11.8.06

Mais um...

O Emanuel Bento fechou a caixa de comentários. Lamento, compreendo mas lamento! É uma pena quando a ofensa leva a melhor sobre o debate!

10.8.06

WTC


Estreou ontem nos EUA World Trade Center, de Oliver Stone. É a América que continua a reencontrar-se.

Paridade?

Discretamente, o Dr. Cavaco (um "perigosíssimo homem de direita", não me canso de repetir) mandou publicar a lei que nos diz, no essencial, que ter uma determinada percentagem de mulheres nas listas dos partidos políticos, rende dinheiro. A partir de agora quem conseguir cumprir com a quota recebe a subvenção total a que tem direito e quem não cumprir, não recebe. Tudo de uma clareza aterradora.
Há quem chame a isto paridade. Mas eu duvido do disfarce. E, claro, da intenção. Conheço alguns países onde ainda é (infelizmente) prática corrente trocar mulheres por gado, terrenos ou outro tipo de bens que valem como um dote. Mas isso, julgava eu, era lá longe, bem longe da civilização e dos princípios em que acreditamos. Em Portugal, bem mais perto, e no século XXI, troca-se as mulheres mesmo por dinheiro. Reconheça-se que é mais directo. Mas não lhe chamem paridade.

Co Adriaanse

O futebol português, como toda a gente sabe, detesta gente educada, aprumada e bem vestida. Daí que seja normal o afastamento (ou demissão) do treinador do Porto por motivos, julgo eu, relacionados com alguma questão de autoridade ou descontentamento com o plantel. Confesso que não era grande admirador do senhor nem do futebol enfadonho e repetitivo que o Porto praticou uma época inteira e que chegou a desesperar muita gente. Mas uma coisa reconheço: Adriaanse era um cavalheiro, um perfeito gentleman, que assumia totalmente as suas responsabilidades, mesmo quando isso nos dizia inapelavelmente que ele era totalmente deslocado da realidade imunda, prática e teórica, do futebol português. Por isso, é com alguma pena, mas também com alguma satisfação, que o vejo partir. É que o nosso futebol merece mesmo é os Pachecos, os Cajudas, os Necas, os Santos e os Bentos: tudo gente com muito mais nível, que enche estádios e que em muito contribui para a pacificação e clareza do futebol português, nomeadamente no sector da arbitragem.
Como em muita coisa na vida, a corda rebentou no lado mais fraco. Infelizmente, para o futebol português. Acho eu.

Primeiro como tragédia, depois como comédia

Na Irlanda um curioso anúncio desperta as atenções. Uma empresa pretende contratar para os seus quadros apenas não fumadores. Perante aquilo que muita gente considera um atentado impossível de concretizar, eis que na União Europeia algumas mentes iluminadas decidem aplaudir e “ratificar” o direito da empresa em questão. Eu não fumo e por isso, talvez não obviamente, discordo deste delírio. Esta coisa de ser comandado à distância começa a saturar e, desconfio, começa a arregimentar cada vez mais adeptos para a linha “inimiga”. Os eurocratas de Bruxelas, um bando de perfeitos inúteis, irritam pelo politicamente correcto e pelo inferno burocrático que querem construir a soldo da nossa liberdade. Daí até se meterem a regulamentar o tamanho dos amendoins, as embalagens do azeite, o aspecto das tascas e até o peso das laranjas e a respectiva cor da casca foi um passo. Mais um, rumo ao inferno portanto. Mas a coisa como se vê, promete não ficar por aqui porque no fundo, tenho a certeza, não há limite para a estupidez. Contudo, face a esta caminhada para a loucura (subitamente desdita), polvilhada de enorme irresponsabilidade, desfaçatez e, claro, falta de bom senso, eu gostaria de colocar três pequeníssimas e singelas questões: 1- Se fumar é assim tão mau por que razão ainda não proibiram o comércio do tabaco? 2- É possível colocar anúncios onde apenas se manifeste desejo de contratar gente loira de olhos azuis? 3- E se for apenas para gajas com sutiã 46, pode ser?
Um tipo que se suicidou num bunker em 1945 deve andar a rir-se. E à força toda, de certeza absoluta. E ainda dizem que a história não se repete?

O último gajo do União

9.8.06

Calças sem Co (u)

No Porto, foi o Co mas ficaram as calças!

Virtual

Sócrates, no Brasil, inaugurou mais uma "plataforma virtual". É, de facto, um verdadeiro Governo Virtual, este que temos!

