14.9.06

Voltei

Depois de uma pausa de um mês, aqui estou fresquinho e de faca afiada. Como sempre o objectivo é irritar e instruir.

Mário Soares, um economista de pacotilha

Não sei porque ainda se perde tempo com Mário Soares. Até da Lua se vê que o provecto político português sofre de morte cerebral há décadas. Ora vejamos o que disse ele desta vez.

Na sua insondável sabedoria (medida pelo número de livros que possui), Mário Soares afirmou numa recente entrevista, a qual nunca deveria ter dado nem nunca lha deveriam ter feito, que o país está a recuperar economicamente. Soares chegou a esta conclusão porque tem visto (presumo que da janela da sua casa) muitos carros de alta cilindrada a passar nas estradas. E vai daí um exercício de sociologia de bolso: os portugueses estão mais ricos.

Olhem, eu cá nunca votei neste homem. Nem quando ele era são, nem quando ele era senil, como já dava para intuir nas últimas eleições presidenciais. Por isso não lamento nada. Aturem-no.

Como nos vê a CIA

No Factbook da CIA, onde consta um breve resumo actualizadíssimo de todos os países do mundo, a economia portuguesa aparece descrita do seguinte modo. Evidentemente, justo e verdadeiro.

«A poor educational system, in particular, has been an obstacle to greater productivity and growth.»
(Um sistema educacional pobre, em particular, foi um obstáculo a uma maior produtividade e a um maior crescimento). https://www.cia.gov/cia/publications/factbook/index.html



Cats


Por impedimentos vários em 2004 não pude ver o musical Cats. Mas como o espectáculo voltou não o perderei desta vez. Baseado na obra de TS Eliot “Old Possum’s Book of Practical Cats”, este musical tem a assinatura de Andrew Lloyd Webber. De 5 a 15 de Outubro no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Siga.

13.9.06

Só querem uma bola

Os miúdos que jogam nas camadas jovens do Gil Vicente acamparam à porta do seu estádio como forma de protesto pela sua suspensão das competições nacionais de futebol. Acho bem e acho legítimo. Entendo que nestas coisas, os miúdos não devem servir de retaliação pelos pecados dos adultos e que uma medida de liminar bom senso da FPF e do seu inenarrável presidente Madaíl, seria a reintegração imediata destes jovens desportistas nas suas respectivas competições. Eu sei que o método para chamar a atenção não é, porventura, o mais correcto. Acampar à porta da casa do Dr. Madaíl ou da sua Federação seria muito mais divertido, por exemplo. Ou mesmo acampar à porta do Dr. Laurentino Dias que confortavelmente anda a assobiar para o lado. Mas, caramba, falamos de miúdos. E falamos de miúdos que não se chamam Mateus, não se chamam Fiúza ou Loureiro, não são profissionais, nem têm nada a ver com as merdas dos adultos. Só querem uma bola e um campo com balizas. Não acho que seja pedir muito.

Lost in Translation

A nova diva do cinema e actriz principal do filme (Scarlett Johansson)*

A realizadora (Sophia Coppola) e o actor principal (Bill Murray)

O Expresso, garante uma publicidade paga no Público de hoje, esgotou os 160 mil exemplares da sua última edição (a primeira em novo formato) em cinco horas. Não foi pela prosa com certeza. Foi por causa destas duas moças, deste moço e por causa de um filme magnífico já por aqui referenciado. Para este sábado, a mesma publicidade promete 200 mil exemplares.

* Foto roubada daqui

O autor

Se dúvidas houvesse relativamente a este post de ontem, o Dr. Alberto Costa, um péssimo ministro, eliminou-as hoje em sugestiva entrevista ao Público. Diz ele e com todas as letras para não haver qualquer mal-entendido: “Este foi o acordo que eu quis”. Estamos conversados.

Without You

Liguei o autorádio. Antena 1. Without You na versão original dos BadFinger. Uma canção de merda. Escrita por Peter Ham e Tom Evans em 1970. Flower Pop incluída depois nos repretórios de Harry Nilsson (que jura tê-la escrito), Neil Young, Shirley Bassey, Heart, Air Supply, Mariah Carey, entre outros. E que este ano voltou a ser gravada por um rapaz de nome Clay Aiken, do qual poucos, estou certo, ouviram falar.

Without You ajudou a fazer carreiras. E contribuíu para que Peter Ham se tivesse enforcado no quintal da sua casa, em 1975. O manager e a editora não lhe pagavam os direitos de autor e os royalties a que tinha direito, reclamou na nota de suicídio. E contribuíu para que Tom Evans se tivesse enforcado, na garagem de sua casa, corria o ano de 1983. Ninguém lhe pagou aquilo a que tinha direito, clamou Evans.

A canção, que como todas as outras é um organismo vivo e dotado de extraordinária inteligência, sendo senhora de sua vontade, continuou o caminho que para ela traçou. Vive bem e será, com certeza, gravada brevemente por outra candidata a estrela. E voltará a subir aos tops, estou em crer. E hoje, apareceu no rádio do meu carro. Pela voz do fantasma de Ham. Pela mão do fantasma de Evans.

Deixo-vos com ela. Divirtam-se.

