17.7.07

Doidos


Basta uma visita pela blogosfera madeirense para perceber que a ilha é profícua a gerar malucos.
Felizmente, alguns ainda se vão indo (culpado me confesso). Mas grave grave, são os que ficam. Ele é com cada doido...

Igualdade de oportunidades, ou pura "mariquice"?

"A celebração do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos tem sido aproveitada para insinuar a necessidade de redefinir o casamento, de modo a abranger a união entre pessoas do mesmo sexo, supostamente em homenagem ao princípio da igualdade.
Contou-se, para esse efeito, com a oportuna propaganda: misturando imagens de pessoas portadoras de deficiência ou de diversas raças com gestos de intimidade entre indivíduos do mesmo sexo, sugerindo subliminarmente que a recusa do "casamento" homossexual seria o alinhamento com uma espécie de apartheid. (...)
Ora, a união homossexual é algo radicalmente diferente do casamento (heterossexual monogâmico). É de outra natureza, de outra espécie. Antropologicamente diverso. Diferente quanto ao seu valor social. Em particular, o casamento é uma instituição singularmente valiosa - e como tal regulado e protegido pelo Estado - como lugar natural da renovação das gerações e da formação do carácter e primeira socialização dos futuros membros da sociedade; e como sinalizador da bondade e riqueza da dualidade sexual sobre que se estrutura a sociedade.
O casamento é, portanto, um bem público (em sentido lato), ao contrário de outras formas de união sexual. Por um lado, gera benefícios para a sociedade como um todo, para além daqueles que proporciona aos próprios cônjuges. (...)
É certo que a alternativa de se casar (a sério) poderia manter-se no menu de opções disponíveis de uma sociedade que a incluísse, em posição paritária, entre outras formas sociais - como a união homossexual, a união de facto, a poligamia, etc. Mas a inteligibilidade e o significado social de se casar e ser casado - ter uma mulher ou um marido - nessas circunstâncias não seria semelhante ao significado social e simbólico do casamento vigente numa sociedade que se compromete com essa instituição: a dignidade única da opção do casamento e a percepção do seu valor seriam obscurecidas aos olhos dos indivíduos se a sociedade deixasse de reconhecê-la e distingui-la.
Aliás, se o estatuto jurídico de casamento fosse violentado de forma a albergar as uniões entre pessoas do mesmo sexo, isso significaria a imposição desse conceito bizarro - e profundamente hostil - de "casamento" a todas as outras a quem repugna essa assimilação. Implicaria uma injustiça ou discriminação contra aqueles que reivindicam poder verdadeiramente casar.
A recusa do "casamento" homossexual não é, portanto, uma discriminação ilegítima (que, por exemplo, infrinja o tão invocado art. 13.º da Constituição). Qualquer pessoa tem (igual) direito a casar. Simplesmente, o casamento é, por definição e natureza, uma aliança entre um homem e uma mulher.
Mesmo nas sociedades em que foi tolerada ou aceite, nunca se concebeu ou pretendeu fazer da homossexualidade uma instituição social dotada de estatuto público equiparável ao casamento. E ninguém é obrigado a casar...
A campanha do lobby gay para a reconceptualização do casamento, de modo a incluir a união homossexual, não tem nada a ver com a igualdade de oportunidades. Visa antes a promoção da conduta homossexual e a desconstrução - não apenas semântica - do casamento e da família, tal como a esmagadora maioria das pessoas (com boas razões) os entende e preza.
Todavia, há em Portugal verdadeiros e graves casos de desigualdade, discriminação de facto e exclusão: pessoas com deficiências, jovens em situação de reinserção social, minorias étnicas, desempregados de longa duração, os sem-abrigo (para não falar da discriminação fiscal dos casados relativamente aos solteiros, ou da discriminação laboral das mulheres grávidas).
Não seria melhor aplicar os dinheiros públicos na sensibilização e correcção destas formas de desigualdade de oportunidades, em vez de os investir no marketing da ideologia gay?


Alexandra Teté, Associação Mulheres em Acção, in Público de 16 de Julho de 2007

À espera da lei

Ao quinto dia já não consigo ouvir falar de aborto.
Para ser mais preciso a estória teve o epílogo no dia 11 de Fevereiro (data do referendo). Sexta-feira, 13 deste mês, o assunto voltou à agenda dos média com a antevisão da entrada em vigor da lei (dia 15).

Entretanto, os defensores do NÃO e do SIM desapareceram.
O governo da república regulamentou a lei e a Madeira fez birra.
Agora o argumento é que a região não tem dinheiro para suportar o custo da Interrupção Voluntária da Gravidez.

É óbvio que nesta situação as prejudicadas são as mulheres. Caso tenham dinheiro das duas uma: - deslocam-se aos hospitais públicos no continente, ou dirigem-se às clínicas privadas (existem duas oficialmente reconhecidas pelo MS) para fazer o que lhes é negado no Serviço Regional de Saúde. Quem paga a deslocação é que não se sabe. Jardim diz que é “Sócrates”. Sócrates envia factura para Jardim. A regulamentação da lei é na minha opinião,clara sobre esta matéria. “ Portaria 741-1/2007, Artigo 12, 4 – Os estabelecimentos de saúde (…) devem assegurar o encaminhamento das mulheres grávidas (…) assumindo os encargos daí resultantes”.

A outra questão é bem diferente da primeira.
No meio desta trapalhada os médicos ganham tempo e podem usufruir algum dinheiro. Existem pelo menos 20 obstretas/ginecologistas a trabalhar para Serviço Regional de Saúde. Até à data nenhum declarou se é objector de consciência. Será que podem realizar abortos nas clínicas particulares??? E as clínicas também são obrigadas a aguardar pela decisão do Tribunal Constitucional???

