"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
19.5.06
Sugestão
Post-Scriptum: Já agora, um conselho: oiçam o disco. Ou vão a um dos concertos programados. Se não gostarem, podem dizer mal e acusar-me de só estar a defender a "minha dama"...
Falando de ti...
1
vieram de mim os longos sóis
e os longos dias.
vieram de mim o arrastar dos bancos,
os cânticos das igrejas,
e vim eu, senhor do meu nariz,
nobre
sem títulos nem castelos
nem divisas,
duma ilha pequena,
perdida numa concha
de mar,
onde nasci.
era a primeira vez
que eu abria os olhos,
e senti-me rei e marinheiro.
estava
embrulhado numa alga,
e adormecia numa gruta,
adornada por búzios quietos.
os peixes visitavam-me e afastavam
os murmúrios,
os gritos,
os monstros pelados,
e o eco da minha voz,
que habitavam os meus sonhos.
é por isso que me revesti da luz cintilante das suas escamas
e tenho,
dizem-no as mulheres que desconheço,
um suor
sem perfume,
um suor sem matéria,
enquanto que o meu corpo
tem o encanto do cheiro a maresia
(...)
José António Gonçalves
Breve viagem por blogs de cá
O Bento continua a bater em tudo o que se mexe
(ou está sentado, no caso em apreço)
A Lhasa homenageia o José António
(lembrei-me do José António durante a Feira do Livro. De uma noite na Marina com ele e com o Mário Mata, o cantor de uma só canção. De 20 Textos para Falar de Mim. Do Café do Teatro e de um poema de meu pai que ele declamou de memória. Um Pássaro Breve, o José António!)
O Funchal tem memórias de Paris.
A Lília faz manteiga.
O Nélio lança fogo a Jardim e ao Jardim
(do Mar)
Na UMa fala-se sobre a nova estrela da BBC
(um tipo que estava sentado à espera de uma entrevista para emprego quando de repente se viu no estúdio durante a nobre hora do Telejornal)
Continua a ler-se devagar
(mas bem, a julgar pelo que se escreve)
Há ainda quem vá vagueando pela Madeira.
Terminou a viagem.
Uma Perigosa Ligação

Há dias assim. Um gajo levanta-se com pica para fazer qualquer coisa.
Há muito tempo que não contribuo para o bem comum deste blogue.
Foi esta a situação que me fez espoletar a consciência. Escrever sobre política é tempo perdido. Está toda a gente farta dos políticos. Ainda por cima, a maioria deles estão incompatíveis. Ponto final.
Um outro tema, interessante, seria a igreja. No entanto, o bispo ainda é o mesmo, os padres também. As freiras são minhas vizinhas, mas gosto muito delas. Não me incomodam. Não falam de mim nem de ninguém. São as melhores vizinhas que tenho.
Ponto final.
Resta-me abordar uma perigosa ligação empresarial.
Há muita expectativa na sociedade, sobre as ligações marítimas entre a Madeira e as Canárias. Dados os últimos avanços, só posso concluir que a “montanha vai parir um rato”. A partir do momento que entrou no negócio os “Sousa & Companhia” tudo leva-me a querer que é uma operação falhada. Este grande empresário da Madeira nova, só está interessado em manter o seu reduto. Isto é, ainda não percebeu que está num mercado global. E que mais tarde ou mais cedo não vai conseguir controlar as operações portuárias. Para já, conseguiu mais uma vitória, seguindo uma velha máxima. “já que não podes com eles, junta-te a eles”. É este o objectivo do patrão dos portos da Madeira.
Creio que ao entrar no negócio com a “Armas”, está acima de tudo a salvaguardar os seus interesses e não os dos consumidores. Basta ver as tabelas de preços de várias ligações marítimas idênticas às que existem na região, para perceber que estamos a ser lesados. Elas existem entre a França e as respectivas ilhas, Itália, Grécia e Espanha. São tudo portos europeus, cujas ligações são executadas em ferry-boats idênticos ao Lobo Marinho. Navios subsidiados pela União Europeia, mas cujos preços caem em algumas situação para menos de metade dos praticados pela Porto Santo Line.
A própria “Armas” em Canárias é um exemplo.
E mais não digo, porque o texto já está grande de mais. Ainda por cima é fim-de-semana.
