Um qualquer anónimo perguntou na caixa de comentários pelo semita, com certeza referindo-se ao Carlos Rodrigues, pelo facto deste colega blogger defender o Estado de Israel e a sua legítima luta pela defesa da segurança do seu povo. Não quero aqui fazer a defesa do Carlos, que nem sequer conheço (nunca falámos), pois a tentativa de ofensa é tão idiota que nem vale a pena, por um lado e, por outro, ele não precisa.
Não vou também falar da nível cultural de alguns comentadores, que em vez de discutirem ideias (hello, é para isso que a caixa de comentários serve!), se prazenteiam com a ofensa fácil e gratuita.
O que me leva a escrever hoje foi a observação do Paulo Camacho, na SIC, em que este se questionava sobre veracidade da afirmação israelita, que nomeia o Hezbollah de grupo terrorista. Então, se não são terroristas são o quê? Porque o movimento pode ter nascido como uma força de resistência de ocupação, mas o Líbano já não está ocupado há alguns anos.
E irrita-me que algumas cabecinhas bem-pensantes portuguesas tentem branquear as actividades deste grupo terrorista, que provocou inúmeros atentados terroristas durante anos a fio, que patrocinou e formou outros tantos, que continua a insistir na destruição do Estado Israelita. Eu posso não gostar da forma como Israel foi criado, eu até posso discordar desta ofensiva israelita (que, de resto parece-me inútil, pois apenas vai servir para reforçar o extremismo islâmico), eu posso até achar que Israel está a proceder como os seus inimigos, quando destrói habitações, instalações da ONU ou estradas, sem ligar às baixas civis, mas jamais poderei duvidar que o Hezbollah é um grupo terrorista que precisa de ser destruído, a bem da segurança do povo israelita e da paz no Médio Oriente.
PS - Não me admirava nada que qualquer dia Nasrallah seja proposto para Nobel, como um dia o foi aquele outro terrorista, entretanto re-baptizado de resistente, que deu pelo nome de Arafat.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
26.7.06
25.7.06
Ana&Jorge

Um dos bons discos que comprei nos últimos tempos. Celebrando os sucessos de Estampado (2003) e de Cru (2004), Ana Carolina e Seu Jorge juntaram-se em São Paulo, no Tom Brasil, para um concerto ao vivo, agora editado em CD e DVD sob o nome simples de Ana&Jorge.
Carolina e Seu Jorge são, se calhar, dois dos melhores produtos musicais que o Brasil exporta actualmente. Boas composições e letras que denotam forte preocupação social são comuns a ambos.
Há, no entanto, diferenças óbvias entre eles. Seu Jorge, um "carioca" que vive entre São Paulo e Paris, defende seu futebol em territórios como o samba - começa o concerto interpretando a solo São Gonça, que já vem do tempo de Farofa Carioca - mesmo que travestido de "samba urbano" (exemplos mais claros são o já referido São Gonça, Mania de Peitão, Tive Razão ou Chatterton, todos de Cru), misturando-o com outros géneros populares. É o mais digno representante de um certo "Brasil cool".
Ana Carolina, bela mineira de Juiz de Fora, cantora de timbre grave, embora também "toque" no samba e na bossa nova, bebe mais influências do rock e no pop (incluindo em gente como Cazuza), sendo muitas das suas canções uma estranha (e apetecível) mistura de rock progressivo e lirismo, de potência sonora e de calma transmitida pelo som acústico de violoncelos ou violinos.
Apesar das diferenças, os dois músicos revelaram uma sintonia impressionante, particularmente em temas como Tanta Saudade (Djavan e Chico Buarque), É Isso Aí (Carolina), Chatterton (Seu Jorge), Beatriz (canção belíssima resultante da parceria de Edu Lobo e Chico Buarque) ou Beat da Beata (Carolina).
Destaque também para a interpretação que Seu Jorge faz de Zé do Caroço, de Leci Brandão, ou para Ana Carolina em Brasil Corrupção, (Tom Zé e Ana Carolina).
Enfim, um dos (poucos) bons produtos da MPB nos últimos tempos.
Um Dia Frio
Um Dia Frio
Um dia frio
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você,
E tudo me divide
Longe da felicidade
E todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo,
És manhã na natureza das flores
Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia,
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você.
E tudo nascerá mais belo,
O verde faz do azul com amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris
Djavan
Um dia frio
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você,
E tudo me divide
Longe da felicidade
E todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo,
És manhã na natureza das flores
Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia,
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você.
E tudo nascerá mais belo,
O verde faz do azul com amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris
Djavan
Um Dia Frio
Na caixa de música deste blog está a tocar uma das minhas canções favoritas, de um dos bons músicos contemporâneos.
Um Dia Frio, de Djavan.
Um Dia Frio, de Djavan.
E então, pá?
Já sinto a falta das opiniões do Carlos sobre Israel e a Palestina... Agora que era bom que alguém explicasse aquela merda toda, o homem desapareceu. Ter-se-á voluntariado para as Forças Armadas Israelitas?
Um Guronsan para a JS

A semana passada a Juventude Socialista organizou o seu ajuntamento nacional na Guarda (a que chamaram congresso). Como se esperava, daquele ermo, e daquelas cabecinhas, não saiu nada. Consta que foi tão mau, tão mau, que não houve um só tema inteligível.
Além das habituais frases inócuas como “acreditar no futuro”, ou “preparar Portugal”, o que mais houve foram bebedeiras e jovens ensonados sobre as mesas trajados como se estivessem num festival de rock. Como há muito não alimento esperanças com ideias saídas de encontros de juventudes partidárias, sobretudo dos da esquerda lunática, o que posso sugerir é que em próximos ajuntamentos a organização inclua no dossier de “trabalho” um Guronsan.
Jornais e revistas? No Verão não

Há vários Verões que já tinha chegado à conclusão de que não vale a pena gastar um cêntimo em jornais e revistas portuguesas. Mesmo com esforço, pois quando se gastam uns trocos vem essa estúpida “obrigação” de ter que ler, não se encontra rigorosamente nada de interessante. Tirando, claro está, o país a arder, a maluqueira dos raios ultra-violeta e, por acaso conjuntural, a guerra de Israel contra o medieval mundo árabe.
Não havendo assunto, vêm, pois, as coisas óbvias. E então são capas e capas de publicações supostamente idóneas com manchetes absurdas. São “os novos destinos de férias dos portugueses”, a maioria de praias e rochedos perdidos, “os dez melhores restaurantes do país”, quase todos presunçosos e inexplicavelmente caríssimos, “férias com crianças”, que explicam como não as deixar berrar em todos os sítios, ou ainda, para cúmulo, “como fazer férias sem gastar um tostão”.
Seguem-se os bons conselhos que até devem ofender quem os lê. “No Verão coma melão” ou “na praia, não se esqueça, beba muitos líquidos”. Para condimentar tudo isto há sempre a biografia das extravagâncias de meia dúzia de nobres que nunca trabalharam e que, até afirmam com altivez, nunca usaram ténis.
Ao menos as revistas “cor-de-rosa”, não que sirva de consolo, mantêm o seu habitual “nível” editorial, e por vezes até o elevam, mostrando fotos raras de mulheres interessantes por fora.
É por isto que, vão por mim, jornais e revistas no Verão não.
21.7.06
Perderá a Educação
Confesso que tenho alguma simpatia pela ministra da Educação. É uma mulher determinada, corajosa e que, pelo menos aparentemente, sabe o que faz e onde quer chegar. Dramaticamente, parece ter caído numa armadilha na questão dos Exames nacionais. Há quem defenda que foram sectores do ministério mais avessos à mudança que, propositadamente, criaram o cenário que levou à inevitável fragilização de Maria de Lurdes Rodrigues. É pena.
