
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
17.7.07
Doidos

Igualdade de oportunidades, ou pura "mariquice"?
Contou-se, para esse efeito, com a oportuna propaganda: misturando imagens de pessoas portadoras de deficiência ou de diversas raças com gestos de intimidade entre indivíduos do mesmo sexo, sugerindo subliminarmente que a recusa do "casamento" homossexual seria o alinhamento com uma espécie de apartheid. (...)
Ora, a união homossexual é algo radicalmente diferente do casamento (heterossexual monogâmico). É de outra natureza, de outra espécie. Antropologicamente diverso. Diferente quanto ao seu valor social. Em particular, o casamento é uma instituição singularmente valiosa - e como tal regulado e protegido pelo Estado - como lugar natural da renovação das gerações e da formação do carácter e primeira socialização dos futuros membros da sociedade; e como sinalizador da bondade e riqueza da dualidade sexual sobre que se estrutura a sociedade.
O casamento é, portanto, um bem público (em sentido lato), ao contrário de outras formas de união sexual. Por um lado, gera benefícios para a sociedade como um todo, para além daqueles que proporciona aos próprios cônjuges. (...)
É certo que a alternativa de se casar (a sério) poderia manter-se no menu de opções disponíveis de uma sociedade que a incluísse, em posição paritária, entre outras formas sociais - como a união homossexual, a união de facto, a poligamia, etc. Mas a inteligibilidade e o significado social de se casar e ser casado - ter uma mulher ou um marido - nessas circunstâncias não seria semelhante ao significado social e simbólico do casamento vigente numa sociedade que se compromete com essa instituição: a dignidade única da opção do casamento e a percepção do seu valor seriam obscurecidas aos olhos dos indivíduos se a sociedade deixasse de reconhecê-la e distingui-la.
Aliás, se o estatuto jurídico de casamento fosse violentado de forma a albergar as uniões entre pessoas do mesmo sexo, isso significaria a imposição desse conceito bizarro - e profundamente hostil - de "casamento" a todas as outras a quem repugna essa assimilação. Implicaria uma injustiça ou discriminação contra aqueles que reivindicam poder verdadeiramente casar.
A recusa do "casamento" homossexual não é, portanto, uma discriminação ilegítima (que, por exemplo, infrinja o tão invocado art. 13.º da Constituição). Qualquer pessoa tem (igual) direito a casar. Simplesmente, o casamento é, por definição e natureza, uma aliança entre um homem e uma mulher.
Mesmo nas sociedades em que foi tolerada ou aceite, nunca se concebeu ou pretendeu fazer da homossexualidade uma instituição social dotada de estatuto público equiparável ao casamento. E ninguém é obrigado a casar...
A campanha do lobby gay para a reconceptualização do casamento, de modo a incluir a união homossexual, não tem nada a ver com a igualdade de oportunidades. Visa antes a promoção da conduta homossexual e a desconstrução - não apenas semântica - do casamento e da família, tal como a esmagadora maioria das pessoas (com boas razões) os entende e preza.
Todavia, há em Portugal verdadeiros e graves casos de desigualdade, discriminação de facto e exclusão: pessoas com deficiências, jovens em situação de reinserção social, minorias étnicas, desempregados de longa duração, os sem-abrigo (para não falar da discriminação fiscal dos casados relativamente aos solteiros, ou da discriminação laboral das mulheres grávidas).
Não seria melhor aplicar os dinheiros públicos na sensibilização e correcção destas formas de desigualdade de oportunidades, em vez de os investir no marketing da ideologia gay?
Alexandra Teté, Associação Mulheres em Acção, in Público de 16 de Julho de 2007
À espera da lei
Para ser mais preciso a estória teve o epílogo no dia 11 de Fevereiro (data do referendo). Sexta-feira, 13 deste mês, o assunto voltou à agenda dos média com a antevisão da entrada em vigor da lei (dia 15).