18.5.06
Foi bonito
Para os amantes das teorias conspirativas
17.5.06
O Código
16.5.06
“Eu adoro São Paulo, São Paulo my love”
Agora, com toda a barbárie em São Paulo a nos entrar pelos olhos dentro à hora do jantar, acabaram-se os lirismos. Bem vistas as coisas, o Brasil colhe o que plantou.
Importância dos blogs
Mundial
A escolha de Ricardo Silva, defesa sofrível (não quis escrever horrível!), vindo directamente do banco do FêCêPê, é um deles. Mesmo para um leigo na matéria como eu, o bom do Silva é mais perigoso para uma defesa que o buraco do ozono para as calotas polares. Adriaanse (outro leigo) percebeu isso a tempo. Tirou-o da equipa e ganhou o campeonato!
Então não era melhor, amigo Scolari, ter convocado o Tonel? O homem fez uma excelente época no Sporting após já ter sido, na época anterior, um dos melhores do Marítimo! Para além deste, havia ainda João Paulo, do Leiria. Que, aposto, na próxima época será mais vezes utilizado pelo Porto do que o Silva!
Outro erro crasso foi a convocatória de Costinha. O tipo não é, nunca foi, e já não será com certeza, um jogador determinante. E não joga há mais de seis meses. Mesmo assim, fez as malinhas para a Alemanha. É obra!
A convocatória de Viana, rapaz que há dois anos não acerta um passe, é outro dos erros do nosso camarada Filipão. Aliás, Costinha e Viana formariam uma linda dupla de meio campo. Nenhum corre. Um está gordo que nem um texugo e o outro tem problemas de visão (a julgar pela... precisão dos passes!). Bonito de se ver...
De fora ficou João Moutinho, o melhor jogador do Sporting e, indiscutivelmente, um dos melhores médios portugueses. Contra ele parece pesar o facto de ter "apenas" 19 anos e de não fazer "chover ao contrário"...
No ataque, um tal de Hélder Postiga, ponta de lança que na carreira toda deve ter marcado vinte golos (e já estou a contar com os jogos contra o Estarreja na Taça de Portugal!), vai mais uma vez a uma grande competição. Sem saber ler, escrever, rematar ou passar a bola, lá vai o bom do Postiga para a Alemanha, atrapalhar colegas de equipa e confundir o público.
Acabo como comecei. Não considero o Scolari um mau treinador. Mas já estou como o Magno, ou seja, se passarmos a primeira fase será com sorte. Mesmo jogando contra uma selecção como Angola, equipa que tem um guarda-redes sem clube e jogadores do Varzim e do Rio Ave e uma vedeta sem um joelho!
Há selecções que não abdicam dos seus génios
Casar? Contra quem?
Dizem os críticos, a Igreja e muita outra gente, incluindo especialistas diversos e outra arraia miúda que o casamento anda pelas ruas da amargura e em profunda decadência. Confesso que já tinha dado pelo assunto. Basta olhar à volta e para exemplos meus conhecidos para perceber o suposto drama da situação: o casamento está, de facto, em declínio. Quer dizer, o pessoal até se casa mas, problema central, depois também se divorcia, o que é uma forma de batota e um apetitoso novo segmento de negócio no campo das apostas temporais. Ultimamente, e pelos números avançados, tese e antítese andam de mãos dadas, na relação de 2-para-1. Ou seja, em cada dois casamentos, um termina em divórcio. Não me parece trágico porque na realidade há muitos motivos para acabar com um casamento (falta de adaptação, traição, ciúme, cheiro a chulé, mau hálito, aumento de peso, envelhecimento precoce, incompatibilidade sexual, celulite, existência de uma única televisão, pés frios, a nova colega de trabalho, a Sporttv, a sogra, etc) e qualquer um deles é extremamente tentador. E seria sempre pior se a relação fosse de 100%.
Analisando bem, no deve e no haver, a balança parece pender mais para o divórcio do que para a manutenção do casamento. Convenhamos que a maioria do pessoal anda com pouca paciência para o assunto. Ninguém dá o braço a torcer quando as coisas começam a correr mal e como os bancos facilitam imenso ninguém precisa no fundo de regressar para casa dos pais. O casamento é ainda um acto que pressupõe alguma predisposição para assumir um contrato: um contrato entre duas pessoas, com a agravante de ter testemunhas que jamais nos deixarão mentir. O certo é que à primeira afronta, ruído, desconsideração, discussão, desentendimento o pessoal farta-se. Farta-se da cara metade como do cozido à portuguesa do almoço. E bate com a porta. Tão fácil se sair como se entrou.
