"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
27.11.07
Anda cá que eu não te aleijo...
Será impressão minha, ou estará João Carlos Gouveia a enviar as raposas para dentro da capoeira?!
Despotismo e fogueiras
Que grande favor à democracia madeirense (e mesmo ao PSD-Madeira) faria Jaime Ramos se se retirasse, de vez, da política.
Parece que a prepotência e a falta de urbanidade atinge já deputados do PSD. Pode ser o início de uma pequenita revolução. Necessária, de resto...
PS - Gostei do destaque da notícia e do relançamento de Manuel António para o delfinato. Só não percebi se é para o beneficiar se é para queimá-lo de vez... Mas todos sabemos das próprias divisões internas no Diário de Notícias e das preferências dos pequenos grupos que pela redacção proliferam. Aguardam-se desenvolvimentos...
Parece que a prepotência e a falta de urbanidade atinge já deputados do PSD. Pode ser o início de uma pequenita revolução. Necessária, de resto...
PS - Gostei do destaque da notícia e do relançamento de Manuel António para o delfinato. Só não percebi se é para o beneficiar se é para queimá-lo de vez... Mas todos sabemos das próprias divisões internas no Diário de Notícias e das preferências dos pequenos grupos que pela redacção proliferam. Aguardam-se desenvolvimentos...
26.11.07
E que tal uma chibatazinha, não?!
Numa entrevista publicada hoje no Público, Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal e putativo representante do patronato - sendo apontado como sucessor dos actuais presidentes da CIP e da AEP -, apresenta uma série de medidas que, no seu entender, têm que ser tomadas a bem da economia portuguesa.
Ora, para quem não quiser ler toda a entrevista, aqui ficam as ideias principais:
1. travar os aumentos do salário mínimo ou, em alternativa, que o Estado dê compensações financeiras às empresas;
2. reduzir o número de feriados;
3. a já recorrente facilitação dos despedimentos, avançando com a ideia peregrina de impôr tectos máximos às indemnizações a pagar;
4. em compensação, propõe criar um fundo, no Vale do Cávado (?), para a reconversão dos trabalhadores despedidos;
5. acabar com os 13º e 14º meses;
6. acabar com os pagamentos das horas extra, substituindo esse pagamento por compensações em alturas de menos trabalho;
7. baixar a carga fiscal das empresas.
Para este dirigente patronal, o único caminho para a salvação da economia portuguesa é acabar com todos os direitos dos trabalhadores e aumentar todos os benefícios das empresas. Não propõe baixar os salários dos gestores portugueses, que estão bem acima da média e que inflacionam (e como!) o ordenado médio nacional; não propõe um maior esforço de modernização das empresas; não propõe a implementação de sistemas de qualidade que permitam limitar custos com gastos desnecessários; não propõe que os gestores portugueses comecem a aprender efectivamente a gerir ( e tudo isto numa altura em que alguns sectores apresentam lucros fabulosos). Não, todas as suas propostas têm como fim último entalar ainda mais o Zé Povinho.
E depois, ainda apresenta aquela ideia estapafúrdia de criar um fundo de reconversão dos trabalhadores despedidos (com a lei que gostaria de ver criada) na Vale do Cávado. Caro senhor, e então os trabalhadores despedidos de Trás-os-Montes, do Minho, da Beira Interior, do Alentejo, do Algarve e das ilhas? O que se faria com esses? Comida para os peixinhos, com certeza?
Isto começa a atingir limites completamente inconcebíveis. Se é bem verdade que o movimento sindical precisa de ser revolucionado rapidamente, não é menos verdade que o patronato português precisa de entender que a mama do Estado não é só para eles. Que o Estado não existe para servi-los! Que esta história de Robin dos Bosques ao contrário, a continuar, vai levar a uma cada vez maior insatisfação social, com efeitos possivelmente explosivos.
Eu estou cada vez mais convencido que a baixa produtividade portuguesa não é culpa dos trabalhadores, mas dos patrões. Se são representados por senhores com ideias tão imbecis como estas, não podemos esperar que a sua gestão seja grande coisa.
E ao nível internacional, começa a ser tempo de aprendermos (mas aqui, a culpa é manifestamente dos políticos) que o valor deve servir e não ser servido. Que a merda do mercado não é um qualquer deus e que deve estar ao serviço das pessoas e não o contrário.
Ora, para quem não quiser ler toda a entrevista, aqui ficam as ideias principais:
1. travar os aumentos do salário mínimo ou, em alternativa, que o Estado dê compensações financeiras às empresas;
2. reduzir o número de feriados;
3. a já recorrente facilitação dos despedimentos, avançando com a ideia peregrina de impôr tectos máximos às indemnizações a pagar;
4. em compensação, propõe criar um fundo, no Vale do Cávado (?), para a reconversão dos trabalhadores despedidos;
5. acabar com os 13º e 14º meses;
6. acabar com os pagamentos das horas extra, substituindo esse pagamento por compensações em alturas de menos trabalho;
7. baixar a carga fiscal das empresas.
Para este dirigente patronal, o único caminho para a salvação da economia portuguesa é acabar com todos os direitos dos trabalhadores e aumentar todos os benefícios das empresas. Não propõe baixar os salários dos gestores portugueses, que estão bem acima da média e que inflacionam (e como!) o ordenado médio nacional; não propõe um maior esforço de modernização das empresas; não propõe a implementação de sistemas de qualidade que permitam limitar custos com gastos desnecessários; não propõe que os gestores portugueses comecem a aprender efectivamente a gerir ( e tudo isto numa altura em que alguns sectores apresentam lucros fabulosos). Não, todas as suas propostas têm como fim último entalar ainda mais o Zé Povinho.
E depois, ainda apresenta aquela ideia estapafúrdia de criar um fundo de reconversão dos trabalhadores despedidos (com a lei que gostaria de ver criada) na Vale do Cávado. Caro senhor, e então os trabalhadores despedidos de Trás-os-Montes, do Minho, da Beira Interior, do Alentejo, do Algarve e das ilhas? O que se faria com esses? Comida para os peixinhos, com certeza?
Isto começa a atingir limites completamente inconcebíveis. Se é bem verdade que o movimento sindical precisa de ser revolucionado rapidamente, não é menos verdade que o patronato português precisa de entender que a mama do Estado não é só para eles. Que o Estado não existe para servi-los! Que esta história de Robin dos Bosques ao contrário, a continuar, vai levar a uma cada vez maior insatisfação social, com efeitos possivelmente explosivos.
Eu estou cada vez mais convencido que a baixa produtividade portuguesa não é culpa dos trabalhadores, mas dos patrões. Se são representados por senhores com ideias tão imbecis como estas, não podemos esperar que a sua gestão seja grande coisa.
E ao nível internacional, começa a ser tempo de aprendermos (mas aqui, a culpa é manifestamente dos políticos) que o valor deve servir e não ser servido. Que a merda do mercado não é um qualquer deus e que deve estar ao serviço das pessoas e não o contrário.
¿Por qué no te callas?
"Pedro Moutinho, líder da Juventude Centrista, apontou o presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Bernardino Soares, como um dos principais protagonistas dos "distúrbios revolucionários" do Verão Quente de 1975, altura em que Soares tinha apenas quatro anos. Ontem, no almoço que assinalou a operação militar do 25 de Novembro de 1975, Moutinho disse que é preciso "apontar com frontalidade" alguns dos principais responsáveis por actos como os "sequestros e incêndios às sedes do CDS-PP logo após a revolução de Abril de 1974". E enumerou alguns nomes: "Falo do actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que mais tarde se renderia às virtudes do capitalismo. Falo também das bombas das FP 25 de Abril e políticos actuais como Francisco Louçã, Luís Fazenda, Jerónimo de Sousa, Odete Santos e Bernardino Soares." Lusa
Bernardino até poderá ser perigoso, mas desconfio que com 4 anos não teria muito jeito para terrorista de esquerda. Mas o líder da JC lá saberá do que fala. Afinal, o rapazinho é líder uma de organização partidária...