Without You

No I can't forget this evening
Or your face as your were leaving
But I guess that's just the way the story goes
You always smile but in your eyes your sorrow shows
Yes it shows

No I can't forget tomorrow
When I think of all my sorrows
When I had you there but then I let you go
And now it's only fair that I should let you know
What you should know

I can't live
If living is without you
I can't live
I can't give anymore
I can't live
If living is without you
I can't give
I can't give anymore

No I can't forget this evening
Or you face as you were leaving
But I guess that's just the way the story goes
You always smile but in your eyes your sorrow shows
Yes it shows

I can't live
If living is without you
I can't live
I can't give anymore
I can't live
If living is without you
Can't live
I can't give anymore

Foi bonito


Foi bonito, pá!

Um pacto

O Dr. Mendes, por certo ofuscado com a possibilidade das luzes da ribalta, entendeu fazer um acordo com o Eng. Sócrates para colocar a Justiça na ordem. Ou, pelo menos, para pô-la a funcionar o que, diga-se em abono da verdade, já não seria nada mau uma vez que esta tarefa se afigura como uma verdadeira tarefa de Sísifo. Muita gente aplaudiu a iniciativa. E aplaudiu o sentido de Estado do PSD que se mostrou um partido da oposição obediente e, acima de tudo, responsável. Claro que o Eng. Sócrates agradeceu a benesse e aproveitou a deixa. Do PSD não rezará a história durante os oito anos em que o Eng. Sócrates liderará um país sem adversário, interno ou externo, à altura. Com a casa em ordem (ou o PS se preferirem), restava ao primeiro-ministro mandar dizer quem manda e quem de facto decide no país. Com o Dr. Cavaco em Belém, o pacto era garantido e o Dr. Mendes, que deu o ar de um aluno muito sério que ouve com atenção os conselhos do mestre, lançou-se às migalhas. Obviamente ninguém avisou o Dr. Mendes que o presente vem envenenado e que as suas modéstias opiniões de pouco valerão. A Justiça não se vai reformar, porque pura e simplesmente é irreformável. Bastava ver as corporações que aplaudiram a iniciativa. No fim, tudo ficará na mesma porque a máxima se mantém inalterável: é preciso mudar alguma coisa para deixar tudo exactamente na mesma. O Dr. Mendes já cá não estará politicamente para ver o resultado da obra para a qual contribuiu. E o Eng. Sócrates sempre pode dizer que tentou.

Gente perigosa ou senil (risquem o que não interessa)

O Dr. Soares no Prós e Contras da última segunda-feira voltou a afirmar que é preciso negociar com a Al-Qaeda. Portanto, o Dr. Soares acha que devemos negociar com terroristas. Quem te viu e quem te vê.

8.9.06

Pacto de Regime

Fomos ontem informados que o PS e o PSD cozinharam um pacto de regime para reformar a Justiça. Eu proponho que os portugueses façam um pacto de regime para reformar os políticos e a política nacional.

PCP apadrinha terroristas

Ontem, ouvi um senhor que parecer ter alguma coisa a ver com a organização da Festa do Avante, afirmar que o PCP não comunga das classificações sobre organizações terroristas da União Europeia (referindo diversos exemplos, como as relações que, a despeito das instituições nacionais e internacionais, mantinham com a OLP), ainda sobre a presença das FARC-EP na Festa. Eu gostava mesmo era de ver o rapaz dissertar sobre a morte de Deus no meio dos líderes radicais muçulmanos.
Mas, agora a sério, este é mesmo um belíssimo exemplo da esquerda progressista portuguesa e europeia que não tem qualquer pudor em afirmar-se simpatizante do Hezbollah, desde que os homens do Partido de Deus (estão a ver a hipocrisia?) se oponham ao Império-Capitalista-feito-bicho-papão-dos-Estados-Unidos. É como dizia alguém no outro dia (perdoem-me, mas não me lembro nem da pessoa, nem do órgão onde li): gostava de ouvir um debate de ideias entre esta Esquerda e radicais muçulmanos, como Ahmadinejad, ou al-Zarqawi, sobre os direitos das mulheres ou dos homessexuais, ou então sobre o aborto (havia de ser gira a argumentação das 12 semanas!), ou sobre um outro qualquer tema da agenda da Esquerda (exceptuando, naturalmente, os Estados Unidos).
Por razões pessoais, sou relativamente próximo a pessoas que partilham do ideal comunista. Mas é quando vejo declarações deste tipo, que mais estranho quem me rodeia.

Eduardo Prado Coelho, ou o Escriba do Regime Socialista

Digo-o desde já: abomino o cronista Eduardo Prado Coelho. Leio, sempre que posso, a sua coluna no Público porque gosto de saber o que dizem os outros. Mas de cada vez que leio, mais me convenço que tenho deixar de ler. E não sei o que mais detesto: se as suas dissertações abstrusas sobre Arte ou Filosofia (então não é que este senhor rotula Engels de nulidade?!), ou as suas incursões na Política. E irrita-me, não porque a sua opinião seja divergente da minha, mas porque o homem reclama para si a honestidade e isenção e sem qualquer pejo assume-se como um escriba súcia do mais básico quem me tem sido dado a conhecer.
Vem isto a propósito do seu escritinho, na passada quarta-feira. Quem o ler e não viver em Portugal pensará, com certeza, que estamos a ser governados pela elite política mundial, havendo apenas a lamentar a péssima qualidade da oposição. Aliás, se eu não vivesse no nosso país, acreditaria que era necessário acabar com o raio da oposição inútil e incompetente, e entregar o poder absoluto ao nobre líder político que dá pelo nome de José Sócrates.
Mas a culpa é minha: já devia ter deixado, há muito, de ler o que EPC escreve. Porque depois daqueles textos sobre o Carrilho, a defender o indefensável, ficaram bem explícitos os motivos que o levam dissertar sobre política portuguesa.