Num tempo de egoísmo, olhar para o próprio umbigo está na moda e poucos parecem dispostos a grandes sacrifícios individuais em prol do colectivo (principalmente se o colectivo é apenas dois). Ninguém quer quebrar ou reconhecer que está errado, que não muda, que não se adapta, que não quer. Vacilar parece ser igual a dar sinal de fraqueza num jogo se soma nula ou negativa. Mas o erro está na ordem dos factores, porque o casamento vem primeiro do que a experiência em comum. Logo se vê, deve ser o pensamento mais recorrente nos pombinhos. Curiosidade interessante: deve ser ao contrário. Experimentar primeiro e depois dar o passo se apetecer e se sentir que se aguenta o chulé e o mau hálito durante os próximos 40 ou 50 anos (número constantemente actualizados pela esperança de vida). Poupa tempo, dinheiro e evita maiores chatices e complicações. E desmonta os mitos dos príncipes encantados e das cinderelas eternas que não existem.
Razão tem um amigo meu que sempre que sabe que alguém se vai casar pergunta com um ar mais cândido deste mundo: contra quem? Nos tempos que correm, nem mais.
O que acho das escolhas de Scolari? Eu não acho nada
Até mesmo um leigo em futebol, como é o meu caso, percebe que uma selecção que só esporadicamente consegue um lugarzinho numa fase final de um mundial não vai lá. Tem de haver regularidade, que não há. Depois, apesar dos malabaristas considerados individualmente, haverá o nervoso (que é muito semelhante ao dos exames, e do tipo de alunos), ou um cartão infeliz, ou uma falta injusta, ou até um “golpe-baixo” do João Pinto no árbitro. Enfim, a conversa dos fraquinhos.
Como há muito que não alimento expectativas com Portugal, em nenhum assunto, sério ou desportivo, já me estou a pôr de lado para, depois, não fazer parte da depressão colectiva que certamente ocorrerá.
12.5.06
Mais uma rapidinha
Espero, um destes dias, ver qualquer coisa do artista madeirense por estes lados do Atlântico!
Rapidinhas
Todos os dias temos notícias, em grandes parangonas, de investimentos milionários em Portugal. Alguns não passam de flops, como é o caso da refinaria de Sines. Outros, não passam de consequências lógicas do trabalho de anos. Sim, meus senhores, a empresa que vai investir em minas de ouro já está a fazer prospecção no Alentejo desde os anos 90.
Os grandes defensores do Governo do Eng.º Sócrates olham, embevecidos, para cada uma das grandes medidas fracturantes que se quer implementar em Portugal. O curioso é que de todas as anunciadas, neste ano e tal de governo, as poucas que foram implementadas deram barraca. Da grossa!
Falando nas reformas do Governo do Eng.º Sócrates, ainda não percebi bem a lógica das penalizações fiscais para os casais que contribuam para o envelhecimento da população, leia-se não procriam. O PM, de manhã, diz que a medida destina-se a incentivar o aumento da natalidade; de tarde diz que o agravamento será mínimo. E no entretanto, não se vislumbra o impacto que a medida terá. Mas então em que é que ficamos?
Eu cá sei qual é a ideia com que fico. Isto não passa de mais uma encenaçãozinha para desviar a atenção e o debate público e político do que é verdadeiramente importante. E enquanto toda a gente vai discutindo a necessidade imperiosa de haver um aumento da taxa de natalidade e as melhores medidas para que este aumento se concretize, lá vai o governo levando a água ao seu moinho (desculpem lá populismo). E nós, parolos, vamos papando tudo com um sorriso!
Neste país da treta, o que vai salvando o êxodo em massa é esperança de que a selecção faça boa figura no Mundial. Caso contrário, seria a debandada geral. Go Ronaldo!
Por falar em futebol, parabéns aos nacionalistas. Apesar de maritimista ferrenho, fiquei satisfeito com a classificação do CD Nacional.
Fiquei, igualmente, muito satisfeito com a saída do Koeman. Os sistemas tácticos que inventava, as convocatórias, os jogadores que colocava em campo, eram exasperantes. Eu, que até gosto do Glorioso desligava a TV assim que começavam os jogos.
Bom fim-de-semana!
Ondas madeirenses
Exigia-se aos responsáveis que tivessem ponderado as consequências que a medida de avançar com as obras, obviamente, trariam.
