13.10.07

Untitled

"(...) - Senhor de Saint-Savin - disse-lhe Roberto -, não temeis acabar na fogueira?
Saint-Savin ensombrou-se por um instante.
-Quando tinha mais ou menos a vossa idade admirava o que foi para mim como um irmão mais velho. Como um filósofo antigo chamava-se Lucrécio, e era também filósofo, e para mais padre. Acabou na fogueira em Toulouse, mas antes arrancaram-lhe a língua e estrangularam-no. Assim, vedes que se nós filósofos somos rápidos de língua não é só, como dizia aquele senhor na outra noite, para nos darmos bon ton. É para tirar partido dela antes que no-la arranquem. Ou não, brincadeiras à parte, para romper com os preconceitos e descobrir a razão natural das coisas."

Umberto Eco, in A Ilha do Dia Antes
Fotografia de Witkin

11.10.07

Sempre a Sul II


É terrível: querermos dizer alguma coisa e nada ter de interessante a falar. Olharmos dentro e não sobrar uma réstia de ideia. Fomos sugados, perdemos o pingo de criatividade que julgávamos ser ainda possuidores.

Resta o sul. Uma vez mais, sempre a sul!
Fotografia: Patrick Frilet/Hemis/Corbis

Good Luck

Não há muitos casamentos assim: perfeito!

10.10.07

Liberdade ou a falta dela

É, nem toda a gente convive bem com a liberdade de expressão.

Desta vez, uns senhores deputados à Assembleia de Freguesia da Madalena do Mar resolveram apresentar um voto de protesto na dita Assembleia contra António Spínola, vulgo amsf.

Motivo apresentado? Passada meia hora e depois de algumas releituras, ainda não percebi que raio pretendiam os seus subscritores e que motivo evocam.

Protesto contra o quê? Contra a liberdade deste cidadão que lhe permite expressar a sua opinião, ainda que seja constituída maioritariamente por palermices?

Na minha modesta opinião, o amsf assume posições um bocado esquizofrénicas (sem querer ofender os doentes), por vezes tem alguma dificuldade de compreensão, diria até que demonstra algum desiquilíbrio, mas isso, per se, não justifica o voto de protesto. Porque se é para impedir a propagação de dislates e alarvidades, então teríamos que apresentar votos de protesto contra os elementos que apresentaram o dito cujo e contra 99% dos homens e mulheres que fazem política neste país. Áh e já agora, teríamos de fechar quase todos os blogues, a começar pela Conspiração.

Se me permitem, deixo aqui um conselho aos senhores deputados: caros senhores, não sei se o senhor António Spínola é tão difícil de aturar quanto o amsf. Mas se for, ainda assim, gramem-no! Porque a liberdade que os senhores exigem para escrever este voto de protesto algo sui generis, deverá ser exactamente aquela que têm que reconhecer ao senhor Spínola de, livremente, expressar a sua opinião na blogosfera.

Ao amsf: as oportunidades não serão abundantes. Mas sempre que em causa estiver a sua liberdade, poderá contar com a minha solidariedade.

9.10.07

Xaile


Definitivamente, um projecto delicioso... Muito, muito bom!

Roubada daqui

Socretinices

Bem pode pregar o primeiro-ministro, mas são já demasiadas manifestações para serem todas imputadas aos comunistas. Eu ainda não marquei presença em nenhuma, mas não perco a próxima que ocorra nas proximidades. Porque é preciso gritar alto e em bom som contra este (des)governo.

Gostei mesmo foi da sua naturalidade: enfrentar os sindicatos? Pelo amor de Deus, não, ...

Mas o homem estava tão á-vontade que até a pronúncia serrana o traiu: trinta ianos.
Alguém que informe o senhor bacharel Sócrates - como, de resto, alguém o aconselhou a não virar as costas às câmaras de TV -, que para ser primeiro-ministro em Portugal não é necessário ser engenheiro, mas já agora convém saber falar português...

Mas temos que dizer isto baixinho. É que a bufaria anda por aí!

Elevação no debate

Gosto do nível de debate existente entre os militantes do PS-Madeira...

Como diria o fantástico Eduardo Mourato: mas quem é este gajo? (leia-se Renato Azevedo, visto que o Rui Caetano conheço, pelo menos o seu alter-ego blogger).

4.10.07

Coimbra


Definitivamente, Coimbra tem mais encanto quando já lá não se vive. Felizmente, é tempo de matar saudades...

Sem-vergonha elevado ao cubo

Agora foi o primeiro-ministro que não achou importante dar uma palavrinha aos portugueses sobre as acusações de João Cravinho.
Será que esta gente fez um pacto de silêncio? Compreendo que não tenham nada de interessante para dizer, mas ia sendo tempo de darem algumas justificações ao país. Ao que parece, acham que não têm esse dever. Democratas, estes senhores...

Principado da Pontinha II

Mas o bom do Renato, que de burro não tem nada, já pediu, ao que parece, uma avaliação à Christies. É que se não for possível a criação de um principado, será sempre possível a venda a um preço bastante superior aos 9.000 contos investidos na sua aquisição.
Chamem-no de louco, ora pois...