Mas que lindo país, o nosso!

Portugal é, definitivamente, um país maravilhoso. Tem um clima fabuloso (o excesso atípico de calor pode indiciar que alguma coisa vai mal, mas por enquanto...), tem uma óptima costa marítima, tem reservas florestais de inigualável beleza (mesmo que já meio queimadas), tem um povo trabalhador, que raras vezes se importa de ser explorado e disposto a sustentar toda a vadiagem que dá pelo nome de classe dirigente, enfim, um óptimo lugar para todos os mafiosos que por cá se queiram instalar. E temos já alguns belíssimos exemplos de que Portugal deve ser o local de eleição para todos os que querem roubar à grande, ou praticar ilícitos graves: por cá, se o senhor suspeito pertence à classe dirigente, o Ministério Público, diligentemente, arquiva processos por alegadas faltas de provas processuais (ainda que os indícios sejam sugestivos – já agora, alguém importa-se de me explicar o que são indícios sugestivos???), ou por considerar que as declarações de um ex-ministro são mais válidas do que as de uns pobres coitados vítimas de abusos sexuais. Ou então, se por acaso, formalizar a acusação, o Tribunal absolve estes senhores, por entender que as acusações não são o reflexo das provas. Mas há mais, mesmo que a Justiça Portuguesa emita mandatos de captura, o alegado criminoso pode sempre voltar, na paz do Senhor, desde que seja candidato a um qualquer lugar público – correndo mesmo o risco de ser eleito e aclamado, qual D. Sebastião -, ou se for condenado, vê a sua pena reduzir-se quase à inexistência, num qualquer recurso ao Supremo Tribunal.
Não há, como se vê, melhor país do que Portugal. Estou mesmo convencido que apesar dos italianos reclamarem como sua, a Cosa é mesmo Nostra.

7.9.06

Uma vergonha

A questão dos voos supostamente secretos da CIA tem levantado alguma celeuma política. A investigação por parte da União Europeia (numa manifesta ingerência na nossa soberania) tem sido conduzida por dois portugueses que andam bem mais preocupados com o politicamente correcto do que em combater o terrorismo que nos ameaça a todos. Por cá, os principais irresponsáveis da contestação são os partidos radicais de esquerda que não perdem uma oportunidade para aparecer na televisão e atacar esse “demónio imperialista americano” causador, imagine-se e claro está, de todos os males que grassam no mundo. Este tipo de gente merece, obviamente, pouco crédito. E um profundo desprezo pátrio. Mas a demagogia, infelizmente, é um mal das nossas democracias que é devidamente empolada pelo aspecto comunicacional do discurso político. Quanto mais show off mediático mais a comunicação social se entusiasma pelos alarves especializados em circo de rua sempre empenhados em ser mais ridículos do que os seus vizinhos. Mas o mais estranho e simultaneamente escandaloso em tudo isto é ver um partido como o PCP a reagir a esta polémica como uma donzela ofendida (um evidente antiamericanismo primário e reles) quando na sua festa andou a promover o stand de uma organização terrorista que espalha e semeia o terror pela Colômbia. Se gostam assim tanto de investigações comecem pela Festa do Avante. E pelas organizações terroristas que por lá andaram e que o PCP, pelos vistos, adora e acolhe. Quem foram? Como vieram? Como entraram? Quem os vigiou? Vamos pôr tudo em pratos limpos. Chega de ser conivente com este tipo de gente que é cúmplice de assassinos, que não tem memória e que não mostra nenhum respeito pelos milhões de vítimas das suas gastas e falhadas utopias.

E já agora os Loureiros também



Via Arioplano.

1.9.06

Sabão e toalhinha

Um novo plano nacional contra a droga desenha-se no horizonte. Depois do evidente falhanço do anterior que assentava, recorde-se, na descriminalização do consumo das drogas ditas leves (uma ideia peregrina) e na introdução da metadona (um curioso substituto) eis que uma nova originalidade toma forma e ganha dimensão: as denominadas salas de injecção assistida. Confesso que já estou por tudo. E muito pouco, na realidade, deve espantar. Enquanto vejo o modesto fumador deste país a ser escorraçado e socialmente descriminado por bagatelas, o senhor toxicodependente continua nas boas graças das gentes, perfeitamente inimputável e com tratamento de excepção. A este nada falta: nem condições, nem profissionais de variada ordem, nem apoios directos do Estado. E agora até vai ter uma salinha correctamente preparada onde possa alimentar, também correctamente, o vício. Ironia do destino, já imagino as cadeias portuguesas com a proibição de fumar (a nova cruzada higiénica e fascista) mas com um quartinho especial ali mesmo ao fundo para matar o vício. Como dizia um amigo meu, não se esqueçam do sabão e da toalhinha. E de limpar tudo muito bem depois de usar.