7.8.06

São Pedro

Sempre achei piada ao restaurante São Pedro. Principalmente quando se mantinha aberto a noite toda, guardando um conjunto de estranhas personagens. Ontem, descobri que tinha sido totalmente remodelado. O espaço tá engraçado, decorado em tons negros e vermelhos, com mobiliário moderno e mais luz. E os empregados são os mesmos. E é caricato ver o senhor Júlio

(acho que o homem se chama assim!)

tentar servir imperiais com tremoços a meio de um balcão desenhado por um arquitecto, ou mover-se por entre mesas de design italiano,

(mas de fabrico nacional, com certeza!)

procurando sobretudo não causar danos de monta

(e na montra!).

Pena é que o São Pedro agora feche às 23:00. São os revezes da modernidade!

3.8.06

Israel e Portugal


Comentou-se, em relação a um texto meu, que Portugal era “melhor” país do que Israel. Ora, tendo em conta que o existe para medir as diferenças entre as nações é o Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano, Israel, lato senso, é “melhor” país do que Portugal, como empiricamente se previa.

Segundo este ranking anual (fiável e insuspeito), Israel em 2005 é o 23º país do mundo com maior Índice de Desenvolvimento Humano, enquanto Portugal é o 27º. A diferença não é substancial, mas tendo em conta que Israel canaliza há muitos anos grande parte do seu esforço económico para a indústria bélica, que vende mas que sobretudo gasta, o lugar é em si revelador da capacidade deste povo.

Para não ter que ouvir comentários tontos, adianto que o Índice de Desenvolvimento Humano é uma média comparativa que tem em conta a pobreza, a alfabetização, a educação, a esperança de vida, a natalidade e o PIB per capita, entre outros factores. E já agora, também ao contrário do que se afirmou, Israel tem um PIB per capita mais alto do que Portugal; 20,8 dólares de Israel para 17,9 de Portugal.

Claro que isto não me deixa feliz, mas factos são factos.

2.8.06

Quando o crime compensa

Um bando de criminosos agride até à morte um transexual no Porto. O juiz absolve praticamente os meninos porque eles não podem ser os únicos culpados, porque são produto das instituições que os acolhem e porque provêm de famílias desestruturadas. Claro que o Sr. Dr. Juiz, que deve gostar muito de Rousseau e de Confúncio, não parou para se perguntar três coisas muito simples: se isso só por si pode justificar o desporto que os meninos praticavam e que consistia, basicamente, em agredir repetidamente o transexual; se os meninos tinham, ou não, a noção plena de que aquilo que faziam não era correcto nem humanamente aceitável; e, por último, se esta sua decisão não acabou por legitimar toda e qualquer agressão oriunda de gente deste calibre (absolvidas à cabeça pela desestruturação familiar e pelo caos institucional).
Eu não digo que a nossa sociedade e as instituições do Estado sejam o melhor deste mundo. E não digo também que estas sejam um poço de virtudes. Mas daí até dizer que elas são tão ou mais responsáveis pelas agressões até à morte vai um passo muito grande. É que sendo assim, mais vale fechar a porta. E entregar a chaves. Na casa do Sr. Dr. Juiz, de preferência.

1.8.06

Axiomas

O futebol em Portugal é um feudo de Loureiros.

A lista

À procura da sociedade perfeita e perfeitamente transparente anda o governo nacional. Vai daí decidiu avançar com a publicação de uma lista na Internet (não sei se esta era uma das medidas do célebre plano tecnológico) de conceituados e milionários caloteiros. Conhece-se o método, fascista por sinal, para arranjar bodes expiatórios e demonstrar a plena incapacidade do Estado em exercer o poder que lhe delegamos. É a prova inequívoca de como o Estado, o nosso Estado, não cumpre com as suas funções e que tem de descer ao mais baixo e reles dos métodos para conseguir dividendos. Muitos puritanos irão dizer que quem não deve não teme. E que é justo que essa lista seja publicada para se saber quem deve e quem não deve ao Estado, nem que seja pela mais pública das vergonhas. Lamento discordar porque o problema de fundo é o princípio. E só depois o método. È este mesmo princípio que qualquer dia justificará a publicação de listas dos que têm multas por pagar, dos medicamentos que cada um compra, dos exames que cada cidadão faz, das doenças que foram diagnosticadas, do cadastro individual, das dívidas aos bancos e outras pérolas do género. Não haverá travão. Nem perdão. Tudo em nome da justiça e de um ideal de clareza e transparência onde o cidadão se sentirá plenamente esmagado. Porém tenho a certeza absoluta que tudo isto seria mais simples e perfeitamente evitável, se este mesmíssimo Estado fosse um Estado como deve ser e cumprisse com as suas obrigações. Como não é, os métodos já não espantam. Ou pelo menos não devem espantar.

