7.07
Watch again!
Hoje em dia, "sociedade civil" é sinónimo de "Compromisso Portugal". E é ver a comunicação social portuguesa (especialmente aquela especialista em economia que também se julga especialista em política) embevecida a olhar os seus paladinos... Que é como quem diz, os defensores do neo-liberalismo. Patético, se não fosse tão perigoso!
26.6.07
À espera da "OPERAÇÃO ARRASAR"
Às vezes penso que vivo na Madeira.
O Primeiro-Ministro do meu país já anunciou o SIMPLEX como uma espécie de, remédio para todos os males da administração pública portuguesa. Todos os dias faz propaganda da nação tecnológica.
Enfim,…caso nos próximos tempos aterre (só por engano) um marciano neste território, de certeza que ficará estupefacto com o avanço da nação lusitana.
Se for um marciano, desatento, pensará que Portugal ainda não perdeu a vanguarda dos os séculos XV e XVI (época dos descobrimentos).
Caso o Marciano precise de utilizar os serviços do Estado, Sócrates, perderá a credibilidade. Será um líder mentiroso. Algo que por cá já ninguém estranha.
Em causa está uma encomenda com origem no Brasil.
Em três dias percorreu vários Estados (áreas do tamanho de Portugal) das terras de Vera Cruz, atravessou o Oceano Atlântico e chegou a Lisboa. Foi tão rápido como a viagem de Pedro Álvares Cabral em 1500 ao Brasil.
Em Lisboa demorou 3 dias do Cabo Ruivo a Loures (MARL -centro logístico dos correios- cerca de 20km).
De Loures ao Funchal mais 3 dias. Não está mau, se tivermos em conta a tormenta que é apanhar um avião.
O mais grave é cá. Está há 8 dias entre os Correios e a Alfândega. Por acaso, mas é só mesmo por acaso; porque não parece; os Correios e o Posto de Fiscalização da Alfândega até estão instalados no mesmo edifício (2000).
Como o compreendo Senhor Presidente do Governo Regional. Em 2006 anunciou a “OPERAÇÃO ARRASAR”. (espécie de simplex à madeirense).
Espero que não tenha perdido a firmeza. Avance com a operação antes que a burocracia arrase com a economia e com a paciência dos cidadãos.
É uma sugestão para incluir na agenda do seu novo mandato, já que no último, arrsou a oposição.
O Primeiro-Ministro do meu país já anunciou o SIMPLEX como uma espécie de, remédio para todos os males da administração pública portuguesa. Todos os dias faz propaganda da nação tecnológica.
Enfim,…caso nos próximos tempos aterre (só por engano) um marciano neste território, de certeza que ficará estupefacto com o avanço da nação lusitana.
Se for um marciano, desatento, pensará que Portugal ainda não perdeu a vanguarda dos os séculos XV e XVI (época dos descobrimentos).
Caso o Marciano precise de utilizar os serviços do Estado, Sócrates, perderá a credibilidade. Será um líder mentiroso. Algo que por cá já ninguém estranha.
Em causa está uma encomenda com origem no Brasil.
Em três dias percorreu vários Estados (áreas do tamanho de Portugal) das terras de Vera Cruz, atravessou o Oceano Atlântico e chegou a Lisboa. Foi tão rápido como a viagem de Pedro Álvares Cabral em 1500 ao Brasil.
Em Lisboa demorou 3 dias do Cabo Ruivo a Loures (MARL -centro logístico dos correios- cerca de 20km).
De Loures ao Funchal mais 3 dias. Não está mau, se tivermos em conta a tormenta que é apanhar um avião.
O mais grave é cá. Está há 8 dias entre os Correios e a Alfândega. Por acaso, mas é só mesmo por acaso; porque não parece; os Correios e o Posto de Fiscalização da Alfândega até estão instalados no mesmo edifício (2000).
Como o compreendo Senhor Presidente do Governo Regional. Em 2006 anunciou a “OPERAÇÃO ARRASAR”. (espécie de simplex à madeirense).
Espero que não tenha perdido a firmeza. Avance com a operação antes que a burocracia arrase com a economia e com a paciência dos cidadãos.
É uma sugestão para incluir na agenda do seu novo mandato, já que no último, arrsou a oposição.
20.6.07
Porque outros dizem melhor do que eu (2)
Vai fazer um ano que aqui exprimi pela primeira vez as minhas dúvidas sobre a súbita febre de Ota que atacou o Governo (“Foi você que pediu um aeroporto?”). Passado um ano, em que tudo li, ouvi e consultei sobre o assunto, as minhas dúvidas de então transformaram-se todas em certezas ou quase certezas. E, as que restam, passaram de dúvidas a desconfianças.