Não percebo como é que numa pequena ilha, rodeada por mar (perdoem-me a redundância), se fazem obras tão grosseiras no litoral. Mas não haverão estudos, não haverão técnicos conhecedores a que se possa recorrer para estudar os impactos de determinadas obras? É que, desculpem lá, mas o argumento de que é tudo uma questão de prioridade não pega. O governo não precisa (nem deve) ir a reboque da comunicação social, nem de lobbies, sejam eles de que natureza for. Mas nalguns casos trata-se apenas de bom-senso. Que faltou, nas questões da Marina do Lugar de Baixo e do Jardim do Mar.
PS – Ouvi dizer que o Município do Funchal se preparava para cobrar a entrada na Doca do Cavacas, vulgo Poças do Gomes. Espero que não passe de um boato. Porque se não for esse o caso, estará a legitimar grande parte das acusações que sofre. Se for verdade, qual é o objectivo: impedir o acesso ao mar, num local que precisa de muito pouca intervenção para ser perfeito? (E se fizerem grandes obras estragam por completo a beleza do local).
Não, espero que seja apenas boato. Mas se não for, digo-o desde já: não pago!
O futebol III - Scolari e o Agostinho (que não é santo)
Mas a paciência tem limites. Mesmo depois do nosso seleccionador nacional Luiz Felipe Scolari ter afirmado e demonstrado que quem manda nas selecções nacionais é ele, aparece um Agostinho Oliveira de “capachinho”, a tentar comprar uma briga sem fundamento nenhum, porque pelos vistos foi informado de que saberia da convocatória no dia 15 de Maio como todos os Portugueses.
Imaginemos agora que o seleccionador dos sub – 21 já tinha conhecimento da convocatória, e como é hábito dos países latinos, esse “saber”, era transpirado para as manchetes dos jornais desportivos. O que se sucederia ?
Agostinho Oliveira afirmava que não tinha responsabilidade e que a empregada do seu gabinete transportou informações confidenciais para os jornais, dado que em tempos teve um relacionamento intimo com o director de um jornal desportivo qualquer...
Seria uma óptima desculpa e a culpa morreria solteira como é hábito.
Uma vez mais a paciência e perspicácia de Scolari merecem da minha parte uma palavra de apreço.
Luís Filipe Santos
O futebol II
Post-Scriptum: E nem convidaram o Figo. R'áis parta questes tipos não aprendem!
11.5.06
Palhaçada
Post Scriptum 1: Já os camaradas da CDU, inteligentemente, controlaram o cortejo à distância. Como se nada tivessem a ver com aquilo.
Post Scriptum 2: Eu, se fosse o Duarte Sena (que não conheço de parte nenhuma) ficava orgulhoso por ter provocado tamanha agitação. É sinal que alguma coisa está a mudar.
Erros
10.5.06
Mais livros que valem a pena
Aproveitando a deixa do Magno
Algures por aí, as elites divertem-se. De certeza absoluta que se riem perante a catástrofe enquanto mantêm inatacáveis os seus privilégios e o seu estatuto. Para ser sincero, acho que nunca houve verdadeira revolução em Portugal. Houve qualquer coisa parecida com isso, mas nunca foi uma verdadeira revolução, um verdadeiro movimento capaz de gerar uma verdadeira agitação. O sistema encarregou-se de deixar liminarmente tudo exactamente na mesma, porque afinal o país dos brandos costumes sempre existiu e sempre foi bem real. Culpa de quem? De muita gente certamente, mas essencialmente dos políticos a quem sempre faltou a coragem de mudar o que era preciso mudar e das elites dúbias que, traidoras, nunca cumpriram com o seu papel. O sistema está condenado por isso a perpetuar-se, a manter-se, a ciclicamente legitimar-se. A isto não é alheio o estado desastroso a que chegou o ensino em Portugal, por exemplo. E aqui, se calhar, não partilho das ideias de muitos que são tidos como grandes pedagogos do ensino, os grandes responsáveis pelo calamitoso poço sem fundo onde mergulhamos de cabeça. Quanto a mim, o logro está montado. E bem montado. A catástrofe reside em boa parte num ensino transformado em projectos alternativos e/ou centrados nos alunos, onde se desautoriza o professor e se transforma o conhecimento em algo secundário. Nada agora é obrigatório (nem ir às aulas, imagine-se!!!). Ainda hoje me lembro da minha quarta classe e da extraordinária professora que me acompanhou desde a primeira. Nesse tempo, era preciso conhecer os rios portugueses, as regiões portuguesas, os distritos portugueses, conhecer algumas regras elementares da gramática e, claro, saber ler e escrever, fazer contas de dividir ou multiplicar. Era preciso exigir, sem falinhas mansas