Tive o prazer de tê-la como professora no ISCTE. E, garanto-vos, era das melhores docentes daquela escola. Até porque Maria de Lurdes Rodrigues é essêncialmente uma professora e investigadora. Não tem "escola" política. E tem um trajecto partidário limitado. Dois "handicaps" que "algum" PS não perdoa. Porque, não se duvide, mais do que da oposição a Ministra da Educação está a ser vítima dos lóbis internos do Partido Socialista. Tal como aconteceu com Freitas do Amaral, de resto.
Ontem, Maria de Lurdes Rodrigues saiu-se péssimamente no Parlamento. Estou em crer sairá do Governo na próxima oportunidade que José Sócrates tiver para remodelar. Eventualmente, será substituída por um "cão de fila" - como é tradicional. mais uma vez, a Educação ficará a perder. Para gáudio dos incompetentes que vivem à sombra do sistema (sindicatos e sindicalistas incluídos).
Tive o prazer de tê-la como professora no ISCTE. E, garanto-vos, era das melhores docentes daquela escola. Até porque Maria de Lurdes Rodrigues é essêncialmente uma professora e investigadora. Não tem "escola" política. E tem um trajecto partidário limitado. Dois "handicaps" que "algum" PS não perdoa. Porque, não se duvide, mais do que da oposição a Ministra da Educação está a ser vítima dos lóbis internos do Partido Socialista. Tal como aconteceu com Freitas do Amaral, de resto.
Ontem, Maria de Lurdes Rodrigues saiu-se péssimamente no Parlamento. Estou em crer sairá do Governo na próxima oportunidade que José Sócrates tiver para remodelar. Eventualmente, será substituída por um "cão de fila" - como é tradicional. mais uma vez, a Educação ficará a perder. Para gáudio dos incompetentes que vivem à sombra do sistema (sindicatos e sindicalistas incluídos).
20.7.06
Parlamentarices
São duas estórias deliciosas. Uma é boa, a outra é menos boa.
Dizem as más-línguas, que um destes dias, o Presidente da Assembleia ficou furioso.
Então, não é que um agente da PSP (que costuma estar à porta do Parlamento) não cumprimentou o homem.
Consta que Miguel Mendonça ficou indignado. Mandou um funcionário da Assembleia perguntar ao polícia se ele não conhecia quem tinha entrado?
Para testar o lapso do agente engendrou um plano maquiavélico Saiu por uma outra porta, deu a volta ao edifício, e entrou a falar ao telemóvel. Quando chegou a dentro comentou para o funcionário. Ele já aprendeu a lição.
A coisa boa é que foi este presidente que arranjou uma sala para os jornalistas fazerem o respectivo trabalho. Nisso esteve bem. No resto, tem estado mal.
Dizem as más-línguas, que um destes dias, o Presidente da Assembleia ficou furioso.
Então, não é que um agente da PSP (que costuma estar à porta do Parlamento) não cumprimentou o homem.
Consta que Miguel Mendonça ficou indignado. Mandou um funcionário da Assembleia perguntar ao polícia se ele não conhecia quem tinha entrado?
Para testar o lapso do agente engendrou um plano maquiavélico Saiu por uma outra porta, deu a volta ao edifício, e entrou a falar ao telemóvel. Quando chegou a dentro comentou para o funcionário. Ele já aprendeu a lição.
A coisa boa é que foi este presidente que arranjou uma sala para os jornalistas fazerem o respectivo trabalho. Nisso esteve bem. No resto, tem estado mal.
19.7.06
Gostava de escrever qualquer coisa, mas hoje prometi a mim mesmo, que não vou dizer mal de ninguém.
É como se fosse um dia santo.
“Eu, respeitador das regras sociais da religião, não vou pecar.”
Dizem que o Guilherme Teixeira, vereador das obras da Câmara de Santa Cruz, é um rapaz empenhado. Às vezes fica na Câmara a atender munícipes até às tantas (23 horas). E ninguém lhe dá o valor. Também dizem, mas eu não acredito, que existem empresários com os cabelos em pé no concelho. Já mandaram, inclusive, trabalhadores para casa porque a câmara não despacha os processos.
Outro cavalheiro é o presidente da Câmara do Funchal. Mais conhecido pelo “Cristo na Terra”. É uma jóia de homem. Cuida do roseiral, toca piano para as crianças e dizem que é monárquico. Vejam só! Monárquico! Deve ser coisa fina… O povo não sabe o que isso é, mas também não interessa. O importante é que cumprimenta as pessoas (ao contrário de outros delfins) e gosta de estar no meio da população. Nisso é um verdadeiro conquistador. Ou acham que dois mandatos não são obra? A última versão que ouvi é a que gosto mais. Não sei porquê. Há quem lhe chame o anti-Ornelas. Até pensei que era o tio Ornelas. Porreiro. Fica-lhe bem. Tem ar disso mesmo. De um tio bacano. Mas não!
ANTI-FERNÃO DE ORNELAS!!! …….
O nome não é estranho. Dei umas voltas pelas ruas do Funchal e lá encontrei. Umas voltas fictícias. É óbvio. Sair de casa a esta hora, nem pensar!
Depois é que me explicaram. O outro, o verdadeiro Fernão de Ornelas, abria ruas, este fecha-as.
Esta é boa. Mas qual é o problema….?
O trânsito! Porra!!.
Já podias ter dito antes. É que ando a pé e não tinha reparado no pormenor.
Está um caos!
Quem anda a pé não nota nada.
Assim cumpro a minha promessa. Não disse mal de ninguém.
Graças a Deus.
É como se fosse um dia santo.
“Eu, respeitador das regras sociais da religião, não vou pecar.”
Dizem que o Guilherme Teixeira, vereador das obras da Câmara de Santa Cruz, é um rapaz empenhado. Às vezes fica na Câmara a atender munícipes até às tantas (23 horas). E ninguém lhe dá o valor. Também dizem, mas eu não acredito, que existem empresários com os cabelos em pé no concelho. Já mandaram, inclusive, trabalhadores para casa porque a câmara não despacha os processos.
Outro cavalheiro é o presidente da Câmara do Funchal. Mais conhecido pelo “Cristo na Terra”. É uma jóia de homem. Cuida do roseiral, toca piano para as crianças e dizem que é monárquico. Vejam só! Monárquico! Deve ser coisa fina… O povo não sabe o que isso é, mas também não interessa. O importante é que cumprimenta as pessoas (ao contrário de outros delfins) e gosta de estar no meio da população. Nisso é um verdadeiro conquistador. Ou acham que dois mandatos não são obra? A última versão que ouvi é a que gosto mais. Não sei porquê. Há quem lhe chame o anti-Ornelas. Até pensei que era o tio Ornelas. Porreiro. Fica-lhe bem. Tem ar disso mesmo. De um tio bacano. Mas não!
ANTI-FERNÃO DE ORNELAS!!! …….
O nome não é estranho. Dei umas voltas pelas ruas do Funchal e lá encontrei. Umas voltas fictícias. É óbvio. Sair de casa a esta hora, nem pensar!
Depois é que me explicaram. O outro, o verdadeiro Fernão de Ornelas, abria ruas, este fecha-as.
Esta é boa. Mas qual é o problema….?
O trânsito! Porra!!.
Já podias ter dito antes. É que ando a pé e não tinha reparado no pormenor.
Está um caos!
Quem anda a pé não nota nada.
Assim cumpro a minha promessa. Não disse mal de ninguém.
Graças a Deus.