Bernardino até poderá ser perigoso, mas desconfio que com 4 anos não teria muito jeito para terrorista de esquerda. Mas o líder da JC lá saberá do que fala. Afinal, o rapazinho é líder uma de organização partidária...
24.11.07
Ora, a responsabilidade política é minha! II*
Paulo Ferreira aponta, no editorial do Público (o que é que querem, o jornal é um manancial de temas para posts) dois exemplos da desresponsabilização política da ministra da Cultura, relativamente à falta de seguranças nos museus que levou ao seu encerramento e na falta de verba para a aquisição de uma pintura de Giovanni Tiepolo.O que Paulo Ferreira ainda não percebeu é que nenhum ministro deste governo assume qualquer responsabilidade política. Se alguma coisa corre mal, assobia-se para o ar e culpa-se sempre os serviços - tão incompetentes que eles são! Tem sido esta a lógica assumida por este irresponsável governo da República.
PS - O título já foi tema deste outro post.
PS2 - Espero também que sejam, rapidamente, apuradas as responsabilidades técnicas e políticas - se as houver - do desabamento no Pizo. E que os governantes madeirenses deixem de imitar a tribo socialista.
Absoluta falta de sentir ambientalista, ou a ditadura do dinheiro
A edição do Público de hoje vinha muito bem acompanhada por uma revista sobre as maiores 250 empresas de Leiria. E eu, incauto que fui, não percebi imediatamente a importância do suplemento que, atente-se bem, apresentava exaustivamente as maiores 250 empresas de Leiria!, atirei-a para o primeiro papelão que encontrei. Shame on me!
Vasco Pulido Valente: 10 - Miguel de Sousa Tavares: 0
Vasco Pulido Valente faz hoje uma crítica absolutamente arrasadora ao Rio das Flores, último romance de Miguel de Sousa Tavares.
De forma exaustiva, Pulido Valente aponta a completa falta de estilo do jornalista-aspirante a escritor-comentador-moralista, a inconsistência dos personagens - logo, da própria estória -, a presunção e superficialidade das conclusões apresentadas e uma infinidade de falhas, erros e incorrecções históricas. E faz isto tudo (Pulido Valente, leia-se), justificando, pontualmente, a necessidade do rigor quando se pretende escrever um romance histórico, pois ainda que ficção, não se pode subverter a nosso bel-prazer os factos. Quando muito, podemos defender uma ou outra tese interpretativa desses mesmos factos. Não podemos, pura e simplesmente, adulterá-los ou fingir que não existiram. Pulido Valente apresenta ainda indícios de que a bibliografia apresentada no romance ou não foi consultada de todo, ou o foi superficialmente, havendo, por parte do autor recorrentes afirmações que denotam ignorância relativamente aos assuntos a que se refere.
Não sou minimamente competente para avaliar a exaustiva lista de erros apontada por Vasco Pulido Valente. Não será, contudo, difícil acreditar nele, conhecendo a falta de rigor, a superficialidade e o olhar light com que Miguel de Sousa Tavares vê o mundo que o rodeia.
Reconheço que para além das crónicas do Expresso, apenas li O Menino do Rio de Sousa Tavares. É um livro pateta, como o são todos os livros de literatura infantil - apesar de fundamentais. Insistentente, têm me recomendado a leitura de "Equador". Confesso que mantinha uma forte resistência. Mas, após esta crítica, apenas se algum dos meus amigos resolver me presentear com romances de Sousa Tavares é que equacionarei a possibilidade de o ler. A questão de ler ou não ler Sousa Tavares deixou sequer de ser uma questão.
PS - Vasco Pulido Valente não o faz, mas após aquela crítica apetece dizer que Miguel Sousa Tavares se alguma coisa literarária tem, é a sua mãe. Cujo sobrenome teve o bom senso de não adoptar!
PS2 - Conhecendo o carácter intempestivo de Miguel Sousa Tavares, conforme alerta muito bem e com ilustrações Vasco Pulido Valente no início da sua crítica, não será de estranhar uma reacção violenta. Aguardo ansiosamente!
De forma exaustiva, Pulido Valente aponta a completa falta de estilo do jornalista-aspirante a escritor-comentador-moralista, a inconsistência dos personagens - logo, da própria estória -, a presunção e superficialidade das conclusões apresentadas e uma infinidade de falhas, erros e incorrecções históricas. E faz isto tudo (Pulido Valente, leia-se), justificando, pontualmente, a necessidade do rigor quando se pretende escrever um romance histórico, pois ainda que ficção, não se pode subverter a nosso bel-prazer os factos. Quando muito, podemos defender uma ou outra tese interpretativa desses mesmos factos. Não podemos, pura e simplesmente, adulterá-los ou fingir que não existiram. Pulido Valente apresenta ainda indícios de que a bibliografia apresentada no romance ou não foi consultada de todo, ou o foi superficialmente, havendo, por parte do autor recorrentes afirmações que denotam ignorância relativamente aos assuntos a que se refere.
Não sou minimamente competente para avaliar a exaustiva lista de erros apontada por Vasco Pulido Valente. Não será, contudo, difícil acreditar nele, conhecendo a falta de rigor, a superficialidade e o olhar light com que Miguel de Sousa Tavares vê o mundo que o rodeia.
Reconheço que para além das crónicas do Expresso, apenas li O Menino do Rio de Sousa Tavares. É um livro pateta, como o são todos os livros de literatura infantil - apesar de fundamentais. Insistentente, têm me recomendado a leitura de "Equador". Confesso que mantinha uma forte resistência. Mas, após esta crítica, apenas se algum dos meus amigos resolver me presentear com romances de Sousa Tavares é que equacionarei a possibilidade de o ler. A questão de ler ou não ler Sousa Tavares deixou sequer de ser uma questão.
PS - Vasco Pulido Valente não o faz, mas após aquela crítica apetece dizer que Miguel Sousa Tavares se alguma coisa literarária tem, é a sua mãe. Cujo sobrenome teve o bom senso de não adoptar!
PS2 - Conhecendo o carácter intempestivo de Miguel Sousa Tavares, conforme alerta muito bem e com ilustrações Vasco Pulido Valente no início da sua crítica, não será de estranhar uma reacção violenta. Aguardo ansiosamente!
Peace man!
Se já o entregaram ao Arafat, porque não a Durão Barroso? Ao que se sabe, o presidente da Comissão da União Europeia sempre terá um menor número de cadáveres às costas.
22.11.07
AENIMA
Decididamente Sentient, dos portugueses Aenima, é um belíssimo albúm, para quem é fã de música gótica!Um albúm a ouvir com muita atenção e uma banda a seguir, tal é a qualidade da música que produzem e de todos os seus elementos, com especial incidência para a Susana, que tem uma voz dos céus.
Aconselho vivamente a passarem no site da banda, e a ouvirem algumas das suas músicas. Não se esqueçam de ouvir a Lilith. Para mim, a mais bem conseguida música desta banda de Almada. Passem, também, por aqui tenham atenção à música Shelter for a lesser God. Fantástica! Divirtam-se!
20.11.07
19.11.07
E os juízes deveriam ser despedidos por atitude discriminatória

E esta merda no Ano Europeu para a Igualdade de Oportunidades para Todos.
Mas porque é fundamental denunciar este acórdão discriminatório e imbecil, aqui fica o nome dos seus subscritores: Filomena Carvalho, José Mateus Cardoso e José Ramalho Pinto, juízes do Tribunal da Relação de Lisboa.