Um mito

Em Londres, por falar em delírios, sobe ao palco a partir da próxima semana uma curiosa ópera que pretende elevar o senhor Khadafi e a sua obra à categoria de mito, realçando a sua obra e a sua acção política. Caros leitores mais cépticos, lamento informar, mas o que acabaram de ler em cima não é, infelizmente, gralha ou erro de informação. E trata-se mesmo do Sr. Khadafi. Lamentavelmente, a estupidez humana nunca teve fim nem limite. Mas convém recordar aos mais esquecidos, aos muitos ignorantes que grassam por aí e que teimam em fazer, por exemplo, de Fidel, Guevara, Lénine ou mesmo Chávez uma espécie de heróis românticos a quem tudo se perdoa, que o actual ditador da Líbia não é flor que se cheire nem pessoa que se convide para ir jantar. Aliás, o Sr. Khadafi foi um dos percursores e mentores dos ataques terroristas a aviões cujo exemplo mortal, e perfeito, é o do voo 103 da Pan Am que caiu em Lockerbie, na Escócia, em 1988, matando todas as 270 pessoas que seguiam a bordo. Fazer deste assassino, um déspota em potência que conduz um país à base da força, um mito, imortalizá-lo numa ópera defendendo a sua obra, é não mostrar nenhum vergonha ou qualquer respeito ou pudor pelas suas vítimas.
O problema desta Europa que se diz civilizada, é querer branquear este tipo de gente em nome de uma utopia que ruiu com o muro mas que ideologicamente continua bem viva na cultura, na comunicação social e na educação dos nossos tristes e patéticos países. A falta de memória, ou o esquecimento ou desconhecimento da nossa história é meio caminho andado para um novo desastre. Mas claro que, entretanto “the show must go on”. Agora com o Sr. Khadafi como artista principal.

31.8.06

E por falar em incoerências....

Descobri o Farpas há pouco tempo. De acordo com o profile, o seu autor chama-se Paulo Barata. Porque, enquanto madeirense, gosto de saber tudo o que posso sobre a Madeira, comecei a ler os primeiros posts. O sr. Paulo Barata falava da falta de coerência do Filipe Malheiro, pelo facto deste não ter manifestado a sua discordância aquando da sucessão de Virgílio Pereira por Miguel Albuquerque. Até estava a gostar, pois parecia-me que o sr. Paulo alertava para incoerências de figuras públicas que têm a obrigação de evitá-las (especialmente se forem políticos ou estiverem na política). Sinceramente, pareceu-me que o Sr. Paulo mantinha uma postura equilibrada, apartidária e observadora da realidade madeirense, o que me agradou. Estranhei alguma obsessão com o Filipe Malheiro, mas quem sou eu para criticar as obsessões dos outros, uma vez que eu, obsessivamente, abjuro Maria de Lurdes Rodrigues (na minha opinião, a pior Ministra de Educação de sempre). Portanto, não liguei e continuei com a minha leitura. Mas, a certo ponto, tive que parar, pois a falta de coerência estava a ser asfixiante. Depois de 2 posts onde disserta sobre a coerência, eis que me deparo com um, onde o sr. Paulo afirma o seguinte:

"Jardim diz que, para atrair investimento para a Madeira, vai baixar os impostos já em 2008.
É próprio de um populista a promessa de baixar os impostos. O povo gosta desta promessa. Foi assim com o "Choque Fiscal" de Durão Barroso e com a diminuição da taxa de IRS de Santana Lopes. Durão Barroso depois de eleito teve que aumentar os impostos e Santana Lopes acabou por ser despedido. No caso da Madeira, por incrível que pareça, Jardim safa-se sempre com todas as asneiras."

Até me sentiria tentado a concordar com o Sr. Paulo, não fosse o facto do blogger ter omitido outras faltas de coerência, bem mais próximas de nós cronologicamente. Então, para quem alarde coerência por todo o blog, não é que o sr. Paulo demonstra uma fantástica falta dela na sua análise, esquecendo as promessas de Sócrates sobre a manutenção dos impostos?

Então sr. Paulo, não vive em Portugal? Então sr. Paulo, onde está a sua coerência? Foi mero esquecimento, ou a obsessão não é apenas com o Filipe Malheiro, mas com o PSD?

A sua tentativa de branquear o governo socialista fica-lhe mal, embora seja elucidativa acerca do seu posicionamento político.
Naturalmente, reconheço-lhe o direito de situar-se politicamente numa outra margem, mas então não venha gritar isenção e exigir a partilha do rio. Porque causa desconfiança!

Esclarecido, continuarei a frequentar o blog do Sr. Paulo. De forma mais atenta e prevenida, é verdade. Mas o sr. Paulo, que não se distingue pela coerência, escreve algumas coisas com as quais concordo. Parece-me uma pessoa inteligente. Demasiado comprometido, mas que raio, na blogoesfera não podemos ser muito exigentes.

PS - O Bento tem andado muito calado e o seu último post indicia o encerramento da Esquina. Ainda não falei com ele, mas espero que tal não se confirme. Porque a blogoesfera madeirense ficaria irremediavelmente mais pobre.

Digam lá qualquer coisinha!