e desde miúdo porque afinal é (era?) de pequenino que se torce o pepino. Hoje, passa-se consecutivamente sem nada saber, sem nada pedir, transmitindo aos nossos alunos a irresponsabilidade do sistema e uma forma errada de encarar e enfrentar a vida: com o inconsciente facilitismo como se alguma coisa na vida real fosse fácil. Ainda hoje ouvi incrédulo que 30% dos nossos estudantes acaba o primeiro ciclo sem saber ler. No meu tempo, e não foi assim há tanto quanto isso, nem um ousava passar. Serei eu que estou errado? Quando vejo a ignorância que grassa por aí não deixo de ficar preocupado. Mas então desmonta-se o logro e ele fica perfeitamente visível. As elites, claro está, protegem-se e não vão nestas cantigas nem nos inovadores projectos centrados nos alunos que nunca são tratados como aquilo que são: alunos que têm de aprender, que têm de obedecer e escolas que têm que ter professores capazes e projectos competitivos. Quem pode paga e tem (muitas explicações, por exemplo). Quem não pode contenta-se com o ensino que há (fugindo para áreas alternativas). As elites, dizia eu, fecham-se e colocam os seus rebentos bem longe desta tragédia. As melhores escolas são por isso boas soluções onde não há cantilenas nem lengalengas, nem os discursos dos habituais coitadinhos. A escola é para estudar e aprender; não para perpetuar situações intoleráveis, maus comportamentos ou determinismos sociológicos e psicológicos que fazem de boa parte dos nossos rebentos um bando de inimputáveis, que não se educam e que não se preparam. Tudo em nome daquilo que ainda recentemente alguém apelidou de eduquês. Eu apenas prefiro chamar de irresponsabilidade. Talvez, por isso, apenas uns poucos se safam. E a maioria naufraga algures por más decisões do capitão ou pela péssima qualidade do navio. Tanto faz porque o destino é o mesmo. As elites, sempre elas, entretanto reproduzem-se normalmente porque sabem que enquanto tudo se mantiver assim, ou seja, exactamente na mesma, elas continuarão a dominar o mundo que conhecem e a serem donas e senhoras do destino dos seus rebentos. Só o conhecimento pode trazer verdadeira riqueza. Dos ignorantes não reza a história e muita gente continua convencida de que há verdadeira mobilidade ou verdadeira meritocracia. Não é que não haja mobilidade. Ou meritocracia. Não vou tão longe. Não há é tanta como se pensa. É esse o logro. É esse o monumental embuste.
A caminho do totalitarismo
Ao fundo do túnel ergue-se um Estado ameaçador e ninguém parece preocupado com tal manobra. O poder transfere-se tranquilamente dos políticos para os funcionários do Estado, sem ondas, sem contestações, sem confrontos ou greves. Tudo às claras, em nome da mais clara das transparências. Weber foi quem melhor nos soube descrever o modo de organizar sociedades complexas e com muitos indivíduos. Mas foi Kafka quem melhor nos demonstrou esse pesadelo, essa desumanidade claustrofóbica e labiríntica a que chamamos burocracia. Ninguém aprendeu nada. É o que apetece dizer. A memória dos homens é na realidade um fenómeno extraordinário e isto é uma prova evidente da sua selectividade. Todos se esqueceram que não pode valer tudo em nome do Estado, em nome dos impostos, em nome de qualquer outra utopia que seja usada para castrar a liberdade e nos colocar, supostamente, no mesmo plano de igualdade. Começou pelo cinto de segurança, pelo capacete na mota e espalhou-se na violenta actual caça aos que fumam, como se todos estes fossem, coitados, um bando de proscritos ou de violadores em série. Qualquer dia proibir-se-á as gorduras, as bebidas com gás e outros derivados. Será obrigatório, por exemplo, correr de manhã e à tarde, comer fruta fresca, muito peixe e cereais ricos em fibra. Todos quererão viver até perto dos 200 anos ou qualquer coisa do género. Depois virá a vida transparente e sem segredos que mostrará quanto ganhamos, o que gastamos, o que comemos, o que usamos, o que fazemos. O Big Brother no seu melhor porque ninguém conseguirá colocar travão nisto, depois de aberta a Caixa de Pandora. Em nome da transparência, em nome do Estado, produziremos então seres amorfos, sem privacidade, sem segredos, sem vícios e, claro, sem liberdade. Talvez aí o pesadelo volte, noutra forma e com outra profundidade. Infelizmente, não é de bom tom esquecer o que tantos outros por nós sofreram em nome dessa coisa tantas vezes esquecida: liberdade. Ainda para mais quando isso custou forte na pele. Não no bolso.