A digressão

Numa pequena digressão pelo mundo, Chávez, um conhecido “democrata”, anda à procura de aliados para a sua infinita luta contra os americanos. Chávez, como todos sabem, julga-se importante. E julga-se com capacidade para incomodar os Estados Unidos e as suas políticas, como se eles não dormissem preocupados com tal criatura. Claro que Chávez tem tempo de antena devido ao discurso radical antiamericano e por ser, na sua generalidade, um perigoso, mas pelos vistos respeitado, populista que anda a criar exércitos de um milhão de homens em negociatas perigosas de armamento enquanto destrói os recursos de um país que vive da exportação do petróleo. Chávez vale o que vale. E perante uma comunicação social benévola e conivente nada como andar a fazer um périplo por aí passeando a sua retórica de bolso que se diz protectora dos fracos e oprimidos do capitalismo. Na sua cruzada recente, deu-se ao luxo de ser recebido, por exemplo, por gente ilustre como Zapatero e Sócrates, dois conhecidos homens de esquerda, mas cujo poder caiu no colo, como por certo se recordarão. E propôs-se continuar a senda na Bielorússia e, agora, mais recentemente, no Vietname onde voltou a apelar a uma frente mundial antiamericana. Não sei que tipo de gente admira este ser, mas pelas companhias percebe-se logo que a coisa não deve ser lá muito recomendável.

28.7.06

Só a televisão não chega

Ouve-se de tudo nesta guerra entre Israel, país próspero e invejado, e a fracassada civilização Árabe, medieval e tirânica. Coexistem, sobretudo na televisão, as opiniões mais superficiais com as ideias mais disparatadas. Mas há algumas coisas simples que convém recordar, as quais, claro está, não passam na televisão por parcialidade e por, acho eu, ignorância.

Se o espectador português, em particular, e o europeu, em geral, não fossem apenas informados pela “caixa”, ficariam a saber que as justificações dos judeus têm tantos e mais séculos de história do que as do lado árabe. Saberiam também que a primeira “afronta” veio do lado palestiniano com um atentado.

Saberiam ainda que, e embora Israel tenha ficado com pouco mais de metade do antigo território da então Palestina (54%), 60% dessas terras eram puro deserto. Parte desse deserto foi sendo convertido em terra fértil através do trabalho, da sabedoria e da ciência, coisa que nenhum estado árabe seria capaz de fazer, e pior, não quer fazer.

Claro que quem só vê um lado mais não conseguirá ver. Vai daí que ser informado pela RTP, SIC e TVI não chega manifestamente para entender o mundo, e muito menos este conflito.

E nisto, temos que levar com o “repórter de guerra” José Rodrigues dos Santos. Repórter que nunca se suja, transpira ou despenteia. Repórter que vê colunas de fumo de bombardeamentos a 100 metros dele, quando todos vêem que no mínimo estariam a um quilómetro. Também outro “repórter de guerra” português, mas da SIC, parece desconhecer por completo que o Hezbollah usa ambulâncias carregadas de dinamite e que as suas “trincheiras” são exclusivamente casas de civis. Ninguém explicou ainda a Paulo Camacho que, nesta guerra, o Pai Natal já não existe. Ninguém lhe explicou que na ânsia de enviar “filmes de acção” deturpados para Portugal, é provável que o seu regresso já não se faça pelo seu próprio pé. Foi em missão, foi pelo dever de informar. Está bem está.

Para não ter que ver e ouvir estas falácias todos os dias, e para não ter que corromper a simpatia que há muito tenho por Israel, desligo a televisão, pego num livrinho e vou para a praia.

O lugarzinho de cada um

Que somos insignificantes toda a gente já sabe. Porém, com medidas certas, tudo fica mais claro.

27.7.06

Gun


Foram poucos os fotógrafos que, como William Egglestone, captaram de forma tão nítida a America rural. O país das pequenas cidades e dos grandes espaços.


Gun, (Morton, Mississippi 1969-70).


Giacometti



Às vezes, parece-me que andamos todos às voltas na Caixa de Giacometti

Gostava de perceber

Gostava de perceber como foi possível o retrocesso civilizacional do Islão. Alguém ainda se recorda de que o Líbano, hoje refém de um bárbaro movimento terrorista como outrora o foi da Síria, foi um dos primeiros países modernos a abolir as Forças Armadas?

Esqueci-me

Esqueci-me da guerra no Líbano. Ah, mas isso é tão longe do Algarve do Porto Santo!

Rien

Nada de minimamente interessante se passa. O Verão instalou-se de forma cruel. Basta dar uma volta pelos jornais e pela blogosfera para ver isso mesmo.

Paris

Boas fotos de Paris aqui.

26.7.06

Hezbollah não é o quê?