Independentemente da bondade da decisão tomada pelo governo patético (sim, porque este Sócrates não merece o peri) da República sobre a diferença de tratamento entre Madeira e Açores ao nível de financiamento, o absoluto silêncio da oposição madeirense é aterrador. A posição dos seus ilustres líderes é a de enfiar a cabeça na areia (senhores, o Verão está a acabar!), ou assobiar para o ar, na expectativa que o corte nos milhões enfraqueça o Governo PSD. O que não percebem e que provavelmente nunca perceberam é que, no seu íntimo, os madeirenses preferem um líder que profira umas barbaridades de vez em quando, em vez de lideranças subservientes aos desideratos continentais. Que os madeirenses preferem um governo formado por um partido com defeitos mas autónomo, do que por partidos que se portam como filiais. Como afirmou ontem o ex-líder do PS, a solução para a oposição não passa pela fidelidade canina à direcção nacional dos partidos, mas por projectos políticos desenvolvidos a pensar na Madeira e nos madeirenses. Porque apesar do que afirmam alguns intelectos brilhantes da nossa praça, existe de facto um diferendo claro entre o povo madeirense e a República. E enquanto esta différence entre a Madeira e o Continente não for reconhecida pelos partidos da oposição, não vejo como é que alguma vez se poderão constituir como alternativa.

PS – Ressalvo, aqui, a posição do deputado Maximiano Martins, que me parece equilibrada. Este deputado, cujas posições, muitas vezes são dúbias, ao que parece afirmou ao DN – Madeira que está disposto a opor-se à proposta do PS, devido à argumentação utilizada. Resta saber se com outra argumentação, as contas feitas pelo deputado resultarão na diferença presente na proposta actual.

De ideias absurdas estamos cheios!

Sei que já vem um bocadito tarde, mas não podia deixar passar em branco aquela que, para mim, é a melhor e mais brilhante ideia dos últimos tempos, a saber, a realização de um concerto nas Desertas. Esta ideia, de tão peregrina e absurda teve o condão de me fazer recordar um sucessso já antigo, cuja letra partilho aqui convosco.


"When the moon is in the Seventh House

and Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning o the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius! Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golden living dreams of visions

Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation

Aquarius! Aquarius!

When the moon is in the Seventh House
and Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planet
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius! Aquarius!

As our hearts go beating through the night
We dance unto the dawn of day
To be the bearers of the water
Our light will lead the way
We are the spirit of the age of Aquarius

The age of Aquarius
Aquarius! Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
Angelic illumination
Rising fiery constellation
Travelling our starry courses
Guided by the cosmic forces

Oh, care for us; Aquarius "


Aquarius, do Musical Hair.

30.8.06

Caso Plutão

Notícia de última hora: Plutão também não aceita ser despromovido à II Liga dos Planetas.

Uma história

Enquanto toda a gente anda distraída com um senhor que atende pelo nome de Mateus, o Benfica do Sr. Vieira acaba de fechar um lucrativo negócio com a Caixa Geral de Depósitos. O acordo de 15 milhões de euros prevê dar o nome da Caixa ao centro de estágio do Benfica por um período, julgo eu, de dez anos. O autor desta megalomania foi o Sr. Armando Vara, um conhecido benfiquista e militante destacado do PS, que num dos Governos de Guterres foi convidado, delicadamente, a sair por má utilização de dinheiros públicos (para não chamarmos agora outra coisa mais feia). O Sr. Vara assumiu o ano passado um importante cargo na Administração da Caixa onde é responsável, imagine-se, pelos créditos às empresas. Leram bem: créditos às empresas. Curiosamente, um dos patrocinadores oficiais do Benfica é o Banco Espírito Santo (aliás, Banco que patrocina em partes iguais o Sporting e o Porto). A minha pergunta é muito simples: ninguém acha estranho que um mesmo clube seja patrocinado por dois bancos? Dois bancos concorrentes? Conseguem imaginar a Coca-Cola e a Pepsi a patrocinarem a mesma equipa? Ou a Optimus e a TMN? Ou a Marlboro e a Rothmans numa mesma equipa de Fórmula 1? Ninguém acha isto absurdo? Pelos vistos não.

Um excesso

Notícia espantosa saída nos jornais diz-nos que os velocímetros e os balões da polícia podem pecar por excesso. Por excesso digo bem porque ao que consta os dois instrumentos são conhecidos por extrapolarem os valores que apresentam. Estamos habituados a que as notícias sobre a polícia incidam na escassez: na escassez de homens, de meios, de recursos. Confesso que, perante o cenário anterior, estamos perante uma evidente originalidade. Mas o problema (instrumentos defeituosos), se existia, foi prontamente consertado com um método muito português: já que a coisa não funciona integralmente, nada como recalcular os valores e pode ser que ninguém dê por nada. Não sei de onde vêm estas brilhantes ideias, mas só podem vir do desespero porque ninguém notou que este é um problema que não se resolve alimentando-o e, muito menos, escondendo-o. O problema dos medidores de velocidade e dos balões mantém-se porque estes objectos não são substituídos. São remendados. E das duas uma: ou os instrumentos funcionam e as pessoas têm confiança plena nas instituições que fiscalizam acatando as suas decisões, ou então não vale a pena pregar no deserto e há que pôr cobro a este evidente abuso.

PS: Há tempos, houve um delírio colectivo que estabeleceu tolerância zero em algumas estradas portuguesas como método de combater a lusitana sinistralidade rodoviária. Lembro-me, como se fosse hoje, de um incrédulo a mostrar na televisão a multa que lhe passaram por circular a 51 Km/h numa zona em que não era permitido ir a mais de 50. Eu se fosse a ele, telefonava para a polícia e perguntava muito claramente se os 51 eram com desconto ou sem desconto.