As propinas deveriam aumentar?
Portugal não tem uma só Universidade que no seu conjunto se possa dizer acima do razoável. E não a tem precisamente porque está demasiado estatizada (mesmo as privadas). Não tem autonomia financeira nem, na prática, autonomia académica, para já nem falar do deserto que é a produção de conhecimento. E claro, também tem muito maus alunos, generalisadamente especializados em queimas de fitas e bebedeiras, nas quais estoiram o dinheiro que não têm.
Pelo que sei, as boas universidades pelo mundo fora são pagas, e bem pagas. Isto é válido para as privadas e, ao contrário do que se diz, também para as públicas. Claro que há a universalidade do ensino e do seu acesso. Mas não é pagando menos que a coisa melhora. Uma bolsinha de educação feita pelos pais à nascença dos meninos, como na América, e um sistema de empréstimos a pagar depois da conclusão do curso (que a Associação discorda), são soluções aceitáveis, mas a médio prazo. Para já, e para vermos resultados, as propinas terão que aumentar.
Porém, tal como o ensino superior está é que não. Um exemplo. Na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa todo o dinheiro que há é exclusivamente para pagar os funcionários. Não sobra um tostão para mais nada. Não sobra um tostão porque também não há equidade, pois o filho do médico e o filho da empregada do Bazar do Povo pagam a mesma coisa. Depois, claro está, isso reflecte-se no que fazem e apresentam "os sábios" que de lá vão saindo.
Mas desengane-se quem pensa que a baixa competitividade das universidades portuguesas começa realmente na Universidade e no problema das propinas. Começa muito antes, nos ciclos e no secundário. O relatório PISA 2005 (Programme for International Student Assessement) põe a nu esta esperada realidade, colocando-nos no lugarzinho que nos é habitual: o fundo da tabela europeia em todos os parâmetros. E aí, já nem pagando se chegamos lá.
9.5.06
Benfica
Blogger
O Blogger, de vez em quando, supreende!
Cá vai, vou "publicar a postagem"...
8.5.06
Atenção a isto
«A eleição no PSD e o congresso do CDS são rituais meio primitivos de um ano de seca. E não é provável que chova tão cedo.» (Vasco Pulido Valente, Público, 07-05-2006)
Leituras de fim de semana

Catarina Resende pega na Amélia de Jorge Palma. Actualiza-a. Transforma-a numa "bandeira da tolerância" - a frase não é dela, mas poderia ser - na guerra pelo direito à interrupção voluntária da gravidez.
A editora, num golpe publicitário inteligente, vende o livro juntamente com o CD do Palma (vai, de certeza, assegurar mais que uma edição).
O problema é que Do Lado Errado da Noite não é uma pérola da literatura. Lê-se entre uma ida à casa de banho e uma bica, é verdade.
Também é verdade que Catarina Resende, uma aspirante a escritora (esta definição é mesmo dela) tem uma escrita fluída, desembaraçada.
Mas no fim do livro deixa-nos com a sensação de não ter conseguido captar a densidade e a complexidade do meio e das personagens sobre os quais escreve.
No Lado Errado da Noite não acrescenta nada. Nem à música do Jorge Palma, nem à alma (ou ao cérebro, de quem o lê).
Mas vai vender bem, ora se vai...