Um qualquer anónimo perguntou na caixa de comentários pelo semita, com certeza referindo-se ao Carlos Rodrigues, pelo facto deste colega blogger defender o Estado de Israel e a sua legítima luta pela defesa da segurança do seu povo. Não quero aqui fazer a defesa do Carlos, que nem sequer conheço (nunca falámos), pois a tentativa de ofensa é tão idiota que nem vale a pena, por um lado e, por outro, ele não precisa.
Não vou também falar da nível cultural de alguns comentadores, que em vez de discutirem ideias (hello, é para isso que a caixa de comentários serve!), se prazenteiam com a ofensa fácil e gratuita.
O que me leva a escrever hoje foi a observação do Paulo Camacho, na SIC, em que este se questionava sobre veracidade da afirmação israelita, que nomeia o Hezbollah de grupo terrorista. Então, se não são terroristas são o quê? Porque o movimento pode ter nascido como uma força de resistência de ocupação, mas o Líbano já não está ocupado há alguns anos.
E irrita-me que algumas cabecinhas bem-pensantes portuguesas tentem branquear as actividades deste grupo terrorista, que provocou inúmeros atentados terroristas durante anos a fio, que patrocinou e formou outros tantos, que continua a insistir na destruição do Estado Israelita. Eu posso não gostar da forma como Israel foi criado, eu até posso discordar desta ofensiva israelita (que, de resto parece-me inútil, pois apenas vai servir para reforçar o extremismo islâmico), eu posso até achar que Israel está a proceder como os seus inimigos, quando destrói habitações, instalações da ONU ou estradas, sem ligar às baixas civis, mas jamais poderei duvidar que o Hezbollah é um grupo terrorista que precisa de ser destruído, a bem da segurança do povo israelita e da paz no Médio Oriente.

PS - Não me admirava nada que qualquer dia Nasrallah seja proposto para Nobel, como um dia o foi aquele outro terrorista, entretanto re-baptizado de resistente, que deu pelo nome de Arafat.

25.7.06

Ana&Jorge


Um dos bons discos que comprei nos últimos tempos. Celebrando os sucessos de Estampado (2003) e de Cru (2004), Ana Carolina e Seu Jorge juntaram-se em São Paulo, no Tom Brasil, para um concerto ao vivo, agora editado em CD e DVD sob o nome simples de Ana&Jorge.

Carolina e Seu Jorge são, se calhar, dois dos melhores produtos musicais que o Brasil exporta actualmente. Boas composições e letras que denotam forte preocupação social são comuns a ambos.

Há, no entanto, diferenças óbvias entre eles. Seu Jorge, um "carioca" que vive entre São Paulo e Paris, defende seu futebol em territórios como o samba - começa o concerto interpretando a solo São Gonça, que já vem do tempo de Farofa Carioca - mesmo que travestido de "samba urbano" (exemplos mais claros são o já referido São Gonça, Mania de Peitão, Tive Razão ou Chatterton, todos de Cru), misturando-o com outros géneros populares. É o mais digno representante de um certo "Brasil cool".

Ana Carolina, bela mineira de Juiz de Fora, cantora de timbre grave, embora também "toque" no samba e na bossa nova, bebe mais influências do rock e no pop (incluindo em gente como Cazuza), sendo muitas das suas canções uma estranha (e apetecível) mistura de rock progressivo e lirismo, de potência sonora e de calma transmitida pelo som acústico de violoncelos ou violinos.

Apesar das diferenças, os dois músicos revelaram uma sintonia impressionante, particularmente em temas como Tanta Saudade (Djavan e Chico Buarque), É Isso Aí (Carolina), Chatterton (Seu Jorge), Beatriz (canção belíssima resultante da parceria de Edu Lobo e Chico Buarque) ou Beat da Beata (Carolina).

Destaque também para a interpretação que Seu Jorge faz de Zé do Caroço, de Leci Brandão, ou para Ana Carolina em Brasil Corrupção, (Tom Zé e Ana Carolina).

Enfim, um dos (poucos) bons produtos da MPB nos últimos tempos.

Um Dia Frio

Um Dia Frio

Um dia frio
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você,
E tudo me divide
Longe da felicidade
E todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo,
És manhã na natureza das flores
Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia,
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você.
E tudo nascerá mais belo,
O verde faz do azul com amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris

Djavan

Um Dia Frio

Na caixa de música deste blog está a tocar uma das minhas canções favoritas, de um dos bons músicos contemporâneos.

Um Dia Frio, de Djavan.

E então, pá?

Já sinto a falta das opiniões do Carlos sobre Israel e a Palestina... Agora que era bom que alguém explicasse aquela merda toda, o homem desapareceu. Ter-se-á voluntariado para as Forças Armadas Israelitas?

só ontem!

Só o descobri ontem, vejam lá...

Um Guronsan para a JS


A semana passada a Juventude Socialista organizou o seu ajuntamento nacional na Guarda (a que chamaram congresso). Como se esperava, daquele ermo, e daquelas cabecinhas, não saiu nada. Consta que foi tão mau, tão mau, que não houve um só tema inteligível.