Confundir o cú com as calças
O Sr. presidente da Assembleia quer dignificar, diz ele, o parlamento. Como tal, começou pelo calçado e pela indumentária dos jornalistas. É uma questão de prioridades. Eu, porém, acho que deveria ter começado pelo funcionamento da casa e, porque não, pelos senhores deputados.
Em primeiro lugar, deveria começar a aplicar o regimento. Impor a lei é um bom começo para qualquer coisa.
Depois, poderia preocupar-se em manter a ordem na casa, evitando, tentando evitar ou penalizando os senhores parlamentares que tivessem comportamentos grosseiros. Meter a cabeça na terra como avestruz quando o "caldo entorna" não dignifica ninguém!
Poderia, em terceiro lugar, preocupar-se criar condições para elevar o nível do debate, que nestes tempos, tem andado na mó de baixo, ou não fosse o "Campanário um sítio onde toda a gente vive feliz e contente".
Se ainda houvesse tempo, procuraria assegurar uma boa cobertura informativa da vida parlamentar. E como? Criando, por exemplo, o tão falado "canal Parlamento", promovendo ou colaborando na idealização e realização de pequenas acções de formação sobre jornalismo parlamentar destinadas aos profissionais da informação e aos senhores deputados, alargando o âmbito do sítio da ARM na Net entre muitas outras coisas que não digo, porque a assessoria de comunicação paga-se, como é óbvio!
Mas o senhor presidente da ARM parece ter outras prioridades. E vai daí, acha que o calçado e as calças de ganga dos jornalistas é que não dignificam a Assembleia. Parece-me, no entanto, que está a confundir o "cú com as calças" - falamos de roupa, como é óbvio!
Em primeiro lugar, deveria começar a aplicar o regimento. Impor a lei é um bom começo para qualquer coisa.
Depois, poderia preocupar-se em manter a ordem na casa, evitando, tentando evitar ou penalizando os senhores parlamentares que tivessem comportamentos grosseiros. Meter a cabeça na terra como avestruz quando o "caldo entorna" não dignifica ninguém!
Poderia, em terceiro lugar, preocupar-se criar condições para elevar o nível do debate, que nestes tempos, tem andado na mó de baixo, ou não fosse o "Campanário um sítio onde toda a gente vive feliz e contente".
Se ainda houvesse tempo, procuraria assegurar uma boa cobertura informativa da vida parlamentar. E como? Criando, por exemplo, o tão falado "canal Parlamento", promovendo ou colaborando na idealização e realização de pequenas acções de formação sobre jornalismo parlamentar destinadas aos profissionais da informação e aos senhores deputados, alargando o âmbito do sítio da ARM na Net entre muitas outras coisas que não digo, porque a assessoria de comunicação paga-se, como é óbvio!
Mas o senhor presidente da ARM parece ter outras prioridades. E vai daí, acha que o calçado e as calças de ganga dos jornalistas é que não dignificam a Assembleia. Parece-me, no entanto, que está a confundir o "cú com as calças" - falamos de roupa, como é óbvio!
Não o acordem
Os senhores Serrão e Freitas andam particularmente atentos. E, na companhia do Sr. Martins, participam numa conferência de imprensa por dia. Tudo serve para carregarem os gravadores que lhes são estendidos. O assunto pode ter importância e pode não ter importância nenhuma, pode ser relevante ou não interessar ao "menino Jesus" que os tais dirigentes não se escusam de dar umas palavritas à imprensa. Surgem sempre dramaticamente carrancudos, como se a vida fosse um fardo que arduamente têm de suportar. E pior, levam-se a sério, o que revela uma notória falha na percepção do real!
Alguém disse ao Dr. Serrão que um dia haveria de ser presidente do Governo. E o homem, desafortunadamente, acreditou. Vestiu o melhor fatinho que pôde, ajeitou uma gravatita com o nó da moda, pôs uns óculos e desceu até à cidade, disposto a ser importante. E ei-lo, a viver o seu sonho côr de rosa! Por favor, não o acordem até 2008 (esta foi para ti, Vítor!).
Alguém disse ao Dr. Serrão que um dia haveria de ser presidente do Governo. E o homem, desafortunadamente, acreditou. Vestiu o melhor fatinho que pôde, ajeitou uma gravatita com o nó da moda, pôs uns óculos e desceu até à cidade, disposto a ser importante. E ei-lo, a viver o seu sonho côr de rosa! Por favor, não o acordem até 2008 (esta foi para ti, Vítor!).
Comentário
Eis o comentário "crítico" de um anónimo. O domínio do português diz bem da inteligência da criatura:
"Correcção: "se calhar por isso abandonáste o jornalismo. Não estavas à altura".
"Correcção: "se calhar por isso abandonáste o jornalismo. Não estavas à altura".
17.7.06
Coisas boas

Uma sugestão de Verão: Djavan ao Vivo. Neste duplo cd há a vida toda. Cantada e contada de tal forma que, aposto, juntando todos os músicos e músicas portuguesas feitas até hoje não sei se estas dirão tanto e tão bem. Ainda assim, convém ter presente, aquilo que se ouve jamais reside naquilo que se diz.
Explicações de Português (II)
Porque não há verdadeiramente assuntos políticos de interesse, e porque ninguém consegue verdadeiramente dar luta a José Sócrates, que se passeia aonde quer que vá, aqui vão mais alguns “pecados” linguísticos escutados e lidos frequentemente.
Ouvi numa rádio regional que a ExpoMadeira 2006 registou uma boa "aderência” de pessoas. Se foram todas de ténis para a mostra até acredito que a "aderência" ao solo tenha sido boa. Mas se não foram todas assim calçadas, como se presume, então o que houve foi uma boa "adesão". Que coisa difícil!
Depois, igualmente via rádio, ouvi que se iria proceder à "restauração" de uma chaminé de uma antiga fábrica de conservas. Se bem entendi, e se bem os ouvintes entenderam, o que se irá fazer ali é um restaurante, ou estabelecimento similar. A verdade é que não é nada disto que se vai fazer. O que o ignorante locutor queria dizer era que se irá proceder ao "restauro" da chaminé, isto é, à sua conservação.
Outro caso mais que até já dói nos ouvidos, nos meus pelo menos. "Ir ao encontro de" é o oposto, mesmo o oposto, de "ir de encontro a". Quem vai ao encontro da opinião de outro, está, no plano das ideias, de comum acordo, isto é, partilha da mesma opinião. Agora, quem vai de encontro à opinião de outro está, claramente, em desacordo, em oposição. O mesmo se passa no plano físico. Ir ao encontro de uma pessoa é, de facto, acompanhá-la, ir para perto dela. Ir de encontro a uma pessoa será, de facto, chocar com ela, como com frequência acontece nas ruas.
Isto são subtilezas e preciosismos, são sim senhor. Contudo, espanto-me em verificar que tantos "sábios", que dominam este universo e o outro e que ainda por cima os temos que ouvir e ler todos os dias, não sejam capazes de dominar as simples regras da sintaxe e da semântica na língua em que falam e escrevem.
PS: O próximo exercício, fica prometido, será “pegar” nos jornais regionais e mostrar, com evidências, que alguns jornalistas (não espero poucos!) terão que voltar à escola.
Ouvi numa rádio regional que a ExpoMadeira 2006 registou uma boa "aderência” de pessoas. Se foram todas de ténis para a mostra até acredito que a "aderência" ao solo tenha sido boa. Mas se não foram todas assim calçadas, como se presume, então o que houve foi uma boa "adesão". Que coisa difícil!