Se bem que, e agora a sério, acho que já vai sendo tempo do Forte passar para a propriedade da Câmara Municipal do Funchal. Seria uma boa prenda a todos os funchalenses, por ocasião das comemorações dos 500 anos. Fica aqui o repto!

Principado da Pontinha

Ó Renato, onde é que arranjas essa droga? É que eu também quero!

Para quem se assustar com o tamanho do texto, apenas um aperitivo: o bom do Renato quer criar um principado no Forte de São José.

Se quiser juntar-se à causa, ou simplesmente conhecer o local, clique aqui. Aconselho vivamente a visita virtual.

Assim que for possível, eu estarei na linha da frente na defesa deste novo país. Afinal, considero-me cidadão do principado, uma vez que já lá quase vivi (ou dormi!). Sou um Cavaleiro do Amor de pleno direito!

Liberdade para o Principado da Pontinha. Já!

3.10.07

Não se lhe pode dar uma marretada?!

Desemprego? Onde?!

O senhor ministro, que não se sabe bem o que anda a fazer, continua a desvalorizar a subida da taxa de desemprego. Porque para o senhor ministro, são apenas uns 8%.
O que senhor ministro não sabe, é que 8% significa quase 500 mil pessoas desempregadas. Pessoas que são pais e mães de família. Quem têm contas para pagar no final do mês.
O senhor ministro parece, também, não saber que a taxa só não é maior, porque os dados do IEFP e do INE não têm em conta os estagiários e os POC, que representam uma força de trabalho sem a qual o país parava. Parece, também, não saber, este senhor que alguém fez ministro, que dos restantes empregados, são às centenas de milhar aqueles que têm vínculos laborais precários. Mas para este senhor, nós vivemos no melhor dos mundos... Afinal, a taxa de emprego está apenas nos 8,4%!

Bons exemplos continuam

Mas esta treta é moda?

E os democratas socialistas: em que buraco andam enterrados?

Áh pois é...

"A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida. E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta. O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer. "Quem? ", perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A própria música: "Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além..." era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim. Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora. O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual... E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração : O Verão Azul. Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada. Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos: Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção. Confesso, senti-me velho... Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador. Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft. Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros. Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com nomes tipo "Moleculum infanticus", que não existiam antigamente. No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de "terno" nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse. Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos. Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia. E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração "rasca"... Nós éramos mais a geração "à rasca", isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos. Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto. Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo. Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta. Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos. Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas. É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada." (Nota: ...os chocolates não eram gamados no "Pingo Doce"... Ainda se chamava "Pão de Açúcar"!!!)"

Nuno Markl

2.10.07

O inenarrável futebol português

Enquanto uns se entretêm a falar de arbitragens, esquecendo-se confortavelmente dos jogos em que são beneficiados, o futebol português mergulha numa espiral quase sem retorno. Não me lembro de um arranque com tanta falta de qualidade, de emoção e de golos. Chegou-se ao ponto em que ver um filme do Oliveira ou assistir a um jogo com o Boavista são boas medidas contra a insónia e a certeza de uma plateia deserta.

Em Portugal, as derrotas ou os empates inesperados são sempre justificados com os erros da arbitragem, como se fosse possível absolver os restantes intervenientes das suas responsabilidades. Os jogadores nunca são maus, os dirigentes são sempre os melhores do mundo, os treinadores uns sábios de eleição que vêem a sua imbatível táctica esbarrar no homem do apito e noutras forças ocultas. A mediocridade infelizmente tomou conta do futebol tuga e tornou-o um desporto demasiado caro para o triste espectáculo proporcionado. Seja a que preço for.

Olhem bem para as transmissões televisivas do campeonato português e perguntem-se como é possível que equipas como o Boavista, o Paços de Ferreira, a Naval, a União de Leiria, o Leixões ou mesmo a Académica militem na primeira liga? Como é possível que treinadores como Jaime Pacheco, José Mota ou Paulo Duarte tenham carteira de treinador se visivelmente as suas equipas são a antítese do futebol? Eu sei que parece radical, mas nós, enquanto público, não podemos engolir tudo o que nos oferecem, apenas contentes com o facto do nosso clube ser campeão ou simplesmente ficar na primeira liga. A nossa conivência tem muito que se lhe diga e é cúmplice da situação instalada. E nós, novamente enquanto público, temos de ser os primeiros a exigir: a exigir qualidade, a exigir emoção, a exigir espectáculo, a exigir golos. Tal e qual como o fazemos quando assistimos a eventos de outra natureza. Quando estes pressupostos se encontrarem reunidos, teremos mais gente nos estádios, maiores audiências televisivas, mais publicidade e receitas e mais dinheiro disponível para investir em melhores jogadores e treinadores.

Eu não quero apenas dois ou três clubes a jogar à bola. Quero que todos, pelo menos, lutem pela vitória, que procurem o golo, que não vivam obcecados à frente da baliza. Eu quero que no fim dos jogos, os jogadores fiquem estafados e o público cansado, não da monotonia, mas do ritmo louco imposto por uma bola que não parou de mexer.

Enquanto isso não acontecer, os árbitros continuarão a ser os únicos responsáveis pelo actual estado de coisas, já que os dirigentes passam impunes, os treinadores mudam de clube e os jogadores se limitam a cumprir as instruções de técnicos fracos, cujo único horizonte é uma tabela classificativa.