A questão é discutível.

Estranho para alguns, não para mim, seria que um destes dias fosse notícia: -
Clínica realiza abortos na Madeira.

Neste caso de quem é a competência para reconhecer a capacidade técnica para a IVG. Do Estado ou da Região?

Mais um processo a um blogger

Mais um. Isto está bonito, está...

16.7.07

Jorge Palma ao vivo na Queima das Fitas Coimbra

Lembras-te de ter visto qualquer coisa semelhante, creio. Era tarde, muito tarde mesmo. A banda de circunstância já tinha esgotado os covers. O Palma salvou-os quando subiu ao palco, décadas depois do previsto.

O Palma, às vezes, salva-nos a todos da demência.

"É pá, é bom sorrir um pouco, descontrair um pouco. Eu sei que tu compreendes bem".

Há Dias

Há Dias

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois
ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.

Eugénio de Andrade

Dedicado a alguém de quem gosto muito e que está a passar por dias de merda.
Por favor, tenta aguentar a tormenta.

Who By Fire

Outra do Cohen...

Leonard Cohen - Avalanche

Uma das minhas canções favoritas. De um dos tipos que mais admiro.

Afinal, de onde eram os socialistas?

Grande festa a de ontem, feita pelos socialistas lisboetas... Perdão: socialistas do Alandroal... De Cabeceiras de Basto... De famalicão...Porra, desisto. A verdade é que aqueles senhores que por ali andavam eram de todo o lado, menos de Lisboa.
Mas o PS foi simpático, trouxe uns velhinhos à capital, para verem o sr. Costa (quem?) a discursar. Lindo, lindo, foi a senhora que dizia: "não sei o que estou a aqui a fazer. O sr. motorista resolveu passar por aqui..."
Mas foi divertido.
Também gostei do jornalista da RTP: "É de Cabeceiras de Basto... E agora, vamos ouvir o Dr. António Vitorino".

Agora a sério. O PSD levou uma abada. Mas não percebo porque se riem os socialistas. Provavelmente nunca receberam tão poucos votos em Lisboa. Como diz o Joe Berardo: hellooooo! Os portugueses estão a acordaaar!

Pena é que o Sr. primeiro-ministro não seja tão célere a aparecer perante a populaça quando esta não se resume a uns simpáticos velhinhos que fazem excursões a Lisboa. E que mande impedir o acesso dessa perigosa tribo de tugas, nas inaugurações - que, pasme-se, é sempre um momento de perfeita simbiose entre o líder e os liderados.

Apesar de achar que os portugueses gostam mesmo é de criminosos e abutres, fiquei sinceramente satisfeito por ver duas candidaturas independentes do sistema partidário terem terminado tão bem colocadas. Ainda não é a democracia participativa, mas os sinais começam a ser claros: estamos a ficar fartos das escolas de oportunistas e de carreiristas, que dão pelo nome de partidos - ainda que as candidaturas independentes dos últimos tempos sejam tudo menos movimentos de cidadãos desinteressados..

Para finalizar, o Manuel Maria Carrilho deve sair em breve com um novo livro. O título já está escolhido: "Eleições de Lisboa, o PSD leva uma abada e eu é que as mamo!" Foi hilariante ver o cerco feito ao político-filósofo à pala do n.º 2 do Sr. Costa - o tal dos interesses imobiliários, que vai agora mediar... E gostei de ver o quão entalado o ex-vereador do PS estava.
É pá, isto assim não vale: um convida um gajo com interesses obscuros para seu n.º 2, o outro é humilhado, um outro leva nas ventas que não é brincadeira, e eu é que tenho que as mamar?! Barbaraaaa...

Enfim, coisas do país dos matraquilhos...

Eterno

"Quero que gostes de Pina Baush, ou até já nem gostes,
queiras mais, queiras diferente;
que gostes da cor e do risco forte de Miró
e do canto desiludido e fundo de Ferré;
quero que aprecies os cheiros sensíveis da eternidadedo
grande, bruto, grande, e do pequeno, sensível e pequeno;
quero que mores nas páginas da Photo e que, sendo um modelo de virtudes
representes a cortesã mais lassa para mim;
quero-te com mãos de pedra e de veludo;
quero que ames o chique e a Serra d'Aire-mais o safari que a recepção,
quero que mores e sofras nas páginas de Guido Crepaxe
que te irrites com a perfeição absoluta de um retrato de Medina
quero que, se possível vivas dentro do anúncio do Martini
felina e ondulante, numa ilha tropical
quero que sejas capaz de divertir-te, de soltar uma ampla gargalhada, ante o espectáculo ridículo e obsceno de um homem de Quinhentos
a quem atribuíssem um número de contribuinte
quero que ames o longe e a miragem, como o Régio
e que sejas louca e sábia
que tenhas lábios e mordas, língua e sorvas, sexo e sexes, salto e salto, riso e rias, sorvedouro inteiro de vida, arrepio de garça, sacudir de cisne,
passos de corsa, graça de arlequim,
pose de Diva, corpo de areia e luz.
E quero que me dês, me dês muito, que me dês tudo,
e que abras as janelas de par em par ao Tejo
e fecundes um poema em cada gesto
e voes como a gaivota em cada espreguiçar
e partas para a Índia em cada cacilheiro
e que sejas, mores, vivas e creias
longe,
muito longe daqui...
quero que sejas profundamente minha e ritual
obsessiva e lúcida, doente, febril, tremendo de desejo
disposta a tudo e a mais e a muito mais,
boca de Mundo, seios de Mármore, corpo de Alfazema
e sobretudo Mulher e sobretudo amante.
Se existires assim, nua, inteira, absoluta e pessoal
responde-me
que eu fico aqui, eterno, à tua espera."