Depois, igualmente via rádio, ouvi que se iria proceder à "restauração" de uma chaminé de uma antiga fábrica de conservas. Se bem entendi, e se bem os ouvintes entenderam, o que se irá fazer ali é um restaurante, ou estabelecimento similar. A verdade é que não é nada disto que se vai fazer. O que o ignorante locutor queria dizer era que se irá proceder ao "restauro" da chaminé, isto é, à sua conservação.
Outro caso mais que até já dói nos ouvidos, nos meus pelo menos. "Ir ao encontro de" é o oposto, mesmo o oposto, de "ir de encontro a". Quem vai ao encontro da opinião de outro, está, no plano das ideias, de comum acordo, isto é, partilha da mesma opinião. Agora, quem vai de encontro à opinião de outro está, claramente, em desacordo, em oposição. O mesmo se passa no plano físico. Ir ao encontro de uma pessoa é, de facto, acompanhá-la, ir para perto dela. Ir de encontro a uma pessoa será, de facto, chocar com ela, como com frequência acontece nas ruas.
Isto são subtilezas e preciosismos, são sim senhor. Contudo, espanto-me em verificar que tantos "sábios", que dominam este universo e o outro e que ainda por cima os temos que ouvir e ler todos os dias, não sejam capazes de dominar as simples regras da sintaxe e da semântica na língua em que falam e escrevem.
PS: O próximo exercício, fica prometido, será “pegar” nos jornais regionais e mostrar, com evidências, que alguns jornalistas (não espero poucos!) terão que voltar à escola.
Discutir com fanáticos
Num jantar recente, uma discussão calorosa toma lugar. De um lado, um bando de fanáticos que acha que as pessoas são totalmente incapazes de discernir o certo do errado e do outro lado, eu, um modesto rapaz que se preocupa excessivamente com a liberdade. Pelo menos com a minha. A coisa descamba porque defendo que o Estado não deve impor o uso do capacete aos motociclistas ou do cinto de segurança aos condutores de automóvel (não aos seus passageiros, o que é diferente) e que isso é meio caminho andado para a imposição descabida de mil e uma outras coisas, disfarçadas de necessidade absoluta como a extraordinária multa que se quer passar a quem desrespeite uma bandeira vermelha na praia. Toda a gente me salta em cima: como é possível que alguém diga semelhante barbaridade? Cruzes credo, sou um bárbaro e desconhecia. De facto, vivemos num mundo povoado de insensatos, desde que a ciência nos prometeu que a imortalidade pode ser terrena em vez de espiritual. Basta ver os cuidados com a alimentação, o desporto desenfreado e a paranóia pelos ambientes saudáveis. Toda a gente quer viver até aos 150 anos. No mínimo. Tento me defender assim, como é óbvio, contra-atacando. Não alinho nisso. Nem em nada do género. O Estado não é omnipotente e não me deve dizer como devo ou não devo viver. Uma coisa é uma regra de trânsito que visa estabelecer as condições para circular nas estradas e outra bem diferente, são os adereços que devo ou não devo usar, supostamente para minha segurança. Um trovão quase me cai em cima da pinha. Os meus adversários ficam fulos, furiosos e furibundos (outro conjunto de três éfes famoso). Que se quisesse isso que assinasse uma declaração em como recusava a assistência do Estado no caso limite de me acontecer alguma coisa porque os contribuintes não têm que sustentar irresponsáveis e coisas do género. Perante este género de argumento pré-histórico decidi calar-me. Afinal, já ouvi dizer que não é saudável para o coração discutir com fanáticos.
Não lhe passam a bola
O Dr. Borges, uma curiosa personagem do mundo da alta finança, anda ligeiramente irritado com o Dr. Mendes, líder do PSD. Diz o Dr. Borges no Expresso desta semana que se ofereceu (não solitariamente) para ajudar o PSD a reformar o seu programa, mas que o Dr. Mendes nunca o chamou, colocando o mesmo nas mãos de gente pouco credível, (com a honrosa excepção do Dr. Balsemão, ressalvou ele). O Dr. Borges é algo caricato e um caso evidente de fabrico mediático: não se lhe conhece nenhum percurso político de relevo, mas arroga-se profundo conhecedor de tudo e mais alguma coisa, nomeadamente do Estado português o que lhe parece prometer, julga ele, um futuro algures como primeiro-ministro.
Reconheço que jamais votaria no Dr. Borges. E por duas razões muito simples: o Dr. Borges não é um político, é um mero técnico que alegadamente percebe de finanças e seus derivados (primeira razão) e porque o Dr. Borges representa (ou é o testa de ferro) um grupo de gente que não se quer reformar da política e que passa a vida a emperrar e a prejudicar as lideranças do PSD (segunda razão). Não sei porque se perde tempo a dar espaço a gente com pouca importância. Julgo que o Verão propicia este tipo de comportamento e dá azo a estas notícias. Mas é chegada a altura de colocar travão neste senhor: se quer assim tanto mandar, que se candidate. Não se refugie atrás de uma moção. Dê a cara. Apresente uma equipa. Vá a votos. É o mínimo que se pode exigir. Se quer legitmidade, conquiste-a.
Reconheço que jamais votaria no Dr. Borges. E por duas razões muito simples: o Dr. Borges não é um político, é um mero técnico que alegadamente percebe de finanças e seus derivados (primeira razão) e porque o Dr. Borges representa (ou é o testa de ferro) um grupo de gente que não se quer reformar da política e que passa a vida a emperrar e a prejudicar as lideranças do PSD (segunda razão). Não sei porque se perde tempo a dar espaço a gente com pouca importância. Julgo que o Verão propicia este tipo de comportamento e dá azo a estas notícias. Mas é chegada a altura de colocar travão neste senhor: se quer assim tanto mandar, que se candidate. Não se refugie atrás de uma moção. Dê a cara. Apresente uma equipa. Vá a votos. É o mínimo que se pode exigir. Se quer legitmidade, conquiste-a.
Um paradoxo
De acordo com notícias recentemente vindas a público e que alguns blogues também fizeram questão de mencionar, a Dra. Ana Gomes e o Dr. Carlos Coelho, ambos eurodeputados portugueses (a primeira pelo PS e o segundo pelo PSD), andam preocupados com os famigerados voos secretos da CIA em território europeu, razão que os fez pedir esclarecimentos ao governo português sobre tão traumatizante assunto. Desconheço se o Eng. Sócrates já os mandou dar uma volta ao bilhar grande ou a qualquer outro lugar menos convidativo, mas o empreendimento da dupla revela bem o absurdo em que se transformou o Parlamento Europeu, determinado em espezinhar o que resta da soberania dos Estados. Claro que vindo de quem vem a coisa não espanta: a Dra. Gomes não é propriamente conhecida pelo bom senso e o Dr. Coelho não passa de um burocrata que acha que a Europa onde ele vive é o melhor dos mundos. Face ao exposto, estamos perante sinais inequívocos de que esta dupla vive perfeitamente alienada da realidade que nos envolve. Einstein dizia que apenas duas coisas eram infinitas. A estupidez humana, como se recordam, era uma delas, como aqui, amável e cordialmente, a Dra. Gomes e o Dr. Coelho, fizeram questão de comprovar.
No meio disto tudo há algo que verdadeiramente me dilacera: a obstinação desta gente centra-se na CIA e não nos terroristas que ela combate. É que eu pensava que quem verdadeiramente nos ameaçava eram os terroristas. E não a CIA. Mas que curioso paradoxo.
No meio disto tudo há algo que verdadeiramente me dilacera: a obstinação desta gente centra-se na CIA e não nos terroristas que ela combate. É que eu pensava que quem verdadeiramente nos ameaçava eram os terroristas. E não a CIA. Mas que curioso paradoxo.
Burocráticos

Gosto muito deste meu país.
