21.9.06

Compromissos

De vez em quando, um bando de gente ilustre lança-se à conquista da sociedade civil prometendo o paraíso na terra e a miraculosa cura para todos os nossos males. Temo bem que eles só se lembrem da maioria das pessoas nas épocas de crise em que os negócios não correm de feição e o crescimento económico fica aquém do desejado.

A nova edição do Compromisso Portugal (compromisso com quem e com quê?) é um belo exemplo do surrealismo económico que quer fazer de Portugal um país sério, de vanguarda e de topo, suponho eu que mundial. Claro que poucos sabem como é que o país na realidade funciona, pois o problema dos economistas portugueses não é não terem muitas vezes razão, como decerto muitos reconhecem: é não perceberem que a realidade desmente o sonho (ou a utopia se preferirem) que eles querem alcançar.

O Portugal que temos é um Portugal que não vive sem o Estado, sem a sua segurança e que se alicerça precisamente num certo imobilismo social e no respeitinho pelos costumes e pelas práticas instituídas. É interessante, aliás, analisar como os políticos portugueses contemporâneos mais amados, Cavaco e Guterres, foram os que mais seguiram esta estratégia, engordando à grande o Estado, atraindo os portugueses e transformando precaridades em garantias reais de segurança. Construiu-se assim, uma classe média que, mesmo ténue, decide eleições e tem algum poder de compra. Em troca, ela só exige do Estado a tal segurança, no seu sentido mais lato e abrangente – no emprego, na segurança social, na saúde, no ensino, por exemplo. Não estranhem, por isso, o Portugal do século XXI. Não se apaga da memória nem se mexe nas suas estruturas sem consequências sérias e graves, sem motins ou revoluções.

Quem não conhece a realidade, pouca legitimidade tem para os conselhos. E o problema do Compromisso acaba por ser precisamente esse: não consegue estabelecer qualquer conexão entre aquilo que propõe e a sua implementação; ou, para sermos mais claros, não consegue estabelecer nenhuma possibilidade de relação entre as teorias que defende e as práticas que são possíveis. Por isso, dizer que o Estado tem de despedir 200 mil funcionários em cinco anos, pode ser uma medida económica muito bonita e necessária e que eles, lá entre si, vão aplaudir em força enquanto não acordam do sonho e do delírio colectivo do encontro. Mas uma coisa é fechar uma fábrica e colocar algumas centenas no desemprego. Outra coisa, bem diferente, é mandar quase um quarto de milhão para casa por conta do Estado. Uma multidão em fúria não se controla.

20.9.06

Uma escolha

O problema de avançar com nomes nos jornais não é apenas uma questão de acerto ou não acerto, como alguns parecem acreditar. Muitas vezes, os nomes avançados servem ou para lançá-los numa corrida ou, pelo contrário, para queimá-los nessa mesma corrida. Os jornalistas são assim usados em nome de interesses dúbios, tornando-se, consequentemente, cúmplices das maroscas e da má-fé de alguns invejosos. Também haverá casos, em que os exercícios de adivinhação não passam de mau jornalismo sem qualquer base sólida com o intuito de fabricar uma grande notícia. Em ambos os casos, o resultado pode ser desastroso. Por um lado, pode promover-se quem não merece o que leva, por um outro lado e como resultado imediato, à não promoção de alguém muito mais competente. Isto acontece de cada vez que algum lugar importante fica vago, por exemplo, no Estado. Desta vez, e apesar do DN ter feito uma não-notícia, optou-se, e bem, por fechar rapidamente o processo para não dar azo a muitos exercícios especulativos. Mas é sempre bom estar atento a algumas manobras menos claras.

19.9.06

A verdade das Palavras

A VERDADE DAS IMAGENS não passa de um pseudo documentário.

Tem muitas fragilidades técnicas. Além disso, não consegue atingir os objectivos para os quais foi realizado, porque não é ficção, não é documentário. É uma produção “doméstica”.

Ainda por cima, sabe-se que, a encomenda, tem um objectivo. Mostrar que depois das obras; muralha, enrocamento ou o que lhe queiram chamar, existem condições para a prática do surf no Jardim do Mar.

Neste aspecto o filme falhou. Durante os cerca de 8 minutos de documentário, só foram filmados 8 planos que incluem: obra, surfistas e mar aberto com ondas. Para quem conhece de montagem, sabe que é fácil captar imagens num local de surf, algures no mundo, e inseri-las no trabalho que foi, supostamente, realizado na região. Não estou com isto a querer dizer que as imagens não são do Jardim do Mar. O contrário também não posso afirmar. O enquadramento dos planos não me dá essa garantia. O realizador optou por filmar planos demasiado fechados, o que se torna impossível identificar o local da acção. Uma outra possível “manipulação” é as imagens terem sido captadas antes da realização das obras. São dois, pormenores, tecnicamente executáveis, que deitam por terra o objectivo número um do “CONTRA-DOCUMENTÁRIO” como alguém já lhe chamou. Falta-me ver o outro. “A Jóia Perdida do Atlântico” para pronunciar-me sobre as polémicas imagens.

PS- "A Verdade das Imagens" é um documentário apresentado pela Secretaria do Equipamento Social e Transportes para contrariar a ideia "errada" de que as obras acabaram com o surf. Dizem que está na net. Procurei-o, mas não encontrei. Agradece-se o contributo de quem saiba para disponibilizá-lo aqui.

As noites de Budapeste (e da Europa Central)

Prólogo: Fecha os olhos e deixa-te conduzir.Estás em Budapeste. Inverno de 91. Ano 1 da queda do comunismo. É noite desde as 3 da tarde. O tempo está frio, gelado. Olhas à tua volta e vês uma cidade escura, de belos edifícios decrépitos, ruínas, fachadas enegrecidas pela poluição. Por todo o lado, filas de vendedores do mercado negro. As paredes estão repletas de cartazes, numa língua impossível, indecifrável. Tu sentes-te perdido. Mas eu conduzo-te. Segue-me.

Cá vou eu no meu Traby
De bar em bar a aviar
Sempre a abrir a noite toda
Sempre a rock & rollar

Charro aqui charro ali
Mais um vodka p'ra atestar
Corro Peste corro Buda
Sempre a rock & rollar

As noites de Budapeste
São noites de rock & roll

P'las caves da cidade
São só bandas a tocar
Pondo tudo em alvoroço
Tudo a rock & rollar

Mulheres lindas de morrer
Mini-saias a matar
Não tem fim o reboliço
Tudo a rock & rollar

As caves de Budapeste
São caves de rock & roll

Cá vou eu no meu Traby
De bar em bar a aviar
Sempre a abrir a noite toda
Sempre a rock & rollar

Charro aqui charro ali
Mais um vodka p'ra atestar
Sempre a abrir a noite toda
Sempre a rock & rollar'

As noites de Budapeste
São noites de rock & roll

Adolfo Luxúria Canibal - Mão Morta

O optimismo começa a desvanecer-se em Budapeste. O plano de austeridade aprovado pelo Governo Socialista de Ferenc Gyurcsany, tido como necessário, tem dificultado a subsistência de milhares de húngaros.