Entretanto, os defensores do NÃO e do SIM desapareceram.
O governo da república regulamentou a lei e a Madeira fez birra.
Agora o argumento é que a região não tem dinheiro para suportar o custo da Interrupção Voluntária da Gravidez.
É óbvio que nesta situação as prejudicadas são as mulheres. Caso tenham dinheiro das duas uma: - deslocam-se aos hospitais públicos no continente, ou dirigem-se às clínicas privadas (existem duas oficialmente reconhecidas pelo MS) para fazer o que lhes é negado no Serviço Regional de Saúde. Quem paga a deslocação é que não se sabe. Jardim diz que é “Sócrates”. Sócrates envia factura para Jardim. A regulamentação da lei é na minha opinião,clara sobre esta matéria. “ Portaria 741-1/2007, Artigo 12, 4 – Os estabelecimentos de saúde (…) devem assegurar o encaminhamento das mulheres grávidas (…) assumindo os encargos daí resultantes”.
A outra questão é bem diferente da primeira.
No meio desta trapalhada os médicos ganham tempo e podem usufruir algum dinheiro. Existem pelo menos 20 obstretas/ginecologistas a trabalhar para Serviço Regional de Saúde. Até à data nenhum declarou se é objector de consciência. Será que podem realizar abortos nas clínicas particulares??? E as clínicas também são obrigadas a aguardar pela decisão do Tribunal Constitucional???
A questão é discutível.
Estranho para alguns, não para mim, seria que um destes dias fosse notícia: -
Clínica realiza abortos na Madeira.
Neste caso de quem é a competência para reconhecer a capacidade técnica para a IVG. Do Estado ou da Região?
16.7.07
Jorge Palma ao vivo na Queima das Fitas Coimbra
Lembras-te de ter visto qualquer coisa semelhante, creio. Era tarde, muito tarde mesmo. A banda de circunstância já tinha esgotado os covers. O Palma salvou-os quando subiu ao palco, décadas depois do previsto.
O Palma, às vezes, salva-nos a todos da demência.
"É pá, é bom sorrir um pouco, descontrair um pouco. Eu sei que tu compreendes bem".
Há Dias
Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois
ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.
Eugénio de Andrade
Dedicado a alguém de quem gosto muito e que está a passar por dias de merda.
Por favor, tenta aguentar a tormenta.
Afinal, de onde eram os socialistas?
Mas o PS foi simpático, trouxe uns velhinhos à capital, para verem o sr. Costa (quem?) a discursar. Lindo, lindo, foi a senhora que dizia: "não sei o que estou a aqui a fazer. O sr. motorista resolveu passar por aqui..."
Mas foi divertido.
Também gostei do jornalista da RTP: "É de Cabeceiras de Basto... E agora, vamos ouvir o Dr. António Vitorino".
Agora a sério. O PSD levou uma abada. Mas não percebo porque se riem os socialistas. Provavelmente nunca receberam tão poucos votos em Lisboa. Como diz o Joe Berardo: hellooooo! Os portugueses estão a acordaaar!
Pena é que o Sr. primeiro-ministro não seja tão célere a aparecer perante a populaça quando esta não se resume a uns simpáticos velhinhos que fazem excursões a Lisboa. E que mande impedir o acesso dessa perigosa tribo de tugas, nas inaugurações - que, pasme-se, é sempre um momento de perfeita simbiose entre o líder e os liderados.
Apesar de achar que os portugueses gostam mesmo é de criminosos e abutres, fiquei sinceramente satisfeito por ver duas candidaturas independentes do sistema partidário terem terminado tão bem colocadas. Ainda não é a democracia participativa, mas os sinais começam a ser claros: estamos a ficar fartos das escolas de oportunistas e de carreiristas, que dão pelo nome de partidos - ainda que as candidaturas independentes dos últimos tempos sejam tudo menos movimentos de cidadãos desinteressados..