Pedro Barroso, Eterno

The Second Life

Duas notícias publicadas hoje na "Meios e Publicidade" que me despertaram atenção. Ainda a propósito do Second Life

Casting de avatares para anúncio da Taco Bell
A Taco Bell está a realizar um casting online para avatares (personagens virtuais que participam em comunidades como o Second Life) para entrarem num anúncio de 30 segundos que será emitido durante os MTV Music Awards. "Os avatares são algo gigante neste momento, não só no Second Life como em muitos outros lugares", comentou à Adweek, Scott Johnson, director criativo da área digital da DraftFCB Chicago, agência que está a coordenar a campanha. O filme da cadeia de fast food tem estreia marcada para 9 de Setembro.
Rui Oliveira Marques

Portugal está em 12º Lugar no Second Life
Portugal ocupa a 12ª posição na lista de países mais representados no Second Life. De acordo com os dados divulgados pela Linden Lab, empresa que detém esta comunidade virtual, existem 7208 avatares (personagens virtuais), criadas por utilizadores virtuais portugueses. Este número corresponde a quase 1,5% do total da população existente no Second Life. OS EUA lideram com 26,5% do total de avatares, seguidos da Alemanha (9,1%) e Brasil (7,4%). Reino Unido, França, Japão, Itália, Espanha, Holanda, Austrália e Canadá ocupam as restantes posições acima da portuguesa. A título de exemplo, países como Bélgica, México, Suíça, Suécia, China, Polónia, Dinamarca e Argentina têm uma representação inferior à portuguesa.
Rui Oliveira Marques

Dispenso a conversa

O Sr. Gouveia, de São Vicente, diz que vai "falar madeirense a madeirense" para, supostamente, convencer a rapaziada a participar políticamente. Por mim, dispenso a conversa...

(A entrevista do Sr. Gouveia foi, de resto, um dos momentos mais surrealistas dos últimos anos em televisão!)

O Sr. Mendes

Se ainda houver alguém com três neurónios em pleno funcionamento no PSD, o Sr. Mendes terá acabado a sua carreira política.

Cortejo alegórico

O Sr. Costa ganhou as eleições, como se esperava, de resto. Ganhou com menos votos do que pensava, ficou a léguas da maioria absoluta e terá de coligar-se com Roseta (grande sapo engolirá o Sr. Costa) ou mesmo com Carmona, se quiser mandar alguma coisa. O Sr. Sócrates, saudoso de uma vitória, apareceu eufórico na televisão. Com a falta de educação habitual, interrompeu a declaração de Roseta e gritou até ficar sem voz.

Os lisboetas é que faltaram à festa. Quase 70% borrifaram-se literalmente para as eleições, para o Sr. Costa, para o Sr. Sóccrates e para as restantes personagens a concurso, incluindo o inacreditável Zé e o bom do Bexiga (a propósito, os tipos do PNR até tiveram mais votos que o Monteiro e a sua trupe).

Enfim, mais um domingo de Carnaval proporcionado pela democracia portuguesa.

15.7.07

Suicídio colectivo


A larga maioria dos madeirenses confunde a Madeira com o mundo e o mundo com a Madeira.

Vivem demasiado a ilha. Há vários exemplos: Há excesso de política e de socidade.
Aqui a política é o PSD. O resto do espectro partidário é considerado fraco. Se revela que existe e tem iniciativa é imediatamente ignorado.

Muda o cenário, mantém-se a pressão social. Toda a gente conhece toda a gente, e toda a gente tem uma opinião sobre cada um dos 245 mil habitantes da ilha (censos de 2001). Quando já não existe assunto, inventam, e quando não inventam, o diálogo dá lugar à bilhardice. É esta a sina desta terra.

Até o Governo foi obrigado na discussão do programa da Região para 2007-2011, a dizer BASTA! É um dos novos 7 mandamentos do PSD para os próximos anos.
Não sei de quem é a culpa desta espécie de “peste social”. O que sei, é que já aniquilou a iniciativa da sociedade civil e adormeceu o associativismo.
Para o bem e para o mal restam os partidos, com as respectivas virtudes e defeitos. Acredito que neste momento, e por causa deste excesso de sociedade, há homens e mulheres a morrer de pé nesta terra. Se noutros locais do mundo é uma virtude resistir, aqui tenho a impressão que é uma fatalidade

Até as noivas fazem figuras ridículas. Despendem-se da vida de solteiras com adereços pirosos. O mais grave é que os usam convencidas de que o casamento é eterno. Devem ter como exemplo o matrimónio dos pais. Por mais volta que dê, não encontro outra explicação. Dizem as estatísticas, revelam a maioria dos actuais casamentos. Acabam em menos de um ano (11 meses).

Os que viajam regressam com ideias frescas, mas são engolidos pela sociedade madeirense. (Peter Berger e Thomas Luckamannn, in “Construção Social da Realidade”.

12.7.07

True love

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria.
O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade.
Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o Amor."