Ontem, vários movimentos de extrema direita organizaram uma manifestação para apelar à demissão do primeiro ministro, acusando-o de mentir. De manhã, acamparam à frente do Parlamento e da Sede de Governo. À noite, tentaram ocupar a sede de um canal de televisão, para ler um comunicado à população. A polícia entrou em acção. Mais de 100 carros foram incendiados. Mais de 150 pessoas ficaram feridas.

Segundo a agência Lusa, as manifestações tiveram origem na divulgação, pela rádio pública húngara, no último domingo, da gravação de um discurso à porta fechada feito pelo primeiro ministro aos deputados do partido socialista em Maio passado, no qual declarou que o governo só fez disparates e mentiu durante um ano e meio, para esconder o seu projecto de plano de austeridade, considerado doloroso embora necessário.

O Público ainda vai mais longe, escrevendo que Gyurksany referira, no mesmo momento, que a Hungria só não estaria em recessão "graças à divina providência, à abundância de dinheiro na economia mundial e a centenas de truques".

Segundo o mesmo jornal, o gabinete do primeiro-ministro já reconheceu a veracidade dos excertos publicados, mas minimizou os apelos para a demissão do Governo. Em duas entrevistas à televisão estatal, Gyurcsany tentou centrar a discussão nos erros cometidos pela elite do país desde a queda do comunista, afirmando ser urgente reformar o sistema político.

O certo é que, mais do que a adesão às manifestações de ontem na Hungria, o crescimento gradual da extrema direita no país e em toda a Europa Central deve ser motivo de reflexão.

Na terra dos magiares, a "mentira" de Gyurcsany foi a "gota de água que fez transbordar o copo", dando aos movimentos mais radicais de direita um pretexto para mostrar aquilo que valem.

E se por enquanto ainda não valem mais do que uns milhares de manifestantes, poderão, com acções do género, cativar muitos mais. E não são necessárias grandes doses de criatividade. "Basta" que o desemprego suba, que a insegurança aumente, que o nível de vida oscile. E que o discurso seja suficientemente demagógico para cativar jovens desenraizados sem passado e com pouco futuro.

Na Alemanha, ainda esta semana o Partido Nacional Democrata ultrapassou as barreira mítica dos 5% nas regionais realizadas no mais pobre dos estados alemães, Mecklenburg-Pomerânia, conseguindo representação parlamentar.

Recentemente, um relatório da Central de Protecção da Constituição Alemã, a que o jornal francês Le Monde teve acesso, dava conta de que no país de Angela Merkel existam mais de 9.000 skinheads, sendo que os actos de violência atribuídos aos extremistas cresceram 5,4% em apenas um ano. A esmagadora maioria dos "cabeças rapadas" vive nos territórios da antiga RDA.

Calculam-se existirem, na Alemanha, 49 organizações de extrema direira, sendo a maior o Partido Nacional Democrata, que afirma ter por missão "politizar os skinheads". E se melhor o diz, melhor o faz, colocando espaços seus à sua disposição de grupos de skin, convidando-os para organizar espectáculos e organizando os esquemas de transporte até os locais das manifestações. Em troca os skin só têm de divulgar os eventos.

Face ao cenário, o Governo Federal da Alemanha, pela voz da Ministra da Familía, Ursula von der Leyen, anunciou já um investimento de 19 milhões de euros, em 2007, com o objectivo de reforçar a diversidade e a tolerância e democracia.

Se na Hungria e na Alemanha a situação é mais visível, a verdade é que os movimentos de extrema direita grassam em toda a Europa central, ganhando força na mesma proporção em que o desemprego aumenta, os preços sobem e os salários reais se desvalorizam.

São noticiados, frequentemente, ataques contra extrangeiros em Moscovo e em diversas cidades da Federação Russa (calcula-se que existam 50.000 skinheads nas repúblicas), na Ucrânia, na Bielorussia, na Roménia, entre outros estados da Região.

Até na Turquia, as Brigadas de Vingança Turca reenvindicaram, há uma semana, um atentando que matou 10 curdos.

Não me parece que a situação seja absolutamente dramática - não faço a figura patética que fazem alguns histéricos dirigentes do bloco e do PC em Portugal (também eles extremistas), que às vezes parecem estar rodeados de fascistas e neo-nazis prontos a tomar o poder - mas exige alguma reflexão. Porque pretextos aparecem sempre...

Where will you find him?

Um anúncio que usa a imagem de Jesus num copo de cerveja está a provocar discussão pública em Inglaterra. A campanha foi criada a pedido de um grupo de igrejas que pretendem incentivar os fiéis a ir à missa no Natal.

A imagem de Cristo aparece no vidro do copo juntamente com a frase "Where will you find him?".

As igrejas afirmam que querem chamar a atenção para o vazio espiritual do Natal e oferecer Jesus Cristo como alternativa.

Este não é o primeiro anúncio do grupo a gerar confusão, já que há alguns anos, um outro fazia referência a Jesus como líder revolucionário, lembrando Che Guevara.

Em 1999, a Igreja Católica Romana abandonou o grupo por não concordar com os métodos utilizados.

Where will you find him?

18.9.06

Propostas

A marcha pelo emprego do Bloco de Esquerda terminou em aparente apoteose. Aos jornais, uma tal de Helena Pinto, defendeu uma semana de quatro dias de trabalho, com redução imediata do número de horas semanais de 40 para 36. Ninguém, obviamente, se questionou sobre o impacto negativo e da consequente inexequibilidade destas propostas, que roçam o absurdo e a mais abjecta da demagogia. Tudo pormenores recorrentes em organizações deste calibre, apostadas essencialmente na aparência efémera das coisas. Mas confesso que nesta miscelânea, onde pontifica gente muito estranha, embora se diga “inteligente”, os artistas são de facto imaginativos.

Estejam mas é quietos!

O jogo de Andebol do Estádio de Alvalade mostrou porque razão são os próprios árbitros a recusar a profissionalização.

Recusam-na porque disfrutam de um estatuto de impunidade único, podendo cometer os erros que quiserem sem serem punidos.