Para finalizar, o Manuel Maria Carrilho deve sair em breve com um novo livro. O título já está escolhido: "Eleições de Lisboa, o PSD leva uma abada e eu é que as mamo!" Foi hilariante ver o cerco feito ao político-filósofo à pala do n.º 2 do Sr. Costa - o tal dos interesses imobiliários, que vai agora mediar... E gostei de ver o quão entalado o ex-vereador do PS estava.
É pá, isto assim não vale: um convida um gajo com interesses obscuros para seu n.º 2, o outro é humilhado, um outro leva nas ventas que não é brincadeira, e eu é que tenho que as mamar?! Barbaraaaa...
Enfim, coisas do país dos matraquilhos...
Eterno
"Quero que gostes de Pina Baush, ou até já nem gostes,The Second Life
Casting de avatares para anúncio da Taco Bell
A Taco Bell está a realizar um casting online para avatares (personagens virtuais que participam em comunidades como o Second Life) para entrarem num anúncio de 30 segundos que será emitido durante os MTV Music Awards. "Os avatares são algo gigante neste momento, não só no Second Life como em muitos outros lugares", comentou à Adweek, Scott Johnson, director criativo da área digital da DraftFCB Chicago, agência que está a coordenar a campanha. O filme da cadeia de fast food tem estreia marcada para 9 de Setembro.
Rui Oliveira Marques
Portugal está em 12º Lugar no Second Life
Portugal ocupa a 12ª posição na lista de países mais representados no Second Life. De acordo com os dados divulgados pela Linden Lab, empresa que detém esta comunidade virtual, existem 7208 avatares (personagens virtuais), criadas por utilizadores virtuais portugueses. Este número corresponde a quase 1,5% do total da população existente no Second Life. OS EUA lideram com 26,5% do total de avatares, seguidos da Alemanha (9,1%) e Brasil (7,4%). Reino Unido, França, Japão, Itália, Espanha, Holanda, Austrália e Canadá ocupam as restantes posições acima da portuguesa. A título de exemplo, países como Bélgica, México, Suíça, Suécia, China, Polónia, Dinamarca e Argentina têm uma representação inferior à portuguesa.
Rui Oliveira Marques
Dispenso a conversa
(A entrevista do Sr. Gouveia foi, de resto, um dos momentos mais surrealistas dos últimos anos em televisão!)
O Sr. Mendes
Cortejo alegórico
Os lisboetas é que faltaram à festa. Quase 70% borrifaram-se literalmente para as eleições, para o Sr. Costa, para o Sr. Sóccrates e para as restantes personagens a concurso, incluindo o inacreditável Zé e o bom do Bexiga (a propósito, os tipos do PNR até tiveram mais votos que o Monteiro e a sua trupe).
Enfim, mais um domingo de Carnaval proporcionado pela democracia portuguesa.
15.7.07
Suicídio colectivo

Vivem demasiado a ilha. Há vários exemplos: Há excesso de política e de socidade.
Muda o cenário, mantém-se a pressão social. Toda a gente conhece toda a gente, e toda a gente tem uma opinião sobre cada um dos 245 mil habitantes da ilha (censos de 2001). Quando já não existe assunto, inventam, e quando não inventam, o diálogo dá lugar à bilhardice. É esta a sina desta terra.
Até o Governo foi obrigado na discussão do programa da Região para 2007-2011, a dizer BASTA! É um dos novos 7 mandamentos do PSD para os próximos anos.
Não sei de quem é a culpa desta espécie de “peste social”. O que sei, é que já aniquilou a iniciativa da sociedade civil e adormeceu o associativismo.
Para o bem e para o mal restam os partidos, com as respectivas virtudes e defeitos. Acredito que neste momento, e por causa deste excesso de sociedade, há homens e mulheres a morrer de pé nesta terra. Se noutros locais do mundo é uma virtude resistir, aqui tenho a impressão que é uma fatalidade
Até as noivas fazem figuras ridículas. Despendem-se da vida de solteiras com adereços pirosos. O mais grave é que os usam convencidas de que o casamento é eterno. Devem ter como exemplo o matrimónio dos pais. Por mais volta que dê, não encontro outra explicação. Dizem as estatísticas, revelam a maioria dos actuais casamentos. Acabam em menos de um ano (11 meses).