Que alguns nos queiram permanentemente atirar areia para os olhos é uma coisa; que o povo do futebol, se limite, sonolento, a esfregar os olhos, é outra. E bem diferente.

PS1: apesar dos erros, não tenho nenhuma dúvida de que Pedro Henriques é o melhor árbitro português.

PS2: em 48 jogos já disputados, registaram-se 22 empates na primeira liga, sendo a maioria deles a zero ou a um. Num outro patamar, em 48 jogos, marcaram-se 92 golos o que perfaz uma média inferior a dois golos por jogo. Sintomático.

1.10.07

Pluralidade de opiniões


Acusam a Conspiração de não ser plural. Mais plural do que isto, que causou isto e isto e isto e isto e isto? É que esta pluralidade de opiniões, por vezes nem se encontra em blogs diferentes, quanto mais num só blog.

Daqui

Temple of love

Este foi um fim-de-semana de nostalgia. Jogatana na Luz, jantar e convívio na faculdade, onde, para cúmulo, ouviu-se alto e em bom som esta pequena maravilha. Ora, recostem-se, puxem de um cigarrinho e relembrem...

"(...) With the fire from the fireworks up above
With a gun for a lover and a shot for the pain
You run for cover in the temple of love
Shine like thunder, cry like rain,
And the temple of love grows old and strong
But the wind blows stronger cold and long
And the temple of love will fall before
This black wind calls my name to you no more (...)"


Fotografia de Kazuyoshi Nomachi/Corbis.

Falha... Onde?

De repente, parece que a lagartagem foi roubada na Luz. O que eu vi foi o Pedro Henriques ter deixado passar em claro duas faltas cometidas na grande área do Sporting.

Mãozinhas

Está a decorrer uma manifestação de polícias em Lisboa, que envolve centenas de agentes da autoridade e o telejornal do Canal 1 abre com uma mais que provável e expectável condenação da raptora de Penafiel. Jurem lá que não há aqui uma mãozinha do Governo, jurem...

Sem vergonha

O ministro da Administração Interna, numa bela demonstração do seu espírito democrático, comenta a manifestação da ASPP com um contundente: "Muito obrigado e muito boa tarde!"
É impressão minha, ou a sem-vergonhice deste governo começa a utrapassar os limites do tolerável?

Sobre o assunto em apreço

Ponto prévio: não vi a entrevista de Santana Lopes, nem vi a sua saída do estúdio. Mas apetece-me dizer o seguinte:

1- Uma entrevista tem, pelo menos, dois intervenientes: um entrevistado e um entrevistador. Se o convidado responde de forma sonolenta ou atabalhoada não é por demais frisar que cabe ao jornalista, enquanto agente activo, preparar-se para evitar que tal aconteça. O bom jornalista é aquele que encontra falhas e incongruências no discurso e é aquele que é capaz de fazer as perguntas certas no momento certo, tentando evitar que o entrevistado fuja às questões. Isso exige investigação, preparação, paciência.

2- Os políticos são maus em Portugal? Talvez sejam na sua maioria. Sócrates chegou a Primeiro-Ministro e Santana já lá esteve. Se calhar, exemplos elucidativos do estado a que isto chegou. Mas como em todo o lado, e em todas as profissões e actividades, há bons e maus políticos, há bons e maus jornalistas. Os políticos apenas reflectem a face do verdadeiro país que somos: uma enorme mediocridade que vive há 200 anos dentro do mesmo logro. Os jornalistas, como todas as outras classes profissionais, são tão culpados como os políticos. No fundo, fazem parte da mesmíssima sociedade. Querer ilibar-se desta evidência só pode ser uma questão de má-fé ou de suprema arrogância.

3- Quanto aos novos protagonistas que emergem na sociedade civil, tenho sérias dúvidas se a troca compensa. Abrir telejornais com socos na cara de futebolistas, com despedimentos milionários, com a mãe que matou a filha à pancada, com a criança que muda de família constantemente ou ainda com o desaparecimento de uma menina inglesa (meses inteiros nisto), revela bem o estado actual e as prioridades e objectivos do jornalismo português. Já sei que me vão dizer que é isso que o povo quer ver e ouvir. Gostos infelizmente não se discutem. Talvez seja por isso que há meses que não vejo um telejornal e, para ser sincero, nem dei pela diferença. E, devido à idade, já prefiro não entrar em grandes cavalgadas.

4- Mourinho já tinha avisado que não faria nenhum comentário à sua chegada. Este período de nojo foi imposto pelo próprio por respeito aos treinadores que se sentiam ameaçados pela sua disponibilidade e para estancar alguma especulação que, nestas coisas, é sempre exagerada.

5- Considero por isso que Santana fez bem e que deu uma bofetada num certo tipo de jornalismo que pensa que vale tudo. Para alguns, ainda não vale.

6- Para o fim, apenas uma pergunta: se o convidado se chamasse António Costa será que tinham interrompido a entrevista?