Vem, mas a ver se ficas calado!
Jornalista Bielorussa vence The BOBs
Foto-Griffoneurei (algo como FotoMania), da jornalista bielorrusa Xenia Avimova, de apenas 23 anos, ganhou a edição de 2007 do The BOBs (The Best of Blogs), prémio anual atribuído pelo canal alemão Deutsche Welle .
O fotoblog contém óptimas fotografias e textos que, diz a DW, são surpreendentes (eu confesso que ainda não sei ler em russo, como tal, fico-me pelas fotos. E vou acreditar no que dizem os bons dos alemães).
O prémio para o melhor Podcast foi para o alemão Die Gefühlskonserve, algo como Sensações Entaladas. Já Alive in Baghdad, de um grupo de correspondentes no Iraque (conta também com a colaboração de jornalistas iraquianos) foi considerado o melhor Videoblog.
O Prémio Repórteres Sem Fronteiras foi atribuído ao tailandês Jotmam (o blog está escrito em inglês, portanto, consegue ler-se bem).
O francês Little Galerie ganhou o prémio Blogwurst, sendo que o brasileiro Blog do Tas foi eleito o Melhor Blog em Língua Portuguesa.
Maria Amélia, a blogger mais velha do mundo - é uma joven de 95 anitos - ganhou, com o seu A Mis 95 , o prémio para o melhor blog escrito na língua que "nuestros hermanos" impingiram ao mundo.
Refira-se que os utilizadores apresentaram ao juri mais de 7.000 blogs (79 eram portugueses). A decisão final foi anunciada este fim-de-semana, numa cerimónia pública realizada em Berlim.
Curiosamente, a opinião do "povão votante" foi diferente daquela que foi expressa pelo júri do The BOBs. É que, segundo as votações do público, o Blog do Tas ganharia o prémio para o Melhor Blog do mundo com impressionantes 27% de preferência. Em segundo lugar ficaria o espanhol La Cárcel de Papel. Foto-Griffoneurei não passaria de uns míseros 3%. Atrás, por exemplo, de Aljazeera Talk, do chinês Lian Yue's Eighth Continent e de Actualités de la République Démocratique du Congo, do jornalista local Cédric Kalonji.
Na Categoria para o Melhor Blog em Português teria vencido A Pensar Enlouquece, Pense Nisso, do brasileiro Alexandre Inagaki.
Para se ver a força do Brasil na blogosfera, as páginas brasileiras dominaram em absoluto as votações. Assim sendo, entre os dez blogs em português mais votados, nove são brasileiros. O outro é escrito em Moçambique por um sociólogo local.
Eis os links para os melhores blogs em português:
Escriba V 3.0
Diário de um Sociólogo
Ao Mirante, Nélson
Comidinhas
Hedonismos
Óleo do Diabo
Alexandre Soares Silva
Bispolândia
Os The BOBs, considerados, neste momento, os prémios mais importantes atribuídos à blogosfera, nasceram em 2004. Entre os vencedores desse ano estiveram El Hombre que Comia Dicionarios, os brasileiros Por um Punhado de Pixels e Estraga Filmes, e o chinês, entretando silenciado, 18摸狗日报 (seja lá o que isso quer dizer).
Nesse saudoso ano, o português Ponto Media (ver favoritos aqui ao lado) ganhou o prémio para o melhor blog em Língua Portuguesa (que na altura se chamava Prémio para o Melhor Blog Jornalístico em Português).
No ano seguinte, o argentino Mas Respecto Que Soy Tu Madre, diário de Mirta Bertotti, venceu o prémio do júri (está inactivo desde Dezembro desse ano).
A supermacia brasileira vincou, com Kibe Louco e No Mínimo a vencerem as categorias para o melhor blog em português, segundo os utilizadores e segundo o júri respectivamente.
Em 2006 a tendência manteve-se, com o Garotas que Dizem NI e Apocalipse Motorizado a vencerem os prémios para quem escreve na tão mal-tratada língua de Camões. O ano passado, o norte-americano Sunligth Fundation venceu o prémio do Júri Para o Melhor Blog.
"Pró ano há mais".
O fotoblog contém óptimas fotografias e textos que, diz a DW, são surpreendentes (eu confesso que ainda não sei ler em russo, como tal, fico-me pelas fotos. E vou acreditar no que dizem os bons dos alemães).
O prémio para o melhor Podcast foi para o alemão Die Gefühlskonserve, algo como Sensações Entaladas. Já Alive in Baghdad, de um grupo de correspondentes no Iraque (conta também com a colaboração de jornalistas iraquianos) foi considerado o melhor Videoblog.
O Prémio Repórteres Sem Fronteiras foi atribuído ao tailandês Jotmam (o blog está escrito em inglês, portanto, consegue ler-se bem).
O francês Little Galerie ganhou o prémio Blogwurst, sendo que o brasileiro Blog do Tas foi eleito o Melhor Blog em Língua Portuguesa.
Maria Amélia, a blogger mais velha do mundo - é uma joven de 95 anitos - ganhou, com o seu A Mis 95 , o prémio para o melhor blog escrito na língua que "nuestros hermanos" impingiram ao mundo.
Refira-se que os utilizadores apresentaram ao juri mais de 7.000 blogs (79 eram portugueses). A decisão final foi anunciada este fim-de-semana, numa cerimónia pública realizada em Berlim.
Curiosamente, a opinião do "povão votante" foi diferente daquela que foi expressa pelo júri do The BOBs. É que, segundo as votações do público, o Blog do Tas ganharia o prémio para o Melhor Blog do mundo com impressionantes 27% de preferência. Em segundo lugar ficaria o espanhol La Cárcel de Papel. Foto-Griffoneurei não passaria de uns míseros 3%. Atrás, por exemplo, de Aljazeera Talk, do chinês Lian Yue's Eighth Continent e de Actualités de la République Démocratique du Congo, do jornalista local Cédric Kalonji.
Na Categoria para o Melhor Blog em Português teria vencido A Pensar Enlouquece, Pense Nisso, do brasileiro Alexandre Inagaki.
Para se ver a força do Brasil na blogosfera, as páginas brasileiras dominaram em absoluto as votações. Assim sendo, entre os dez blogs em português mais votados, nove são brasileiros. O outro é escrito em Moçambique por um sociólogo local.
Eis os links para os melhores blogs em português:
Escriba V 3.0
Diário de um Sociólogo
Ao Mirante, Nélson
Comidinhas
Hedonismos
Óleo do Diabo
Alexandre Soares Silva
Bispolândia
Os The BOBs, considerados, neste momento, os prémios mais importantes atribuídos à blogosfera, nasceram em 2004. Entre os vencedores desse ano estiveram El Hombre que Comia Dicionarios, os brasileiros Por um Punhado de Pixels e Estraga Filmes, e o chinês, entretando silenciado, 18摸狗日报 (seja lá o que isso quer dizer).
Nesse saudoso ano, o português Ponto Media (ver favoritos aqui ao lado) ganhou o prémio para o melhor blog em Língua Portuguesa (que na altura se chamava Prémio para o Melhor Blog Jornalístico em Português).
No ano seguinte, o argentino Mas Respecto Que Soy Tu Madre, diário de Mirta Bertotti, venceu o prémio do júri (está inactivo desde Dezembro desse ano).
A supermacia brasileira vincou, com Kibe Louco e No Mínimo a vencerem as categorias para o melhor blog em português, segundo os utilizadores e segundo o júri respectivamente.
Em 2006 a tendência manteve-se, com o Garotas que Dizem NI e Apocalipse Motorizado a vencerem os prémios para quem escreve na tão mal-tratada língua de Camões. O ano passado, o norte-americano Sunligth Fundation venceu o prémio do Júri Para o Melhor Blog.