29.8.06

Para ver

Faz pensar

Em 2006, já morreram mais de 2.000 pessoas nos mares de Canárias. Gente que tentava entrar na UE para sobreviver. Foram recuperados mais de 500 cadáveres. Os números levam-nos a pensar até quando resistirá esta... "fortaleza".

28.8.06


A Empresa de Electricidade da Madeira no seu melhor. Poste a meio da levada.
Fantástico! Como no Verão não corre água...

25.8.06

Blogs Antena 3

A Antena 3 previligou a criação de blogs para que os animadores comuniquem com os ouvintes.

Aqui vão alguns links:

Prova Oral

Manhãs da 3

A Voz da Tribo (um excelente programa, por sinal, da Ana Marta).

Há outros.

Sorteios

Gostei do sorteio da Taça UEFA. O Rapid de Bucareste é uma equipa ao alcance do Nacional. A fase de grupos deixa de ser uma miragem.

Já na Liga dos Campeões, o "meu" Sporting teve uma sorte desgraçada. Bayern e Inter, mais uns russos são o pior que poderia ter calhado.

Mesmo assim, e acho que não sou só eu, creio que o Liedson, o Moutinho, o Ricardo e a restante rapaziada terão uma palavra a dizer na discussão da passagem à segunda fase.

21.8.06

Bom sítio

Um bom sítio

T(ake) A(nother) P(lane)!

Aeroporto do Porto Santo, um dia de Verão.

Dirigi-me ao balcão da GroundForce (seja lá o que isso for) para pagar os portes de uma encomenda.

Entreguei os 150 euros que me foram pedidos e, tal como me fora indicado pelo funcionário de serviço, dirigi-me ao quiosque dos jornais. Para chamar a funcionária do Aeroporto, entretida em amena cavaqueira com a menina da tabacaria. O que, de tão habitual já se tornou rotineiro.

Contrafeita ao ver-se obrigada a voltar para a mesa onde, supostamente, deveria sentar-se a justificar o ordenado, a funcionária resmungou qualquer coisa na línguagem hermética utilizada pelos servidores do estado quando alguém lhes diz para trabalhar. E, com os modos de quem não achou graça nenhuma a brincadeira, pegou num telefone para chamar uma "colega". Que me acompanhou até ao Armazém de carga.

Atravessei várias portas assinaladas com "entrada não autorizada". Acompanhado pela "colega" e sem ver vivalma. E cheguei a um espaço quase vazio. No armazém faziam-me companhia três caixotes atirados para cima de uma palete, uma empilhadora, e um tipo de farda azul deitado a um canto.

Apareceu-me, saido de uma porta que eu não vira, um baixote munido do poder de anunciar o destino a quem ali chegava. Que olhou para a carta de porte que lhe estendi à frente do nariz. Que revirou a carta de porte que lhe pus ao caminho. E que me disse:

-Ainda nã chegou!

O diálogo é surrealista:

- E então, os 150 euros que paguei?

- Nã sei

- E quem saberá?

- Nã sei

- Mas que merda é esta?

- Nã sei. Vou procurar melhor!

- Procurar o quê? esta porra tá vazia. A não ser que existam portas secretas...

- Nã sei

- O quê, se há portas?

- Isse nã há...

- Foda-se!

Com o papel na mão, e já sem a "colega", voltei à GroundForce.

Reclamei que a encomenda não tinha chegado. Mas que já a tinha pago.

O tipo de bigode que estava atrás do balcão prometeu que "ia ver". Mas que tinha de fazer uma "coisa" primeiro. E então levantou-se e com olhos de diarreia correu para a casa de banho.

Apareceu cinco minutos depois.

- Então vamos ver o que podemos fazer...

- É isso, veja lá.

Telefonou para cinco números diferentes. Ninguém sabia de nada. Mandou dois faxes. Não teve resposta a nenhum. Encolheu os ombros.

- É esperar que respondam

disse, resignado. Passara quase hora e meia.

Recorri ao meu instinto de sobrevivência.

Peguei numa agenda telefónica que o tipo de estendeu. Comecei a marcar números.

- daqui é Lisboa

- e não me pode passar ao Porto?

- não. Desculpe. Tente o 22 qualquer merda!

- Se quiser alterar a sua reserva, marque 1. Se quiser informações sobre horários marque dois...

- Se quiser que a merda do mundo exploda marque 44...

- O Call Center da TAP...

- R'áis parta a TAP!

- Desculpe. Este é o serviço de informações. Marque o 22 a puta que o pariu...

Após ter marcado 22 vezes (aproximadamente) a combinação 22 (com o meu telefone, obviamente, já que o funcionário esgueirara-se, mais uma vez, por um atalho, para o caminho de paz interior que descobrira nos lavabos), consegui que alguém me atendesse.

- Vamos ver o que se passa..

- Veja lá...

- Humm,

- Sim?

- Não sei de nada!

- Desculpe?

- Não me chegaram reclamações daí "de" Porto Santo...

- Mas o seu colega enviou dois faxes...

- Para aqui não foi!

- Entendam-se!

Passei o telefone ao mais assíduo frequentador das retretes públicas da ilha.

Esperei mais 15 minutos.

- A gente liga-lhe assim que souber alguma coisa...

- Que remédio!

Pelo que soube depois, os meus caixotes ficaram esquecidos (literalmente) no Porto. E o Porto Santo reclamou. Para o faxe errado!