Ficam assim livres para fazerem os favores que lhes são pedidos pelos "reis" do Pontapé na Bola. Em troca de "meninas" ou "meninos" - depende das preferências - nos quartos de hotel, de viagens, de relógios ou de outras coisas que tais.

No futebol existem coincidências no mínimo estranhas. Se não vejamos: Foi o presidente do Benfica (honra lhe seja feita) que ressuscitou o Apito Dourado.

Logo no primeiro jogo da época, no Estádio do Bessa, frente ao Boavista, calhou aos encarnados que o árbitro fosse um tal de João Ferreira, por sinal fortemente indiciado no processo.No Bessa, a arbitragem dessa personagem foi claramente tendenciosa, prejudicando o Benfica.

Curiosamente, uma semana depois o presidente do Sporting falou pela primeira vez sobre o Apito Dourado.

No fim de semana, chegou a Alvalade um tipo que não só deixou passar um golo com a mão, como não viu um penálti claro na área do Paços de Ferreira e como se enganou sistematicamente - ele e os assistentes - na marcação de foras de jogo. E para não destoar, ainda permitiu que os jogadores do Paços de Ferreira simulassem lesões, demorassem tempo excessivo na reposição de bola e fizessem inúmeras faltas sem que lhes fosse mostrados cartões amarelos. Sabem quem era o “rapazinho”? Pois, chamava-se João Ferreira e é mais conhecido por ser um dos "meninos do major".

A mim, parece-me que a Liga, com o que resta do seu poder, enviou um aviso claro às duas equipas de Lisboa: Estejam quietos, porque os João Ferreiras deste mundo podem cair-vos em cima!

16.9.06

Cidades Educadoras

Um evento fundamental, que deveria interessar a todos os portugueses com responsabilidades ou interesse na educacao, nas que passa ao lado da maioria. Enfim, mas por ca estou e escreverei sobre o que de importante por aqui se passou.

PS Ha quantos anos nao escrevia num teclado azerty!!!

15.9.06

A saúde precisa de ir ao Médico

É mais um caso entre outros. Segunda-feira faleceu uma jovem com 20 anos, de meningite no hospital.

O conselho de Administração do Serviço Regional de Saúde prometeu dar uma explicação, até quarta-feira. Já passaram dois dias e o dito Conselho nada disse.

Considero que existem alguns factos por esclarecer, apesar de saber que dificilmente vão existir culpados.

É prática comum, nestes casos, a tutela elaborar relatórios técnicos, imperceptíveis ao comum dos mortais. Até os próprios médicos, não os conseguem explicar.

A Ordem dos Médicos, também não actua, apesar do assunto já ser público.

Só levanto mais uma questão. Como é que os médicos conseguem realizar diagnósticos correctos se trabalham, por dia, 10 e 12 horas todos os dias. De manhã estão no hospital. À tarde nos consultores e clínicas privadas. Ao fim de um mês, são poucos os seres humanos capazes de resistir a tanta fadiga. No entanto, os nossos profissionais da saúde fazem-no o ano inteiro. Enquanto, parece-me evidente que cometem alguns pequenos pecados, mas como não há ninguém que lhes faça nada….


PS- segundo a família, a jovem foi várias vezes às urgências do Centro de Saúde de Machico (pelo menos 5). Além disso, foi observada na terça-feira (5/10/06) no Hospital. O médico não lhe conseguiu fazer um diagnóstico correcto. É no mínimo lamentável. Como a jovem continuava com o mesmo problema de saúde - uma sinusite acompanhada de fortes dores de cabeça- recorreu à medicina privada. Passou duas vezes pela Clínica de Santa Luzia (quarta-feira e sexta-feira de manhã). Mais uma vez o médico que a observou falhou no diagnóstico. Na altura a jovem já tinha a vista esquerda muito vermelha e a cara enxada. No hospital fizeram-lhe um “RX” aos pulmões e mandaram-na para casa tomar a medicação que estava a fazer. Voltou às urgências do hospital na sexta-feira, depois de ter passado,pelo Centro de Machico. Deu entrada nas urgências à meia-noite. Só foi atendida 2 horas depois, segundo o que disse o médico que foi nomeado para falar sobre o caso. Do Hospital enviaram-na para os Marmeleiros durante o dia de sábado. Dos Marmeleiros, regressou no domingo, aos cuidados intensivos da Cruz de Carvalho, onde faleceu na madrugada de segunda-feira.

14.9.06

Save the Waves.

É com certeza um filme incómodo para a Madeira e (I)nconveniente. Vem mesmo a propósito, “Uma Verdade Inconveninte”, é outro alerta sobre como vai o mundo que estreia esta quinta-feira em Portugal.

O interessante é que “Lost Jewel of the Atlantic" e Uma verdade Inconveniente” são realizados segundo a mesma matriz. De uma forma “despretensiosa”, diria lúdica, os dois documentários questionam a intervenção do homem no meio ambiente.

É óbvio que as escalas são incomparáveis. Enquanto “Lost Jewel of the Atlantic” ocupa-se da micro- “aldeia” do Jardim do Mar, o objecto da análise de “Uma verdade Inconveniente” é o planeta.

No resto, os objectivos até são os mesmos. Partilham uma idêntica matriz cinematográfica, neste caso, o documentário. Um género, que curiosamente, volta a estar na moda. Há muitos anos, para não exagerar (50), que não estreavam tantos documentários. Além da dose exagerada, que foi o 11 de Setembro, os que foram, entretanto realizados, foram remetidos para os festivais da especialidade.


Mas de volta a “Lost Jewel of the Atlantic” para acrescentar que um documentário, e este não foge à regra, é sempre o ponto de vista do realizador.

É óbvio que qualquer documentário parte de uma base sólida de factos. Caso contrário, seria insustentável produzi-lo. É no entanto, necessário não esquecer que há um objectivo por detrás. Julgo que a intenção, neste caso concreto do realizador é questionar, provocar o cidadão para as obras que foram realizadas no Jardim do Mar.

Seriam necessárias para a protecção da costa como justifica o governo? Quem faz, (as obras) apresenta argumentos “saudáveis” para justificar a acção. Quem crítica, coloca a nu algumas das fragilidades dessa acção. É neste binómio, bem-mal, que o mundo gira. É a partir deste confronto de ideias que é solicitado, a cada um que faça o seu próprio juízo de valor, sobre o que vai ver.

Voltei

Depois de uma pausa de um mês, aqui estou fresquinho e de faca afiada. Como sempre o objectivo é irritar e instruir.