S. Paulo, in Bíblia (I Epístola aos Coríntios, 1.13)
PS - Nos posts com excertos não costumo fazer comentários, mas não resisto a este. Há alguns anos, um amigo disse-me que o Cântico dos Cânticos terá sido uma das leituras mais eróticas que alguma vez havia feito. Pois para mim, esta é uma das mais belas passagens sobre o Amor. Absolutamente divinal, que mostra bem o que deveria significar ser-se cristão.

11.7.07

É isso aí!

Tempo para ser feliz

"E, sentado num rochedo, palpando-lhe a crosta enrugada com os dedos, via o mar subir silenciosamente, à luz do luar. Pensava no rosto de Lucienne, que tantas vezes acariciara, e no calor dos seus lábios. Sobre as águas, o luar, como um óleo espalhado, desenhava longos sorrisos errantes. A água devia estar tépida como a boca de uma mulher, macia e disposta a abrir-se sob os lábios de um homem. Mersault sentia como a alegria é irmã da dor, absorto por completo naquela silenciosa exaltação em que se tecem e entretecem as esperanças e os desesperos da vida de um homem. Consciente, e no entanto estrangeiro, devorado pela paixão, e desinteressado ao mesmo tempo, Mersault via que a sua própria vida e o seu destino tinham ali o seu termo e que todo o seu esforço, dali em diante, seria para se habituar àquela felicidade e enfrentar aquela verdade terrível."

Albert Camus, in A Morte Feliz

Eu cá não sei

Se a senhora desconhece tudo o que se passa no seu Ministério, que raio anda por lá a fazer?

Este foi roubado

Um dos posts mais giros que li nos últimos tempos. Tá meio desactualizado, eu sei. Mas achei graça. Roubado aqui.

Notícias Peculiares do mundo desportivo"Joe Berardo quer Rui Costa na exposiçãoAfinal, Joe Berardo tem planos maiores para Rui Costa.
O comendador benfiquista quer tirar o médio dos relvados...e transferi-lo para a sua exposição no Centro Cultural de Belém.

Berardo considera Rui Costa velho para os relvados, mas vê-o com um grande futuro como obra de arte

"Fuck yeah! Acho que vai ficar bem ao lado do quadro de um gajo que se chama Picasso ou lá o que é. Vale 18 milhões...Mais ou menos o que o Rui Costa valia em 2000", afirmou o comendador, explicando ainda a razão que o levou a lançar a OPA ao Benfica: " Fernando Santos mete a equipa a jogar de tal modo que até parece arte abstracta. É uma mistura do vazio de Kandinski com a loucura de Dali."

Questionado sobre a possibilidade de incluir mais algum jogador na exposição, Joe Berardo afirmou ainda ter pensado em Nuno Gomes, mas acabou por descartar a hipótese, por não ser muito apreciador de naturezas mortas.

As camisolas cor-de-rosa foram também uma ideia de Berardo. Uma forma de aderir às novas tendências e de criar um novo impacto nos adeptos

"Fuck listen! Ver o Petit vestido de cor de rosa é um choque para o adepto. É a mesma coisa que ver o Conde Drácula vestido de Floribella, you see, desperta em nós sensações de horror e ao mesmo tempo, de beleza" concluiu Berardo."

Em cheio

Como muitas vezes acontece, o Vasco acertou em cheio.

Roubado mal e porcamente aqui.

10.7.07

Porque me apetece

Como já devem ter reparado, há algum tempo que ando a postar excertos.
Não há qualquer critério na selecção, excepto serem excertos de autores que admiro. Continuarei a fazê-lo, até deixar de o fazer. Divirtam-se!

Descrédito ao serviço do governo

Se dúvidas ainda existissem, eis como um editorial se dedica a fazer campanha pelo candidato do partido do governo. Pena que as notícias ou a memória desmontem tão penosa argumentação.

Um almoço

Há dias almocei com um amigo que não via há muito tempo. A conversa, sempre interessante, descamba para o ritmo frenético das sociedades onde o stress, a má alimentação e os vícios instituídos aparentemente provocam anomalias graves ao seu funcionamento. O meu amigo defende a intervenção do Estado no assunto, um pouco à semelhança das novas teorias que por aí estacionaram. Confesso-lhe o meu drama e o meu horror: em nome do Estado muita utopia foi perseguida e muita gente queimada. O argumento não o demove. Por momentos, calculo que o meu amigo também seja dos fanáticos que só comem moderadamente, que não bebem, que não fumam e, desconfio eu, que também não copulam, não vá o coração ceder.

De cada vez que oiço alguém falar sobre exercício, colesterol e doenças com nomes estranhos, o Castelo dos Hambúrgueres assume-se como maravilhosa desforra e agradável premonição. No fundo, adoro pensar em dieta enquanto mastigo e enfardo suculentos nacos de carne a pensar na refeição seguinte. O meu amigo ouve-me e, claro, contesta, barafusta, esperneia, grita. Remato dizendo-lhe que o Estado já está a cuidar de nós e que não vale a pena a conversa gerar um ataque cardíaco súbito. Dou-lhe um simples exemplo: o Lucky Luke, que anda a cavalo (um meio de locomoção amigo do ambiente, se exceptuarmos as bostas lançadas, embora sejam sem chumbo 95), ficou sem o cigarro para herdar um pedaço de inestética palha. Tudo em nome da promoção dos estilos de vida saudáveis tão do agrado dos governos.

Claro que um dia, temo eu, esta situação poderá ser mudada. Afinal, nunca se sabe se não vão descobrir que mastigar palha pode provocar trezentos e dezasseis cancros de variada ordem. Ou que andar a cavalo pode provocar a perda de virgindade nas meninas. Mas isso serão outras histórias. Ou outros argumentos se preferirem.