"Pró ano há mais".
O blog do Pita
O meu amigo Alberto Pita rendeu-se à blogosfera (já não era sem tempo, camarada). Eis o Hora Madeira, blog essêncialmente informativo.
Tá porreiro, ó Pita (mas vê lá se pagas a cervetita um dia destes.
Tá porreiro, ó Pita (mas vê lá se pagas a cervetita um dia destes.
16.11.07
Olha o nariz...
Lá diz a sabedoria popular que a mentira tem pernas curtas. O governo, com a ansiedade de encobrir as mentiras de Sócrates na Assembleia emitiu uma Resolução que, de acordo com juristas contactados pelo Semanário Económico, é ilegal, uma vez que se sobrepõem a um Decreto-Lei.
Chiça, é que nem mentir estes senhores sabem...
A Valsa do adeus
"As suas unhas sujas e a sua camisola esburacada não são coisa nova debaixo do sol - disse Bertelef. - Havia outrora um filósofo cínico que se exibia nas ruas de Atenas vestido com uma túnica esburacada, para que todos o admirassem, vendo-o ostentar o seu desprezo pelas convenções. Um dia Sócrates encontra-o e diz-lhe: Vejo a tua vaidade pelo buraco da tua túnica. Também a sua porcaria, senhor, é uma vaidade, e a sua vaidade uma porcaria."
Milan Kundera, A Valsa do Adeus
Milan Kundera, A Valsa do Adeus
Jorge Palma - Encosta-te a Mim
Uma das canções mais "comerciais" - detesto o termo, mas não me ocorreu outro - de Jorge Palma. Mesmo assim, é muito boa
15.11.07
Two Tea to 222
Tá genial, de facto.
Na sua recente visita aos Estados Unidos, José Sócrates e a sua comitiva hospedaram-se num luxuoso hotel. Cerca das 17h00 Sócrates, pegando telefone, liga ao serviço de quartos e diz:
- "TU TI TU TU TU TU"
A recepcionista não compreende o que quer dizer o Primeiro-Ministro e, pensando que se trata de uma mensagem cifrada, avisa o FBI.
Num ápice, apresentam-se dois agentes que, postos ao corrente de tudo, mas não conseguindo desencriptar a mensagem, decidem chamar a CIA. Os serviços secretos mandam mais dois agentes ao hotel, os quais começam logo a investigar e a tentar decifrar a mensagem, mas sem qualquer resultado. Entretanto, José Sócrates volta a telefonar e todos o ouvem repetir:
- "TU TI TU TU TU TU"
Desesperados, CIA e FBI resolvem recorrer ao tradutor oficial da Embaixada dos Estados Unidos em Portugal. Um caça supersónico do Pentágono desloca-se ao Aeródromo de Figo Maduro e o tradutor é conduzido, sem mais delongas, aos Estados Unidos.
Chegado ao hotel, e posto ao corrente da situação, o tradutor disfarça-se de criado, vai aos aposentos de José Sócrates e... descobre o mistério: - O Primeiro-ministro português queria dizer, no seu inglês técnico (da Universidade Independente): " two tea to 222 "»
Na sua recente visita aos Estados Unidos, José Sócrates e a sua comitiva hospedaram-se num luxuoso hotel. Cerca das 17h00 Sócrates, pegando telefone, liga ao serviço de quartos e diz:
- "TU TI TU TU TU TU"
A recepcionista não compreende o que quer dizer o Primeiro-Ministro e, pensando que se trata de uma mensagem cifrada, avisa o FBI.
Num ápice, apresentam-se dois agentes que, postos ao corrente de tudo, mas não conseguindo desencriptar a mensagem, decidem chamar a CIA. Os serviços secretos mandam mais dois agentes ao hotel, os quais começam logo a investigar e a tentar decifrar a mensagem, mas sem qualquer resultado. Entretanto, José Sócrates volta a telefonar e todos o ouvem repetir:
- "TU TI TU TU TU TU"
Desesperados, CIA e FBI resolvem recorrer ao tradutor oficial da Embaixada dos Estados Unidos em Portugal. Um caça supersónico do Pentágono desloca-se ao Aeródromo de Figo Maduro e o tradutor é conduzido, sem mais delongas, aos Estados Unidos.
Chegado ao hotel, e posto ao corrente da situação, o tradutor disfarça-se de criado, vai aos aposentos de José Sócrates e... descobre o mistério: - O Primeiro-ministro português queria dizer, no seu inglês técnico (da Universidade Independente): " two tea to 222 "»
Sobre corrupção (e sobre outras coisas)
É bom que se separem as águas. Aqueles que comprovadamente tenham prevaricado devem “apanhar pela medida grande”. É bom que se investigue e que se vá até ao fundo. E que se olhe para todos os lados. Só assim quem trabalha honestamente (a esmagadora maioria) livrar-se-á de rótulos, deixará de ser alvo de suspeitas lançadas, muitas vezes, por quem não conseguiu entrar no sistema. Só assim acabarão os vergonhosos julgamentos em praça pública. E só assim os argumentos políticos ganharão o debate, tal como acontece em qualquer sociedade normal, pondo fim a este período nitidamente esquizofrénico. A sociedade madeirense precisa libertar-se de fantasmas. Porque estamos todos fartos dos fantasmas, mas também daqueles que os agitam. Porra, que provem a merda que dizem ou que vão à borda merda!
Pergunta II
Cartazes gigantes onde se incluem citações retiradas do contexto de modo a que pareçam acusações, cartazes esses que se traduzem num julgamento em praça pública são "informação". Perfeitamente desnecessária, de resto, uma vez que as próprias citações são retiradas de órgãos de comunicação social. Mas quando a resposta é dada na mesma moeda tranforma-se em "calúnias" e "ofensas". Porquê?
Pergunta
Porque será que não vejo, em nenhum dos blogs "amantes da liberdade", uma referência à indecorosa posição da Direcção Nacional da RTP face a José Rodrigues dos Santos. Pois, quando nos toca a nós...
Memórias que não se apagam


Parece ser um bom filme, com argumento e realização de Dinarte Freitas e produção de Eduardo Costa. Para já, gostei muito dos arranjos musicais, do tom sépia e da fotografia (especialmente das paisagens). Parece que as interpretações também estão boas. O argumento não é genial ou original, mas pode estar bem trabalhado (não conheço o guião). Aguardo por poder vê-lo e desejo os maiores sucessos à equipa. Parabéns, por mais que não seja, pelo arrojo e coragem!
Fica, ainda, aqui uma entrevista ao realizador e ao produtor.
PS - Já estreou, ou não? De acordo com o Jornal da Madeira já, mas de acordo com a entrevista apenas estreou o trailer. Alguém pode me esclarecer?
14.11.07
Ad argumentandum tantum
A reboque da suposta necessidade de aprovação do Tratado Europeu, apareceram a terreiro uns doutos defensores da democracia representativa que, entre outras patacoadas, defendem a subscrição do documento sem a sua submissão a um referendo nacional.
Querem fazer-nos crer que ouvir a voz do povo é desnecessário, uma vez que o povo elegeu os seus representantes para que tomassem estas decisões em seu nome.
