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13.2.08

À Espera da ASAE

Na Madeira há uns indivíduos insaciáveis por autonomia.
Não sei se em casa quem manda é a esposa, ou se a falta de exercício de poder lhes diminui o ego. Nunca percebi, nem quero entender.

Entrou em vigor a nova lei do tabaco e passados uns dias foi apanhado com a boca na botija o Presidente do Governo.
De imediato ouvi dizer que a lei não era boa e que ninguém a tinha violado.

Passados uns dias, alguém lembrou-se da autonomia. Toca reescrever o texto da lei para acertar o fato à medida dos burgos do sítio.

Penso que quem age desta forma, está mal informado.
O TABACO MATA. Eu não fumo mas já assisti a conferências proferidas por médicos, sobre o vício do cigarro e fiquei chocado.

O meu conselho é que se aproveite a autonomia para benefício da população madeirense e não desta forma.
Para fazer uma lei que nem serve gregos nem troianos.

23.10.07

Uns partem, outros não!

Por lapso, deixei passar em claro o aniversário da morte de Adriano Correia de Oliveira. Associo-me, aqui, à homenagem a esse vulto ímpar da resistência e do cantar de intervenção.

10.10.07

Liberdade ou a falta dela

É, nem toda a gente convive bem com a liberdade de expressão.

Desta vez, uns senhores deputados à Assembleia de Freguesia da Madalena do Mar resolveram apresentar um voto de protesto na dita Assembleia contra António Spínola, vulgo amsf.

Motivo apresentado? Passada meia hora e depois de algumas releituras, ainda não percebi que raio pretendiam os seus subscritores e que motivo evocam.

Protesto contra o quê? Contra a liberdade deste cidadão que lhe permite expressar a sua opinião, ainda que seja constituída maioritariamente por palermices?

Na minha modesta opinião, o amsf assume posições um bocado esquizofrénicas (sem querer ofender os doentes), por vezes tem alguma dificuldade de compreensão, diria até que demonstra algum desiquilíbrio, mas isso, per se, não justifica o voto de protesto. Porque se é para impedir a propagação de dislates e alarvidades, então teríamos que apresentar votos de protesto contra os elementos que apresentaram o dito cujo e contra 99% dos homens e mulheres que fazem política neste país. Áh e já agora, teríamos de fechar quase todos os blogues, a começar pela Conspiração.

Se me permitem, deixo aqui um conselho aos senhores deputados: caros senhores, não sei se o senhor António Spínola é tão difícil de aturar quanto o amsf. Mas se for, ainda assim, gramem-no! Porque a liberdade que os senhores exigem para escrever este voto de protesto algo sui generis, deverá ser exactamente aquela que têm que reconhecer ao senhor Spínola de, livremente, expressar a sua opinião na blogosfera.

Ao amsf: as oportunidades não serão abundantes. Mas sempre que em causa estiver a sua liberdade, poderá contar com a minha solidariedade.

17.9.07

Ideias lunares

Apesar de algum retardamento, não posso deixar de passar algumas das afirmações do Jerónimo de Sousa, antes e pós Festa do Avante. Então não é que o homem continua a achar que na China existe uma sociedade socialista, que as FARC são um grupo de ches guevaras sequiosos de liberdade e que o Chávez é o ícone da libertação sul-americana. Eu às vezes pergunto-me onde raio é que vivem os comunistas portugueses. Na lua?!

4.8.07

Tolerância política

Se há uns bons anos atrás justificava-se a tolerância de ponto, (facto que tenho sérias dúvidas) hoje não existem argumentos que expliquem a medida.

Os políticos não podem, num dia dizer que é necessário trabalhar mais, e no outro dia, dispensar 20 mil funcionários públicos por causa de um rali.

Das duas uma: ou o país e a região estão em crise, (o que não parece) ou só existem dificuldades quando é necessário pedir sacrifícios aos contribuintes? No caso da Região, os madeirenses não têm voz activa no que respeita a matéria fiscal.(até têm mas não usam) Apanham por tabela o que Lisboa decide.

Digo isto porque, ainda sexta-feira, ouvi muitos funcionários públicos a quem o Governo Regional atribuiu, o bónus extra, discordarem.

Se há muito “empregado” da região se perde de amores por carros, outros existem cujas paixões não passam pelos cavalos dos automóveis.

A única explicação possível, mas politicamente incorrecta para ser revelada: é que os 20 mil trabalhadores servem de figurantes do rali. Será?