O Live Earth II

Depois do concerto veio o debate na RTP. Na conversa, concluiu-se, imagine-se a surpresa!, que o homem é o único responsável pelo aquecimento global e por todas as suas nefastas consequências. À cabeça, o suspeito do costume que atende por Estados Unidos, mais o capitalismo selvagem que tudo comercializa e que também é receita para todos os males. Lamentavelmente, a tese merecia ser contrariada por alguém que estivesse, ainda, na posse de todas as suas faculdades mentais. Talvez bastasse lembrar que há poucos séculos atrás, a temperatura sofreu iguais alterações, ao que consta sem interferência do capitalista americano, esse indigente sem escrúpulos. Curiosidade acessória: os EUA não existiam na altura. Podíamos ir mais longe: quem sabe até à extinção dos dinossauros e ao parque jurássico. Mas como hoje em dia debater significa juntar em estúdio gente com a mesma opinião politicamente correcta, mais a Maria Elisa recentemente ressuscitada, percebi que o erro só podia ser meu. Como alguém me costuma dizer, homilias só na missa. E ainda assim, acrescento eu, depende do padre.

O Live Earth

Em várias cidades do mundo, a guitarrada saiu à rua durante 24h. Objectivos: alertar para o aquecimento global, promover o Sr. Al Gore, que por acaso passava nas redondezas, e espantar as poucas aves que ainda restam. Folgo em saber que os senhores músicos são uns entusiastas do ambiente e que não têm carros potentes, casas energeticamente disformes (como o Sr. Gore) e que não são doidos a comprar, e a gastar, coisas que não precisam, produzindo lixo desnecessário. De qualquer maneira, muita gente se entusiasmou com a chamada de atenção para a poluição e outras variantes, fenómeno muito em voga e que fica bem no gráfico. O próprio Sr. Gore, nota-se, está mais gordo. No fundo, um sinal inequívoco que o ambiente já recupera.

"Lassidão tingida de espanto"

"Começar a pensar é começar a ser consumido. A sociedade não tem grande coisa a ver com estes princípios. O veneno está no coração do homem. É aí que ele deve ser procurado. Esse jogo mortal, que vai da lucidez perante a existência à evasão fora da luz, é preciso segui-lo e compreendê-lo. (...)
O suicídio é apenas a confissão de que a existência não vale a pena. (...)
Qual é então esse incalculável sentimento que priva o espírito do sono necessário à sua vida? Um mundo que se pode explicar, mesmo com más razões, é um mundo familiar. Mas, pelo contrário, num universo subitamente privado de ilusões e de luzes, o homem sente-se um estrangeiro. Tal exílio é sem recurso, visto que privado das recordações de uma pátria perdida ou da esperança de uma terra prometida. Este divórcio entre o homem e a sua vida, entre o actor e o cenário é que é verdadeiramente o sentimento do absurdo. (...)
O sentimento do absurdo pode esbofetear qualquer homem à esquina de qualquer rua. Em si mesmo, na sua nudez desoladora, na sua luz sem esplendor, é inapreensível. (...)
Acontece que os cenário desabam. Os gestos de levantar, o carro-eléctrico, quatro horas de escritório ou de fábrica, refeição carro-eléctrico, quatro horas de trabalho, refeição, sono, segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado no mesmo ritmo, essa estrada segue-se com facilidade a maior parte do tempo. Só que um dia o «porquê» se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto. (...) A simples preocupação está na origem de tudo."

Albert Camus, in O Mito de Sísifo

Júdice culpado de trapalhada

Sinceramente não acredito que José Miguel Júdice se tenha prestado a jogadas politiqueiras de bastidor para benefício próprio. Por mais que não seja porque o homem não precisa. O seu prestígio precede-o.
Mas é muito estranho Júdice ter aceite ser mandatário de António Costa e ser depois nomeado para coordenador da recuperação da frente Tejo. Para além de não se conhecer os méritos de Júdice ao nível de urbanismo ou de gestão e administração.
Todavia, eu tenho o ex-bastonário por homem sério (o mesmo já não digo de António Costa ou José Sócrates) e dou-lhe o benefício da dúvida. Na minha opinião, o único pecadilho que podemos imputar a Júdice é a falta de discernimento para recordar a velha máxima de Cícero: à mulher de César não basta ser séria; é também preciso parecê-lo.

Watch again!

Hoje em dia, "sociedade civil" é sinónimo de "Compromisso Portugal". E é ver a comunicação social portuguesa (especialmente aquela especialista em economia que também se julga especialista em política) embevecida a olhar os seus paladinos... Que é como quem diz, os defensores do neo-liberalismo. Patético, se não fosse tão perigoso!

9.7.07

O regresso

O meu fim-de-semana despertou com uma visita ao Espigão. Trata-se de uma pequena localidade no concelho da Ribeira Brava. O carro já chega lá, mas uma vereda continua a ser percorrida por muitos moradores. Precisam meia hora para descer montanha abaixo. 45 para subir. É um dos sítios mais bonitos da Madeira. Não vem nos guias de turismo e a maioria dos madeirenses não sabe onde fica.

À noite fui à poncha. Ia tomar uma, bebi duas…. À saída foi interpelado por dois indivíduos.
-Perdon, Funchal???
A resposta foi imediata.
-Não!

A Caminho, repensei….e questionei quem me acompanhava se deveria ou não dar boleia. Realizadas as considerações, sobre o aspecto, a pronúncia, concluímos que seriam canários. Regressei , de propósito, para lhes dar boleia. Uma das primeiras perguntas foi de onde eram? Barcelona! Tinham acabado de aterrar. Apanharam um táxi e foram por indicação do recepcionista do hotel a Câmara de Lobos. Queriam voltar para o ponto de partida mas não existiam táxis.