Circo II

Já vejo futebol há alguns anos, mas o "pontapé na bola lusitano" consegue sempre surpreender-me. É que nunca tinha visto um árbitro anular uma decisão de um auxiliar sem ter visto o lance. O inacreditável aconteceu no Benfica-Sporting e beneficiou os mesmos que, dias antes, tinham evitado a eliminação da Taça da Liga com um pénalti que só o assistente viu e que o árbitro assinalou, como de resto lhe competia... Confuso? Não, é Portugal e o futebol português...

Estamos conversados

"Em televisão é necessário ritmo. “Galopar” para não chatear o telespectador. Revelam as audiências, dizem os manuais do audiovisual".

A frase foi retirada da resposta do Angel. Foi escrita por ele. E demonstra claramente a nossa diferença de concepções: Eu ainda acho que o jornalismo de qualidade não se deve guiar pelo "nível" de audiências previsível de uma determinada peça ou de uma determinada matéria, mas sim pela importância e relevância das mesmas. O Angel acha o contrário. Estamos conversados.

29.9.07

Resposta para o Gonçalo

A única coisa que reconheço em Pedro Santana Lopes é a coragem de não concordar com a SIC e de protestar em directo.
Na minha opinião, abre um interessante precedente (debate) na televisão nacional.

Quanto ao resto, vamos aos factos: O directo (exterior) demorou 1 minuto e meio. Quando a entrevista foi interrompida já ia longa. Santana já repetia ideias. Embrulhava-se em argumentos para justificar o adiamento das eleições do PSD. Toda a gente já tinha percebido a mensagem.

A realidade profissional

Em televisão é necessário ritmo. “Galopar” para não chatear o telespectador. Revelam as audiências, dizem os manuais do audiovisual. Por mais importante que seja a notícia, a entrevista, o documentário, a série, etc., etc., é necessário trabalhar bem a forma para adaptá-la ao meio. No caso concreto, à televisão.


Quantos aos critérios do que é notícia, apresentados pelo Gonçalo para sustentar o texto, reconheço que os usou de forma inteligente, mas tal como eu sei, julgo que ele também sabe, que existem outros critérios. Além disso, o jornalismo não é uma ciência nem obedece a um método fechado. Trabalha com muitas variáveis. Aliás, ninguém melhor do que ele, devido à formação académica de base, para saber do que falo.


Um outro pormenor é critérios jornalísticos, e critérios editoriais. São coisas diferentes. A SIC Notícias assume-se como um canal 100% de informação. Por este motivo, considero que a interrupção da entrevista se enquadra dentro de Livro de Estilo do canal. Se o caso fosse numa estação generalista, (RTP, TVI ou a própria SIC) compreenderia a birra de Santana.

Quanto à política, acho que estamos entendidos. Já nem tudo é política caro amigo. Infelizmente, ainda existem muitos políticos, neste país, que não perceberam isso. Julgam que o mundo gira em volta dos discursos que fazem.

O próprio jornalismo está a mudar. Já não se abrem telejornais ou blocos de informação só com política ou políticos. E a explicação é simples: - o espaço que outrora ocupavam nos meios de comunicação social e na própria comunidade, foi paulatinamente roubado por outros protagonista, que emergiram da sociedade civil.

PS - por razões técnicas, do meu computador, só agora foi possível contra-argumentar o texto do Gonçalo:- "Bem Vindos ao Circo"

28.9.07

Sporting 7 x 1 Benfica

Este foi inesquecível...

O grande e o outro

O grande...





E o seu cliente favorito!



Sancho amigo, queres um conselho? Não vás ao Estádio da Luz, camarada, olha que ainda apanhas uma doença má... Ouvi dizer que o estaminé daaquela agremiação da segunda circular com nome de uma freguesia de Lisboa não é muito saudável...

O Inferno



Amanhã estarei lá e comemorarei a vitória de modo igualmente fanático!

Em vias de extinção

No Brasil um interessante debate futebolístico ocupa alguns intervenientes desportivos. Kerlon, assim se chama um jogador de futebol, tem uma finta curiosa que deixa os adversários à beira de um ataque de nervos e predispostos a cometer homicídio involuntário. A coisa é simples, pelo menos aparentemente: Kerlon entretém-se a correr pelo campo ao mesmo tempo que dá toques de cabeça ludibriando assim os adversários. É possível encontrar vídeos no You Tube que mostram o número, original e extremamente divertido. Mas o debate está animado, porque recentemente um defesa de nome Coelho, farto eventualmente do espectáculo a solo, decidiu armar-se em Fernando Couto/Bruno Alves/Lobão/Jorge Costa/Ricardo Rocha/Petit (riscar o que não interessa) e pregou violenta pancada no desgraçado do Kerlon, lesionando-o com alguma gravidade. O público vociferou contra a violência, os comentadores falaram em atentado à integridade, o Coelho queria esconder-se na toca e o homem que inventou a foca acabou a pensar na vida.

Eu entendo a frustração do Coelho farto do número pelo qual não recebia comissão e a desilusão do inventor da foca agora que lhe abriram caça grossa. Mas este último devia saber que as espécies em vias de extinção mesmo que protegidas e melhor tratadas não vêem garantida a sua sobrevivência na selva do futebol. Um jogo com qualquer equipa do Jaime Pacheco provaria esta tese sem grandes alaridos.