Ora, sem colocar a bondade e os méritos da democracia representativa, uma vez que não existe ainda melhor regime democrático, existem algumas questões que deixo aqui à reflexão dos leitores deste blog:
1. A democracia representativa não pode, de modo nenhum, inviabilizar esforços para reforçar a democracia participativa. O caminho é lento e com alguns retrocessos, é verdade, mas os insucessos não podem ser motivo para se abandonar o desbravamento deste terreno da participação. O cidadão deve ser chamado a participar e cabe às instituições democráticas criarem condições para tal. Ou a construção europeia não deverá ser alicerçada cada vez mais na participação?;
2. Nunca a adesão portuguesa à União Europeia foi referendada pelo povo português, como se não fosse importante ouvir os cidadãos sobre a integração num processo político que ruma ao federalismo. Esta seria uma óptima oportunidade. Ou não?;
3. Em qualquer país da UE (excepto, por razões óbvias, os países com adesões recentes), as legislativas europeias são as eleições com maior nível de abstenção. Isto demonstra que aos cidadãos pouco interessa o que os burocratas de Bruxelas e Estrasburgo andam a fazer. É fundamental envolver mais os cidadãos no processo de construção europeia. Porque o desinteresse das populações pode fazer abortar o processo;
4. No caso português, nas últimas legislativas todos os partidos concordaram com a necessidade de um referendo. Os governantes não podem continuar a fazer promessas sem qualquer respeito pelo seu cumprimento.
Apesar de tudo isto, e também ao contrário do que afirmam os pseudo-arautos da democracia representativa, eu sou a favor da ractificação do Tratado Europeu. Querem passar a ideia de que só defende o referendo os que estão contra o documento, quando na verdade o que não querem é o "incómodo" dessa "chatice" que dá pelo nome de sufrágio universal.
Querem fazer-nos crer que ouvir a voz do povo é desnecessário, uma vez que o povo elegeu os seus representantes para que tomassem estas decisões em seu nome.
Ora, sem colocar a bondade e os méritos da democracia representativa, uma vez que não existe ainda melhor regime democrático, existem algumas questões que deixo aqui à reflexão dos leitores deste blog:
1. A democracia representativa não pode, de modo nenhum, inviabilizar esforços para reforçar a democracia participativa. O caminho é lento e com alguns retrocessos, é verdade, mas os insucessos não podem ser motivo para se abandonar o desbravamento deste terreno da participação. O cidadão deve ser chamado a participar e cabe às instituições democráticas criarem condições para tal. Ou a construção europeia não deverá ser alicerçada cada vez mais na participação?;
2. Nunca a adesão portuguesa à União Europeia foi referendada pelo povo português, como se não fosse importante ouvir os cidadãos sobre a integração num processo político que ruma ao federalismo. Esta seria uma óptima oportunidade. Ou não?;
3. Em qualquer país da UE (excepto, por razões óbvias, os países com adesões recentes), as legislativas europeias são as eleições com maior nível de abstenção. Isto demonstra que aos cidadãos pouco interessa o que os burocratas de Bruxelas e Estrasburgo andam a fazer. É fundamental envolver mais os cidadãos no processo de construção europeia. Porque o desinteresse das populações pode fazer abortar o processo;
4. No caso português, nas últimas legislativas todos os partidos concordaram com a necessidade de um referendo. Os governantes não podem continuar a fazer promessas sem qualquer respeito pelo seu cumprimento.
Apesar de tudo isto, e também ao contrário do que afirmam os pseudo-arautos da democracia representativa, eu sou a favor da ractificação do Tratado Europeu. Querem passar a ideia de que só defende o referendo os que estão contra o documento, quando na verdade o que não querem é o "incómodo" dessa "chatice" que dá pelo nome de sufrágio universal.
Sobre a necessidade da dignificação da ALR
Parece que recentemente ocorreu mais um espectáculo deprimente nesse autêntico circo que dá pelo nome de Assembleia Legislativa Regional (ALR). Desta feita, opôs os deputados Baltasar Aguiar e Jaime Ramos, este último já veterano nestas coisas de falta de civilidade e urbanidade na relação que mantém com os seus colegas deputados.
Este foi mais um episódio anedótico que em nada contribui para a dignificação da instituição-símbolo da Autonomia madeirense. Na minha opinião pessoal, deveria ser caso para perda de mandato. Porque o povo não vota nestes senhores para se comportarem como garotos de calhau. Se não têm qualquer respeito pelas suas imagens, problema deles, mas quando põem em causa a dignidade da Assembleia Legislativa Regional, o problema é também nosso, eleitores.
Se houvesse um regimento ético sério, estas lamentáveis cenas não se repetiriam, com certeza, com a frequência habitual.
Por outro lado, acho que começa a ser fundamental reflectir-se sobre o estatuto de deputado à ALR. Porque em nada contribui para a dignificação da ALR haver esta quantidade brutal de deputados que paralelamente exercem inúmeras outras actividades. Que rigor, que competência, que entrega, que honestidade – porque não? – pode-se esperar de um deputado que passa duas horas na Assembleia e sete no seu escritório? Porque a verdade é que muitos deputados são mais conhecidos pelas suas actividades empresariais ou de advocacia durante os seus mandatos do que pela sua actividade política. E não se pense que chegaram a deputados devido a esse prestígio profissional. Não, muitas vezes ganham prestígio, apenas porque são deputados.
Vai sendo tempo de dizer basta!
A Assembleia Legislativa Regional precisa de ser libertada, rapidamente, dos abutres que dela se alimentam. Porque não sendo ainda cadáver, está já demasiado depenicada. Temo que qualquer dia, sem que se dê por isso, esteja irremediavelmente ferida de morte. Para prejuízo da Madeira e dos madeirenses.
Este foi mais um episódio anedótico que em nada contribui para a dignificação da instituição-símbolo da Autonomia madeirense. Na minha opinião pessoal, deveria ser caso para perda de mandato. Porque o povo não vota nestes senhores para se comportarem como garotos de calhau. Se não têm qualquer respeito pelas suas imagens, problema deles, mas quando põem em causa a dignidade da Assembleia Legislativa Regional, o problema é também nosso, eleitores.
Se houvesse um regimento ético sério, estas lamentáveis cenas não se repetiriam, com certeza, com a frequência habitual.
Por outro lado, acho que começa a ser fundamental reflectir-se sobre o estatuto de deputado à ALR. Porque em nada contribui para a dignificação da ALR haver esta quantidade brutal de deputados que paralelamente exercem inúmeras outras actividades. Que rigor, que competência, que entrega, que honestidade – porque não? – pode-se esperar de um deputado que passa duas horas na Assembleia e sete no seu escritório? Porque a verdade é que muitos deputados são mais conhecidos pelas suas actividades empresariais ou de advocacia durante os seus mandatos do que pela sua actividade política. E não se pense que chegaram a deputados devido a esse prestígio profissional. Não, muitas vezes ganham prestígio, apenas porque são deputados.
Vai sendo tempo de dizer basta!
A Assembleia Legislativa Regional precisa de ser libertada, rapidamente, dos abutres que dela se alimentam. Porque não sendo ainda cadáver, está já demasiado depenicada. Temo que qualquer dia, sem que se dê por isso, esteja irremediavelmente ferida de morte. Para prejuízo da Madeira e dos madeirenses.
Quedas no Azul
"O Sol deixara de estar no meio do céu. A luz incidia na terra de forma oblíqua. Aqui, era a vez de um cantinho de nuvem se incendiar, de pronto se transformando numa ilha incandescente onde nenhum pé seria capaz de poisar. Aos poucos, todas as nuvens se deixavam apanhar pela luz, o que fazia com que as ondas se iluminassem com setas enfeitadas de penas, as quais caíam de forma desordenada no azul."
Virgínia Woolf, in As Ondas
Virgínia Woolf, in As Ondas
Regresso
Um problema de saúde um bocado chato manteve-me arredado do computador durante uns tempos. Daí o meu silêncio.
Parece, contudo, que se não completamente debelado, a recuperação desse problemazito está a ser positiva pelo que me autorizei a regressar à blogosfera.
Parece, contudo, que se não completamente debelado, a recuperação desse problemazito está a ser positiva pelo que me autorizei a regressar à blogosfera.