Na sexta enquanto o povo superior ouvia jazz, passei pelo café do Museu. Reparei que a Igreja do Colégio já está de rosto lavado. Também vi uma simpática senhora. Separava-nos uma mesa. Ofereci-lhe uma bebida. Pediu ao empregado um café.
O tecno embalava a noite dos que chegavam. Entretanto ela adormeceu. Antes olhava para o vazio. Aproveitei para perguntar quem era. O empregado disse que costumava aparecer e ficava por ali até à hora de fechar (2 horas)…Dizia-lhes que tinha um quarto!

6.7.07

Sotto le stelle del jazz

Certi capivano il jazz
l’argenteria spariva…
ladri di stelle e di jazz
così eravamo noi,
così eravamo noi
Pochi capivano il jazz
troppe cravatte sbagliate…
ragazzi-scimmia del jazz
così eravamo noi,
così eravamo noi
Sotto le stelle del jazz,
ma quanta notte è passata…
Marisa, svegliami, abbracciami
è stato un sogno fortissimo…
Le donne odiavano il jazz
“non si capisce il motivo”
du-dad-du-dad
Sotto le stelle del jazz
un uomo-scimmia cammina,
o forse balla, chissà
du-dad-du-dad
Duemila enigmi nel jazz
ah, non si capisce il motivo…
nel tempo fatto di attimi
e settimane enigmistiche…
Sotto la luna del jazz…

Paolo Conte

Começou ontem o Funchal Jazz. Para bem dos nossos pecados. E ouvidos.

(Infelizmente, o senhor acima só pode ser ouvido nos intervalos entre as actuações...).

4.7.07

O Vídeo do momento



Por favor, não rir. Pelo menos, muito alto.

Em festa

Portugal recebeu embevecido, e de braços abertos, a presidência da União. O acontecimento meteu uns rapazes à volta do primeiro-ministro, uns concertos onde não cabia toda a gente e umas conferências de imprensa, em que também participou o Dr. Barroso, um ex-conhecido nosso. Para os próximos seis meses, a agenda antecipa recital de fino recorte sob a batuta do nosso primeiro que esperamos nós não precise de falar em inglês técnico.

Claro está que os próximos seis meses serão para esquecer. O próprio Eng. (?) Sócrates já veio avisar que quer (exige? deseja?) um esforço colectivo para que o país deixe uma imagem positiva junto dos outros líderes europeus (é expressamente proibido manifestar-se contra o governo ou colar cartazes com piadas sobre ministrospor exemplo). Suponho eu, no fundo, que o ideal seria que os portugueses momentaneamente deixassem de existir (talvez metendo férias por seis meses) varrendo-se, assim, e de uma assentada, a chatice que são os nossos problemas colectivos da agenda mediática.

Entretanto, a principal função da nossa grandiosa presidência é fazer aprovar uma constituição disfarçada de tratado. A tarefa foi já assumida pelos gémeos portugueses, Dupond e Dupont, perdão, Sócrates e Barroso, o que implicará que o futuro tratado fique conhecido por Tratado de Lisboa. (Sonoridades à parte, Tratado de Lisboa soa bem melhor que Tratado de Liubliana, com a vantagem evidente da maioria dos portugueses saber onde fica Lisboa e quase ninguém saber o que é ou onde fica Liubliana.)

Em auxílio da presidência portuguesa, o Dr. Cavaco, outrora um não resignado, fez saber que acha o referendo nacional (uma promessa eleitoral) ao futuro tratado um empecilho sem fundamento. Fica claro que também para o Dr. Cavaco, os portugueses são uma maçada que se trata ignorando, como os actuais níveis educacionais, aliás, recomendam. Na verdade, perante o gritante estado de ataraxia vigente, viver na ignorância é aconselhável e um sinal enorme de felicidade. E garante, por acréscimo, uma exemplar sobrevivência. Para quê fazer perguntas incómodas, quando a resposta a dar só pode ser uma?

Atrás de um grande homem...

O futebol em Portugal é tão atrevido que a principal testemunha do processo Apito Dourado saiu directamente do submundo da table dance, um mercado em franca expansão, para o top das livrarias nacionais, um mercado em óbvia degradação. Capacidades literárias e dançarinas à parte, reconheça-se pelo menos que o enredo trouxe a consagração de um popular e antigo aforismo: atrás de um grande homem, vem sempre uma grande mulher. Ou até duas, como neste caso.

Rua com eles



Absolutamente deplorável. E mais uma vez, incomoda-me que este ministro não seja responsabilizado pela sua atitude absolutamente anti-democrática!
Mas é esta a lógica do governo do bacharel Sócrates (venham lá agora acusar-me de apenas querer ofender Sua Excelência!).
A atitude do senhor foi tão absurda que até incomodou o Comissário Europeu!
Vergonhoso.

Liberdades


Parece que a questão do anonimato e da diferença entre ofensa e crítica está de novo na agenda do dia da blogosfera. Alegra-me, porque o debate elucida.
Quero, assim, contribuir com mais uma pequena reflexão.
Se por um lado reconheço que não é simpático sermos vítimas de ofensas por parte de outrém, anónimos ou não, por outro, convictamente, acredito que a liberdade será sempre a resposta. A cobardia revelada pelos anónimos, que populam pela blogosfera com a única intenção de ofender, humilhar e caluniar preocupa-me, mas opto por não colocar nenhum enable nos meus posts, porque tenho algum medo em me instituir como "controleiro".

