29.7.07

Obcecados

Gouveia continua obcecado pelo funcionamento do aparelho de justiça na Madeira. Augusto Santos Silva revelou obsessão por Jardim e Alberto João continua obcecado com o Primeiro-Ministro.

12H30 TECNOPOLO

No primeiro discurso como presidente do PS, João Carlos Gouveia (o deputado a quem o PSD pediu que fosse realizado um exame à sanidade mental) deixou de fora importantes pormenores para quem aspirava, mas agora é o responsável pelo principal partido da oposição na Madeira.Da boca de Gouveia não saiu uma palavra de esperança para os 250 mil habitantes do Porto Santo e da Madeira. Principalmente para os mais desfavorecidos. Os que devido à condição social e económica em que já viviam, não conseguiram apanhar o comboio do desenvolvimento dos últimos 10 anos.

Ausente também estiveram os 8 mil desempregados. Não se ouviu uma ideia, ou uma crítica sobre este flagelo social, nem como o PS tenciona ajudar o Governo a ultrapassá-lo.

O estado da economia da região, não foi criticado, nem mereceu de Gouveia um reparado de como o Governo pode incentivar o investimento privado.

14H30 CHÃO DA LAGOA

Foi a vez de Jardim subir ao palco para proferir mais uma série de clássicos.

Fê-lo com pompa e circunstância.

Da comunicação social (pró-Governo), às ex-colónias (Angola), das empresas do Estado (TAP) ao Partido Socialista e respectivo líder. Foram todos referenciados por Jardim.Até o novíssimo “senhor Pinto de Sousa” é outro dos clássicos do líder madeirense. Quem não ser recorda do Senhor Silva (Cavaco Silva). O mesmo a quem solicitou que interviesse duas vezes: primeiro alertou o Presidente da República para estar atento ao alegado “separatismo” provocado pelo “Senhor Pinto de Sousa, também chamado José Sócrates”. Em causa, a ainda polémica lei das Finanças Regionais e a respectiva novela. O outro motivo para Cavaco Silva intervir tem a ver com a proposta de lei do PS sobre a titularidade dos órgãos de comunicação social. Pediu aos partidos da oposição para votarem contra. Caso a lei seja aprovada o Governo Regional é, por exemplo, obrigado a desfazer-se do Jornal da Madeira.

Depois foi a vez de Mendes subir ao escaldante Chão da Lagoa para revelar o quanto estava absbélico com a festa.Caso dúvidas houvesse, deixou claro porque é que vai perder o partido.

Muito antes, mas no ar condicionado do Tecnopolo Augusto Santos Silva já tinha tratado de atacar Mendes. A vinda à Madeira de Mendes era para o Ministro socialista uma “humilhação” para ganhar votos no partido. De fora não ficou Jardim. Provocou-o ao dizer que na região há uma espécie de “carrossel de inaugurações. Já não se inaugura curvas, mas parte de curvas.”Duas horas depois e no Chão da Lagoa ninguém respondeu. Nem a estreante Nivalda Gonçalves demonstrou estar atenta aos discursos dos socialistas.

Vassalagem e subserviência

Até no acto de despedida da liderança do PS-Madeira, Jacinto Serrão foi patético. Definitivamente, um final à altura para aquele que foi o pior líder do PS na Região.
Aquela exigência de intervenção do Estado na autonomia madeirense demonstra toda a subserviência e espírito servil que Serrão queria para a Madeira e para os madeirenses. E é sintomática do reconhecimento da sua incompetência e incapacidade para fazer frente ao PSD-Madeira. Por isso, exige que seja o Governo da República a fazer aquilo que a oposição nunca conseguiu: afastar o PSD-Madeira da governação.
É patético, mas não deixa de ser grave. Ouvir disparates como esse por parte de continentais não é agradável, mas até é compreensível, atendendo à total ignorância e/ou desconsideração que muitos continentais revelam relativamente às autonomias. Agora, não posso aceitar que um político madeirense se preste a um papel de vassalo, que pensávamos erradicado da Madeira, e solicite a intervenção do poder central para "repor" a normalidade democrática na Região, sem qualquer tipo de respeito pelas instituições autonómicas.E é tanto mais grave, porque esta subserviência começa a fazer eco no continente. O editorial do Público de hoje é disso elucidativo. Não me admirava nada que qualquer dia se exija o bombardeamento da Quinta Vigia e a imposição de um Governador.
É, igualmente, grave, uma vez que outros madeirenses começam mesmo a achar que é preferível submeter-se à Lisboa, renegando a autonomia legitimamente reivindicada ao longo de séculos, desde que com isso se consiga afastar Alberto João Jardim. Tristes tempos, os nossos. Pensava eu que nenhum madeirense aceitaria vergar-se de novo perante o poder central. Que a alma de escravo estava morta. Pelos vistos, estava enganado!