Os que viajam regressam com ideias frescas, mas são engolidos pela sociedade madeirense. (Peter Berger e Thomas Luckamannn, in “Construção Social da Realidade”.
12.7.07
True love
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. 11.7.07
Tempo para ser feliz
"E, sentado num rochedo, palpando-lhe a crosta enrugada com os dedos, via o mar subir silenciosamente, à luz do luar. Pensava no rosto de Lucienne, que tantas vezes acariciara, e no calor dos seus lábios. Sobre as águas, o luar, como um óleo espalhado, desenhava longos sorrisos errantes. A água devia estar tépida como a boca de uma mulher, macia e disposta a abrir-se sob os lábios de um homem. Mersault sentia como a alegria é irmã da dor, absorto por completo naquela silenciosa exaltação em que se tecem e entretecem as esperanças e os desesperos da vida de um homem. Consciente, e no entanto estrangeiro, devorado pela paixão, e desinteressado ao mesmo tempo, Mersault via que a sua própria vida e o seu destino tinham ali o seu termo e que todo o seu esforço, dali em diante, seria para se habituar àquela felicidade e enfrentar aquela verdade terrível."Eu cá não sei
Este foi roubado
Notícias Peculiares do mundo desportivo"Joe Berardo quer Rui Costa na exposiçãoAfinal, Joe Berardo tem planos maiores para Rui Costa.
O comendador benfiquista quer tirar o médio dos relvados...e transferi-lo para a sua exposição no Centro Cultural de Belém.
Berardo considera Rui Costa velho para os relvados, mas vê-o com um grande futuro como obra de arte
"Fuck yeah! Acho que vai ficar bem ao lado do quadro de um gajo que se chama Picasso ou lá o que é. Vale 18 milhões...Mais ou menos o que o Rui Costa valia em 2000", afirmou o comendador, explicando ainda a razão que o levou a lançar a OPA ao Benfica: " Fernando Santos mete a equipa a jogar de tal modo que até parece arte abstracta. É uma mistura do vazio de Kandinski com a loucura de Dali."
Questionado sobre a possibilidade de incluir mais algum jogador na exposição, Joe Berardo afirmou ainda ter pensado em Nuno Gomes, mas acabou por descartar a hipótese, por não ser muito apreciador de naturezas mortas.
As camisolas cor-de-rosa foram também uma ideia de Berardo. Uma forma de aderir às novas tendências e de criar um novo impacto nos adeptos
"Fuck listen! Ver o Petit vestido de cor de rosa é um choque para o adepto. É a mesma coisa que ver o Conde Drácula vestido de Floribella, you see, desperta em nós sensações de horror e ao mesmo tempo, de beleza" concluiu Berardo."
10.7.07
Porque me apetece
Não há qualquer critério na selecção, excepto serem excertos de autores que admiro. Continuarei a fazê-lo, até deixar de o fazer. Divirtam-se!
Descrédito ao serviço do governo
Um almoço
De cada vez que oiço alguém falar sobre exercício, colesterol e doenças com nomes estranhos, o Castelo dos Hambúrgueres assume-se como maravilhosa desforra e agradável premonição. No fundo, adoro pensar em dieta enquanto mastigo e enfardo suculentos nacos de carne a pensar na refeição seguinte. O meu amigo ouve-me e, claro, contesta, barafusta, esperneia, grita. Remato dizendo-lhe que o Estado já está a cuidar de nós e que não vale a pena a conversa gerar um ataque cardíaco súbito. Dou-lhe um simples exemplo: o Lucky Luke, que anda a cavalo (um meio de locomoção amigo do ambiente, se exceptuarmos as bostas lançadas, embora sejam sem chumbo 95), ficou sem o cigarro para herdar um pedaço de inestética palha. Tudo em nome da promoção dos estilos de vida saudáveis tão do agrado dos governos.