Mário Soares, um economista de pacotilha

Não sei porque ainda se perde tempo com Mário Soares. Até da Lua se vê que o provecto político português sofre de morte cerebral há décadas. Ora vejamos o que disse ele desta vez.

Na sua insondável sabedoria (medida pelo número de livros que possui), Mário Soares afirmou numa recente entrevista, a qual nunca deveria ter dado nem nunca lha deveriam ter feito, que o país está a recuperar economicamente. Soares chegou a esta conclusão porque tem visto (presumo que da janela da sua casa) muitos carros de alta cilindrada a passar nas estradas. E vai daí um exercício de sociologia de bolso: os portugueses estão mais ricos.

Olhem, eu cá nunca votei neste homem. Nem quando ele era são, nem quando ele era senil, como já dava para intuir nas últimas eleições presidenciais. Por isso não lamento nada. Aturem-no.

Como nos vê a CIA

No Factbook da CIA, onde consta um breve resumo actualizadíssimo de todos os países do mundo, a economia portuguesa aparece descrita do seguinte modo. Evidentemente, justo e verdadeiro.

«A poor educational system, in particular, has been an obstacle to greater productivity and growth.»
(Um sistema educacional pobre, em particular, foi um obstáculo a uma maior produtividade e a um maior crescimento). https://www.cia.gov/cia/publications/factbook/index.html



Cats


Por impedimentos vários em 2004 não pude ver o musical Cats. Mas como o espectáculo voltou não o perderei desta vez. Baseado na obra de TS Eliot “Old Possum’s Book of Practical Cats”, este musical tem a assinatura de Andrew Lloyd Webber. De 5 a 15 de Outubro no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Siga.

13.9.06

Só querem uma bola

Os miúdos que jogam nas camadas jovens do Gil Vicente acamparam à porta do seu estádio como forma de protesto pela sua suspensão das competições nacionais de futebol. Acho bem e acho legítimo. Entendo que nestas coisas, os miúdos não devem servir de retaliação pelos pecados dos adultos e que uma medida de liminar bom senso da FPF e do seu inenarrável presidente Madaíl, seria a reintegração imediata destes jovens desportistas nas suas respectivas competições. Eu sei que o método para chamar a atenção não é, porventura, o mais correcto. Acampar à porta da casa do Dr. Madaíl ou da sua Federação seria muito mais divertido, por exemplo. Ou mesmo acampar à porta do Dr. Laurentino Dias que confortavelmente anda a assobiar para o lado. Mas, caramba, falamos de miúdos. E falamos de miúdos que não se chamam Mateus, não se chamam Fiúza ou Loureiro, não são profissionais, nem têm nada a ver com as merdas dos adultos. Só querem uma bola e um campo com balizas. Não acho que seja pedir muito.

Lost in Translation

A nova diva do cinema e actriz principal do filme (Scarlett Johansson)*

A realizadora (Sophia Coppola) e o actor principal (Bill Murray)

O Expresso, garante uma publicidade paga no Público de hoje, esgotou os 160 mil exemplares da sua última edição (a primeira em novo formato) em cinco horas. Não foi pela prosa com certeza. Foi por causa destas duas moças, deste moço e por causa de um filme magnífico já por aqui referenciado. Para este sábado, a mesma publicidade promete 200 mil exemplares.

* Foto roubada daqui

O autor

Se dúvidas houvesse relativamente a este post de ontem, o Dr. Alberto Costa, um péssimo ministro, eliminou-as hoje em sugestiva entrevista ao Público. Diz ele e com todas as letras para não haver qualquer mal-entendido: “Este foi o acordo que eu quis”. Estamos conversados.

Without You

Liguei o autorádio. Antena 1. Without You na versão original dos BadFinger. Uma canção de merda. Escrita por Peter Ham e Tom Evans em 1970. Flower Pop incluída depois nos repretórios de Harry Nilsson (que jura tê-la escrito), Neil Young, Shirley Bassey, Heart, Air Supply, Mariah Carey, entre outros. E que este ano voltou a ser gravada por um rapaz de nome Clay Aiken, do qual poucos, estou certo, ouviram falar.

Without You ajudou a fazer carreiras. E contribuíu para que Peter Ham se tivesse enforcado no quintal da sua casa, em 1975. O manager e a editora não lhe pagavam os direitos de autor e os royalties a que tinha direito, reclamou na nota de suicídio. E contribuíu para que Tom Evans se tivesse enforcado, na garagem de sua casa, corria o ano de 1983. Ninguém lhe pagou aquilo a que tinha direito, clamou Evans.

A canção, que como todas as outras é um organismo vivo e dotado de extraordinária inteligência, sendo senhora de sua vontade, continuou o caminho que para ela traçou. Vive bem e será, com certeza, gravada brevemente por outra candidata a estrela. E voltará a subir aos tops, estou em crer. E hoje, apareceu no rádio do meu carro. Pela voz do fantasma de Ham. Pela mão do fantasma de Evans.

Deixo-vos com ela. Divirtam-se.

Without You

No I can't forget this evening
Or your face as your were leaving
But I guess that's just the way the story goes
You always smile but in your eyes your sorrow shows
Yes it shows

No I can't forget tomorrow
When I think of all my sorrows
When I had you there but then I let you go
And now it's only fair that I should let you know
What you should know

I can't live
If living is without you
I can't live
I can't give anymore
I can't live
If living is without you
I can't give
I can't give anymore

No I can't forget this evening
Or you face as you were leaving
But I guess that's just the way the story goes
You always smile but in your eyes your sorrow shows
Yes it shows

I can't live
If living is without you
I can't live
I can't give anymore
I can't live
If living is without you
Can't live
I can't give anymore

Foi bonito


Foi bonito, pá!

Um pacto

O Dr. Mendes, por certo ofuscado com a possibilidade das luzes da ribalta, entendeu fazer um acordo com o Eng. Sócrates para colocar a Justiça na ordem. Ou, pelo menos, para pô-la a funcionar o que, diga-se em abono da verdade, já não seria nada mau uma vez que esta tarefa se afigura como uma verdadeira tarefa de Sísifo. Muita gente aplaudiu a iniciativa. E aplaudiu o sentido de Estado do PSD que se mostrou um partido da oposição obediente e, acima de tudo, responsável. Claro que o Eng. Sócrates agradeceu a benesse e aproveitou a deixa. Do PSD não rezará a história durante os oito anos em que o Eng. Sócrates liderará um país sem adversário, interno ou externo, à altura. Com a casa em ordem (ou o PS se preferirem), restava ao primeiro-ministro mandar dizer quem manda e quem de facto decide no país. Com o Dr. Cavaco em Belém, o pacto era garantido e o Dr. Mendes, que deu o ar de um aluno muito sério que ouve com atenção os conselhos do mestre, lançou-se às migalhas. Obviamente ninguém avisou o Dr. Mendes que o presente vem envenenado e que as suas modéstias opiniões de pouco valerão. A Justiça não se vai reformar, porque pura e simplesmente é irreformável. Bastava ver as corporações que aplaudiram a iniciativa. No fim, tudo ficará na mesma porque a máxima se mantém inalterável: é preciso mudar alguma coisa para deixar tudo exactamente na mesma. O Dr. Mendes já cá não estará politicamente para ver o resultado da obra para a qual contribuiu. E o Eng. Sócrates sempre pode dizer que tentou.