Não sendo anarquista, afinal reconheço como necessário o controle, para uma correcta organização, logo responsabilização, receio a tentação do domínio. Por isso, se depender de mim, não serão colocados quaisquer entraves à liberdade dos outros. Porque apesar da minha liberdade acabar, efectivamente, onde começa a do outro, eu sou responsável exclusivamente pela minha. E não quero ter que ser eu a assumir o ónus que definir o que os outros podem ou não escrever! Até onde os outros podem ou não ir. Porque estaria sempre a entrar num domínio que não é meu.

Que é como quem diz: separar o trigo do joio.

"Quando falámos da realidade religiosa concreta, distinguimos a sua dimensão de eternidade, seus amálgamas com formas temporais caducas e os compromissos para que os homens a arrastam. O espírito religioso não consiste em cobrir tudo isto com apologias, mas, muito antes, em libertar o autêntico do inautêntico, o permanente do caduco. Aqui se encontra com o espírito do personalismo.
Os compromissos do cristianismo contemporâneo acumulam muitas sobrevivências históricas: a velha tentação teocrática do domínio das consciências pelo Estado; o conservadorismo social que liga o destino da fé a regimes utltrapassados; a dura lógica do dinheiro, que guia o que deveria servir. (...)
Quem quiser manter os valores cristãos em todo o seu vigor deve organizar, para todo os lados, a ruptura do cristianismo com as desordens estabelecidas. (...)
O Cristianismo já não está sozinho. Realidades maciças e valores incontestáveis nascem aparentemente fora do seu âmbito, suscitam morais, heroísmos, quase santidades.
Por outro lado, parece que o cristianismo ainda não realizou com o mundo moderno (desenvolvimento da consciência, da razão, da ciência, da técnica e das massas trabalhadoras) a união conseguida com o mundo medieval. Estará a atingir o fim? Não será este divórcio prova evidente? Um estudo mais desenvolvido destes factos leva-nos, no entanto, a pensar que esta crise não é o fim do cristianismo mas o fim duma cristandade, dum corrompido regime do mundo cristão que rompe suas amarras e parte à deriva deixando atrás de si os pioneiros de uma nova cristandade. Parece-nos que, depois de durante séculos ter talvez roçado a tentação judaica da instalação directa do Reino de Deus no plano dos poderes terrestres, o cristinanismo regressa lentamente à sua posição primitiva (...)."

"Toda a gama de comportamentos que a fenomenologia religiosa liberta, reencontram-se em quadros novos, sob formas geralmente degradadas, muito retrógadas em relação ao cristianismo, exactamente na medida em que o universo pessoal e suas exigências são mais ou menos eliminados."

Emmanuel Mounier, in Personalismo

Munch, Golgotha

Questão de princípio

É indiscutivel que a Assembleia Regional necessita de novas regras sobre incompatibilidades. É óbvio que existem situações que criam dúvidas sobre quem legisla e sobre quem beneficia dessa legislação. É claro que o tema deve ser debatido urgentemente. É fundamental que o debate seja abrangente, ou seja, que envolva o poder a e oposição. Como está actualmente a situação não pode ficar. Até porque, como li recentemente (e perdoem-me, porque não me recordo quem o escreveu), a ideia de que com regras mais apertadas se afasta o melhores da política não me parece ser a mais correcta (os melhores serão unicamente os empresários e advogados)?

Mas também me parece evidente que as regiões não podem, sob pena de verem violentados os princípios autonómicos, sujeitar-se a todas as regras impostas de fora, sem serem tidas ou achadas. Foi, aliás, essa a base que sustentou a posição do Governo Regional dos Açores. É de facto uma questão de princípio.

Agora, que as coisas têm de mudar na AR, lá isso têm. E mais cedo ou mais tarde o PSD vai ter de perceber isso.

Apontamentos sem nome

Após suspender o mandato, o vereador Carlos Pereira terá mais tempo para o seu blog, indiscutivelmente.

Agora a sério, é bom que apareçam outros espaços na blogosfera. Se trouxerem novas ideias para o debate, tanto melhor.

Viagem divertida

Façam uma visita guiada à caixa de comentários do Esquerda Revolucionária. Vale a pena. É uma viagem verdadeiramente divertida.

Mas afinal, quem é o Coelho (desculpem a falta de informação, mas ando mesmo afastado destas coisas da política)?

3.7.07

O jardineiro é Jesus...

Basta ter o emblema...


Boa argumentação em favor do equipamento cor-de-rosa. Até dá jeito, para cortar um bocado...

Sobre pássaros, mulheres e deuses

Cara amiga WOAB,
não seria necessário tanto, até porque sei o que pensas sobre a Igreja Católica e sobre o que entendes ser a posição desta Instituição acerca da mulher. Ainda assim, acho que exageraste na dose. O post revela a contundência e impetuosidade que te são características e com que encaras a vida. A violência, contudo, não é habitual. A fotografia do Witkin representaria algum frade?...
Mas como te deste ao trabalho que me elucidar uma vez mais, acho que por uma questão de delicadeza te estou devedor de alguns esclarecimentos. Ou, sem tanto pretensiosismo, de alguma réplica.