Claro que um dia, temo eu, esta situação poderá ser mudada. Afinal, nunca se sabe se não vão descobrir que mastigar palha pode provocar trezentos e dezasseis cancros de variada ordem. Ou que andar a cavalo pode provocar a perda de virgindade nas meninas. Mas isso serão outras histórias. Ou outros argumentos se preferirem.
O Live Earth II
O Live Earth
"Lassidão tingida de espanto"
"Começar a pensar é começar a ser consumido. A sociedade não tem grande coisa a ver com estes princípios. O veneno está no coração do homem. É aí que ele deve ser procurado. Esse jogo mortal, que vai da lucidez perante a existência à evasão fora da luz, é preciso segui-lo e compreendê-lo. (...)O suicídio é apenas a confissão de que a existência não vale a pena. (...)
Qual é então esse incalculável sentimento que priva o espírito do sono necessário à sua vida? Um mundo que se pode explicar, mesmo com más razões, é um mundo familiar. Mas, pelo contrário, num universo subitamente privado de ilusões e de luzes, o homem sente-se um estrangeiro. Tal exílio é sem recurso, visto que privado das recordações de uma pátria perdida ou da esperança de uma terra prometida. Este divórcio entre o homem e a sua vida, entre o actor e o cenário é que é verdadeiramente o sentimento do absurdo. (...)
O sentimento do absurdo pode esbofetear qualquer homem à esquina de qualquer rua. Em si mesmo, na sua nudez desoladora, na sua luz sem esplendor, é inapreensível. (...)
Acontece que os cenário desabam. Os gestos de levantar, o carro-eléctrico, quatro horas de escritório ou de fábrica, refeição carro-eléctrico, quatro horas de trabalho, refeição, sono, segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado no mesmo ritmo, essa estrada segue-se com facilidade a maior parte do tempo. Só que um dia o «porquê» se levanta e tudo recomeça nessa lassidão tingida de espanto. (...) A simples preocupação está na origem de tudo."
Albert Camus, in O Mito de Sísifo
Júdice culpado de trapalhada
Mas é muito estranho Júdice ter aceite ser mandatário de António Costa e ser depois nomeado para coordenador da recuperação da frente Tejo. Para além de não se conhecer os méritos de Júdice ao nível de urbanismo ou de gestão e administração.
Todavia, eu tenho o ex-bastonário por homem sério (o mesmo já não digo de António Costa ou José Sócrates) e dou-lhe o benefício da dúvida. Na minha opinião, o único pecadilho que podemos imputar a Júdice é a falta de discernimento para recordar a velha máxima de Cícero: à mulher de César não basta ser séria; é também preciso parecê-lo.
Watch again!
9.7.07
O regresso
À noite fui à poncha. Ia tomar uma, bebi duas…. À saída foi interpelado por dois indivíduos.
-Perdon, Funchal???
A resposta foi imediata.
-Não!
A Caminho, repensei….e questionei quem me acompanhava se deveria ou não dar boleia. Realizadas as considerações, sobre o aspecto, a pronúncia, concluímos que seriam canários. Regressei , de propósito, para lhes dar boleia. Uma das primeiras perguntas foi de onde eram? Barcelona! Tinham acabado de aterrar. Apanharam um táxi e foram por indicação do recepcionista do hotel a Câmara de Lobos. Queriam voltar para o ponto de partida mas não existiam táxis.
Na sexta enquanto o povo superior ouvia jazz, passei pelo café do Museu. Reparei que a Igreja do Colégio já está de rosto lavado. Também vi uma simpática senhora. Separava-nos uma mesa. Ofereci-lhe uma bebida. Pediu ao empregado um café.