Além das habituais frases inócuas como “acreditar no futuro”, ou “preparar Portugal”, o que mais houve foram bebedeiras e jovens ensonados sobre as mesas trajados como se estivessem num festival de rock. Como há muito não alimento esperanças com ideias saídas de encontros de juventudes partidárias, sobretudo dos da esquerda lunática, o que posso sugerir é que em próximos ajuntamentos a organização inclua no dossier de “trabalho” um Guronsan.

Jornais e revistas? No Verão não


Há vários Verões que já tinha chegado à conclusão de que não vale a pena gastar um cêntimo em jornais e revistas portuguesas. Mesmo com esforço, pois quando se gastam uns trocos vem essa estúpida “obrigação” de ter que ler, não se encontra rigorosamente nada de interessante. Tirando, claro está, o país a arder, a maluqueira dos raios ultra-violeta e, por acaso conjuntural, a guerra de Israel contra o medieval mundo árabe.

Não havendo assunto, vêm, pois, as coisas óbvias. E então são capas e capas de publicações supostamente idóneas com manchetes absurdas. São “os novos destinos de férias dos portugueses”, a maioria de praias e rochedos perdidos, “os dez melhores restaurantes do país”, quase todos presunçosos e inexplicavelmente caríssimos, “férias com crianças”, que explicam como não as deixar berrar em todos os sítios, ou ainda, para cúmulo, “como fazer férias sem gastar um tostão”.

Seguem-se os bons conselhos que até devem ofender quem os lê. “No Verão coma melão” ou “na praia, não se esqueça, beba muitos líquidos”. Para condimentar tudo isto há sempre a biografia das extravagâncias de meia dúzia de nobres que nunca trabalharam e que, até afirmam com altivez, nunca usaram ténis.

Ao menos as revistas “cor-de-rosa”, não que sirva de consolo, mantêm o seu habitual “nível” editorial, e por vezes até o elevam, mostrando fotos raras de mulheres interessantes por fora.

É por isto que, vão por mim, jornais e revistas no Verão não.

21.7.06

Perderá a Educação

Confesso que tenho alguma simpatia pela ministra da Educação. É uma mulher determinada, corajosa e que, pelo menos aparentemente, sabe o que faz e onde quer chegar. Dramaticamente, parece ter caído numa armadilha na questão dos Exames nacionais. Há quem defenda que foram sectores do ministério mais avessos à mudança que, propositadamente, criaram o cenário que levou à inevitável fragilização de Maria de Lurdes Rodrigues. É pena.

Tive o prazer de tê-la como professora no ISCTE. E, garanto-vos, era das melhores docentes daquela escola. Até porque Maria de Lurdes Rodrigues é essêncialmente uma professora e investigadora. Não tem "escola" política. E tem um trajecto partidário limitado. Dois "handicaps" que "algum" PS não perdoa. Porque, não se duvide, mais do que da oposição a Ministra da Educação está a ser vítima dos lóbis internos do Partido Socialista. Tal como aconteceu com Freitas do Amaral, de resto.

Ontem, Maria de Lurdes Rodrigues saiu-se péssimamente no Parlamento. Estou em crer sairá do Governo na próxima oportunidade que José Sócrates tiver para remodelar. Eventualmente, será substituída por um "cão de fila" - como é tradicional. mais uma vez, a Educação ficará a perder. Para gáudio dos incompetentes que vivem à sombra do sistema (sindicatos e sindicalistas incluídos).

Tá giro

Tá giro o post sobre a colecção Outono Inverno da ARM. A ler aqui.

(Já agora, experimentem a versão traduzida. É hilariante. Não por culpa do autor dos posts, como é óbvio, mas sim do célebre tradutor automático do google).

20.7.06

Notícias on-line

O Notícias já está on-line.

É uma boa... notícia

www.noticiasdamadeira.pt

Espectáculo

Porque a prova será, estou em crer, um espectáculo....

Parlamentarices

São duas estórias deliciosas. Uma é boa, a outra é menos boa.

Dizem as más-línguas, que um destes dias, o Presidente da Assembleia ficou furioso.

Então, não é que um agente da PSP (que costuma estar à porta do Parlamento) não cumprimentou o homem.

Consta que Miguel Mendonça ficou indignado. Mandou um funcionário da Assembleia perguntar ao polícia se ele não conhecia quem tinha entrado?

Para testar o lapso do agente engendrou um plano maquiavélico Saiu por uma outra porta, deu a volta ao edifício, e entrou a falar ao telemóvel. Quando chegou a dentro comentou para o funcionário. Ele já aprendeu a lição.

A coisa boa é que foi este presidente que arranjou uma sala para os jornalistas fazerem o respectivo trabalho. Nisso esteve bem. No resto, tem estado mal.