Gente perigosa ou senil (risquem o que não interessa)

O Dr. Soares no Prós e Contras da última segunda-feira voltou a afirmar que é preciso negociar com a Al-Qaeda. Portanto, o Dr. Soares acha que devemos negociar com terroristas. Quem te viu e quem te vê.

8.9.06

Pacto de Regime

Fomos ontem informados que o PS e o PSD cozinharam um pacto de regime para reformar a Justiça. Eu proponho que os portugueses façam um pacto de regime para reformar os políticos e a política nacional.

PCP apadrinha terroristas

Ontem, ouvi um senhor que parecer ter alguma coisa a ver com a organização da Festa do Avante, afirmar que o PCP não comunga das classificações sobre organizações terroristas da União Europeia (referindo diversos exemplos, como as relações que, a despeito das instituições nacionais e internacionais, mantinham com a OLP), ainda sobre a presença das FARC-EP na Festa. Eu gostava mesmo era de ver o rapaz dissertar sobre a morte de Deus no meio dos líderes radicais muçulmanos.
Mas, agora a sério, este é mesmo um belíssimo exemplo da esquerda progressista portuguesa e europeia que não tem qualquer pudor em afirmar-se simpatizante do Hezbollah, desde que os homens do Partido de Deus (estão a ver a hipocrisia?) se oponham ao Império-Capitalista-feito-bicho-papão-dos-Estados-Unidos. É como dizia alguém no outro dia (perdoem-me, mas não me lembro nem da pessoa, nem do órgão onde li): gostava de ouvir um debate de ideias entre esta Esquerda e radicais muçulmanos, como Ahmadinejad, ou al-Zarqawi, sobre os direitos das mulheres ou dos homessexuais, ou então sobre o aborto (havia de ser gira a argumentação das 12 semanas!), ou sobre um outro qualquer tema da agenda da Esquerda (exceptuando, naturalmente, os Estados Unidos).
Por razões pessoais, sou relativamente próximo a pessoas que partilham do ideal comunista. Mas é quando vejo declarações deste tipo, que mais estranho quem me rodeia.

Eduardo Prado Coelho, ou o Escriba do Regime Socialista

Digo-o desde já: abomino o cronista Eduardo Prado Coelho. Leio, sempre que posso, a sua coluna no Público porque gosto de saber o que dizem os outros. Mas de cada vez que leio, mais me convenço que tenho deixar de ler. E não sei o que mais detesto: se as suas dissertações abstrusas sobre Arte ou Filosofia (então não é que este senhor rotula Engels de nulidade?!), ou as suas incursões na Política. E irrita-me, não porque a sua opinião seja divergente da minha, mas porque o homem reclama para si a honestidade e isenção e sem qualquer pejo assume-se como um escriba súcia do mais básico quem me tem sido dado a conhecer.
Vem isto a propósito do seu escritinho, na passada quarta-feira. Quem o ler e não viver em Portugal pensará, com certeza, que estamos a ser governados pela elite política mundial, havendo apenas a lamentar a péssima qualidade da oposição. Aliás, se eu não vivesse no nosso país, acreditaria que era necessário acabar com o raio da oposição inútil e incompetente, e entregar o poder absoluto ao nobre líder político que dá pelo nome de José Sócrates.
Mas a culpa é minha: já devia ter deixado, há muito, de ler o que EPC escreve. Porque depois daqueles textos sobre o Carrilho, a defender o indefensável, ficaram bem explícitos os motivos que o levam dissertar sobre política portuguesa.

Mas que lindo país, o nosso!

Portugal é, definitivamente, um país maravilhoso. Tem um clima fabuloso (o excesso atípico de calor pode indiciar que alguma coisa vai mal, mas por enquanto...), tem uma óptima costa marítima, tem reservas florestais de inigualável beleza (mesmo que já meio queimadas), tem um povo trabalhador, que raras vezes se importa de ser explorado e disposto a sustentar toda a vadiagem que dá pelo nome de classe dirigente, enfim, um óptimo lugar para todos os mafiosos que por cá se queiram instalar. E temos já alguns belíssimos exemplos de que Portugal deve ser o local de eleição para todos os que querem roubar à grande, ou praticar ilícitos graves: por cá, se o senhor suspeito pertence à classe dirigente, o Ministério Público, diligentemente, arquiva processos por alegadas faltas de provas processuais (ainda que os indícios sejam sugestivos – já agora, alguém importa-se de me explicar o que são indícios sugestivos???), ou por considerar que as declarações de um ex-ministro são mais válidas do que as de uns pobres coitados vítimas de abusos sexuais. Ou então, se por acaso, formalizar a acusação, o Tribunal absolve estes senhores, por entender que as acusações não são o reflexo das provas. Mas há mais, mesmo que a Justiça Portuguesa emita mandatos de captura, o alegado criminoso pode sempre voltar, na paz do Senhor, desde que seja candidato a um qualquer lugar público – correndo mesmo o risco de ser eleito e aclamado, qual D. Sebastião -, ou se for condenado, vê a sua pena reduzir-se quase à inexistência, num qualquer recurso ao Supremo Tribunal.
Não há, como se vê, melhor país do que Portugal. Estou mesmo convencido que apesar dos italianos reclamarem como sua, a Cosa é mesmo Nostra.