O tecno embalava a noite dos que chegavam. Entretanto ela adormeceu. Antes olhava para o vazio. Aproveitei para perguntar quem era. O empregado disse que costumava aparecer e ficava por ali até à hora de fechar (2 horas)…Dizia-lhes que tinha um quarto!
6.7.07
Sotto le stelle del jazz
l’argenteria spariva…
ladri di stelle e di jazz
così eravamo noi,
così eravamo noi
Pochi capivano il jazz
troppe cravatte sbagliate…
ragazzi-scimmia del jazz
così eravamo noi,
così eravamo noi
Sotto le stelle del jazz,
ma quanta notte è passata…
Marisa, svegliami, abbracciami
è stato un sogno fortissimo…
Le donne odiavano il jazz
“non si capisce il motivo”
du-dad-du-dad
Sotto le stelle del jazz
un uomo-scimmia cammina,
o forse balla, chissà
du-dad-du-dad
Duemila enigmi nel jazz
ah, non si capisce il motivo…
nel tempo fatto di attimi
e settimane enigmistiche…
Sotto la luna del jazz…
Paolo Conte
Começou ontem o Funchal Jazz. Para bem dos nossos pecados. E ouvidos.
(Infelizmente, o senhor acima só pode ser ouvido nos intervalos entre as actuações...).
4.7.07
Em festa
Claro está que os próximos seis meses serão para esquecer. O próprio Eng. (?) Sócrates já veio avisar que quer (exige? deseja?) um esforço colectivo para que o país deixe uma imagem positiva junto dos outros líderes europeus (é expressamente proibido manifestar-se contra o governo ou colar cartazes com piadas sobre ministrospor exemplo). Suponho eu, no fundo, que o ideal seria que os portugueses momentaneamente deixassem de existir (talvez metendo férias por seis meses) varrendo-se, assim, e de uma assentada, a chatice que são os nossos problemas colectivos da agenda mediática.
Entretanto, a principal função da nossa grandiosa presidência é fazer aprovar uma constituição disfarçada de tratado. A tarefa foi já assumida pelos gémeos portugueses, Dupond e Dupont, perdão, Sócrates e Barroso, o que implicará que o futuro tratado fique conhecido por Tratado de Lisboa. (Sonoridades à parte, Tratado de Lisboa soa bem melhor que Tratado de Liubliana, com a vantagem evidente da maioria dos portugueses saber onde fica Lisboa e quase ninguém saber o que é ou onde fica Liubliana.)
Em auxílio da presidência portuguesa, o Dr. Cavaco, outrora um não resignado, fez saber que acha o referendo nacional (uma promessa eleitoral) ao futuro tratado um empecilho sem fundamento. Fica claro que também para o Dr. Cavaco, os portugueses são uma maçada que se trata ignorando, como os actuais níveis educacionais, aliás, recomendam. Na verdade, perante o gritante estado de ataraxia vigente, viver na ignorância é aconselhável e um sinal enorme de felicidade. E garante, por acréscimo, uma exemplar sobrevivência. Para quê fazer perguntas incómodas, quando a resposta a dar só pode ser uma?
Atrás de um grande homem...
O futebol em Portugal é tão atrevido que a principal testemunha do processo Apito Dourado saiu directamente do submundo da table dance, um mercado em franca expansão, para o top das livrarias nacionais, um mercado em óbvia degradação. Capacidades literárias e dançarinas à parte, reconheça-se pelo menos que o enredo trouxe a consagração de um popular e antigo aforismo: atrás de um grande homem, vem sempre uma grande mulher. Ou até duas, como neste caso.
Rua com eles
Liberdades

Quero, assim, contribuir com mais uma pequena reflexão.
Se por um lado reconheço que não é simpático sermos vítimas de ofensas por parte de outrém, anónimos ou não, por outro, convictamente, acredito que a liberdade será sempre a resposta. A cobardia revelada pelos anónimos, que populam pela blogosfera com a única intenção de ofender, humilhar e caluniar preocupa-me, mas opto por não colocar nenhum enable nos meus posts, porque tenho algum medo em me instituir como "controleiro".