19.7.06

Gostava de escrever qualquer coisa, mas hoje prometi a mim mesmo, que não vou dizer mal de ninguém.

É como se fosse um dia santo.
“Eu, respeitador das regras sociais da religião, não vou pecar.”

Dizem que o Guilherme Teixeira, vereador das obras da Câmara de Santa Cruz, é um rapaz empenhado. Às vezes fica na Câmara a atender munícipes até às tantas (23 horas). E ninguém lhe dá o valor. Também dizem, mas eu não acredito, que existem empresários com os cabelos em pé no concelho. Já mandaram, inclusive, trabalhadores para casa porque a câmara não despacha os processos.

Outro cavalheiro é o presidente da Câmara do Funchal. Mais conhecido pelo “Cristo na Terra”. É uma jóia de homem. Cuida do roseiral, toca piano para as crianças e dizem que é monárquico. Vejam só! Monárquico! Deve ser coisa fina… O povo não sabe o que isso é, mas também não interessa. O importante é que cumprimenta as pessoas (ao contrário de outros delfins) e gosta de estar no meio da população. Nisso é um verdadeiro conquistador. Ou acham que dois mandatos não são obra? A última versão que ouvi é a que gosto mais. Não sei porquê. Há quem lhe chame o anti-Ornelas. Até pensei que era o tio Ornelas. Porreiro. Fica-lhe bem. Tem ar disso mesmo. De um tio bacano. Mas não!
ANTI-FERNÃO DE ORNELAS!!! …….

O nome não é estranho. Dei umas voltas pelas ruas do Funchal e lá encontrei. Umas voltas fictícias. É óbvio. Sair de casa a esta hora, nem pensar!

Depois é que me explicaram. O outro, o verdadeiro Fernão de Ornelas, abria ruas, este fecha-as.

Esta é boa. Mas qual é o problema….?
O trânsito! Porra!!.
Já podias ter dito antes. É que ando a pé e não tinha reparado no pormenor.
Está um caos!
Quem anda a pé não nota nada.

Assim cumpro a minha promessa. Não disse mal de ninguém.
Graças a Deus.

Confundir o cú com as calças

O Sr. presidente da Assembleia quer dignificar, diz ele, o parlamento. Como tal, começou pelo calçado e pela indumentária dos jornalistas. É uma questão de prioridades. Eu, porém, acho que deveria ter começado pelo funcionamento da casa e, porque não, pelos senhores deputados.

Em primeiro lugar, deveria começar a aplicar o regimento. Impor a lei é um bom começo para qualquer coisa.

Depois, poderia preocupar-se em manter a ordem na casa, evitando, tentando evitar ou penalizando os senhores parlamentares que tivessem comportamentos grosseiros. Meter a cabeça na terra como avestruz quando o "caldo entorna" não dignifica ninguém!

Poderia, em terceiro lugar, preocupar-se criar condições para elevar o nível do debate, que nestes tempos, tem andado na mó de baixo, ou não fosse o "Campanário um sítio onde toda a gente vive feliz e contente".

Se ainda houvesse tempo, procuraria assegurar uma boa cobertura informativa da vida parlamentar. E como? Criando, por exemplo, o tão falado "canal Parlamento", promovendo ou colaborando na idealização e realização de pequenas acções de formação sobre jornalismo parlamentar destinadas aos profissionais da informação e aos senhores deputados, alargando o âmbito do sítio da ARM na Net entre muitas outras coisas que não digo, porque a assessoria de comunicação paga-se, como é óbvio!

Mas o senhor presidente da ARM parece ter outras prioridades. E vai daí, acha que o calçado e as calças de ganga dos jornalistas é que não dignificam a Assembleia. Parece-me, no entanto, que está a confundir o "cú com as calças" - falamos de roupa, como é óbvio!

Não o acordem

Os senhores Serrão e Freitas andam particularmente atentos. E, na companhia do Sr. Martins, participam numa conferência de imprensa por dia. Tudo serve para carregarem os gravadores que lhes são estendidos. O assunto pode ter importância e pode não ter importância nenhuma, pode ser relevante ou não interessar ao "menino Jesus" que os tais dirigentes não se escusam de dar umas palavritas à imprensa. Surgem sempre dramaticamente carrancudos, como se a vida fosse um fardo que arduamente têm de suportar. E pior, levam-se a sério, o que revela uma notória falha na percepção do real!

Alguém disse ao Dr. Serrão que um dia haveria de ser presidente do Governo. E o homem, desafortunadamente, acreditou. Vestiu o melhor fatinho que pôde, ajeitou uma gravatita com o nó da moda, pôs uns óculos e desceu até à cidade, disposto a ser importante. E ei-lo, a viver o seu sonho côr de rosa! Por favor, não o acordem até 2008 (esta foi para ti, Vítor!).