Não me sinto digno, preparado ou mandatado para assumir o papel de advogado do diabo – salvo seja! –, o que neste particular significa assumir a defesa da Igreja relativamente às tuas acusações.
Mas seria importante clarificar algumas delas.
Gozas com o encerramento do limbo, mas para uma instituição como a Igreja é fundamental não existirem mal-entendidos, como se revelava esse não-lugar. Apesar do conceito de limbo nunca ter integrado a doutrina católica, fez parte do catecismo (até 1982), sendo um conceito algo obscuro – que de resto foi inventado na época medieval para dar guarida a crianças e justos que, não sendo baptizados, não seriam, todavia, merecedores do castigo eterno do demiurgo (os filósofos também foram para lá atirados por Dante Alighieri, como sabes). Era importante esclarecer que lugar ocupava dentro da doutrina e foi isso que foi feito.
Quanto às criancinhas, a própria Igreja entregou-as à misericórdia divina, não carecendo, portanto, da tua preocupação.

Efectivamente, a Igreja está em dívida para com a Mulher. Secularmente, a mulher foi atirada para um papel menor na engrenagem da Igreja. Apesar da infalibilidade do seu líder relativamente às coisas religiosas, a Igreja foi demasiado imperfeita por não ter sabido dissociar o estatuto sociológico da mulher, da posição que esta seria merecedora dentro da estrutura eclesial. Ou seja, a Igreja foi orientada por homens que lançaram a mulher para o papel que esta ocupava na sociedade, numa atitude pouco conforme aos ensinamentos de Jesus Cristo.
A Igreja é, efectivamente, culpada por se ter deixado enredar nos constragimentos e vicissitudes historico-socio-culturais, não tendo sabido se libertar ou libertar a mulher, conforme aquela que tinha sido a prática de Jesus Cristo, que reconhecia na mulher uma interlocutora igual em densidade ontológica e ética e em capacidade intelectual, como nos diz S. Lucas.
Portanto, reconheço como legítimas algumas das críticas.

Mas seguindo o teu raciocínio, terias que deixar de te afirmar como portuguesa, ou europeia, ou até feminista, porque qualquer uma destas “instituições” está situada num contexto historico-socio-cultural: a tradição judaico-cristã defendeu a sociedade patriarcal, não tendo, portanto, lugar para ti; existem muitas correntes feministas (algumas mais idiotas que outras) e de certeza que não te identificas com todas. Não há, igualmente, lugar para ti. Em rigor, não há lugar para a mulher libertada. Teria que ser inventado assim uma espécie de…limbo!

Quanto ao Espírito Santo profanador do ventre feminino, sinceramente nunca vi onde aqui reside o vector opressivo. A concepção sem pecado não diminui a mulher: engrandece-a, porque o Salvador não tem semente do homem, mas nasce do ventre da mulher.
O pecado original?... Outra invenção de filósofo (desta feita de Santo Agostinho), para impedir que a origem do pecado se situasse em Deus.

Relativamente à galeria de Santas, estas são modelos de virtude e muito poucas são virgens. Aliás, exceptuando Maria, assim de repente não me recordo de nenhuma cujo modelo de virtude seja a sua virgindade. Ainda assim, admito que a Igreja não tenha sabido lidar convenientemente com aquilo que diferencia os géneros. Mas, também isso começa a mudar.

Replicar-me-ias com justeza: mas se assim é, se a Igreja faz hoje esse acto de contrição, porque não emendar rapidamente a mão e repor a integralidade dos direitos que são devidos à mulher? Porque a Igreja padece do pecado da lentidão de processos. É algo inevitável, mas não será no ritmo que a contemporaneidade exige.
Curioso é que algumas mudanças estão à vista e não são propostas de fora, mas derivam de um movimento interno. São as tais que limpam, fazem arranjos florais e ministram catequese que exigem a sua libertação. Num movimento todo ele cristão.
Seres ou não cristã, nada tem a ver com feminilidade. Na minha opinião, tem apenas a ver com essa tua rebeldia irascível que te faz virar contra qualquer instituição.


PS – Perante um tão contundente post, a resposta não poderia ser em forma de comentário, naturalmente.
PS2 - Dispensei-me de preâmbulos elogiosos ao teu texto. Saberás o que me parecerá.

2.7.07

Poderia ser mentira?

"Neste terrível lamaçal de mentira e de cobardia, ouve-se de vez em quando: «Actos! Actos! Actos! Nada de palavras!». E o facto supremo, o grande facto, o facto fecundo, o facto redentor, seria que cada um dissesse a sua verdade. Sem nada mais do que isso, estaríamos do outro lado do abismo que se nos abre debaixo dos pés.

E contudo há miseráveis que, não se atrevendo a defender a mentira, a hedionda mentira, tratam de fazê-la passar por ilusão e falam-nos do seu poder e do alívio que se procura ao enganar conscientemente.

Não: a arte é o que mais longe está da mentira, e a mentira é o que de mais profundamente inestético existe. Não: a mentira não é nunca consolo, e a ilusão consoladora não é mentira."

Miguel Unamuno, in Solidão

1.7.07

Dia da Região

Do vale à montanha e do mar a serra,
Teu povo humilde, estóico e valente
Entre a rocha dura te lavrou a terra,
Para lançar, do pão, a semente:
Herói do trabalho na montanha agreste,
Que se fez ao mar em vagas procelosas:
Os louros da vitória, em tuas mãos calosas
Foram a herança que a teus filhos deste.
Por esse Mundo além
Madeira teu nome continua
Em teus filhos saudosos
Que além fronteiras
De ti se mostram orgulhosos.
Por esse Mundo além,
Madeira, honraremos tua História
Na senda do trabalho
Nós lutaremos
Alcançaremos
Teu Bem-estar e Glória.