9.11.07
CINEMA
A terceira edição do Festival de Cinema está praticamente rodada.
Faltam poucas cenas para o fim da fita.
Do que vi BLISS é o que mais me seduziu. Trata-se de uma produção turca , que chega ao mundo, através das mãos de um filho da própria nação.
BLISS impõe-se pela beleza estética e narrativa da história. É uma espécie de grito de alerta para a condição da mulher em pleno século XXI.
O pior filme chama-se Capri, You Love?
Por norma, não costumo abandonar uma sala de cinema, por mais intragável que seja a obra. Neste aconteceu. Eu e outros espectadores viraram as costas ao trabalho de um alemão em apuros na ilha italiana.
Também gostei de LA MÉMOIRE DES AUTRES.
A eutanásia é o mote deste filme. O reencontro com o passado também entra em cena, com oregresso dos filhos a casa para dizer adeus à mãe.
A beleza do trabalho está na simplicidade dos planos e no silêncio de algumas imagens. É na minha perspectiva a segunda melhor obra que chegou ao Funchal.
En La Cama é um filme provocação. A ideia é sustentável, a realização acompanha a acção. Apenas escaparam alguns diálogos.
Faltam poucas cenas para o fim da fita.
Do que vi BLISS é o que mais me seduziu. Trata-se de uma produção turca , que chega ao mundo, através das mãos de um filho da própria nação.
BLISS impõe-se pela beleza estética e narrativa da história. É uma espécie de grito de alerta para a condição da mulher em pleno século XXI.
O pior filme chama-se Capri, You Love?
Por norma, não costumo abandonar uma sala de cinema, por mais intragável que seja a obra. Neste aconteceu. Eu e outros espectadores viraram as costas ao trabalho de um alemão em apuros na ilha italiana.
Também gostei de LA MÉMOIRE DES AUTRES.
A eutanásia é o mote deste filme. O reencontro com o passado também entra em cena, com oregresso dos filhos a casa para dizer adeus à mãe.
A beleza do trabalho está na simplicidade dos planos e no silêncio de algumas imagens. É na minha perspectiva a segunda melhor obra que chegou ao Funchal.
En La Cama é um filme provocação. A ideia é sustentável, a realização acompanha a acção. Apenas escaparam alguns diálogos.
8.11.07
Programa Funchal 500 Anos para 2008 on-line
O programa para 2008 do Funchal 500 Anos já está on-line. www.funchal500anos.com
31.10.07
Turismo fechado a cadeado
Numa terra que vende segurança, faz algumn sentido que o edificio da Secretaria Regional do Turismo, em pleno centro do Funchal, esteja rodeado, à noite, por um gradeamento semelhante aqueles que se vêem em Caracas ou Joanesburgo?
É uma questão de imagem, senhora Secretária...
É uma questão de imagem, senhora Secretária...
30.10.07
Programa Completo FICF
29.10.07
Festival Internacional de Cinema a começar
Abre-se a cortina. Apagam-se as luzes. Faz-se silêncio na sala. O Festival Internacional de Cinema do Funchal (FICF) vai começar dentro de momentos.
Serão 8 dias e mais de 30 sessões de cinema no Teatro Municipal Baltazar Dias. Serão oito os filmes a concurso. Representando o que de melhor se faz em países emergentes como o Irão, a Turquia, a Grécia, a Argentina ou Brasil ou a Suiça, ou em países com tradição cinematográfica como a Alemanha.
Durante oito dias, os madeirenses poderão ver cinema alternativo, películas que habitualmente não rodam os centros comerciais de todos os dias. Filmes, enfim, que não são produto de tendências, mas que definem eles próprios as tendências. Filmes que são resultado de uma selecção criteriosa. Os melhores oito de entre centenas de longas-metragens que se apresentaram à organização. Na belíssima Sala do Teatro Municipal Baltazar Dias exibir-se-ão Bliss, de Abdullah Orbuz, A Few Kilos of Dates For a Funeral, de Saman Salour, La Memoire Des Outres, de Pilar Anguita-Mackay, Capri, You Love, de Alexander Oppersdorff, En La Cama, de Matias Bize, Ciudad En Cielo, de Hernán Gaffe, Uranya, Costas Capakas e Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo.
O Júri que irá decidir o vencedor é constituído pelas cineastas brasileiras Elisa Tollomeli, produtora, Malu de Martino, realizadora, pelo Director da Escola de Cinema de Cherbourg, o Distribuidor e Marketing Bussiness Development francês Bruno Chatelin, pelo Jornalista José Vieira Mendes e pelo Director de Fotografia José António Santos, madeirense radicado em Barcelona.
Mas nem só de competição viverá o Terceiro Festival Internacional de Cinema do Funchal. A secção não competitiva integrará a Festa do Cinema Brasileiro, com a exibição, sempre no Teatro Municipal Baltazar Dias, das películas Saneamento Básico, O Homem que Copiava, Diário de um Mundo Novo e Proibido Proibir.
Nesta III Edição do Festival Internacional de Cinema do Funchal homenagear-se-á ainda Antonioni, com a exibição do extraordinário Profissão Repórter. A actriz britânica Susannah York, já galardoada com uma Palma de Ouro, um Globo de Ouro, um prémio BAFTA e nomeada para um Óscar para Melhor Actriz, estará no Funchal, sendo a figura de mais relevo a nivel internacional.Será homenageada na Gala de Encerramento, que decorrerá na Sala de Espectáculos do Centro de Congressos da Madeira e que, para além da entrega dos prémios aos filmes vencedores incluirá a projecção do excelente Lonely Hearts.
Um dos mais relevantes projectos ligados à III Edição do FICF são as Masterclasses sobre cinema, organizadas em pareceria com a Escola Profissional Cristóvão Colombo.De forma gratuita, os madeirenses poderão, durante uma semana, ouvir alguns nomes importantes falarem de produção, realização, argumento e fotografia. Aulas a realizar no Auditório da Escola Cristóvão Colombo, leccionadas por Malu de Martino, Roberto Bomtempo, Elisa Tolomeli, Susana Schild e José António Santos. Luzes, Câmara, Acção… Eis o cinema no seu melhor.
Serão 8 dias e mais de 30 sessões de cinema no Teatro Municipal Baltazar Dias. Serão oito os filmes a concurso. Representando o que de melhor se faz em países emergentes como o Irão, a Turquia, a Grécia, a Argentina ou Brasil ou a Suiça, ou em países com tradição cinematográfica como a Alemanha.
Durante oito dias, os madeirenses poderão ver cinema alternativo, películas que habitualmente não rodam os centros comerciais de todos os dias. Filmes, enfim, que não são produto de tendências, mas que definem eles próprios as tendências. Filmes que são resultado de uma selecção criteriosa. Os melhores oito de entre centenas de longas-metragens que se apresentaram à organização. Na belíssima Sala do Teatro Municipal Baltazar Dias exibir-se-ão Bliss, de Abdullah Orbuz, A Few Kilos of Dates For a Funeral, de Saman Salour, La Memoire Des Outres, de Pilar Anguita-Mackay, Capri, You Love, de Alexander Oppersdorff, En La Cama, de Matias Bize, Ciudad En Cielo, de Hernán Gaffe, Uranya, Costas Capakas e Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo.
O Júri que irá decidir o vencedor é constituído pelas cineastas brasileiras Elisa Tollomeli, produtora, Malu de Martino, realizadora, pelo Director da Escola de Cinema de Cherbourg, o Distribuidor e Marketing Bussiness Development francês Bruno Chatelin, pelo Jornalista José Vieira Mendes e pelo Director de Fotografia José António Santos, madeirense radicado em Barcelona.