Comentário

Eis o comentário "crítico" de um anónimo. O domínio do português diz bem da inteligência da criatura:

"Correcção: "se calhar por isso abandonáste o jornalismo. Não estavas à altura".

17.7.06

Coisas boas


Uma sugestão de Verão: Djavan ao Vivo. Neste duplo cd há a vida toda. Cantada e contada de tal forma que, aposto, juntando todos os músicos e músicas portuguesas feitas até hoje não sei se estas dirão tanto e tão bem. Ainda assim, convém ter presente, aquilo que se ouve jamais reside naquilo que se diz.

Explicações de Português (II)

Porque não há verdadeiramente assuntos políticos de interesse, e porque ninguém consegue verdadeiramente dar luta a José Sócrates, que se passeia aonde quer que vá, aqui vão mais alguns “pecados” linguísticos escutados e lidos frequentemente.

Ouvi numa rádio regional que a ExpoMadeira 2006 registou uma boa "aderência” de pessoas. Se foram todas de ténis para a mostra até acredito que a "aderência" ao solo tenha sido boa. Mas se não foram todas assim calçadas, como se presume, então o que houve foi uma boa "adesão". Que coisa difícil!

Depois, igualmente via rádio, ouvi que se iria proceder à "restauração" de uma chaminé de uma antiga fábrica de conservas. Se bem entendi, e se bem os ouvintes entenderam, o que se irá fazer ali é um restaurante, ou estabelecimento similar. A verdade é que não é nada disto que se vai fazer. O que o ignorante locutor queria dizer era que se irá proceder ao "restauro" da chaminé, isto é, à sua conservação.

Outro caso mais que até já dói nos ouvidos, nos meus pelo menos. "Ir ao encontro de" é o oposto, mesmo o oposto, de "ir de encontro a". Quem vai ao encontro da opinião de outro, está, no plano das ideias, de comum acordo, isto é, partilha da mesma opinião. Agora, quem vai de encontro à opinião de outro está, claramente, em desacordo, em oposição. O mesmo se passa no plano físico. Ir ao encontro de uma pessoa é, de facto, acompanhá-la, ir para perto dela. Ir de encontro a uma pessoa será, de facto, chocar com ela, como com frequência acontece nas ruas.

Isto são subtilezas e preciosismos, são sim senhor. Contudo, espanto-me em verificar que tantos "sábios", que dominam este universo e o outro e que ainda por cima os temos que ouvir e ler todos os dias, não sejam capazes de dominar as simples regras da sintaxe e da semântica na língua em que falam e escrevem.

PS: O próximo exercício, fica prometido, será “pegar” nos jornais regionais e mostrar, com evidências, que alguns jornalistas (não espero poucos!) terão que voltar à escola.

Discutir com fanáticos

Num jantar recente, uma discussão calorosa toma lugar. De um lado, um bando de fanáticos que acha que as pessoas são totalmente incapazes de discernir o certo do errado e do outro lado, eu, um modesto rapaz que se preocupa excessivamente com a liberdade. Pelo menos com a minha. A coisa descamba porque defendo que o Estado não deve impor o uso do capacete aos motociclistas ou do cinto de segurança aos condutores de automóvel (não aos seus passageiros, o que é diferente) e que isso é meio caminho andado para a imposição descabida de mil e uma outras coisas, disfarçadas de necessidade absoluta como a extraordinária multa que se quer passar a quem desrespeite uma bandeira vermelha na praia. Toda a gente me salta em cima: como é possível que alguém diga semelhante barbaridade? Cruzes credo, sou um bárbaro e desconhecia. De facto, vivemos num mundo povoado de insensatos, desde que a ciência nos prometeu que a imortalidade pode ser terrena em vez de espiritual. Basta ver os cuidados com a alimentação, o desporto desenfreado e a paranóia pelos ambientes saudáveis. Toda a gente quer viver até aos 150 anos. No mínimo. Tento me defender assim, como é óbvio, contra-atacando. Não alinho nisso. Nem em nada do género. O Estado não é omnipotente e não me deve dizer como devo ou não devo viver. Uma coisa é uma regra de trânsito que visa estabelecer as condições para circular nas estradas e outra bem diferente, são os adereços que devo ou não devo usar, supostamente para minha segurança. Um trovão quase me cai em cima da pinha. Os meus adversários ficam fulos, furiosos e furibundos (outro conjunto de três éfes famoso). Que se quisesse isso que assinasse uma declaração em como recusava a assistência do Estado no caso limite de me acontecer alguma coisa porque os contribuintes não têm que sustentar irresponsáveis e coisas do género. Perante este género de argumento pré-histórico decidi calar-me. Afinal, já ouvi dizer que não é saudável para o coração discutir com fanáticos.