Se o desgraçado do Kerlon (sempre adorei a imaginação dos brasileiros para inventar nomes) alguma vez tivesse experimentado os campos de alcatrão do Bairro da Nazaré, cedo teria percebido que jamais uma foca mete a cabeça numa jaula de leões ou de bichos piores. Naquele tempo, tempos áureos em que a Nazaré ganhava os torneios de bola contra os bairros vizinhos, a bola jogava-se pelo chão, embora a maioria das tentativas de desarme fosse, curiosamente, acima dos joelhos. Num campo de cinco, era possível uma equipa jogar com três defesas centrais, alguns com bem perto dos cem quilos. Tudo isto mais não era que um pequenino gesto intimidatório que nos ensinou uma coisa importante na vida: joga simples, nunca compliques, porque senão atrás de ti haverá sempre um elefante ou um rinoceronte mais pesado do que tu pronto para te dar pancada. O alcatrão não mata, mas acreditem que mói.

O desgraçado do Kerlon quer aprender da pior maneira. Tivesse passado com distinção na velha escola nazarena, perita no 1-3-0-1 e na velha máxima “Se passar a bola, não passa o jogador” não estaria a esta hora ainda a contar os dentes.


27.9.07

Ceci n'est pas Auschwitz

Enquanto os judeus eram gaseados, os torcionários viviam a pacatez da sua vida...

Porque de alarvidades o mundo ainda não está cheio, aqui vai a minha!

É óbvio que Santana Lopes esteve bem ao abandonar o estúdio.
É óbvio que a atitude de Ricardo Costa, ao não ter assumido um pedido de desculpas, é imbecil, nada digna e pouco condizente com o cargo de director de informação.
Mas também é óbvio que não é um Estatuto do Jornalista que permite ao Governo intervir na actualidade noticiosa que irá resolver a questão. Por mais que não seja, porque provavelmente a posição de Ricardo Costa até foi subscrita por políticos "reformados" e no activo, essa belíssima casta, cuja maior ambição seria controlar a comunicação social!

Novos canais

A FOX lançou no cabo os seus novos canais temáticos: o FX e o FOX Crime. A coisa tem que se lhe diga, até porque nestes canais estão a passar coisas geniais que convém ver. Assim, aproveitem para ver (ou rever) nestes novos canais (custam apenas 5€ por mês) séries como Deadwood, The Wire (A Escuta), The Office, Sete Palmos de Terra, Boston Legal, 24 ou Lei & Ordem nas suas diversas versões. E já agora, e porque a RTP2 dá algumas coisas de qualidade a horários decentes, vejam neste canal, os Sopranos (repetição da primeira parte da sexta série) e Weeds (Erva, às segundas-feiras pelas 22h40 depois do telejornal). Vão ver que vale a pena. E que não dão o vosso tempo por mal empregue.

Um discurso

Sócrates foi à ONU ler umas folhas. Para começar, discursar não é fácil. E discursar também não é simples. Neste caso, a plateia era composta por gente importante e elaborar um discurso que saísse da modorra instituída era tarefa que exigia outra inteligência, coisa que às vezes não abunda na ONU. Sócrates optou pelo caminho mais acessível. Optou por atacar os Estados Unidos (um moda que estranhamente pegou), utilizando a argumentação sectária do costume que, de tão gasta, já nem devia merecer destaque. No fundo, Sócrates entendeu que falar do unilateralismo (!) e do aquecimento global lhe daria um ar de importante junto de pessoas que não lhe dão importância nenhuma. O mundo é hoje, com toda a certeza, um lugar mais feliz.

A brincar com coisas sérias

Parece que o presidente iraniano foi a uma universidade americana dar uma conferência. À parte o caricato da situação, que tem a ver com o dar liberdade de expressão a quem não a defende e muito menos proporciona, o dito senhor, depois de alguns apupos, provocou sonoras gargalhadas ao afirmar que no Irão não há homossexuais. O espectáculo de stand up comedy gerou alguma incredulidade que rapidamente foi ofuscada por não se lhe dar a devida importância. Relembre-se que o caso não é único: para o poder iraniano o holocausto é um mito (também reafirmado na conferência) e Israel deve ser varrido do mapa. À bomba se necessário.

Claro está que a maioria dos políticos ocidentais olha para semelhante idiotia e limita-se a rir ou a perdoar o desvario, como se este tipo de afirmações não tivesse ou não representasse qualquer gravidade. Há gente que acredita que é possível uma via diplomática para resolver certos imbróglios cujo desfecho é tudo menos optimista. É por isso que o Irão se torna perigoso de dia para dia. Alimentar absurdos à conta do deixar andar, um mito alimentado pela nossa arrogante mania de superioridade moral e intelectual que tudo perdoa e tolera, não garante segurança a ninguém e muito menos faz do mundo um lugar mais interessante. Hoje é Israel e os homossexuais. Amanhã, quem sabe?