Um gajo tenta resolver um assunto através dos canais formais mas dificilmente consegue falar com o respectivo caramelo.
A resposta mais comum e idiota é que está numa reunião. (Muitas reuniões se fazem. Os resultados desses encontros de trabalho, inadiáveis e ininterruptos é que são nulos). Reúne-se por tudo e por nada. Ou melhor, inventam-se reuniões para não decidir, para não responder às legítimas questões colocadas pelos cidadãos.
Não vou revelar o departamento do Governo, que há semanas, tento contactar via telefone um macaco.
A outra desculpa esfarrapada das secretárias (coitadas, são pagas para mentir, mas nem isso sabem fazer) é que não está.
No entanto, quero desfazer o mito. Encontrei uma secretária sincera. Disse que o fulano que procuro tinha ido tomar café. Pediu-me para ligar dentro de 20 minutos. Passado o respectivo tempo Liguei. O homem ainda não tinha chegado do café. Dez minutos depois voltei a ligar, mas ainda continuava algures.
É uma autêntica festa a administração pública. Para chegar à fala com alguém é um autêntico purgatório. Muitas vezes para nos dizerem que o assunto é da responsabilidade de outro colega.
Voltam os telefonemas, os pedidos humildes e quase rastejantes para falar com o Drº, com a Drª, ou o Senhor Engenheiro.
Entretanto, o tempo avança e a questão continua por resolver.
É assim no meu país, é assim na minha terra.
14.7.06
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drumond de Andrade
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drumond de Andrade
E agora, José?
Concluída a investigação, parece que o Independente acertou em cheio quando denunciou o "caso" Freeport de Alcochete. Que envolve o actual primeiro-ministro José Sócrates. A mim, tanto se me dá como se me deu que o homem tenha utilizado a influência enquanto ministro do Ambiente para beneficiar um grupo económico. Estou-me, literalmente, a borrifar para o assunto. Por isso, sem grandes discursos, e sem moralismos, limito-me a registá-lo. E agora aguardo para ver as reações.
- E agora, José?
-E agora nada!
- E agora, José?
-E agora nada!
A Raiz do Mal
Só falta pagar para ir à casa de banho, como na Europa civilizada. Ou este governo deve andar louco, ou então, está faminto de dinheiro.
Pago os meus impostos mensalmente. Pago IVA, Pago taxas sobre taxas, por tudo e por nada. Pago Imposto Municipal, da recolha do lixo, da água, dos resíduos sólidos. A taxa do contador, do esgoto, da estrada. Além disso, ainda desconto para o Estado sempre que efectuo uma transacção comercial, e ainda vou pagar para praticar desporto nas infra-estruturas públicas?
É o cúmulo das ironias. Como se as piscinas, os campos de futebol, de ténis e outros recintos, não foram construídos com o dinheiro dos contribuintes.
O discurso e a prática são antagónicos. Num dia vem um Secretário Regional (até é uma Secretária) apelar para a população praticar desporto. No outro dia, aparece um outro secretário, com um discurso quase inverso. “Como é necessário disciplinar a utilização das infra-estruturas desportivas, vamos cobrar uma taxa, por utente”.
Tenho quase a certeza que, a longo prazo, quem fica a perder é a Região. Sobretudo por causa do preocupante índice de obesidade que já existe. De certeza que nos próximos anos a factura do Serviço Regional de Saúde vai disparar.
É a consequência óbvia e imediata de uma política que só desincentiva as boas práticas. Neste caso o desporto.
Pago os meus impostos mensalmente. Pago IVA, Pago taxas sobre taxas, por tudo e por nada. Pago Imposto Municipal, da recolha do lixo, da água, dos resíduos sólidos. A taxa do contador, do esgoto, da estrada. Além disso, ainda desconto para o Estado sempre que efectuo uma transacção comercial, e ainda vou pagar para praticar desporto nas infra-estruturas públicas?
É o cúmulo das ironias. Como se as piscinas, os campos de futebol, de ténis e outros recintos, não foram construídos com o dinheiro dos contribuintes.
O discurso e a prática são antagónicos. Num dia vem um Secretário Regional (até é uma Secretária) apelar para a população praticar desporto. No outro dia, aparece um outro secretário, com um discurso quase inverso. “Como é necessário disciplinar a utilização das infra-estruturas desportivas, vamos cobrar uma taxa, por utente”.
Tenho quase a certeza que, a longo prazo, quem fica a perder é a Região. Sobretudo por causa do preocupante índice de obesidade que já existe. De certeza que nos próximos anos a factura do Serviço Regional de Saúde vai disparar.
É a consequência óbvia e imediata de uma política que só desincentiva as boas práticas. Neste caso o desporto.
12.7.06
O Prof. Cavaco
Alguns sectores da direita, do PSD e do CDS, andam chateados. E andam chateados com o quê ou com quem, para sermos mais precisos? Andam chateados, nem mais nem menos, com o Prof. Cavaco e com a sua actuação, cúmplice e conivente, para com a governação socialista. Infelizmente, o faro político de algumas pessoas não é muito apurado e o próprio Prof. Cavaco, um reputado economista especialista em boas e más moedas e em delinear estratégias e agendas muito pessoais, há muito que tinha dado sinais claros de como seria a sua actuação na Presidência da República: um misto de politicamente correcto com calculismo q.b.. Nada de novo, portanto. Ou nada de muito excêntrico que não estivesse previsto: toda a gente sabe que os primeiros mandatos presidenciais servem para não levantar ondas desnecessárias ou para fazer grande contestação ao governo. Não convém. Nem uma nem outra. E, claro, não faz parte da ementa porque só assim se garante uma reeleição fácil e umas eleições entediantes contra algum esquerdista menor no papel de idiota útil. Não há interesse. Dois mandatos é o dobro de um mandato e quem esperava um perigoso homem de direita neste primeiro tempo, redondamente enganou-se e confortavelmente pode descansar (ou agoniar, se preferir) no sofá. Não há perigo. Nem sequer ameaça. O Prof. Cavaco veio para ficar. Mais dez anos. Estava escrito na estrelas.

Ainda o mundial de futebol.
Um destes dias ergui cedo para tratar do corpo e alimentar a alma.
Vesti as sapatilhas, os calções, uma t-shirt e madruguei. Fui para o estádio correr. Recordar outros tempos, não muito longínquos. Quando lá cheguei o sol ainda estava meio tímido, a relva já tinha tomado duche. A pista era só minha. Não havia trânsito para dificultar-me a vida. Quando comecei mal conseguia levantar os pés do “tartan”. Depois ergui-os mais alto, mais alto….. estava em velocidade de cruzeiro quando entrou em competição um simpático gordinho. Quando passava por ele até parceria uma avião a jacto, mas depressa esgotei as energias.
Foi aí que comecei a olhar com olhos de ver para o campo de futebol. E não é que lá estava a baliza. Lembrei-me dos "penalties", e, bora lá ver o tamanho daquilo. Coloquei-me entre os postos. Olhei para o da direita, depois, para o da esquerda. Ainda simulei mentalmente atirar-me para um dos lados, mas achei-os demasiado distantes. De seguida concentrei-me na marca de grandes penalidades e arrefeci os ânimos.
Definitivamente,não é fácil ser guarda-redes. Ah grande Ricardo!!!!!!!!!!!!!!!!!……
Joga com o Zidane
Joga com o Zidane. De cabeça, claro está... E eu que pensava que Zizou era um nickname perfeitamente amaricado. À francesa, claro está!
11.7.06
Eleições nas Escolas
Não faz muito tempo que aqui escrevi sobre a eleição dos conselhos executivos das escolas.