O lado errado da noite
do seu pobre ventre inchado, sujo e decadente
quando Amélia desceu da carruagem dura e pegajosa
com o coração danificado e a cabeça em polvorosa
na mala o frasco de 'Bien-Etre' mal vedado
e o caderno dos desabafos todo ensopado
Amélia apresentava todos os sintomas de quem se dirige
ao lado errado da noite
Para trás ficaram uma mãe chorosa e o pai embriagado
o pequeno poço dos desejos todo envenenado
a nódoa do bagaço naquela farda republicana
que a queria levar pra cama todos os fins de semana
e o distinto patrão daquela maldita fundição
a quem era muito mais difícil dizer não
Amélia transportava todas as visões de quem se dirige
ao lado errado da noite
Amélia encontrou Toni numa velha leitaria
entre as bolas de Berlim com creme e o sol que arrefecia
ele falou-lhe de um presente bom e de um futuro emocionante
e escondeu-lhe tudo o que pudesse parecer decepcionante
mais tarde, no quarto de pensão,
chamou-lhe sua mulher
seria ele a orientar o negócio de aluguer
Toni tinha todas as qualidades pra ser um rei
no lado errado da noite
Jonas está agarrado ao seu saxofone
a namorada deu-lhe com os pés pelo telefone
e ele encontrou inspiração numa notícia de jornal
acerca de uma mulher que foi levada a tribunal
por ter assassinado uma criança recém nascida
o juiz era um homem que prezava muito a vida
e a pena foi agravada por tudo se ter passado
no lado errado da noite
Jorge Palma
Palma e palmas
Mas as palmas ficam para a organização da Feira do Livro. Este ano mais participada que em anos anteriores.
6.5.06
O Bem versus O Mal

Caro colega,
Compreendo as tuas palavras, mas não as percebo.
Esperava uma outra atitude. Infelizmente, enganei-me. No entanto, é a tua opinião. Respeito-a, mas não concordo com ela, por diversos motivos:
O Edifício 2000 tem apenas 5 pisos. O Funchal Centrum, depois de pronto, vai ficar com 7. (Não há nenhum prédio voltado para o Funchal Centrum com tamanha volumetria) Além disso, existem outras grosseiras violações da lei. Se há um responsável, o primeiro é a Câmara do Funchal. Foi ela quem aprovou o projecto. Em segundo lugar, os arquitectos. Reivindicam a assinatura exclusiva de projectos, mas o discurso não coincide com a prática
Concluo por isso, das duas uma : - Ou ainda não apreenderam a ler um PDM de um município; - ou são autênticos violadores das leis.
Parece-me que é a segunda hipótese, a mais correcta. Infelizmente existe uma Ordem dos Arquitectos , mas a Ordem só serve para manter o “status quo” da classe. Não pune quem não cumpre as regras. Organiza umas conferências, mobiliza uma malta, quando é necessário dar nas vistas. O resto é conversa fiada.
Quanto aos denominados “ayatolas” estão apenas e tão só, a exercer um direito que a lei lhes confere. Já que os eleitos não salvaguardam os interesses dos eleitores, alguém está fazê-lo.
Já agora, que o Funchal Centrum sirva de exemplo, aos nossos autarcas e governantes de Portugal.
Mas o que é que tem o “Funchal Centrum”?
Esses tipos, sempre os mesmos, divertem-se a embargar obras através de manigâncias jurídicas. Vendo-os de perto, esses mesmos tipos, pelo menos os que conheço, de bom gosto não têm nada. Têm casas horríveis, vestem-se mal, falam mal, têm hábitos saloios, possuem carros feios e barulhentos. Depois, nos jornais e na televisaozinha que deus nos deu, ainda os temos que ouvir.
E não me contem histórias, porque também sei muitas. A do “Hinton”, por exemplo, funciona ao contrário.
Já sei que vão chover comentários a dizer que há ali negociatas, esquemas, violações grosseiras do PDM e tudo mais, e que eu devia era estar calado. Não quero saber, prossigam a obra se faz favor.
Magno Velosa
4.5.06
The Constant Gardner
Não entro em discussões estéticas cinéfilas, sobre as técnicas elipsistas (perdoem-me o neologismo), a “sujidade” da imagem ou os benefícios da câmara ao ombro, pois apesar de gostar muito de cinema, não sou grande especialista.
O que me comoveu foi a sensação gritante – que, de resto, acompanhou-me ao longo de todo o filme – que a história poderia perfeitamente ser verídica. O que me revoltou foi saber que existem muitas empresas farmacêuticas que se aproveitam da miséria daquela gente para testar drogas. O que me indignou é que somos – todos, sem excepção! – coniventes com a barbaridade cometida pelos chefes tribais e senhores da guerra, que se auto-denominam de classe política, que por meia dúzia de dólares vendem o povo à voracidade de multinacionais menos escrupulosas. O que me chocou foi a confirmação de que um africano vale infinitamente menos do que eu e que consequentemente é dispensável. O que me enojou foi a comprovação (silly me!) que empresas farmacêuticas e outras que tais, recebem milhões em benesses fiscais, ao abrigos das leis do mecenato, para enviarem para África produtos com validades ultrapassadas.