Casar a prazo e, talvez, viver e pronto

Uma das ideias mais atraentes que ouvi nos últimos tempos partiu de uma senhora de nome Gabriele Pauli, excelentíssima presidente da Câmara de Fuerth, na Alemanha. A senhora veio propor que os casamentos deviam ter um prazo de validade de sete anos renováveis por mútuo consentimento das partes. Convenhamos que a ideia é original e que por isso provocou enorme celeuma junto de alguns sectores mais tradicionais e conservadores. Eu sou um liberal e não vejo grande problema com o assunto. Já cheguei a um ponto onde não me espantaria ver um tipo do Bloco a querer casar com um pé de milho, por exemplo. A ideia merece por isso ser comentada. Num tempo de grande egoísmo, onde tudo gira à volta do umbigo, facilitar a vida ao pessoal parece ser sempre uma ideia pertinente que acrescenta mais-valia. Só penso que casar a prazo, deve também pressupor alguma vivência a pronto: porque não casamentos de uma semana, de dois meses, de três horas, em part-time (podendo assim garantir vários casamentos) ou mesmo em regime precário? E já agora, que a quebra de contrato seja apenas permitida em caso de subida precipitada das taxas de juro ou pelo não cumprimento sistemático do horário de trabalho. Desde que não se chame Simão Tibério e seja dono de qualquer coisa, deve ser razão mais que suficiente para mudar de situação. Imediatamente. E com retroactivos.

Bem vindos ao circo

Ao contrário daquilo que escreve o Angel, eu concordo em absoluto com a postura de Santana Lopes, ontem, na SIC Notícias.

O critério jornalístico (particularmente nas televisões) é um desgraçado prisioneiro das audiências. Se quisermos, sobrevive quase exclusivamente como figura de estilo. É óptimo utilizar-se o conceito para desculpar todas as idiotices com que se abrem os telejornais, sejam elas o pontapé do "Marco na Marta" - parece ficção, mas creio que alguns de vocês ainda se lembram desta autêntica pérola do jornalismo que abriu um Jornal Nacional da TVI, com direito a psicólogo no estúdio e tudo - um assalto a um banco em Moimenta da Beira que rendeu 150 euros aos "perigosos meliantes", o último episódio da novela ou a chegada de um treinador de futebol ou de uma equipa de basquetebol ou rugby.

Eu não creio que as televisões devam formar. Mas creio que devem informar com um mínimo de qualidade e rigor. O que implica a adopção de critérios jornalísticos que se sobreponham à guerra de audiências. Por definição, o "critério jornalístico" não é aquela "coisa vaga" atrás da qual se escudam os órgãos de comunicação social e os jornalistas para esconderem falhas ou omissões (propositadas ou não).

Se quisermos, e partindo da definição clássica, "critério jornalístico" deverá ter sempre em conta as seguintes condicionantes:

A notícia é:

- Importante?
- Afectará a maioria da audiência?
- É interessante?
- É nova?
- Ocorreu longe ou perto?
- É verdadeira?
- É exclusiva?
- Está de acordo com a política editorial?

Em resumo, a grelha ajuda a perceber que, actualmente, cometem-se muitas idiotices à sombra de qualquer coisa que não é, definitivamente, "critério jornalístico".

Atente-se aos exemplos do "caso Mourinho":

Dois dias depois do despedimento, a RTP abriu o telejornal e dedicou 17 minutos a Mourinho (sem que o próprio tivesse pronunciado uma só palavra). Os 17 minutos incluiram um directo de Londres que nada teve de relevante. Nesse tempo de emissão, não trouxe nada de novo ao conhecimento público. A notícia não era nova, não era exclusiva não afectava a maioria da audiência, em resumo, na grelha acima proposta (e que é consensual entre a maioria dos investigadores clássicos), nunca seria motivo para abertura de Telejornal. Muito menos com 17 minutos de emissão.

Ontem, o treinador chegava ao Aeroporto da Portela. O que era novo? a chegada, só se for. E aquele espectáculo deprimente de "fans" a acenar, a chorar desalmadamente e a dizer alarvidades pela boca fora.

A notícia não era exclusiva (estavam lá todas as televisões). Não era nova. Não era importante. Não afectava a maioria da audiência. Em resumo, não merecia, de facto, um directo.

Falando só de jornalismo, a SIC, e a audiência da SIC, perderia alguma coisa se visse a chegada do Mourinho em indeferido, alguns minutos depois de ter acontecido? Havia algo de tão relevante que obrigasse a um directo? Mourinho ia suicidar-se em público? Ia anunciar a candidatura à presidencia do Benfica? Ia dizer qualquer coisa de novo?

Segundo a definição de "critério jornalístico", o assunto mais relevante do momento a nível nacional serão as "directas" do PSD. Porque a política, quer se queira quer não, afecta a maioria - se não a totalidade - da audiência, sendo por isso interessante. Para além do mais, a entrevista de Santana era um exclusivo, tendo obviamente matéria nova para analisar e ser analisada. Em resumo, preencheria mais entradas da grelha acima colocada, para aqueles que querem fazer uma análise qualitativa.

A atitude de Santana Lopes é assim, à luz daquilo que aprendi sobre jornalismo, perfeitamente legitima e pertinente. Tanto que vai sucitar algum debate. Tal como a resposta de Ricardo Costa.

A mim, caro Angel, o que me deixa "absbélico" é a forma como alguns agentes de comunicação (sejam jornalistas, editores, chefes ou directores) permitem que o Jornalismo se transforme numa espécie de circo, que diverte mas não informa.

A BIRRA DE SANTANA.