Na altura disse, que apesar da lei ter mudado, (antes eram nomeados, agora são eleitos) nada mudaria nas direcções dos estabelecimentos de ensino.
Disse-o e reafirmo.
No Liceu Jaime Moniz já houve eleições. Na secundária de Machico também. Perguntam vocês quem foram os eleitos?
Pois bem!
Os que já lá estavam.
Ou seja, quer os conselhos directivos das escolas sejam, nomeados, eleitos, são sempre os mesmos a mandar. Não acham inquietante? Ainda por cima quando já lá estão há décadas?
Na altura disse, que apesar da lei ter mudado, (antes eram nomeados, agora são eleitos) nada mudaria nas direcções dos estabelecimentos de ensino.
Disse-o e reafirmo.
No Liceu Jaime Moniz já houve eleições. Na secundária de Machico também. Perguntam vocês quem foram os eleitos?
Pois bem!
Os que já lá estavam.
Ou seja, quer os conselhos directivos das escolas sejam, nomeados, eleitos, são sempre os mesmos a mandar. Não acham inquietante? Ainda por cima quando já lá estão há décadas?
Sotto le Stelle Del Jazz
Esta coisa já toca música. E começa com Paolo Conte.
"Sotto le Stelle Del Jazz"
Certi capivano il jazz
largenteria sparival
adri di stelle e di jazz
cos eravamo noi, cos eravamo noi
Pochi capivano il jazz
troppe cravatte sbagliate
ragazzi-scimmia del jazz
cos eravamo noi, cos eravamo noi
Sotto le stelle del jazz,
ma quanta notte passata
Marisa, svegliami, abbracciami
stato un sogno fortissimo
Le donne odiavano il jazz
non si capisce il motivo
du-dad-du-dad
Sotto le stelle del jazz
un uomo-scimmia cammina,
o forse balla,
chissdu-dad-du-dad
Duemila enigmi nel jazz
ah, non si capisce il motivo
nel tempo fatto di attimie settimane enigmistiche
Sotto la luna del jazz
"Sotto le Stelle Del Jazz"
Certi capivano il jazz
largenteria sparival
adri di stelle e di jazz
cos eravamo noi, cos eravamo noi
Pochi capivano il jazz
troppe cravatte sbagliate
ragazzi-scimmia del jazz
cos eravamo noi, cos eravamo noi
Sotto le stelle del jazz,
ma quanta notte passata
Marisa, svegliami, abbracciami
stato un sogno fortissimo
Le donne odiavano il jazz
non si capisce il motivo
du-dad-du-dad
Sotto le stelle del jazz
un uomo-scimmia cammina,
o forse balla,
chissdu-dad-du-dad
Duemila enigmi nel jazz
ah, non si capisce il motivo
nel tempo fatto di attimie settimane enigmistiche
Sotto la luna del jazz
O que o despeito faz!
Espanta-me que alguns militantes do PSD-Madeira, apenas por uma questão de despeito, continuem a insistir que gostariam de ver Alberto João Jardim a recandidatar-se nas próximas eleições regionais. É incrível como o orgulho ferido pode influenciar algumas mentezinhas que, tendo visto passar as suas possibilidades de virem a suceder o mítico líder, preferem fazer joguinhos políticos para desestabilizar a inevitável sucessão. Com políticos de primeira linha assim, definitivamente o PSD-Madeira não precisa de inimigos.
Roubo!
É verdade, afinal a entrada na Doca do Cavacas é mesmo paga. A Câmara Municipal do Funchal cumpriu a ameaça. E não percebo como é que os utilizadores daquele bocado de rocha podem aceitar este autêntico roubo. Porque é um roubo o que a CMF fez. Cobrar entrada pelo acesso aquele pequeno paraíso marítimo é um acto criminoso, que pode estar muito bem enquadrado legalmente, mas que não tem qualquer justificação moral. Ainda por cima, quando não foi feito qualquer investimento, porque tudo o que lá está de verdadeiramente significativo, já lá estava. Nada justifica mais este-vir-ao-bolso-do-contribuinte.
Entristece-me como utilizador de sempre daquela estrutura. Entristece-me, porque os funchalenses que não tenham possibilidades financeiras para pagar o acesso ao mar (veja-se o ridículo de ilhéus terem que desembolsar uns euros para poderem saborear a água salgada!) estão, cada vez mais, confinados à Praia Formosa (que, por minha parte, dispenso). Revolta-me porque esta medida da CMF não tem como meta a melhoria da qualidade, mas tão-só financiar a Câmara (em pré-falência?). Tenho pena, porque enquanto aquela treta for paga, não volto a lá pôr os pés. Por uma questão de princípio. Porque acho que o acesso ao mar não deve ser privilégio de quem pode pagar.
PS - Por enquanto, vão ter que bastar as lembranças dos verões inteiros que lá passei. As memórias dos mergulhos, dos amores e desamores, das amizades que por ali se construíram. Da cumplicidade entre os grupos de adolescentes que se iam substituíndo, cujo único ponto em comum era o de serem pequenos capitães daquele bocadito de rocha. Terá que ser suficiente as memórias dos primeiros beijos, do espanto que a descoberta do corpo provocou.
E revolta-me que a Câmara Municipal do Funchal tenha roubado isso às mais novas gerações dos Piornais, da Ajuda, do Amparo, do Areeiro, até do centro do Funchal (raparigas e rapazes que vinham desde a Quinta Deão para partilharem aquele espaço com os jovens locais). Sinceramente, a mim, que não tenho lá muito jeito para arruaça, só apetece atirar ao mar os pequenos postes que impedem o acesso ao mesmo. E aproveitando a embalagem...
Entristece-me como utilizador de sempre daquela estrutura. Entristece-me, porque os funchalenses que não tenham possibilidades financeiras para pagar o acesso ao mar (veja-se o ridículo de ilhéus terem que desembolsar uns euros para poderem saborear a água salgada!) estão, cada vez mais, confinados à Praia Formosa (que, por minha parte, dispenso). Revolta-me porque esta medida da CMF não tem como meta a melhoria da qualidade, mas tão-só financiar a Câmara (em pré-falência?). Tenho pena, porque enquanto aquela treta for paga, não volto a lá pôr os pés. Por uma questão de princípio. Porque acho que o acesso ao mar não deve ser privilégio de quem pode pagar.
PS - Por enquanto, vão ter que bastar as lembranças dos verões inteiros que lá passei. As memórias dos mergulhos, dos amores e desamores, das amizades que por ali se construíram. Da cumplicidade entre os grupos de adolescentes que se iam substituíndo, cujo único ponto em comum era o de serem pequenos capitães daquele bocadito de rocha. Terá que ser suficiente as memórias dos primeiros beijos, do espanto que a descoberta do corpo provocou.
E revolta-me que a Câmara Municipal do Funchal tenha roubado isso às mais novas gerações dos Piornais, da Ajuda, do Amparo, do Areeiro, até do centro do Funchal (raparigas e rapazes que vinham desde a Quinta Deão para partilharem aquele espaço com os jovens locais). Sinceramente, a mim, que não tenho lá muito jeito para arruaça, só apetece atirar ao mar os pequenos postes que impedem o acesso ao mesmo. E aproveitando a embalagem...
Explicações de Português
No futebol não há muito para explicar. É um jogo simples com regras claras como a água. Mas como, durante um mês, se gastou mais tempo a falar de futebol do que propriamente se jogou o jogo, em todos esses milhares de minutos de discursos inócuos o tratamento da gramática da língua portuguesa foi péssimo.
Por razões óbvias, claro que Humberto Coelho ou Eusébio não contam, como também não contam Rui e Jorge Costa, porque se não este exercício seria infindável.