Não sendo anarquista, afinal reconheço como necessário o controle, para uma correcta organização, logo responsabilização, receio a tentação do domínio. Por isso, se depender de mim, não serão colocados quaisquer entraves à liberdade dos outros. Porque apesar da minha liberdade acabar, efectivamente, onde começa a do outro, eu sou responsável exclusivamente pela minha. E não quero ter que ser eu a assumir o ónus que definir o que os outros podem ou não escrever! Até onde os outros podem ou não ir. Porque estaria sempre a entrar num domínio que não é meu.
Que é como quem diz: separar o trigo do joio.
"Quando falámos da realidade religiosa concreta, distinguimos a sua dimensão de eternidade, seus amálgamas com formas temporais caducas e os compromissos para que os homens a arrastam. O espírito religioso não consiste em cobrir tudo isto com apologias, mas, muito antes, em libertar o autêntico do inautêntico, o permanente do caduco. Aqui se encontra com o espírito do personalismo.Questão de princípio
Mas também me parece evidente que as regiões não podem, sob pena de verem violentados os princípios autonómicos, sujeitar-se a todas as regras impostas de fora, sem serem tidas ou achadas. Foi, aliás, essa a base que sustentou a posição do Governo Regional dos Açores. É de facto uma questão de princípio.
Agora, que as coisas têm de mudar na AR, lá isso têm. E mais cedo ou mais tarde o PSD vai ter de perceber isso.
Apontamentos sem nome
Agora a sério, é bom que apareçam outros espaços na blogosfera. Se trouxerem novas ideias para o debate, tanto melhor.
Viagem divertida
Mas afinal, quem é o Coelho (desculpem a falta de informação, mas ando mesmo afastado destas coisas da política)?
3.7.07
Sobre pássaros, mulheres e deuses
não seria necessário tanto, até porque sei o que pensas sobre a Igreja Católica e sobre o que entendes ser a posição desta Instituição acerca da mulher. Ainda assim, acho que exageraste na dose. O post revela a contundência e impetuosidade que te são características e com que encaras a vida. A violência, contudo, não é habitual. A fotografia do Witkin representaria algum frade?...
Mas como te deste ao trabalho que me elucidar uma vez mais, acho que por uma questão de delicadeza te estou devedor de alguns esclarecimentos. Ou, sem tanto pretensiosismo, de alguma réplica.
Não me sinto digno, preparado ou mandatado para assumir o papel de advogado do diabo – salvo seja! –, o que neste particular significa assumir a defesa da Igreja relativamente às tuas acusações.
Mas seria importante clarificar algumas delas.
Gozas com o encerramento do limbo, mas para uma instituição como a Igreja é fundamental não existirem mal-entendidos, como se revelava esse não-lugar. Apesar do conceito de limbo nunca ter integrado a doutrina católica, fez parte do catecismo (até 1982), sendo um conceito algo obscuro – que de resto foi inventado na época medieval para dar guarida a crianças e justos que, não sendo baptizados, não seriam, todavia, merecedores do castigo eterno do demiurgo (os filósofos também foram para lá atirados por Dante Alighieri, como sabes). Era importante esclarecer que lugar ocupava dentro da doutrina e foi isso que foi feito.
Quanto às criancinhas, a própria Igreja entregou-as à misericórdia divina, não carecendo, portanto, da tua preocupação.
Efectivamente, a Igreja está em dívida para com a Mulher. Secularmente, a mulher foi atirada para um papel menor na engrenagem da Igreja. Apesar da infalibilidade do seu líder relativamente às coisas religiosas, a Igreja foi demasiado imperfeita por não ter sabido dissociar o estatuto sociológico da mulher, da posição que esta seria merecedora dentro da estrutura eclesial. Ou seja, a Igreja foi orientada por homens que lançaram a mulher para o papel que esta ocupava na sociedade, numa atitude pouco conforme aos ensinamentos de Jesus Cristo.