A encomenda chegou dois dias depois. E eu paguei a urgência que tinha em recebê-la. Ninguém me reembolsou ou pediu desculpa.

O baixote encolheu os ombros. Pareceu-me ouvi-lo dizer

- É a vida!

(Este ano, foram às dezenas os passageiros ou os receptores que sofreram com os atrasos - ou mesmo com o desaparecimento - de bagagens e de encomendas. Sei do caso de um casal jovem do continente que, após quatro ou cinco dias sem bagagem, regressou a casa. E não foi o único. Enquando vivia o meu filme privado, vi que alguns dos passageiros de um voo que acabara de chegar passavam pela mesma provação. O mau serviço da TAP - e dessa tal de GroundForce - poderá ser um óbice ao nascimento de um destino turístico. Ainda por cima, o parto, por si só, é difícil. Com a "ajuda" do enfermeiro TAP poderá tornar-se impossível).

Teatro de absurdos

Lech Walesa pensa renunciar à honraria de cidadão honorário de Gdansk para não a compartilhar com Gunther Grass. Razão tem o escritor alemão: o mundo é uma teatro de absurdos!

19.8.06

Sobre uma certa ideia do papel dos partidos comunistas

Uma ideia feita que muito circula por aí, é aquela que nos diz que os partidos comunistas, apesar dos seus modelos de sociedade terem baqueado inapelavelmente, foram os principais responsáveis pela melhoria das condições de trabalho das pessoas e por uma melhor reivindicação dos seus direitos. Esta tese é falsa. E é muitas vezes utilizada para enganar incautos e desprevenidos. A maioria das conquistas dos trabalhadores (como o direito de associação ou de união, o direito à greve, a liberdade sindical, etc) aconteceu entre 1850 e 1914 e teve lugar no seio das sociedades ditas liberais e industrializadas. O mesmo se sucedeu com a Segurança Social (a saúde, a reforma, as férias pagas ou os subsídios de desemprego) que surgiu, em termos práticos entre as duas guerras, e depois de 1945, em países onde o Partido Comunista era inexistente ou sem expressão como a Suécia, a Inglaterra (que supostamente seria o primeiro país socialista do Mundo), a Alemanha ou a Holanda ou em países em que a sua presença era muito forte mas nunca maioritária como a França ou a Itália. Como se vê, esta ideia não tem nenhuma força que a sustente. No entanto, a suprema ironia de tudo isto é verificar que a maioria destas introduções surgiram pela mão daquilo que hoje em dia se chamaria de governo conservador.

Totalitarismo de esquerda e de direita

No mesmo café, a conversa acaba nos totalitarismos. Na contabilidade dos milhões de mortos há uma espécie de consenso absoluto: nenhum totalitarismo serve o ideal humano. Seja de esquerda, seja de direita. De esquerda ou de direita? Eis um paradoxo quase imperceptível: os totalitarismos são ditaduras de pensamento único. E ser-se de direita ou ser-se de esquerda, no plano da acção ou da teoria, pressupõe uma liberdade política que os totalitarismo não admitem. Logo, parece-me, estamos perante uma evidente incongruência. Para não dizer impossibilidade.

Embargo e bloqueio

No café um amigo meu, leitor pelos vistos compulsivo deste modesto blogue, diz que a questão cubana não é simples nem muito menos rudimentar para ser tratada com a leviandade que um suposto post meu deixou no ar. O meu amigo, pessoa bem informada e formada e alguém por quem tenho admiração, utiliza como principal argumento o célebre bloqueio promovido pelos Estados Unidos, considerando os americanos como co-responsáveis por aquilo que ali se sucede. Quanto a ele, esta foi a nódoa que eu não podia nem devia apagar. Claro que discordo. E veementemente discordo porque a confusão lançada entre bloqueio e embargo é uma velha táctica da esquerda para lançar a confusão na opinião pública e nos incautos, ao mesmo tempo que serve de justificação abusiva e alargada para a decadência do regime cubano. Mas onde reside então esta confusão propositada? Reside numa absoluta mentira. Porquê? Porque não existe nenhum bloqueio. O que existe sim, é um embargo por parte de um país (a América) que prefere não manter nenhum relacionamento com um outro país (Cuba que em tempos ameaçou a sua segurança, plantando-lhe quase no quintal um arsenal de mísseis). É muito simples de se perceber isto: Cuba pode manter os seus relacionamentos institucionais, comerciais, políticos ou outros com quem muito bem lhe apetecer. Ninguém lhe faz mal absolutamente nenhum como diariamente se comprova, (pelo menos os mais atentos e que percebem como a táctica é facilmente desmontável diariamente nos jornais) com o Sr. Chavez da Venezuela ou com o Sr. Zapatero de Espanha. Espanha que, recorde-se, é das maiores injectoras de dinheiro na economia cubana. Por isso nada de confundir embargo com bloqueio.

Blogue em serviços mínimos

Pelos vistos muita gente anda de férias. É difícil assegurar sozinho os serviços necessários para a sobrevivência desta coisa tecnológica. Os nossos fiéis leitores que nos perdoem. O blogue segue dentro de momentos.

17.8.06

Descobertas preocupantes

Estamos naquela época do ano em que o Eng. Sócrates anda nos safaris e deixa isto nas mãos do Dr. António Costa.

PS: Se costuma pensar muito seriamente em emigrar, fugir, bazar, desandar, esgueirar-se ou, simplesmente, evadir-se do país (riscar o que não se aplicar), tem aqui mais uma bela e decisiva oportunidade. Não hesite. O mundo precisa de si.