Adivinhado o que me esperava, depois da final deixei-me ficar no zapping dos canais portugueses e em pouco mais de meia hora ouvi, repetidamente, quaisqueres, derivado a, a maioria das pessoas vão e houveram muitas palmas. Claro que os jornalistas estavam nervosos, era a pressão do directo mais as liberdades da oralidade, etc, etc. Como não se deve exigir muito de ninguém aceito que o que os jornalistas queriam dizer na verdade era quaisquer, derivado de, a maioria das pessoas vai e houve muitas palmas.
Por razões óbvias, claro que Humberto Coelho ou Eusébio não contam, como também não contam Rui e Jorge Costa, porque se não este exercício seria infindável.
Adivinhado o que me esperava, depois da final deixei-me ficar no zapping dos canais portugueses e em pouco mais de meia hora ouvi, repetidamente, quaisqueres, derivado a, a maioria das pessoas vão e houveram muitas palmas. Claro que os jornalistas estavam nervosos, era a pressão do directo mais as liberdades da oralidade, etc, etc. Como não se deve exigir muito de ninguém aceito que o que os jornalistas queriam dizer na verdade era quaisquer, derivado de, a maioria das pessoas vai e houve muitas palmas.
Reler é melhor do que ler (I)

Li quando saiu e voltei a ler. Porque, primeiro, devoro biografias, e porque, segundo, a sua autora é a portuguesa mais inteligente que eu conheço e que se conhece. É arrogante, tem pose aristocrática e é snob. Nada a opor. Mas, apesar disso, é uma observadora crua de um país (ainda!) conservador, católico, atrasado e hipócrita. Depois, possui uma sensibilidade feminina que, ao contrário da maioria das senhoras, não nos impinge as causas feministas. Pelo menos para mim, que julgo já não ter mau gosto, é um livrinho brilhante.
10.7.06
Uma questão de estética... e de técnica
Sobre a fita
Uma das imagens que mantenho viva na minha cabeça, é uma célebre reprimenda de Guardiola a Figo, companheiros de equipa no Barcelona, por este último, julgo eu, estar a simular uma lesão, obrigando a equipa médica do Barcelona a entrar em campo. Na altura, não me lembro se o Barcelona ganhava ou perdia mas era mais do que evidente que Figo não estava assim tão combalido que merecesse ou que justificasse mais uma interrupção no jogo. Mas Guardiola, o capitão da altura, é que não esteve pelos ajustes. Graças ao seu enorme profissionalismo e respeito que tinha por quem lhe pagava o ordenado (os sócios do Barcelona, que ali estavam para ver futebol espectáculo e não simulações ou teatro grosseiro) repreendeu o jogador português, chamando-o à atenção e responsabilizando-o pelos seus actos. Nunca mais, nesse jogo, vi Figo a ser assistido ou a cair no chão que não se levantasse imediatamente.
É um pouco isto que alguns jogadores portugueses têm de aprender: a imagem negativa de fiteiros que imortalizaram neste mundial, colar-se-á como um rótulo para a vida, acompanhando-os para todo o sempre, independentemente do clube que representem. No futebol global, onde a televisão esmiuça os lances ao mais ínfimo pormenor, os que simulam acabam por ficar sempre mal na fotografia e herdam, consequentemente e num futuro próximo, as sementes que plantaram. É por isso tempo de parar de pensar que o futebol, apesar de muitas vezes ser uma arte representativa, se compadece com estes excessos. É que uma coisa é forjar um pénalti como Chalana fez frente à Rússia (pénalti este que nos levou ao Europeu de 84) e outra, bem diferente, é passar o tempo à procura de enganar o árbitro em mergulhos mais ou menos decorativos. Nestas coisas, convém lembrar a história, que aqui serve de parábola, de Pedro e o Lobo de Profofiev. É que um dia, o lobo veio mesmo. E aí já ninguém acreditou no Pedro.
É um pouco isto que alguns jogadores portugueses têm de aprender: a imagem negativa de fiteiros que imortalizaram neste mundial, colar-se-á como um rótulo para a vida, acompanhando-os para todo o sempre, independentemente do clube que representem. No futebol global, onde a televisão esmiuça os lances ao mais ínfimo pormenor, os que simulam acabam por ficar sempre mal na fotografia e herdam, consequentemente e num futuro próximo, as sementes que plantaram. É por isso tempo de parar de pensar que o futebol, apesar de muitas vezes ser uma arte representativa, se compadece com estes excessos. É que uma coisa é forjar um pénalti como Chalana fez frente à Rússia (pénalti este que nos levou ao Europeu de 84) e outra, bem diferente, é passar o tempo à procura de enganar o árbitro em mergulhos mais ou menos decorativos. Nestas coisas, convém lembrar a história, que aqui serve de parábola, de Pedro e o Lobo de Profofiev. É que um dia, o lobo veio mesmo. E aí já ninguém acreditou no Pedro.
O fim do campeonato
A táctica está a matar o futebol. A táctica e o excesso de jogos a que os principais clubes europeus, e consequentemente as suas principais vedetas, estão sujeitos em épocas desportivas longas e cada vez menos interessantes.
O espectáculo deteriora-se a olhos vistos. Fraca qualidade, poucos golos, muitas faltas, demasiadas interrupções, arbitragens pouco profissionais. Nem a bola esquisita entretanto estreada ajudou a mudar as coisas mesmo que, desconfio eu, tenha sido a principal obreira pelo facto de este campeonato não ter a pior média de golos de sempre. Eis o poço onde caímos: inventar bolas que furem os esquemas e os nervos dos guarda-redes.
Pela primeira vez também se contam com uma só mão os grandes jogos de futebol a que foi possível assistir (e é preciso um grande esforço de memória). Toda a gente entrou a medo e nem as constelações de estrelas brasileiras e argentinas foram capazes de mais do que um simples fogacho. Muito pouco para quem tem tanta matéria-prima. Por isso, a FIFA e seus acólitos têm fortes razões para estar preocupados. Nunca se viu tanta falta de imaginação o que nos diz claramente que urge mudar alguma coisa neste mundo do futebol. Não sei se o tamanho das balizas, o sistema disciplinar, os limites do campo, as datas dos seus principais eventos, o número de selecções presentes ou o processo de escolha dos árbitros do evento. Mas algo é preciso de facto mudar. Para bem do futebol e do seu espectáculo.
Num tempo em que se idolatra, por exemplo, José Mourinho ou Scolari, vencedores natos e altamente eficazes mas pouco preocupados com a qualidade estética do futebol, foi possível ainda ver o pragmatismo em que se transformaram as principais selecções: o mais importante era o resultado independentemente dos longos bocejos provocados na bancada siderada pela quase ausência de oportunidades de golo. Claro que houve um ou outro momento melhor, mas demasiados, como contraponto, a roçar a boçalidade e a vulgaridade. E isto, na verdade, deve ser motivo de forte preocupação. O romantismo foi banido de vez do futebol.
A situação é assim complicada. O campeonato arranca cheio de força, mas o mês é longo e cria uma certa debandada. No fim, já toda a gente anda farta e reza para que tudo termine rapidamente. Ontem, por exemplo, foi notório que nenhuma equipa estava interessada em superiorizar-se cabalmente à sua adversária. Por isso, os pénaltis desde o início que me pareceram o desfecho mais lógico. No fim, tiveram mais sorte os italianos, que acabam por ser vencedores justos do torneio e porque os seus princípios foram de uma clareza atroz: concentraram-se na equipa e não nos seus verdadeiros talentos, Totti e Del Piero. Ainda assim, Totti, por exemplo, ao longo do torneio fez três assistências e marcou um golo decisivo. Mas na Itália, que joga pelo conjunto e foi uma verdadeira equipa, até isto parece passar despercebido. E basta por fim dizer que 10 jogadores italianos fizeram o gosto ao pé. Ou à cabeça.