Tenho hoje a quase certeza de que a Portela não está saturada, ao contrário do que dizem, inocentemente ou não. Não está saturada hoje e não estará se e quando houver TGV e ele vier retirar à Portela uma grossa fatia de passageiros com origem ou destino no Porto e Madrid. E tenho a certeza de que as dificuldades de estacionamento na Portela se resolveriam com a anexação dos terrenos de Figo Maduro.
Tenho a certeza de que a melhor solução para Lisboa, no caso de saturação a prazo da Portela, seria a sua manutenção a par de um aeroporto alternativo, modesto e fácil de pôr em funcionamento, como sucede em todas as cidades europeias com grande movimento aéreo. A “Portela+1” seria a solução mais fácil, mais rápida de executar, que melhor servia os interesses da cidade e dos seus habitantes e de longe a mais barata para os contribuintes.
Tenho a quase certeza de que, se a solução “Portela+1” não foi contemplada no estudo da CIP nem no período de reflexão concedido pelo Governo, tal se ficou a dever a um acordo entre a CIP e José Sócrates. E tenho a certeza de que essa solução, justamente porque sairia infinitamente mais barata, é a que menos interessa ao sector financeiro, às sociedades de advocacia de negócios e de influências e ao sector empresarial que está habituado a só fazer grandes negócios quando eles envolvem grandes obras públicas. Não custa a perceber que o Governo do PS tenha aceite este compromisso com a CIP, desde que de fora ficasse a solução mais simples, e que o PSD não tenha esboçado um protesto por não se falar na hipótese da terceira solução. Estão em jogo os interesses dos grandes financiadores do “Bloco Central” – essa eterna tratação entre dinheiros públicos e interesses privados, que traz cativa, de há muito, a capacidade de desenvolvimento do país. Não percam tempo a tentar perceber se há mais “interesses” envolvidos na Ota ou em Alcochete: bilião a mais ou a menos, o que os interesses querem é um novo aeroporto, megalómano, de raiz e tão caro quanto possível.
Tenho a certeza, obviamente, de que entre a Ota e Alcochete – (e confirmando-se a inexistência de danos ambientais incomportáveis em Alcochete) – só mesmo um inimputável é que escolheria a Ota para um aeroporto internacional de Lisboa. Basta um olhar ao mapa para perceber que Alcochete fica mais perto, tem acessibilidades mais fáceis e está alinhado com o TGV para Madrid. Deve custar um terço da Ota e tem a inestimável vantagem de apenas envolver terrenos públicos – ao contrário da Ota, que tem alimentado intermináveis boatos e especulações sobre as jogadas com a propriedade dos terrenos. É ainda mais seguro em termos de navegação aérea, mais fácil e mais rápido de fazer e sem prazo de vida.
Mas também tenho enormes desconfianças sobre o fundamento sério desta súbita decisão governamental de ir estudar agora a alternativa Alcochete. É óbvio que, para já, ela salva do descalabro a campanha autárquica de António Costa, que vegeta sem nenhuma ideia nem projecto dignos desse nome. É óbvio também que a ‘pausa’ serve para não abrir um conflito com o Presidente e visa demonstrar que a célebre teimosia de Sócrates não é insensível à opinião da sociedade civil e à busca da melhor solução para o ‘interesse público’. Pois... mas, se assim fosse, se ambas as soluções estivessem afinal em aberto, não se percebe que continue em funções o ministro que há quinze dias jurava que na margem sul «jamais, jamais» (em francês), e que passou o último ano a pregar a política do facto consumado e do capricho pessoal. Em vez disso, e como vimos, logo no dia seguinte, Mário Lino recebeu, com o maior dos à-vontades, o lóbi autárquico da Ota, para lhe dizer que continuava com eles e que contassem com ele.
Há um ano, Mário Lino e José Sócrates diziam que tinham feito todos os estudos e que não havia dúvida alguma de que Lisboa precisava urgentemente de um novo aeroporto e que isso só podia ser na Ota. Depois, foi-se descobrindo que, afinal, os estudos não estavam feitos mas no início (o de impacto ambiental só agora começou), e que alguns deles, como o de engenharia, desmentiam a excelência da Ota. Descobre-se que nenhuma alternativa tinha sido seriamente estudada e algumas, como Alcochete, nem sequer tinham sido consideradas. Descobre-se que a “certeza” do esgotamento iminente da Portela não levava em consideração factores como a entrada em funcionamento do TGV e baseava-se em previsões de crescimento do número de turistas verdadeiramente mirabolantes. Descobre-se que a solução que o Governo quis impor à força é a mais cara, a mais incómoda para os passageiros, a mais insegura, a mais difícil de executar, a que menos interessa a Lisboa e a de menos futuro. E foi assim que foi tratada a obra pública mais importante das últimas e próximas décadas.