Descobertas extraordinárias

As amas deste país pagam em média mais 700 euros de IRS do que os advogados.

Descobertas insignificantes

De acordo com o Público, dois dos meus actores favoritos fazem anos hoje: de Niro e Sean Penn.

Um (possível) epitáfio político

Que devia ser o de António Costa pelo seu irresponsável aproveitamento político quando estava na oposição.

"Quem com ferros mata, com ferros morre".

14.8.06

Caro Bento,

Infelizmente para ti, não conseguiste refutar o argumento principal deste post que teve origem aqui. O que é um facto indesmentível é que os partidos que cumprirem a lei receberão mais dinheiro. Isto é, e se quisermos utilizar termos fortes e pesados, uma forma de proxenetismo político ao serviço dos senhores dos aparelhos partidários.

Quanto aos adjectivos que utilizas para me qualificar, aceito-os mesmo que com eles não concorde. Mas convém que tente esclarecer o seguinte: demagogia é geralmente uma forma de acção política que pretende agradar às massas populares e misoginia uma forma, declarada ou não, de horror às mulheres. Como muito bem sabes, e julgo que já o interiorizaste, nenhum dos adjectivos se enquadra aqui. Por dois motivos: é mais fácil, primeiro motivo, ser a favor da paridade (porque é mais popular) e misóginos, segundo motivo, são todos aqueles que tratam as mulheres com diferença, recusando-lhes a igualdade baseados numa qualquer motivação de arrogante superioridade.

Por fim, queria apenas dizer-te que temo um Estado omnipresente. É essa a razão principal de alguns dos posts que escrevo, tentativas vãs de denunciar algumas situações que entendo não se coadunarem com a liberdade em que acredito. É por isso que utilizo a blogosfera como espaço privilegiado de exposição de ideias, onde se pode divagar e até filosofar sobre aquilo que nos apetecer. Gosto demais da liberdade, da minha liberdade, para achar normal que o Estado actual, o nosso Estado, se ande a imiscuir em todos os assuntos públicos e privados, digam eles respeito ao indivíduo, às famílias, às empresas ou aos partidos políticos, como os posts a que te referes muito bem retractam. Sermos condescendentes com isto, mesmo que cada um de nós deseje e almeje uma sociedade melhor (e temos esse direito de sonhar, de desejar, de querer), é escancarar a porta para todos os males e fantasmas do mundo. A sociedade perfeita, ou o seu aperfeiçoamento se preferirmos, não se consegue, nem se persegue, obstinadamente, por decreto, mesmo que imbuídos da maior das boas vontades e intenções. A racionalidade burocrática e centralista do Estado, convertida numa espécie de totalitarismo onde há regras para tudo, é uma quimera perigosa. E com resultados geralmente desastrosos. Mas isso eu nem precisava de te dizer.

A vidinha de Jenna Jameson


Dei 28 euros pelo livro de Jenna Jameson, intitulado em português “Como... fazer amor como uma estrela porno”. Mesmo que o livro literariamente não prestasse para nada, o que não anda muito longe disso, os prazeres solitários que esta loura de Las Vegas proporcionou a meio mundo já valem o dinheiro. E a gratidão.

Além das fotografias, felizmente abundantes, para quem tiver paciência e tempo tem mais de 500 páginas com as “estórias” da família desunida, dos primeiros “encontros”, da amiga mais velha, dos “namorados” e proxenetas, do dinheiro, de episódios exageradamente dramáticos, dos bastidores, dos filmes e das excentricidades. Tudo isto até chegar à vida normal com o casamento.

PS: Vou de férias e ainda não sei quem ficará a perder, se eu ou se os leitores.

O Cuba-Libre faz-se com Coca-Cola

Prometi a mim mesmo que não escreveria uma linha sobre o tiranete de Cuba que a “imensa minoria” dos intelectuais europeus estimam. Mas como, com demasiada facilidade, a imbecilidade irrita vou quebrar a promessa. Nunca, nem mesmo quando era mais vulnerável a este género de ideais, exprimi qualquer simpatia pelos “heróis” da Sierra Maestra. Não tive posters de Fidel Castro no quarto nem usei t-shirts com a estampa de Che Guevara, produto gráfico que é em si uma grande e lucrativa realização capitalista. Pois é.

Enquanto o mundo civilizado começava a ver os resultados previsivelmente desastrosos do comunismo, o utópico da América Central teimava em prosseguir na aberração em que tornou Cuba; a que alguns indigentes se atreveram chamar de “perfeita”.

Depois, foi o percurso normal como vem nos livros de História. Eternização no poder, eliminação sistemática de opositores, total ausência de liberdade de expressão, proibição de sair do país, redução da economia a pregos e martelos e padrões de vida próximos da Idade Média.

Tudo, claro, em nome repartição equitativa da riqueza no país e em nome dos tempos da ditadura Fulgencio Batista. E a isto, para legitimação desta inclassificável experiência de modelo de sociedade, juntou-se algumas dezenas de reconhecidos artistas desavindos com o mundo, os seus bons charutos, putas, mohitos e o “cuba-libre”.

Sinceramente, até gostava que Cuba não mudasse nas próximas décadas, pelo menos para ter sempre à mão um exemplo prático de como certas ideias podem inquinar um país.