O espectáculo deteriora-se a olhos vistos. Fraca qualidade, poucos golos, muitas faltas, demasiadas interrupções, arbitragens pouco profissionais. Nem a bola esquisita entretanto estreada ajudou a mudar as coisas mesmo que, desconfio eu, tenha sido a principal obreira pelo facto de este campeonato não ter a pior média de golos de sempre. Eis o poço onde caímos: inventar bolas que furem os esquemas e os nervos dos guarda-redes.
Pela primeira vez também se contam com uma só mão os grandes jogos de futebol a que foi possível assistir (e é preciso um grande esforço de memória). Toda a gente entrou a medo e nem as constelações de estrelas brasileiras e argentinas foram capazes de mais do que um simples fogacho. Muito pouco para quem tem tanta matéria-prima. Por isso, a FIFA e seus acólitos têm fortes razões para estar preocupados. Nunca se viu tanta falta de imaginação o que nos diz claramente que urge mudar alguma coisa neste mundo do futebol. Não sei se o tamanho das balizas, o sistema disciplinar, os limites do campo, as datas dos seus principais eventos, o número de selecções presentes ou o processo de escolha dos árbitros do evento. Mas algo é preciso de facto mudar. Para bem do futebol e do seu espectáculo.
Num tempo em que se idolatra, por exemplo, José Mourinho ou Scolari, vencedores natos e altamente eficazes mas pouco preocupados com a qualidade estética do futebol, foi possível ainda ver o pragmatismo em que se transformaram as principais selecções: o mais importante era o resultado independentemente dos longos bocejos provocados na bancada siderada pela quase ausência de oportunidades de golo. Claro que houve um ou outro momento melhor, mas demasiados, como contraponto, a roçar a boçalidade e a vulgaridade. E isto, na verdade, deve ser motivo de forte preocupação. O romantismo foi banido de vez do futebol.
A situação é assim complicada. O campeonato arranca cheio de força, mas o mês é longo e cria uma certa debandada. No fim, já toda a gente anda farta e reza para que tudo termine rapidamente. Ontem, por exemplo, foi notório que nenhuma equipa estava interessada em superiorizar-se cabalmente à sua adversária. Por isso, os pénaltis desde o início que me pareceram o desfecho mais lógico. No fim, tiveram mais sorte os italianos, que acabam por ser vencedores justos do torneio e porque os seus princípios foram de uma clareza atroz: concentraram-se na equipa e não nos seus verdadeiros talentos, Totti e Del Piero. Ainda assim, Totti, por exemplo, ao longo do torneio fez três assistências e marcou um golo decisivo. Mas na Itália, que joga pelo conjunto e foi uma verdadeira equipa, até isto parece passar despercebido. E basta por fim dizer que 10 jogadores italianos fizeram o gosto ao pé. Ou à cabeça.
Che bella victoria!
Ontem, fui italiano. E gostei que a vitória da "squadra" se tenha revestido de contornos drámaticos. Não sei quantos carros incendiaram os franceses... Mas que se lixe. Perderam e foi bem feito!
Che Bella victoria!
Che Bella victoria!
Que venha a próxima!
Mais de 8.000 pessoas foram até à Quinta Magnólia ouvir jazz e blues, por ocasião da VII Edição do Funchal Jazz Festival.
Como Joana Machado e o extraordinário Paquito D'Rivera a abrirem os concertos, a festa começou em excelente nível, na quinta-feira.
O concerto do cubano, aliás, foi dos melhores que vi nos últimos anos e seguirá directamente para a galeria dos melhores momentos de sempre do maior festival de jazz do país.
Sexta-feira, Ivan Lins com o seu o "jazz-bossa" (não sei se esta categoria existe, de qualquer forma, é assim que eu definiria a música do brasileiro) atraíu milhares de pessoas à Quinta Magnólia (cerca de 3.500, para ser mais preciso). O concerto, que contou com a participação especial de Paulo de Carvalho teve bons momentos e prendeu o público. Mas a noite seria definitivamente de Loonie Brooks e da sua Blues Band - com o excelente W. Brooks a ajudar à festa.
Foram mais de duas horas de energia pura, com Brooks a demonstrar porque razão é, de facto, um dos mais conceituados intérpretes da música negra norte-americana.
"Deus existe e é negro", disse-me alguém que conheço. "Só falta o smoky bar de Nova Iorque"(gostei da pronúncia), concluiu.
Sábado o jazz voltou. Primeiro, com a excelente voz de Laika Fatien (uma verdadeira supresa para aqueles que, como eu, não a conheciam de parte nenhuma). Depois, com um dos mais afamados senhores do jazz comtemporâneo, Mr. McCoy Tyner e o seu septeto, que fizeram uma autêntica viagem pela história da I.Records. memorável, de facto!
De salientar ainda a presença em massa de jornalistas de cá e de além mar. Foram pedidas mais de 60 acreditações, de todos os orgãos de comunicação social da Madeira, mas sobretudo de profissionais de alguns dos mais prestigiados jornais e revistas nacionais. Vieram ainda jornalistas alemães, franceses e ingleses. O que prova que, de facto, o Funchal Jazz Festival é, com toda a certeza, o maior acontecimento cultural anual na Região. Mas infelizmente, só Conceição Estudante, secretária das Assuntos Sociais, marcou presença.
Eu já estou com saudades. E à espera da VIII Edição.
Como Joana Machado e o extraordinário Paquito D'Rivera a abrirem os concertos, a festa começou em excelente nível, na quinta-feira.
O concerto do cubano, aliás, foi dos melhores que vi nos últimos anos e seguirá directamente para a galeria dos melhores momentos de sempre do maior festival de jazz do país.
Sexta-feira, Ivan Lins com o seu o "jazz-bossa" (não sei se esta categoria existe, de qualquer forma, é assim que eu definiria a música do brasileiro) atraíu milhares de pessoas à Quinta Magnólia (cerca de 3.500, para ser mais preciso). O concerto, que contou com a participação especial de Paulo de Carvalho teve bons momentos e prendeu o público. Mas a noite seria definitivamente de Loonie Brooks e da sua Blues Band - com o excelente W. Brooks a ajudar à festa.
Foram mais de duas horas de energia pura, com Brooks a demonstrar porque razão é, de facto, um dos mais conceituados intérpretes da música negra norte-americana.
"Deus existe e é negro", disse-me alguém que conheço. "Só falta o smoky bar de Nova Iorque"(gostei da pronúncia), concluiu.
Sábado o jazz voltou. Primeiro, com a excelente voz de Laika Fatien (uma verdadeira supresa para aqueles que, como eu, não a conheciam de parte nenhuma). Depois, com um dos mais afamados senhores do jazz comtemporâneo, Mr. McCoy Tyner e o seu septeto, que fizeram uma autêntica viagem pela história da I.Records. memorável, de facto!
De salientar ainda a presença em massa de jornalistas de cá e de além mar. Foram pedidas mais de 60 acreditações, de todos os orgãos de comunicação social da Madeira, mas sobretudo de profissionais de alguns dos mais prestigiados jornais e revistas nacionais. Vieram ainda jornalistas alemães, franceses e ingleses. O que prova que, de facto, o Funchal Jazz Festival é, com toda a certeza, o maior acontecimento cultural anual na Região. Mas infelizmente, só Conceição Estudante, secretária das Assuntos Sociais, marcou presença.
Eu já estou com saudades. E à espera da VIII Edição.
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