Tal como sucedeu com a regionalização, também agora os socialistas quiseram impor ao país um facto consumado, com “estudos” feitos e sem necessidade de discussão pública. Eu só espero que, como então sucedeu, também agora o país lhes dê a resposta que merecem. E que ninguém se deixe iludir por esta possível manobra de “pedimos desculpa por esta interrupção, a Ota segue dentro de momentos”.
Miguel Sousa Tavares, 18 de Junho de 2007 8:00 por Expresso Multimedia.
Poucas vezes concordo com MST. Desta feita, subscrevo integralmente as suas afirmações. E tiro-lhe o chapéu...
Tenho hoje a quase certeza de que a Portela não está saturada, ao contrário do que dizem, inocentemente ou não. Não está saturada hoje e não estará se e quando houver TGV e ele vier retirar à Portela uma grossa fatia de passageiros com origem ou destino no Porto e Madrid. E tenho a certeza de que as dificuldades de estacionamento na Portela se resolveriam com a anexação dos terrenos de Figo Maduro.
Tenho a certeza de que a melhor solução para Lisboa, no caso de saturação a prazo da Portela, seria a sua manutenção a par de um aeroporto alternativo, modesto e fácil de pôr em funcionamento, como sucede em todas as cidades europeias com grande movimento aéreo. A “Portela+1” seria a solução mais fácil, mais rápida de executar, que melhor servia os interesses da cidade e dos seus habitantes e de longe a mais barata para os contribuintes.
Tenho a quase certeza de que, se a solução “Portela+1” não foi contemplada no estudo da CIP nem no período de reflexão concedido pelo Governo, tal se ficou a dever a um acordo entre a CIP e José Sócrates. E tenho a certeza de que essa solução, justamente porque sairia infinitamente mais barata, é a que menos interessa ao sector financeiro, às sociedades de advocacia de negócios e de influências e ao sector empresarial que está habituado a só fazer grandes negócios quando eles envolvem grandes obras públicas. Não custa a perceber que o Governo do PS tenha aceite este compromisso com a CIP, desde que de fora ficasse a solução mais simples, e que o PSD não tenha esboçado um protesto por não se falar na hipótese da terceira solução. Estão em jogo os interesses dos grandes financiadores do “Bloco Central” – essa eterna tratação entre dinheiros públicos e interesses privados, que traz cativa, de há muito, a capacidade de desenvolvimento do país. Não percam tempo a tentar perceber se há mais “interesses” envolvidos na Ota ou em Alcochete: bilião a mais ou a menos, o que os interesses querem é um novo aeroporto, megalómano, de raiz e tão caro quanto possível.
Tenho a certeza, obviamente, de que entre a Ota e Alcochete – (e confirmando-se a inexistência de danos ambientais incomportáveis em Alcochete) – só mesmo um inimputável é que escolheria a Ota para um aeroporto internacional de Lisboa. Basta um olhar ao mapa para perceber que Alcochete fica mais perto, tem acessibilidades mais fáceis e está alinhado com o TGV para Madrid. Deve custar um terço da Ota e tem a inestimável vantagem de apenas envolver terrenos públicos – ao contrário da Ota, que tem alimentado intermináveis boatos e especulações sobre as jogadas com a propriedade dos terrenos. É ainda mais seguro em termos de navegação aérea, mais fácil e mais rápido de fazer e sem prazo de vida.
Mas também tenho enormes desconfianças sobre o fundamento sério desta súbita decisão governamental de ir estudar agora a alternativa Alcochete. É óbvio que, para já, ela salva do descalabro a campanha autárquica de António Costa, que vegeta sem nenhuma ideia nem projecto dignos desse nome. É óbvio também que a ‘pausa’ serve para não abrir um conflito com o Presidente e visa demonstrar que a célebre teimosia de Sócrates não é insensível à opinião da sociedade civil e à busca da melhor solução para o ‘interesse público’. Pois... mas, se assim fosse, se ambas as soluções estivessem afinal em aberto, não se percebe que continue em funções o ministro que há quinze dias jurava que na margem sul «jamais, jamais» (em francês), e que passou o último ano a pregar a política do facto consumado e do capricho pessoal. Em vez disso, e como vimos, logo no dia seguinte, Mário Lino recebeu, com o maior dos à-vontades, o lóbi autárquico da Ota, para lhe dizer que continuava com eles e que contassem com ele.