7.9.06

Uma vergonha

A questão dos voos supostamente secretos da CIA tem levantado alguma celeuma política. A investigação por parte da União Europeia (numa manifesta ingerência na nossa soberania) tem sido conduzida por dois portugueses que andam bem mais preocupados com o politicamente correcto do que em combater o terrorismo que nos ameaça a todos. Por cá, os principais irresponsáveis da contestação são os partidos radicais de esquerda que não perdem uma oportunidade para aparecer na televisão e atacar esse “demónio imperialista americano” causador, imagine-se e claro está, de todos os males que grassam no mundo. Este tipo de gente merece, obviamente, pouco crédito. E um profundo desprezo pátrio. Mas a demagogia, infelizmente, é um mal das nossas democracias que é devidamente empolada pelo aspecto comunicacional do discurso político. Quanto mais show off mediático mais a comunicação social se entusiasma pelos alarves especializados em circo de rua sempre empenhados em ser mais ridículos do que os seus vizinhos. Mas o mais estranho e simultaneamente escandaloso em tudo isto é ver um partido como o PCP a reagir a esta polémica como uma donzela ofendida (um evidente antiamericanismo primário e reles) quando na sua festa andou a promover o stand de uma organização terrorista que espalha e semeia o terror pela Colômbia. Se gostam assim tanto de investigações comecem pela Festa do Avante. E pelas organizações terroristas que por lá andaram e que o PCP, pelos vistos, adora e acolhe. Quem foram? Como vieram? Como entraram? Quem os vigiou? Vamos pôr tudo em pratos limpos. Chega de ser conivente com este tipo de gente que é cúmplice de assassinos, que não tem memória e que não mostra nenhum respeito pelos milhões de vítimas das suas gastas e falhadas utopias.

E já agora os Loureiros também



Via Arioplano.

1.9.06

Sabão e toalhinha

Um novo plano nacional contra a droga desenha-se no horizonte. Depois do evidente falhanço do anterior que assentava, recorde-se, na descriminalização do consumo das drogas ditas leves (uma ideia peregrina) e na introdução da metadona (um curioso substituto) eis que uma nova originalidade toma forma e ganha dimensão: as denominadas salas de injecção assistida. Confesso que já estou por tudo. E muito pouco, na realidade, deve espantar. Enquanto vejo o modesto fumador deste país a ser escorraçado e socialmente descriminado por bagatelas, o senhor toxicodependente continua nas boas graças das gentes, perfeitamente inimputável e com tratamento de excepção. A este nada falta: nem condições, nem profissionais de variada ordem, nem apoios directos do Estado. E agora até vai ter uma salinha correctamente preparada onde possa alimentar, também correctamente, o vício. Ironia do destino, já imagino as cadeias portuguesas com a proibição de fumar (a nova cruzada higiénica e fascista) mas com um quartinho especial ali mesmo ao fundo para matar o vício. Como dizia um amigo meu, não se esqueçam do sabão e da toalhinha. E de limpar tudo muito bem depois de usar.

Um mito

Em Londres, por falar em delírios, sobe ao palco a partir da próxima semana uma curiosa ópera que pretende elevar o senhor Khadafi e a sua obra à categoria de mito, realçando a sua obra e a sua acção política. Caros leitores mais cépticos, lamento informar, mas o que acabaram de ler em cima não é, infelizmente, gralha ou erro de informação. E trata-se mesmo do Sr. Khadafi. Lamentavelmente, a estupidez humana nunca teve fim nem limite. Mas convém recordar aos mais esquecidos, aos muitos ignorantes que grassam por aí e que teimam em fazer, por exemplo, de Fidel, Guevara, Lénine ou mesmo Chávez uma espécie de heróis românticos a quem tudo se perdoa, que o actual ditador da Líbia não é flor que se cheire nem pessoa que se convide para ir jantar. Aliás, o Sr. Khadafi foi um dos percursores e mentores dos ataques terroristas a aviões cujo exemplo mortal, e perfeito, é o do voo 103 da Pan Am que caiu em Lockerbie, na Escócia, em 1988, matando todas as 270 pessoas que seguiam a bordo. Fazer deste assassino, um déspota em potência que conduz um país à base da força, um mito, imortalizá-lo numa ópera defendendo a sua obra, é não mostrar nenhum vergonha ou qualquer respeito ou pudor pelas suas vítimas.
O problema desta Europa que se diz civilizada, é querer branquear este tipo de gente em nome de uma utopia que ruiu com o muro mas que ideologicamente continua bem viva na cultura, na comunicação social e na educação dos nossos tristes e patéticos países. A falta de memória, ou o esquecimento ou desconhecimento da nossa história é meio caminho andado para um novo desastre. Mas claro que, entretanto “the show must go on”. Agora com o Sr. Khadafi como artista principal.

31.8.06

E por falar em incoerências....

Descobri o Farpas há pouco tempo. De acordo com o profile, o seu autor chama-se Paulo Barata. Porque, enquanto madeirense, gosto de saber tudo o que posso sobre a Madeira, comecei a ler os primeiros posts. O sr. Paulo Barata falava da falta de coerência do Filipe Malheiro, pelo facto deste não ter manifestado a sua discordância aquando da sucessão de Virgílio Pereira por Miguel Albuquerque. Até estava a gostar, pois parecia-me que o sr. Paulo alertava para incoerências de figuras públicas que têm a obrigação de evitá-las (especialmente se forem políticos ou estiverem na política). Sinceramente, pareceu-me que o Sr. Paulo mantinha uma postura equilibrada, apartidária e observadora da realidade madeirense, o que me agradou. Estranhei alguma obsessão com o Filipe Malheiro, mas quem sou eu para criticar as obsessões dos outros, uma vez que eu, obsessivamente, abjuro Maria de Lurdes Rodrigues (na minha opinião, a pior Ministra de Educação de sempre). Portanto, não liguei e continuei com a minha leitura. Mas, a certo ponto, tive que parar, pois a falta de coerência estava a ser asfixiante. Depois de 2 posts onde disserta sobre a coerência, eis que me deparo com um, onde o sr. Paulo afirma o seguinte:

"Jardim diz que, para atrair investimento para a Madeira, vai baixar os impostos já em 2008.
É próprio de um populista a promessa de baixar os impostos. O povo gosta desta promessa. Foi assim com o "Choque Fiscal" de Durão Barroso e com a diminuição da taxa de IRS de Santana Lopes. Durão Barroso depois de eleito teve que aumentar os impostos e Santana Lopes acabou por ser despedido. No caso da Madeira, por incrível que pareça, Jardim safa-se sempre com todas as asneiras."

Até me sentiria tentado a concordar com o Sr. Paulo, não fosse o facto do blogger ter omitido outras faltas de coerência, bem mais próximas de nós cronologicamente. Então, para quem alarde coerência por todo o blog, não é que o sr. Paulo demonstra uma fantástica falta dela na sua análise, esquecendo as promessas de Sócrates sobre a manutenção dos impostos?

Então sr. Paulo, não vive em Portugal? Então sr. Paulo, onde está a sua coerência? Foi mero esquecimento, ou a obsessão não é apenas com o Filipe Malheiro, mas com o PSD?