Afinal, as pessoas africanas não são bem pessoas, são assim como uns elos perdidos e que, portanto, a sua pobreza é normal. Afinal, ainda são sociedades tribais, não é?
O problema de África é o de ainda existirem demasiados africanos que clamam pela nossa ajuda. São ainda demasiadas bocas que gritam. Portanto, se diminuírem, não faz mal!
Há uns tempos, o Bruno Macedo escreveu aqui um post, de que resto, concordo na generalidade, sobre África e os regimes militares, autoritários, corruptos e criminosos que grassam por aquele continente. Disse que este era o seu maior problema (não tive tempo para pesquisar, portanto é possível que as afirmações não estejam precisas). É verdade. Como também é verdade que apaziguamos a nossa consciência enviando para lá meia dúzia de patacas e uns saquinhos de arroz e chamamos-lhe de ajuda. Não tenho qualquer trauma colonialista. Mas sinceramente acho que podemos e devemos fazer algo por aquele continente. Acredito piamente que alguma coisa de boa aconteceria se apenas olhássemos as pessoas que lá vivem de outra forma. Se todos nós, que vivemos num continente civilizado, reivindicássemos que os nossos governos e as nossas empresas agissem lá, como exigimos que ajam cá.
2.5.06
Pergunta (II)
Não sei responder, mas arriscaria prognosticar que a boa da esquerda culta e intelectual europeia irá justificar estas evoluções com a necessidade da Bolívia proteger os seus recursos naturais das sôfregas garras da rapina nortenha. Aliás, como já o tinha feito com o ditador Chàvez!
Pergunta (I)
brasileiros neste sector na Bolívia?
Koeman
Agora, esqueceu o desportivismo que demonstrara durante uma data de tempo e veio questionar o profissionalismo dos jogadores do Rio Ave, essa brilhante equipa de bola, por terem sofrido três golos esquisitos contra o Sporting.
Parece que na selectiva memória do bendito holandês imagens como as de Valnei a atrasar a bola a Mantorras, do guarda-redes do Gil Vicente a dar a bola a um avançado lampião, deixando a baliza completamente escancarada, ou de um defesa a marcar um belíssimo golo no último minuto de um "zero-zero" inevitável na Luz não aparecem. Foram apagadas. Penso que pelo desespero de quem conduziu o plantel mais caro da Liga à actual situação.
De facto, ninguém quer as desculps do homem da Holanda (terra que de bom só produziu girassóis, Van Gogh e os coffeeshops). O que todos queremos é que o bom do Koeman fique na Luz por mais uns anos. Olarila!
I Encontro de Blogs de Vila Viçosa
I Encontro de Blogues de Vila Viçosa
Dia 22 de Julho venha até Vila Viçosa conviver com os seus amigos, traga a sua família, tenha a oportunidade de se maravilhar com a beleza de Vila Viçosa, passe um dia diferente no I Encontro de Blogues de Vila Viçosa!
Blogs Aderentes (até agora):
O Restaurador da Independência
Emprego Alentejo
Taberna dos Inconformados
Cidadela dos Incultos
Abatá Afefê
Quinto Império
O blog dos leitores
Quando li esta frase, lembrei-me de uma rapaz mal intencionado, que num célebre dia decidiu (não se sabe a mando de quem) ocultar factos sobre uma pesquisa que elaborou com o fundamento de montar uma peça jornalística.
Esse rapaz com “Ar de leviano” abusou da boa vontade dos elementos de um órgão de poder local, roubando-lhes tempo para ajudar os que mais precisam, e acima de tudo adulterando tudo o que lhe foi dito.
Na verdade não lhe foi pedido para escrever o que quer que fosse, na verdade as pessoas deveriam por respeito mútuo para com todos os habitantes da cidade do Funchal, limpar a porta das suas casas e não esperar que fosse uma Junta de Freguesia a fazê-lo, na verdade deveriam ter afirmado que o seu rendimento era superior a dois salários mínimos nacionais logo, a Junta de Freguesia deveria canalizar subsídios aos mais carênciados.
Tudo foi dito a este senhor, mas a verdade não interessou.
Luís Filipe Santos