Há um ano, Mário Lino e José Sócrates diziam que tinham feito todos os estudos e que não havia dúvida alguma de que Lisboa precisava urgentemente de um novo aeroporto e que isso só podia ser na Ota. Depois, foi-se descobrindo que, afinal, os estudos não estavam feitos mas no início (o de impacto ambiental só agora começou), e que alguns deles, como o de engenharia, desmentiam a excelência da Ota. Descobre-se que nenhuma alternativa tinha sido seriamente estudada e algumas, como Alcochete, nem sequer tinham sido consideradas. Descobre-se que a “certeza” do esgotamento iminente da Portela não levava em consideração factores como a entrada em funcionamento do TGV e baseava-se em previsões de crescimento do número de turistas verdadeiramente mirabolantes. Descobre-se que a solução que o Governo quis impor à força é a mais cara, a mais incómoda para os passageiros, a mais insegura, a mais difícil de executar, a que menos interessa a Lisboa e a de menos futuro. E foi assim que foi tratada a obra pública mais importante das últimas e próximas décadas.
Tal como sucedeu com a regionalização, também agora os socialistas quiseram impor ao país um facto consumado, com “estudos” feitos e sem necessidade de discussão pública. Eu só espero que, como então sucedeu, também agora o país lhes dê a resposta que merecem. E que ninguém se deixe iludir por esta possível manobra de “pedimos desculpa por esta interrupção, a Ota segue dentro de momentos”.
Miguel Sousa Tavares, 18 de Junho de 2007 8:00 por Expresso Multimedia.
Poucas vezes concordo com MST. Desta feita, subscrevo integralmente as suas afirmações. E tiro-lhe o chapéu...
10.6.07
Tenho um amigo que já viajou por meio mundo. Já passou pela Índia, China, Japão…… e por vários países da América latina. A Europa é a sua casa.
O caso vem a propósito do 10 de Junho, dia da “valente nação”.
O curioso é que ele não fala inglês.
Um destes dias perguntei-lhe o que é que ele achava do nosso país, em relação aos outros por onde já passou? A resposta foi bem portuguesa. “Dizemos mal disto, mas não é dos piores. Temos coisas muito boas.”
Num outro dia ouvi uma senhora dizer com muita piada que gostou muito da Alemanha. Dizia ela que aquilo estava tudo impecável. Muito limpo, as casas eram um encanto, que existia segurança e que ninguém roubava nada. Serviu-se do exemplo dos jornais que deixam pela manhã à porta de casa…. No entanto, irritava-a o pragmatismo germânico. Na Alemanha ninguém fala alto, faz um chi-chi na rua como aqui, dizia a simpática senhora. Acontece que começava a ficar farta daquilo. Sentia falta de uma boa zaragata. Ainda por cima, ela já tinha vivido em Espanha. Já estava irritada com tanta seriedade. Dizia que caso pudesse furava o “protocolo alemão”.
Como vêem nem tudo é mau por cá.
O caso vem a propósito do 10 de Junho, dia da “valente nação”.
O curioso é que ele não fala inglês.
Um destes dias perguntei-lhe o que é que ele achava do nosso país, em relação aos outros por onde já passou? A resposta foi bem portuguesa. “Dizemos mal disto, mas não é dos piores. Temos coisas muito boas.”
Num outro dia ouvi uma senhora dizer com muita piada que gostou muito da Alemanha. Dizia ela que aquilo estava tudo impecável. Muito limpo, as casas eram um encanto, que existia segurança e que ninguém roubava nada. Serviu-se do exemplo dos jornais que deixam pela manhã à porta de casa…. No entanto, irritava-a o pragmatismo germânico. Na Alemanha ninguém fala alto, faz um chi-chi na rua como aqui, dizia a simpática senhora. Acontece que começava a ficar farta daquilo. Sentia falta de uma boa zaragata. Ainda por cima, ela já tinha vivido em Espanha. Já estava irritada com tanta seriedade. Dizia que caso pudesse furava o “protocolo alemão”.
Como vêem nem tudo é mau por cá.
Dia de Portugal
Reconheço: pertenço a essa espécie em vias de extinção que ainda comemora e se emociona no Dia de Portugal! Tolo patriota, dirão alguns. Mas não me importa: porque apesar de todos os defeitos do meu Povo e da minha Nação; apesar das minhas constantes críticas a esta estranha forma de estar na vida e no mundo; apesar de por vezes não o demonstrar, tenho um enorme orgulho em ser português.PS-tentei encontrar o hino de Portugal no You tube, mas não encontrei nenhuma interpretação fora de um estádio de futebol. Em substituição...
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