Não lhe passam a bola

O Dr. Borges, uma curiosa personagem do mundo da alta finança, anda ligeiramente irritado com o Dr. Mendes, líder do PSD. Diz o Dr. Borges no Expresso desta semana que se ofereceu (não solitariamente) para ajudar o PSD a reformar o seu programa, mas que o Dr. Mendes nunca o chamou, colocando o mesmo nas mãos de gente pouco credível, (com a honrosa excepção do Dr. Balsemão, ressalvou ele). O Dr. Borges é algo caricato e um caso evidente de fabrico mediático: não se lhe conhece nenhum percurso político de relevo, mas arroga-se profundo conhecedor de tudo e mais alguma coisa, nomeadamente do Estado português o que lhe parece prometer, julga ele, um futuro algures como primeiro-ministro.
Reconheço que jamais votaria no Dr. Borges. E por duas razões muito simples: o Dr. Borges não é um político, é um mero técnico que alegadamente percebe de finanças e seus derivados (primeira razão) e porque o Dr. Borges representa (ou é o testa de ferro) um grupo de gente que não se quer reformar da política e que passa a vida a emperrar e a prejudicar as lideranças do PSD (segunda razão). Não sei porque se perde tempo a dar espaço a gente com pouca importância. Julgo que o Verão propicia este tipo de comportamento e dá azo a estas notícias. Mas é chegada a altura de colocar travão neste senhor: se quer assim tanto mandar, que se candidate. Não se refugie atrás de uma moção. Dê a cara. Apresente uma equipa. Vá a votos. É o mínimo que se pode exigir. Se quer legitmidade, conquiste-a.

Um paradoxo

De acordo com notícias recentemente vindas a público e que alguns blogues também fizeram questão de mencionar, a Dra. Ana Gomes e o Dr. Carlos Coelho, ambos eurodeputados portugueses (a primeira pelo PS e o segundo pelo PSD), andam preocupados com os famigerados voos secretos da CIA em território europeu, razão que os fez pedir esclarecimentos ao governo português sobre tão traumatizante assunto. Desconheço se o Eng. Sócrates já os mandou dar uma volta ao bilhar grande ou a qualquer outro lugar menos convidativo, mas o empreendimento da dupla revela bem o absurdo em que se transformou o Parlamento Europeu, determinado em espezinhar o que resta da soberania dos Estados. Claro que vindo de quem vem a coisa não espanta: a Dra. Gomes não é propriamente conhecida pelo bom senso e o Dr. Coelho não passa de um burocrata que acha que a Europa onde ele vive é o melhor dos mundos. Face ao exposto, estamos perante sinais inequívocos de que esta dupla vive perfeitamente alienada da realidade que nos envolve. Einstein dizia que apenas duas coisas eram infinitas. A estupidez humana, como se recordam, era uma delas, como aqui, amável e cordialmente, a Dra. Gomes e o Dr. Coelho, fizeram questão de comprovar.
No meio disto tudo há algo que verdadeiramente me dilacera: a obstinação desta gente centra-se na CIA e não nos terroristas que ela combate. É que eu pensava que quem verdadeiramente nos ameaçava eram os terroristas. E não a CIA. Mas que curioso paradoxo.

Burocráticos


Gosto muito deste meu país.

Um gajo tenta resolver um assunto através dos canais formais mas dificilmente consegue falar com o respectivo caramelo.

A resposta mais comum e idiota é que está numa reunião. (Muitas reuniões se fazem. Os resultados desses encontros de trabalho, inadiáveis e ininterruptos é que são nulos). Reúne-se por tudo e por nada. Ou melhor, inventam-se reuniões para não decidir, para não responder às legítimas questões colocadas pelos cidadãos.

Não vou revelar o departamento do Governo, que há semanas, tento contactar via telefone um macaco.

A outra desculpa esfarrapada das secretárias (coitadas, são pagas para mentir, mas nem isso sabem fazer) é que não está.

No entanto, quero desfazer o mito. Encontrei uma secretária sincera. Disse que o fulano que procuro tinha ido tomar café. Pediu-me para ligar dentro de 20 minutos. Passado o respectivo tempo Liguei. O homem ainda não tinha chegado do café. Dez minutos depois voltei a ligar, mas ainda continuava algures.

É uma autêntica festa a administração pública. Para chegar à fala com alguém é um autêntico purgatório. Muitas vezes para nos dizerem que o assunto é da responsabilidade de outro colega.

Voltam os telefonemas, os pedidos humildes e quase rastejantes para falar com o Drº, com a Drª, ou o Senhor Engenheiro.

Entretanto, o tempo avança e a questão continua por resolver.
É assim no meu país, é assim na minha terra.