Assisti, em directo, ao triste espectáculo de Pedro Santana Lopes na SIC notícias. Confesso que fiquei, abesbélico, com a reacção do antigo Primeiro-ministro. Tal como eu, julgo que existem muitos portugueses que não reconhecem, que Santana Lopes desempenhou tão importante cargo. As razões para o descrédito são as que o empurraram, e o deixaram cair, da cadeira do poder.

O directo até correu mal para a SIC e para o jornalista que aguardava a chegada de José Mourinho, mas continuo a achar, tal como considerou a Direcção de informação da SIC, que era pertinente interromper a entrevista para dar a chegada do treinador.

Os portugueses dão cada vez menos importância à política. Só os políticos é que não querem ver, ou perceber, que houve uma mudança de paradigma. A confirmação do que acabo de dizer é o triste espectáculo das directas do PSD.

Não tenho dúvidas que os partidos, tal como existem, têm os dias contados. São autênticos sacos de pulgas.

Como se não bastasse, muitos dos políticos existem graças à comunicação social, que os colocou nas luzes da ribalta. Santana Lopes é um bom exemplo. Na hora da verdade, provou que valia zero.

Agora considera-se special one, quando lhe falta estatuto para….

A política será reservada aos homens (e mulheres) bons, tal como já foi num passado não muito longínquo.

26.9.07

Só um cigarrinho, agora que desisti!

Coffee and Cigarettes: melhor é impossível!

O meu reino por um cigarro


Dir-se-ia que passados 100 dias desde o último cigarro, sentir-me-ia melhor. Então, porque é que não me sinto?

A agora, o futuro...

Terminou a odisseia dos Lobos em França. Da forma que era previsível: com quatro derrotas.

Ontem, confesso, estava à espera de mais qualquer coisa. Podíamos ter vencido a Roménia, equipa que só nos é superior fisicamente.

De qualquer maneira, a derrota não ofusca a boa participação portuguesa no campeonato. A selecção foi uma equipa digna, combativa, alegre, corajosa. Tentou, em todas as circunstâncias, discutir o jogo pelo jogo, mesmo enfrentando adversários de outra galáxia (Nova Zelândia) ou de dimensão incomparávelmente superior (Escócia ou Itália). Os "Lobos" conseguiram, sobretudo, fazer com que o país olhasse para um desporto absolutamente fantástico que a paixão pelo futebol ofusca (como a todos os outros, de resto).

Espero que a partir daqui nada seja igual no Rugby português. Os primeiros números são animadores: este ano, milhares de miúdos inscreveram-se nos diferentes clubes do país para practicar a modalidade. Só o Belenenses recebeu mais de 100 novas inscrições.

A Federação conquistou patrocinadores tão importantes como a maior cervejeira portuguesa (title sponsor do próximo Campeonato Nacional), a Peugeot, a CGD (que se empenhou em comunicar o apoio à selecção), entre muitos outros.

Os primeiros jogos do Nacional terão, com toda a certeza, muito mais gente a ver. Tal como os próximos compromissos dos "Lobos".

Esperemos é que isto não se transforme num "amor de Verão", bonito, intenso, mas tão passageiro como o sol quente de Agosto. É agora necessário canalizar todo este apoio, toda esta energia, para a consolidação do número de practicantes e de equipas e para o aumento do público, mantendo sempre o interesse das televisões, verdadeiras "catalizadoras das massas" na modalidade. Para isso, são necessárias estratégias desportivas (que incluem formação de mais e melhores técnicos, árbitros e agentes desportivos) e de marketing correctas. Esperemos que a Federação as tenha. Se as tiver, pode ser que no próximo Mundial voltemos a estar presentes. E desta vez, para ganhar um jogo!

Saquinho de chocolates (baratos)

Toda esta trapalhada à volta das eleições do PSD só vai fragilizar o partido na figura do actual (futuro) líder, Marques Mendes que, partindo em posição de claro atraso face ao bacharel Sócrates, vê a sua condição piorar mais, mesmo após a previsivel vitória interna.

Razão têm aqueles que defendem que só há um caminho para o PSD: o aparecimento de uma terceira via que nada tenha a ver com o cavaquismo. É urgente que o partido se liberte do fantasma de Cavaco e que esse exercício permita também a eliminação de "barões" e "baronetes" que deste os tempos das maiorias absolutas dividem o PSD em feudos pessoais, que só os beneficiam a eles.

Não sou militante do Partido Social Democrata, por isso nada tenho a ver com o assunto(directamente). Mas é deprimente ver que o único partido que podia ser alternativa a este desastre chamado Sócrates entrou num beco sem saída, sendo agora pior que um albergue espanhol: um simples saquinhos de M&M's.

25.9.07

A culpa é do Cavaco!