Mas nem só de competição viverá o Terceiro Festival Internacional de Cinema do Funchal. A secção não competitiva integrará a Festa do Cinema Brasileiro, com a exibição, sempre no Teatro Municipal Baltazar Dias, das películas Saneamento Básico, O Homem que Copiava, Diário de um Mundo Novo e Proibido Proibir.
Nesta III Edição do Festival Internacional de Cinema do Funchal homenagear-se-á ainda Antonioni, com a exibição do extraordinário Profissão Repórter. A actriz britânica Susannah York, já galardoada com uma Palma de Ouro, um Globo de Ouro, um prémio BAFTA e nomeada para um Óscar para Melhor Actriz, estará no Funchal, sendo a figura de mais relevo a nivel internacional.Será homenageada na Gala de Encerramento, que decorrerá na Sala de Espectáculos do Centro de Congressos da Madeira e que, para além da entrega dos prémios aos filmes vencedores incluirá a projecção do excelente Lonely Hearts.
Um dos mais relevantes projectos ligados à III Edição do FICF são as Masterclasses sobre cinema, organizadas em pareceria com a Escola Profissional Cristóvão Colombo.De forma gratuita, os madeirenses poderão, durante uma semana, ouvir alguns nomes importantes falarem de produção, realização, argumento e fotografia. Aulas a realizar no Auditório da Escola Cristóvão Colombo, leccionadas por Malu de Martino, Roberto Bomtempo, Elisa Tolomeli, Susana Schild e José António Santos. Luzes, Câmara, Acção… Eis o cinema no seu melhor.
26.10.07
Livros das Férias I

"O Fantasma de Hitler", de Norman Mailer, dá-nos a conhecer D.T., o pequeno demónio que guia Hitler (Adi) desda a infância até à sua conversão num dos maiores assassinos da História da Humanidade.
Partindo de factos verídicos, Mailer transforma a infância e juventude de Adi - um fruto de incesto - numa luta contínua entre o bem e o mal. Com a frase de Santo Agostinho Inter faeces et urinam nascimur como "banda sonora". E com colónias de abelhas em fundo - plataformas de estudo de onde o jovem Adi retirará as noções sobre as sociedades humanas.
Com a fluência narrativa habitual, Mailer constrõe um romance (há quem lhe chame "não-ficção criativa") de leitura agradável. Embora não seja aquilo que de melhor o autor, com 84 anos, já escreveu.
Zaragata
Não sei quem nele escreve, nem quero saber. Acho simplesmente que é um dos mais interessantes blogs de cá. Assino por baixo deste texto.
Um blog a consultar com frequência.
Um blog a consultar com frequência.
À espera do tempo
Nem depois dos milhões investidos em novos estabelecimentos de ensino, a região ultrapassa os baixos índices de escolaridade do país.
Na minha sincera opinião, a culpa é sistema. Caso contrário, tenho de admitir que as escolas estão vazias de bons alunos, e cheias de maus professores.
Como não acredito que a raiz do mal é apenas dos professores e dos alunos, interessa os pormenores.
Um deles é a classe docente.
Metades dos nossos professores (cerca de 3 mil) são do continente. Como não conseguem trabalho perto de casa, aventuram-se nas ilhas. Quer isto dizer que, a Madeira fica com as sobras do Ministério da Educação, salvo honrosas excepções. Os melhores docentes, os que obtêm boas notas nos respectivos cursos, conseguem colocação no continente. São cada vez menos, é certo, mas os bons, ainda acedem ao sistema. Aos outros resta o desemprego.
Há 10 anos, quando deixei Lisboa, era assim. Para meu espanto, uma década depois, continuam a chegar professores à Madeira.
O segundo pormenor é as baixas competências dos alunos madeirenses.
Uma boa parte são filhos de pais analfabetos ou com pouca escola. Todos sabemos, ou pelo menos a tutela deveria saber, que numa casa onde não existem livros e apoio à educação, é mais difícil o processo de ensino. As dificuldades de aprendizagem reflectem-se nas avaliações. Compete ao sistema corrigir esta grave lacuna. Ou será que a solução tem outro nome: - tempo, por exemplo.
Na minha sincera opinião, a culpa é sistema. Caso contrário, tenho de admitir que as escolas estão vazias de bons alunos, e cheias de maus professores.
Como não acredito que a raiz do mal é apenas dos professores e dos alunos, interessa os pormenores.
Um deles é a classe docente.
Metades dos nossos professores (cerca de 3 mil) são do continente. Como não conseguem trabalho perto de casa, aventuram-se nas ilhas. Quer isto dizer que, a Madeira fica com as sobras do Ministério da Educação, salvo honrosas excepções. Os melhores docentes, os que obtêm boas notas nos respectivos cursos, conseguem colocação no continente. São cada vez menos, é certo, mas os bons, ainda acedem ao sistema. Aos outros resta o desemprego.
Há 10 anos, quando deixei Lisboa, era assim. Para meu espanto, uma década depois, continuam a chegar professores à Madeira.
O segundo pormenor é as baixas competências dos alunos madeirenses.
Uma boa parte são filhos de pais analfabetos ou com pouca escola. Todos sabemos, ou pelo menos a tutela deveria saber, que numa casa onde não existem livros e apoio à educação, é mais difícil o processo de ensino. As dificuldades de aprendizagem reflectem-se nas avaliações. Compete ao sistema corrigir esta grave lacuna. Ou será que a solução tem outro nome: - tempo, por exemplo.
Sim, senhor comandante...
O Sr. Comandante da PSP na Madeira, figura de quem nem o nome fixei, protagonizou ontem um dos momentos mais ridiculos de que há memória nos últimos tempos.
Convidado a falar sobre o assalto à mão armada da última quarta-feira arengou, textualmente, que cenas violentas como aquela, que aconteceu em plena zona turística, à hora de ponta, são fruto do... "desenvolvimento".
"São crimes típicos de uma sociedade desenvolvida", desculpou-se... Se não fosse grave até tinha graça.
Pior foi quando amarfanhou a ideia de que a segurança dos cidadãos depende... dos cidadãos, ou seja, no caso em apreço, segundo a lógica que se depreende de semelhante arenga, o cidadão proprietário da ourivesaria deveria estar armado com uma BAZUCA, aguardando serenamente os assaltantes...
Segundo o comandante, a percepção de insegurança na Região é maior do que a própria insegurança. Temos de convir que é verdade. Agora o que também é verdade é que quem deve combater a insegurança, ajudando ao mesmo tempo a diminuir as "más percepções", é a própria força policial que ele comanda. E como? prendendo bandidos, é mais ou menos básico... Para isso, talvez seja importante dedicar menos tempo a operações stop, a multas nos parcómetros, entre outras actividades relevantes. Digo eu...
Às vezes, para minorar a sensação de que "isto tá a ficar perigoso" são necessárias acções como mais policiamento de proximidade, mais comunicação com a população por parte dos agentes, mais comunicação com os media dando conta de "casos bem resolvidos", etc.
Para além do mais, parece-me básico perceber que a insegurança se mede através da percepção, e não de outra coisa qualquer.
Ontem, o comandante perdeu uma bela ocasião para se explicar. Não explicou, ou ninguém lhe perguntou, por exemplo, como é que numa ilha com mais ou menos 700 km um carro topo de gama teve 12 horas desaparecido sem ninguém dar conta dele. Se calhar, se não tivesse havido aquele laxismo do género "há-de-aparecer-daqui-não-sai-pa-lado-nenhum-porque-carros-ainda-não-sabem-nadar", a PSP tinha acabado com um bando possivelmente perigoso sem sequer se aperceber disso.
Não explicou, ou ninguém lhe perguntou, porque é que o recente assalto violento à bomba de gasolina do Campanário não foi resolvido.