29.7.07

Vassalagem e subserviência

Até no acto de despedida da liderança do PS-Madeira, Jacinto Serrão foi patético. Definitivamente, um final à altura para aquele que foi o pior líder do PS na Região.
Aquela exigência de intervenção do Estado na autonomia madeirense demonstra toda a subserviência e espírito servil que Serrão queria para a Madeira e para os madeirenses. E é sintomática do reconhecimento da sua incompetência e incapacidade para fazer frente ao PSD-Madeira. Por isso, exige que seja o Governo da República a fazer aquilo que a oposição nunca conseguiu: afastar o PSD-Madeira da governação.
É patético, mas não deixa de ser grave. Ouvir disparates como esse por parte de continentais não é agradável, mas até é compreensível, atendendo à total ignorância e/ou desconsideração que muitos continentais revelam relativamente às autonomias. Agora, não posso aceitar que um político madeirense se preste a um papel de vassalo, que pensávamos erradicado da Madeira, e solicite a intervenção do poder central para "repor" a normalidade democrática na Região, sem qualquer tipo de respeito pelas instituições autonómicas.E é tanto mais grave, porque esta subserviência começa a fazer eco no continente. O editorial do Público de hoje é disso elucidativo. Não me admirava nada que qualquer dia se exija o bombardeamento da Quinta Vigia e a imposição de um Governador.
É, igualmente, grave, uma vez que outros madeirenses começam mesmo a achar que é preferível submeter-se à Lisboa, renegando a autonomia legitimamente reivindicada ao longo de séculos, desde que com isso se consiga afastar Alberto João Jardim. Tristes tempos, os nossos. Pensava eu que nenhum madeirense aceitaria vergar-se de novo perante o poder central. Que a alma de escravo estava morta. Pelos vistos, estava enganado!

25.7.07

Que falta de decência! E ninguém escapou.

Começa a ser tempo de Jaime Ramos ter algum tento na língua. As afirmações proferidas mais do que envergonharem o parlamento, deveriam envergonhar o próprio. Não defendo hipocrisias como as que existem na Assembleia da República (aquela do terem medo de chamar os bois pelos nomes "mata-me"), mas é imperioso que os deputados à Assembleia Legislativa Regional respeitem a instituição máxima da Autonomia. Sob pena da sua total e inapelável desacreditação.
Para além disso, os argumentos apresentados por Jaime Ramos são absurdos. Como se o homem deixasse de receber os lucros no final do ano apenas por não ser administrador ou gerente de empresas que todos sabemos serem dele. Haja decência!
Miguel de Sousa também não ficou nada bem na fotografia, por não ter acabado com aquele regabofe logo de início. E foi pior a emenda do que o soneto, quando fez a sua defesa. É que autocrítica por autocrítica, até não lhe ficava nada mal alguma!
Estranhei também foi a compreensão de Victor Freitas em relação às afirmações de Jaime Ramos. Então é normal um deputado "perder a cabeça" e proferir as barbaridades que o líder da bancada parlamentar do PSD - Madeira proferiu? Então Victor, andas a preparar alguma, é?...

20.7.07

L'État c'est moi

Todos os partidos da oposição acusaram hoje o governo do bacharel Sócrates de tiques de autoritarismo. Tiques? Tiques, não! Autoritarismo puro e duro, à boa moda dos ditadorzecos de pacotilha.

Mas achei piada ao primeiro-ministro hoje no debate da nação, onde garantia não receber lições de democracia de ninguém, qual paladino da liberdade - quase que o vejo cavalgando as serranias seguindo as pegadas de Viriato na defesa da liberdade do povo.
O que o primeiro-ministro ainda não percebeu é que aquela figura de prima dona, de virgem ofendida, já não pega.
E bem podem pregar os socialistas que a situação económica é fantástica, que o governo fez maravilhas, mas já não conseguem disfarçar o mal-estar que se vive a nível nacional. Pode o próprio primeiro-ministro acusar o PCP de manipulação e de organização de manifestações - 'tadinho, ele que o povo ama e que é tão maltratado pelos malvadões da oposição -, que a verdade é que a rua já não está com ele. Sócrates ameça mesmo tornar-se personna non grata em Portugal. Por mim digo-o desde já: esse senhor na minha casa não entraria!

17.7.07

Igualdade de oportunidades, ou pura "mariquice"?