A sua tentativa de branquear o governo socialista fica-lhe mal, embora seja elucidativa acerca do seu posicionamento político.
Naturalmente, reconheço-lhe o direito de situar-se politicamente numa outra margem, mas então não venha gritar isenção e exigir a partilha do rio. Porque causa desconfiança!

Esclarecido, continuarei a frequentar o blog do Sr. Paulo. De forma mais atenta e prevenida, é verdade. Mas o sr. Paulo, que não se distingue pela coerência, escreve algumas coisas com as quais concordo. Parece-me uma pessoa inteligente. Demasiado comprometido, mas que raio, na blogoesfera não podemos ser muito exigentes.

PS - O Bento tem andado muito calado e o seu último post indicia o encerramento da Esquina. Ainda não falei com ele, mas espero que tal não se confirme. Porque a blogoesfera madeirense ficaria irremediavelmente mais pobre.

Digam lá qualquer coisinha!

Independentemente da bondade da decisão tomada pelo governo patético (sim, porque este Sócrates não merece o peri) da República sobre a diferença de tratamento entre Madeira e Açores ao nível de financiamento, o absoluto silêncio da oposição madeirense é aterrador. A posição dos seus ilustres líderes é a de enfiar a cabeça na areia (senhores, o Verão está a acabar!), ou assobiar para o ar, na expectativa que o corte nos milhões enfraqueça o Governo PSD. O que não percebem e que provavelmente nunca perceberam é que, no seu íntimo, os madeirenses preferem um líder que profira umas barbaridades de vez em quando, em vez de lideranças subservientes aos desideratos continentais. Que os madeirenses preferem um governo formado por um partido com defeitos mas autónomo, do que por partidos que se portam como filiais. Como afirmou ontem o ex-líder do PS, a solução para a oposição não passa pela fidelidade canina à direcção nacional dos partidos, mas por projectos políticos desenvolvidos a pensar na Madeira e nos madeirenses. Porque apesar do que afirmam alguns intelectos brilhantes da nossa praça, existe de facto um diferendo claro entre o povo madeirense e a República. E enquanto esta différence entre a Madeira e o Continente não for reconhecida pelos partidos da oposição, não vejo como é que alguma vez se poderão constituir como alternativa.

PS – Ressalvo, aqui, a posição do deputado Maximiano Martins, que me parece equilibrada. Este deputado, cujas posições, muitas vezes são dúbias, ao que parece afirmou ao DN – Madeira que está disposto a opor-se à proposta do PS, devido à argumentação utilizada. Resta saber se com outra argumentação, as contas feitas pelo deputado resultarão na diferença presente na proposta actual.

De ideias absurdas estamos cheios!

Sei que já vem um bocadito tarde, mas não podia deixar passar em branco aquela que, para mim, é a melhor e mais brilhante ideia dos últimos tempos, a saber, a realização de um concerto nas Desertas. Esta ideia, de tão peregrina e absurda teve o condão de me fazer recordar um sucessso já antigo, cuja letra partilho aqui convosco.


"When the moon is in the Seventh House

and Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning o the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius! Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golden living dreams of visions

Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation

Aquarius! Aquarius!

When the moon is in the Seventh House
and Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planet
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius! Aquarius!

As our hearts go beating through the night
We dance unto the dawn of day
To be the bearers of the water
Our light will lead the way
We are the spirit of the age of Aquarius

The age of Aquarius
Aquarius! Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
Angelic illumination
Rising fiery constellation
Travelling our starry courses
Guided by the cosmic forces

Oh, care for us; Aquarius "


Aquarius, do Musical Hair.

30.8.06

Caso Plutão

Notícia de última hora: Plutão também não aceita ser despromovido à II Liga dos Planetas.

Uma história

Enquanto toda a gente anda distraída com um senhor que atende pelo nome de Mateus, o Benfica do Sr. Vieira acaba de fechar um lucrativo negócio com a Caixa Geral de Depósitos. O acordo de 15 milhões de euros prevê dar o nome da Caixa ao centro de estágio do Benfica por um período, julgo eu, de dez anos. O autor desta megalomania foi o Sr. Armando Vara, um conhecido benfiquista e militante destacado do PS, que num dos Governos de Guterres foi convidado, delicadamente, a sair por má utilização de dinheiros públicos (para não chamarmos agora outra coisa mais feia). O Sr. Vara assumiu o ano passado um importante cargo na Administração da Caixa onde é responsável, imagine-se, pelos créditos às empresas. Leram bem: créditos às empresas. Curiosamente, um dos patrocinadores oficiais do Benfica é o Banco Espírito Santo (aliás, Banco que patrocina em partes iguais o Sporting e o Porto). A minha pergunta é muito simples: ninguém acha estranho que um mesmo clube seja patrocinado por dois bancos? Dois bancos concorrentes? Conseguem imaginar a Coca-Cola e a Pepsi a patrocinarem a mesma equipa? Ou a Optimus e a TMN? Ou a Marlboro e a Rothmans numa mesma equipa de Fórmula 1? Ninguém acha isto absurdo? Pelos vistos não.

Um excesso

Notícia espantosa saída nos jornais diz-nos que os velocímetros e os balões da polícia podem pecar por excesso. Por excesso digo bem porque ao que consta os dois instrumentos são conhecidos por extrapolarem os valores que apresentam. Estamos habituados a que as notícias sobre a polícia incidam na escassez: na escassez de homens, de meios, de recursos. Confesso que, perante o cenário anterior, estamos perante uma evidente originalidade. Mas o problema (instrumentos defeituosos), se existia, foi prontamente consertado com um método muito português: já que a coisa não funciona integralmente, nada como recalcular os valores e pode ser que ninguém dê por nada. Não sei de onde vêm estas brilhantes ideias, mas só podem vir do desespero porque ninguém notou que este é um problema que não se resolve alimentando-o e, muito menos, escondendo-o. O problema dos medidores de velocidade e dos balões mantém-se porque estes objectos não são substituídos. São remendados. E das duas uma: ou os instrumentos funcionam e as pessoas têm confiança plena nas instituições que fiscalizam acatando as suas decisões, ou então não vale a pena pregar no deserto e há que pôr cobro a este evidente abuso.

PS: Há tempos, houve um delírio colectivo que estabeleceu tolerância zero em algumas estradas portuguesas como método de combater a lusitana sinistralidade rodoviária. Lembro-me, como se fosse hoje, de um incrédulo a mostrar na televisão a multa que lhe passaram por circular a 51 Km/h numa zona em que não era permitido ir a mais de 50. Eu se fosse a ele, telefonava para a polícia e perguntava muito claramente se os 51 eram com desconto ou sem desconto.