Não explicou porque é que nas Madalenas, há assaltos diários a apartamentos, e que medidas toma a PSP para minorar a situação.
Não disse sequer aquilo que deveria ter dito no caso em apreço, ou seja, foi um assalto que nos colheu de surpresa (aceitável) e tudo vamos fazer para o solucionar.
Enfim, se a ideia era diminuir a sensação de insegurança, a verdade é que o comandante contribuiu para ampliá-la...
Convidado a falar sobre o assalto à mão armada da última quarta-feira arengou, textualmente, que cenas violentas como aquela, que aconteceu em plena zona turística, à hora de ponta, são fruto do... "desenvolvimento".
"São crimes típicos de uma sociedade desenvolvida", desculpou-se... Se não fosse grave até tinha graça.
Pior foi quando amarfanhou a ideia de que a segurança dos cidadãos depende... dos cidadãos, ou seja, no caso em apreço, segundo a lógica que se depreende de semelhante arenga, o cidadão proprietário da ourivesaria deveria estar armado com uma BAZUCA, aguardando serenamente os assaltantes...
Segundo o comandante, a percepção de insegurança na Região é maior do que a própria insegurança. Temos de convir que é verdade. Agora o que também é verdade é que quem deve combater a insegurança, ajudando ao mesmo tempo a diminuir as "más percepções", é a própria força policial que ele comanda. E como? prendendo bandidos, é mais ou menos básico... Para isso, talvez seja importante dedicar menos tempo a operações stop, a multas nos parcómetros, entre outras actividades relevantes. Digo eu...
Às vezes, para minorar a sensação de que "isto tá a ficar perigoso" são necessárias acções como mais policiamento de proximidade, mais comunicação com a população por parte dos agentes, mais comunicação com os media dando conta de "casos bem resolvidos", etc.
Para além do mais, parece-me básico perceber que a insegurança se mede através da percepção, e não de outra coisa qualquer.
Ontem, o comandante perdeu uma bela ocasião para se explicar. Não explicou, ou ninguém lhe perguntou, por exemplo, como é que numa ilha com mais ou menos 700 km um carro topo de gama teve 12 horas desaparecido sem ninguém dar conta dele. Se calhar, se não tivesse havido aquele laxismo do género "há-de-aparecer-daqui-não-sai-pa-lado-nenhum-porque-carros-ainda-não-sabem-nadar", a PSP tinha acabado com um bando possivelmente perigoso sem sequer se aperceber disso.
Não explicou, ou ninguém lhe perguntou, porque é que o recente assalto violento à bomba de gasolina do Campanário não foi resolvido.
Não explicou porque é que nas Madalenas, há assaltos diários a apartamentos, e que medidas toma a PSP para minorar a situação.
Não disse sequer aquilo que deveria ter dito no caso em apreço, ou seja, foi um assalto que nos colheu de surpresa (aceitável) e tudo vamos fazer para o solucionar.
Enfim, se a ideia era diminuir a sensação de insegurança, a verdade é que o comandante contribuiu para ampliá-la...
25.10.07
O crime perfeito
A partir de ontem, sinto-me mais português.
O assalto à ourivesaria “David Rosas”, no Funchal, espalhou o medo na Madeira e trouxe o mal (português) que faltava para a região.
No continente, os últimos meses foram trágicos. Nunca o país foi alvo de tantos e tão orquestrados assaltos à mão armada.
O método é idêntico lá e cá: - roubam um carro, chegam em pleno dia ao local do crime e, em menos de dois minutos, desaparecem sem que ninguém os “veja”. São crimes perfeitos.
Até há sensivelmente 4 anos os continentais só ouviam dizer que um banco, bomba de gasolina, ou uma ourivesaria tinham sido assaltados. Agora acreditam que o crime aconteça a qualquer hora e local. Do mesmo receiam os madeirenses. Julgavam que a região era imune ao crime, mas ele aconteceu. Para já sem “feridos” ou mortes, é verdade, mas caso fosse necessário fazer sangue, não tenho a menor dúvida que os “bandidos” tinham semeado o terror na região, em vez do actual estado de medo.
Nesta história a polícia não está isenta de culpa. Como é que um carro roubado, não tenha sido encontrado 12 horas depois? A Madeira tem 741 km quadrados e é uma ilha.
Quais foram as diligencias executadas pela PSP para localizar o veículo?
A outra questão, é que ninguém acredita que os “bandidos” sejam madeirenses. Até nisto somos portugueses. Pois eu receio que, pelo menos um, senão todos, é de cá.
O que vão agora fazer, caso não sejam identificados? Guardar o material e aos poucos, introduzi-lo nos mercados externos.
Quando é o próximo assalto?
O assalto à ourivesaria “David Rosas”, no Funchal, espalhou o medo na Madeira e trouxe o mal (português) que faltava para a região.
No continente, os últimos meses foram trágicos. Nunca o país foi alvo de tantos e tão orquestrados assaltos à mão armada.
O método é idêntico lá e cá: - roubam um carro, chegam em pleno dia ao local do crime e, em menos de dois minutos, desaparecem sem que ninguém os “veja”. São crimes perfeitos.
Até há sensivelmente 4 anos os continentais só ouviam dizer que um banco, bomba de gasolina, ou uma ourivesaria tinham sido assaltados. Agora acreditam que o crime aconteça a qualquer hora e local. Do mesmo receiam os madeirenses. Julgavam que a região era imune ao crime, mas ele aconteceu. Para já sem “feridos” ou mortes, é verdade, mas caso fosse necessário fazer sangue, não tenho a menor dúvida que os “bandidos” tinham semeado o terror na região, em vez do actual estado de medo.
Nesta história a polícia não está isenta de culpa. Como é que um carro roubado, não tenha sido encontrado 12 horas depois? A Madeira tem 741 km quadrados e é uma ilha.
Quais foram as diligencias executadas pela PSP para localizar o veículo?
A outra questão, é que ninguém acredita que os “bandidos” sejam madeirenses. Até nisto somos portugueses. Pois eu receio que, pelo menos um, senão todos, é de cá.
O que vão agora fazer, caso não sejam identificados? Guardar o material e aos poucos, introduzi-lo nos mercados externos.
Quando é o próximo assalto?
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Chuchar no dedo,
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23.10.07
Uns partem, outros não!
Por lapso, deixei passar em claro o aniversário da morte de Adriano Correia de Oliveira. Associo-me, aqui, à homenagem a esse vulto ímpar da resistência e do cantar de intervenção.
Monteiro Diniz é viajado, não é?!
Se levarmos a sério esta reflexão do senhor representante da República, a conclusão inevitável é que há melhor justiça quanto maior for a região/país. Logo, a justiça em Portugal será uma treta, uma vez que não passamos de uns parolos provincianos de pequena dimensão. E que a justiça ainda será pior no Luxemburgo ou no Mónaco, esses dois estados de simplórios labregos.
Por outro lado, o comportamento do próprio representante da República estará de certa forma condicionado pelo provincianismo madeirense, uma vez que esse condicionamento não é prerrogativa dos magistrados.
Não está mal visto, não senhor...
Como diria a minha amiga WOAB: viajado, este senhor! Com um pensamento tão arejado, terá de ser cosmopolita...
Por outro lado, o comportamento do próprio representante da República estará de certa forma condicionado pelo provincianismo madeirense, uma vez que esse condicionamento não é prerrogativa dos magistrados.
Não está mal visto, não senhor...
Como diria a minha amiga WOAB: viajado, este senhor! Com um pensamento tão arejado, terá de ser cosmopolita...
22.10.07
21.10.07
Prazer de nada fazer, ou a revolta do prisioneiro!
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa... Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma. Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não! Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca. O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa... Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma. Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não! Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca. O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
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