"A celebração do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos tem sido aproveitada para insinuar a necessidade de redefinir o casamento, de modo a abranger a união entre pessoas do mesmo sexo, supostamente em homenagem ao princípio da igualdade.
Contou-se, para esse efeito, com a oportuna propaganda: misturando imagens de pessoas portadoras de deficiência ou de diversas raças com gestos de intimidade entre indivíduos do mesmo sexo, sugerindo subliminarmente que a recusa do "casamento" homossexual seria o alinhamento com uma espécie de apartheid. (...)
Ora, a união homossexual é algo radicalmente diferente do casamento (heterossexual monogâmico). É de outra natureza, de outra espécie. Antropologicamente diverso. Diferente quanto ao seu valor social. Em particular, o casamento é uma instituição singularmente valiosa - e como tal regulado e protegido pelo Estado - como lugar natural da renovação das gerações e da formação do carácter e primeira socialização dos futuros membros da sociedade; e como sinalizador da bondade e riqueza da dualidade sexual sobre que se estrutura a sociedade.
O casamento é, portanto, um bem público (em sentido lato), ao contrário de outras formas de união sexual. Por um lado, gera benefícios para a sociedade como um todo, para além daqueles que proporciona aos próprios cônjuges. (...)
É certo que a alternativa de se casar (a sério) poderia manter-se no menu de opções disponíveis de uma sociedade que a incluísse, em posição paritária, entre outras formas sociais - como a união homossexual, a união de facto, a poligamia, etc. Mas a inteligibilidade e o significado social de se casar e ser casado - ter uma mulher ou um marido - nessas circunstâncias não seria semelhante ao significado social e simbólico do casamento vigente numa sociedade que se compromete com essa instituição: a dignidade única da opção do casamento e a percepção do seu valor seriam obscurecidas aos olhos dos indivíduos se a sociedade deixasse de reconhecê-la e distingui-la.
Aliás, se o estatuto jurídico de casamento fosse violentado de forma a albergar as uniões entre pessoas do mesmo sexo, isso significaria a imposição desse conceito bizarro - e profundamente hostil - de "casamento" a todas as outras a quem repugna essa assimilação. Implicaria uma injustiça ou discriminação contra aqueles que reivindicam poder verdadeiramente casar.
A recusa do "casamento" homossexual não é, portanto, uma discriminação ilegítima (que, por exemplo, infrinja o tão invocado art. 13.º da Constituição). Qualquer pessoa tem (igual) direito a casar. Simplesmente, o casamento é, por definição e natureza, uma aliança entre um homem e uma mulher.
Mesmo nas sociedades em que foi tolerada ou aceite, nunca se concebeu ou pretendeu fazer da homossexualidade uma instituição social dotada de estatuto público equiparável ao casamento. E ninguém é obrigado a casar...
A campanha do lobby gay para a reconceptualização do casamento, de modo a incluir a união homossexual, não tem nada a ver com a igualdade de oportunidades. Visa antes a promoção da conduta homossexual e a desconstrução - não apenas semântica - do casamento e da família, tal como a esmagadora maioria das pessoas (com boas razões) os entende e preza.
Todavia, há em Portugal verdadeiros e graves casos de desigualdade, discriminação de facto e exclusão: pessoas com deficiências, jovens em situação de reinserção social, minorias étnicas, desempregados de longa duração, os sem-abrigo (para não falar da discriminação fiscal dos casados relativamente aos solteiros, ou da discriminação laboral das mulheres grávidas).
Não seria melhor aplicar os dinheiros públicos na sensibilização e correcção destas formas de desigualdade de oportunidades, em vez de os investir no marketing da ideologia gay?


Alexandra Teté, Associação Mulheres em Acção, in Público de 16 de Julho de 2007

4.7.07

Rua com eles



Absolutamente deplorável. E mais uma vez, incomoda-me que este ministro não seja responsabilizado pela sua atitude absolutamente anti-democrática!
Mas é esta a lógica do governo do bacharel Sócrates (venham lá agora acusar-me de apenas querer ofender Sua Excelência!).
A atitude do senhor foi tão absurda que até incomodou o Comissário Europeu!
Vergonhoso.

Liberdades


Parece que a questão do anonimato e da diferença entre ofensa e crítica está de novo na agenda do dia da blogosfera. Alegra-me, porque o debate elucida.
Quero, assim, contribuir com mais uma pequena reflexão.
Se por um lado reconheço que não é simpático sermos vítimas de ofensas por parte de outrém, anónimos ou não, por outro, convictamente, acredito que a liberdade será sempre a resposta. A cobardia revelada pelos anónimos, que populam pela blogosfera com a única intenção de ofender, humilhar e caluniar preocupa-me, mas opto por não colocar nenhum enable nos meus posts, porque tenho algum medo em me instituir como "controleiro".

Não sendo anarquista, afinal reconheço como necessário o controle, para uma correcta organização, logo responsabilização, receio a tentação do domínio. Por isso, se depender de mim, não serão colocados quaisquer entraves à liberdade dos outros. Porque apesar da minha liberdade acabar, efectivamente, onde começa a do outro, eu sou responsável exclusivamente pela minha. E não quero ter que ser eu a assumir o ónus que definir o que os outros podem ou não escrever! Até onde os outros podem ou não ir. Porque estaria sempre a entrar num domínio que não é meu.