O PSD é alvo, demasiadas vezes, de críticas injustas e encomendadas, provenientes da intelligentsia de esquerda que domina os meios de comunicação social nacionais.
Por isso, tento não me deixar influenciar pelos fazedores de opinião, sempre tão hostis ao PSD, recorrendo a outras fontes de informação.
Todavia - e nos últimos anos acontece com demasiada frequência -, às vezes o PSD não só merece a crítica, como também a exige.
É o que acontece com toda esta trapalhada da eleição do próximo líder. Independentemente dos jogos políticos que Luís Filipe Menezes e Marques Mendes possam estar a fazer - que são patetas e suicidários, uma vez que apenas prejudicam os próprios e o PSD -, a verdade é que o partido deveria ter muito bem definidos os procedimentos relativamente às eleições directas. E o facto de ser a primeira vez que se realizam directas no PSD não atenua a trapalhada. Num partido minimamente organizado, com regras de funcionamento claras, não existiriam dúvidas sobre quem poderia ou não votar, sempre tão prejudiciais e potenciadoras da suspeita. E a culpa do processo poder vir a arrastar-se para os dias seguintes ao dia 29 de Setembro, não será do candidato derrotado - seja quem for, nunca se poderá exigir muito mais, ou sequer que ponha os interesses do partido acima dos interesses pessoais, uma vez que ambos já demonstraram não ter capacidade para tal -, será da própria máquina que não soube antecipar e dissipar as dúvidas.


A verdade verdadinha, é que o PSD está à beira da ruptura. Passados 12 anos, sofre ainda do cavaquismo (veja-se que todos os líderes, desde 1995, foram membros dos governos de Cavaco) e do que de pior deixou no partido: uma classe política interesseira que nem profissional soube ser. Aliás, um mal que mina o PS há anos e ao qual o PSD ia resistindo.
Na minha modesta opinião, apenas quando toda esta "tralha cavaquista" (desculpa lá Vicente Jorge Silva, mas a expressão é boa!) estiver arredada da esfera do poder do PSD é que o partido se poderá regenerar e renovar. Porque o que sobra em quadros técnicos de qualidade, falta em oportunidades.

Ahmadinejad mostra o caminho

Daqui
Áh ganda presidente, que a gente não gosta cá de mariquices!

24.9.07

Eso es Cuba X







País progressista, com abortos e tudo

Aos poucos, a mentira começa a cair. Afinal, em 2 meses de completa liberalização, foram praticados em Portugal cerca de 1400 abortos (muito longe dos 60.000 abortos anuais que nos quiseram impingir), e apenas 5 foram feitos em grávidas com idades inferior a 15 anos.

Aliás, 67% (947) dos abortos praticados desde a entrada em vigor da nova legislação, foram realizados em mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos.
Posso estar a exagerar, mas estou convencido que se fizéssemos uma análise às condições socio-economicas das grávidas que abortaram, constataríamos que afinal não são provenientes das classes sociais mais desprivilegiadas.
Por enquanto, manda-nos a prudência aguardar. Mas veremos no futuro, quando algum estudo verdadeiramente sério for feito.
Se bem que nessa altura, o aborto será já tido como um método contraceptivo perfeitamente normal e legítimo e não um procedimento de excepção que deva er combatido. E isso é o que mais me revolta!

22.9.07

Bom fim-de-semana

Às vezes penso que tenho cara de anjo, (Angel) ou que sou uma espécie de Dalai Lama do ocidente.

Um dia destes desloquei-me a um evento desportivo. Sai do carro, dei meia dúzia de passos e aproveitei o declive do terreno, para observar o local da prova (zona para onde pretendia ir).

Nisto, vira-se um puto para mim, e pergunta se podia fazer uma chamada para a mãe, do meu telemóvel. Não tinha como negar! Trazia o telefone na mão esquerda. Tinha-o acabado de retirar do carro, para colocá-lo no bolso das calças.

Senti que tinha acabado de ser encostado à parede. Entreguei o telemóvel e aproveitei o instante, para tirar o retrato ao miúdo. O objectivo era certificar-me da pinta do artista. Tinha entre 10 a 13 anos. As sapatilhas foram o que mais me despertou a atenção. Eram umas nyke, azuis escuras brilhantes. Caso fosse necessário correr, para apanhá-lo, seria difícil. Pensei eu.

Entretanto, o rapaz afasta o meu telemóvel do rosto, e diz que não era aquele número. Precisava de fazer outra chamada. Desta vez para um amigo.

As suspeitas aumentaram.

No entanto, fiquei ali, à espera do meu telemóvel.

O miúdo não tinha aspecto de ladrão. A não ser que as sapatilhas fossem roubadas. Nisto ouvi as segundas palavras do jovem. A primeira conversa com o meu telemóvel. Disse que estava a chamar de um telefone de um senhor e que era para o amigo ir buscá-lo à porta. Não tinha bilhete para entrar…

Pati, patátá……….e eu ali. Aguardava o fim da chamada. Ainda por cima, estava duplamente condicionado: não podia afastar-me, para não ouvir a conversa e não podia ausentar-me, por causa do telemóvel.

Três minutos depois, (parece que foram 30) devolveu-me o telefone. Mais tarde, ainda ligou a mãe do rapaz e eu lá tive que explicar a história.

Não é a única.

Uns dias depois, ia tomar um “copo” numa festa, quando outro jovem, (ente os 18 e os 22 anos) pergunta se não me importava de pedir duas bebidas, com o meu cartão? Uma para ele e outra para o amigo. Para tranquilizar-me, e, o negócio avançar, tirou 10 euros do bolso. Face à prova, porque não? Lá dei o meu cartão. Eles pediram as bebidas (2 vodkas) e de imediato o rapaz meteu-me os 10 euros na mão. 5 cada bebida.