29.8.06

Para ver

Faz pensar

Em 2006, já morreram mais de 2.000 pessoas nos mares de Canárias. Gente que tentava entrar na UE para sobreviver. Foram recuperados mais de 500 cadáveres. Os números levam-nos a pensar até quando resistirá esta... "fortaleza".

28.8.06


A Empresa de Electricidade da Madeira no seu melhor. Poste a meio da levada.
Fantástico! Como no Verão não corre água...

25.8.06

Blogs Antena 3

A Antena 3 previligou a criação de blogs para que os animadores comuniquem com os ouvintes.

Aqui vão alguns links:

Prova Oral

Manhãs da 3

A Voz da Tribo (um excelente programa, por sinal, da Ana Marta).

Há outros.

Sorteios

Gostei do sorteio da Taça UEFA. O Rapid de Bucareste é uma equipa ao alcance do Nacional. A fase de grupos deixa de ser uma miragem.

Já na Liga dos Campeões, o "meu" Sporting teve uma sorte desgraçada. Bayern e Inter, mais uns russos são o pior que poderia ter calhado.

Mesmo assim, e acho que não sou só eu, creio que o Liedson, o Moutinho, o Ricardo e a restante rapaziada terão uma palavra a dizer na discussão da passagem à segunda fase.

21.8.06

Bom sítio

Um bom sítio

T(ake) A(nother) P(lane)!

Aeroporto do Porto Santo, um dia de Verão.

Dirigi-me ao balcão da GroundForce (seja lá o que isso for) para pagar os portes de uma encomenda.

Entreguei os 150 euros que me foram pedidos e, tal como me fora indicado pelo funcionário de serviço, dirigi-me ao quiosque dos jornais. Para chamar a funcionária do Aeroporto, entretida em amena cavaqueira com a menina da tabacaria. O que, de tão habitual já se tornou rotineiro.

Contrafeita ao ver-se obrigada a voltar para a mesa onde, supostamente, deveria sentar-se a justificar o ordenado, a funcionária resmungou qualquer coisa na línguagem hermética utilizada pelos servidores do estado quando alguém lhes diz para trabalhar. E, com os modos de quem não achou graça nenhuma a brincadeira, pegou num telefone para chamar uma "colega". Que me acompanhou até ao Armazém de carga.

Atravessei várias portas assinaladas com "entrada não autorizada". Acompanhado pela "colega" e sem ver vivalma. E cheguei a um espaço quase vazio. No armazém faziam-me companhia três caixotes atirados para cima de uma palete, uma empilhadora, e um tipo de farda azul deitado a um canto.

Apareceu-me, saido de uma porta que eu não vira, um baixote munido do poder de anunciar o destino a quem ali chegava. Que olhou para a carta de porte que lhe estendi à frente do nariz. Que revirou a carta de porte que lhe pus ao caminho. E que me disse:

-Ainda nã chegou!

O diálogo é surrealista:

- E então, os 150 euros que paguei?

- Nã sei

- E quem saberá?

- Nã sei

- Mas que merda é esta?

- Nã sei. Vou procurar melhor!

- Procurar o quê? esta porra tá vazia. A não ser que existam portas secretas...

- Nã sei

- O quê, se há portas?

- Isse nã há...

- Foda-se!

Com o papel na mão, e já sem a "colega", voltei à GroundForce.

Reclamei que a encomenda não tinha chegado. Mas que já a tinha pago.

O tipo de bigode que estava atrás do balcão prometeu que "ia ver". Mas que tinha de fazer uma "coisa" primeiro. E então levantou-se e com olhos de diarreia correu para a casa de banho.

Apareceu cinco minutos depois.

- Então vamos ver o que podemos fazer...

- É isso, veja lá.

Telefonou para cinco números diferentes. Ninguém sabia de nada. Mandou dois faxes. Não teve resposta a nenhum. Encolheu os ombros.

- É esperar que respondam

disse, resignado. Passara quase hora e meia.

Recorri ao meu instinto de sobrevivência.

Peguei numa agenda telefónica que o tipo de estendeu. Comecei a marcar números.

- daqui é Lisboa

- e não me pode passar ao Porto?

- não. Desculpe. Tente o 22 qualquer merda!

- Se quiser alterar a sua reserva, marque 1. Se quiser informações sobre horários marque dois...

- Se quiser que a merda do mundo exploda marque 44...

- O Call Center da TAP...

- R'áis parta a TAP!

- Desculpe. Este é o serviço de informações. Marque o 22 a puta que o pariu...

Após ter marcado 22 vezes (aproximadamente) a combinação 22 (com o meu telefone, obviamente, já que o funcionário esgueirara-se, mais uma vez, por um atalho, para o caminho de paz interior que descobrira nos lavabos), consegui que alguém me atendesse.

- Vamos ver o que se passa..

- Veja lá...

- Humm,

- Sim?

- Não sei de nada!

- Desculpe?

- Não me chegaram reclamações daí "de" Porto Santo...

- Mas o seu colega enviou dois faxes...

- Para aqui não foi!

- Entendam-se!

Passei o telefone ao mais assíduo frequentador das retretes públicas da ilha.

Esperei mais 15 minutos.

- A gente liga-lhe assim que souber alguma coisa...

- Que remédio!

Pelo que soube depois, os meus caixotes ficaram esquecidos (literalmente) no Porto. E o Porto Santo reclamou. Para o faxe errado!

A encomenda chegou dois dias depois. E eu paguei a urgência que tinha em recebê-la. Ninguém me reembolsou ou pediu desculpa.

O baixote encolheu os ombros. Pareceu-me ouvi-lo dizer

- É a vida!

(Este ano, foram às dezenas os passageiros ou os receptores que sofreram com os atrasos - ou mesmo com o desaparecimento - de bagagens e de encomendas. Sei do caso de um casal jovem do continente que, após quatro ou cinco dias sem bagagem, regressou a casa. E não foi o único. Enquando vivia o meu filme privado, vi que alguns dos passageiros de um voo que acabara de chegar passavam pela mesma provação. O mau serviço da TAP - e dessa tal de GroundForce - poderá ser um óbice ao nascimento de um destino turístico. Ainda por cima, o parto, por si só, é difícil. Com a "ajuda" do enfermeiro TAP poderá tornar-se impossível).

Teatro de absurdos

Lech Walesa pensa renunciar à honraria de cidadão honorário de Gdansk para não a compartilhar com Gunther Grass. Razão tem o escritor alemão: o mundo é uma teatro de absurdos!