A Igreja é, efectivamente, culpada por se ter deixado enredar nos constragimentos e vicissitudes historico-socio-culturais, não tendo sabido se libertar ou libertar a mulher, conforme aquela que tinha sido a prática de Jesus Cristo, que reconhecia na mulher uma interlocutora igual em densidade ontológica e ética e em capacidade intelectual, como nos diz S. Lucas.
Portanto, reconheço como legítimas algumas das críticas.
Mas seguindo o teu raciocínio, terias que deixar de te afirmar como portuguesa, ou europeia, ou até feminista, porque qualquer uma destas “instituições” está situada num contexto historico-socio-cultural: a tradição judaico-cristã defendeu a sociedade patriarcal, não tendo, portanto, lugar para ti; existem muitas correntes feministas (algumas mais idiotas que outras) e de certeza que não te identificas com todas. Não há, igualmente, lugar para ti. Em rigor, não há lugar para a mulher libertada. Teria que ser inventado assim uma espécie de…limbo!
Quanto ao Espírito Santo profanador do ventre feminino, sinceramente nunca vi onde aqui reside o vector opressivo. A concepção sem pecado não diminui a mulher: engrandece-a, porque o Salvador não tem semente do homem, mas nasce do ventre da mulher.
O pecado original?... Outra invenção de filósofo (desta feita de Santo Agostinho), para impedir que a origem do pecado se situasse em Deus.
Relativamente à galeria de Santas, estas são modelos de virtude e muito poucas são virgens. Aliás, exceptuando Maria, assim de repente não me recordo de nenhuma cujo modelo de virtude seja a sua virgindade. Ainda assim, admito que a Igreja não tenha sabido lidar convenientemente com aquilo que diferencia os géneros. Mas, também isso começa a mudar.
Replicar-me-ias com justeza: mas se assim é, se a Igreja faz hoje esse acto de contrição, porque não emendar rapidamente a mão e repor a integralidade dos direitos que são devidos à mulher? Porque a Igreja padece do pecado da lentidão de processos. É algo inevitável, mas não será no ritmo que a contemporaneidade exige.
Curioso é que algumas mudanças estão à vista e não são propostas de fora, mas derivam de um movimento interno. São as tais que limpam, fazem arranjos florais e ministram catequese que exigem a sua libertação. Num movimento todo ele cristão.
Seres ou não cristã, nada tem a ver com feminilidade. Na minha opinião, tem apenas a ver com essa tua rebeldia irascível que te faz virar contra qualquer instituição.
PS – Perante um tão contundente post, a resposta não poderia ser em forma de comentário, naturalmente.
PS2 - Dispensei-me de preâmbulos elogiosos ao teu texto. Saberás o que me parecerá.
2.7.07
Poderia ser mentira?
"Neste terrível lamaçal de mentira e de cobardia, ouve-se de vez em quando: «Actos! Actos! Actos! Nada de palavras!». E o facto supremo, o grande facto, o facto fecundo, o facto redentor, seria que cada um dissesse a sua verdade. Sem nada mais do que isso, estaríamos do outro lado do abismo que se nos abre debaixo dos pés. 1.7.07
Dia da Região
Teu povo humilde, estóico e valente
Entre a rocha dura te lavrou a terra,
Para lançar, do pão, a semente:
Herói do trabalho na montanha agreste,
Que se fez ao mar em vagas procelosas:
Os louros da vitória, em tuas mãos calosas
Foram a herança que a teus filhos deste.
Por esse Mundo além
Madeira teu nome continua
Em teus filhos saudosos
Que além fronteiras
De ti se mostram orgulhosos.
Por esse Mundo além,
Madeira, honraremos tua História
Na senda do trabalho
Nós lutaremos
Alcançaremos
Teu Bem-estar e Glória.

E às árveres somos nozes!