28.7.07

Jornalismo de vanguarda

Esta notícia é um belíssimo exemplo da legitimidade das queixas do PSD-Madeira, relativamente à comunicação social do continente. E não haveria necessidade, uma vez que os factos, por si só, são penalizadores para Jaime Ramos, não sendo necessário inventar-se uns tantos. Senão vejamos: o que Edgar Silva disse, é que com um regime de incompatibilidades decente, não seria possível a Jaime Ramos continuar simultaneamente com as actividades de deputado e de empresário, com interesses em empreitadas promovidas pelo Governo da Região. Ora, o articulista diz que Edgar terá defendido que o "líder do Grupo Parlamentar do PSD-M nunca ganharia concursos públicos se a lei nacional estivesse em vigor na Madeira", transmitindo a ideia que as empresas de Jaime Ramos apenas ganham concursos devido a cunhas. Ora, este é um não-facto, uma vez que Edgar Silva não pôs em causa a qualidade e/ou capacidade das empresas ganharem concursos, mas tão-só o facto de concorrerem, sendo propriedade de um deputado - o que por si só, é grave e não deveria ser permitido, conforme defende o PCP. O segundo não-facto, tem a ver com a afirmação: "Os comunistas dizem que Jaime Ramos deve demitir-se conforme prometeu fazer caso fosse provado que era gerente ou administrador de alguma empresa que tivesse sido beneficiada de concursos públicos e dos respectivos financiamentos do Orçamento Regional". Estaria tudo muito bem (apesar de mal escrito), não fosse o verbo beneficiar. Ora, nunca Jaime Ramos disse (e digo-o de cor, uma vez que outra coisa não fazia sentido) que as suas empresas terão ou não sido beneficiadas. O que ele prometeu é que demitir-se-ia se se provasse que pertenceria à administração ou conselho de gerência de alguma qualquer empresa que presta serviço ao Governo da Região. O que é radicalmente diferente, uma vez que se trata de incompatibilidades e não de mafiosices, conforme o jornalista quer fazer crer quando fala em beneficiar.
Eventualmente, poderá fazer-se uma investigação sobre a legalidade e transparência dos concursos públicos na Região. Essa é, contudo, uma outra questão, que nunca foi colocada pela PCP - não, pelo menos, naquele debate -, não sendo esse o motivo evocado para a exigência da demissão de Jaime Ramos.
É evidente a intenção subliminar do articulista: reforçar a ideia de que todos os negócios na Madeira são desonestos e que a autonomia madeirense não passa de um refúgio para uma cambada de malfeitores. A sorte, é que o jornalista não é grande espingarda e aquilo que pretendia ser subliminar tornou-se evidente, perdendo totalmente a a sua eficácia.

27.7.07

Ministério da Justiça no Second Life

Ministério da Justiça de Portugal cria e-justice center, para regular contratos celebrados entre avatares no "Second Life". Uma intromissão reguladora da Real Life...

Ver mais aqui.

Um olhar do outro mundo

Um blog que chega do "Second Life". Da autoria de palup ling. Ou Paulo Frias na vida (ir)real.

26.7.07

É bonitinho...


Lúxuria e impressos do IRS

Comnprar casa é a maior trapalhada em que já me meti na vida. Honestamente, nunca andei com tantos papéis debaixo do braço. Embrulho-me, rigorosamente, em papel. Sonho com papéis. Com impressos. Com atestados. Com certificados. Com senhoras das Finanças, senhoras de cinquenta anos e burocráticos óculos de massa e fatos completos. Ah, lúxuria transcendente sobre uma secretária atafulhada de impressos do IRS! (e isto é que me parece grave!)

E nunca gastei tanto dinheiro em merdas desnecessárias, maneiras (pouco) encapotadas do Estado português me meter a mão no bolso. Ainda hoje desembolsei a "módica" quantia de 500 euros para fazer um pré-registo. Que me vai chegar a casa depois da escritura estar feita, em resumo, que não serve para absolutamente nada. O resto do mês devo passá-lo a pão e água, ou coisa que o valha...

Para além de torrar a massa, ainda constatei, "in loco", a tremenda eficácia das duas senhoras do registo predial, que trabalham a pouco mais de vinte à hora (em dias bons como o de hoje), olham de alto para os desgraçados dos mortais que, como eu, estacionam uma hora na bicha, e competem para ver qual delas faz mais salamaleques aos advogados que por lá circulam e que, sem se perceber bem porquê, têm direito a passar a frente de toda a gente. Da próxima vez, juro que te telefono, Barata. Pago-te um copo e vamos lá os dois. Sempre ganho uma hora de vida...

Nicola Conte - Kind Of Sunshine

Este rapaz bem que podia vir ao Funchal Jazz 08. Aqui fica a sugestão. A um ano de distância. Ele que até já esteve por cá como DJ (Clube Avenida, se não estou em erro)...

Tom Waits - Rain Dogs

Do melhor. Conhecia a música mas nunca tinha visto o homem cantá-la. Ah Ganda Tom...

"Inside a broken clock, splashing the wine with all the rain dogs
Taxi, wed rather walk, huddle a doorway with the rain dogs
For I am a rain dog, too
Oh, how we danced and we swallowed the night
For it was all ripe for dreaming
Oh, how we danced away all of the lights
Weve always been out of our minds
The rum pours strong and thin, beat out the dustman with the rain dogs
Aboard a shipwreck train, give my umbrella to the rain dogs
For I am a rain dog, too
Oh, how we danced with the rose of tralee
Her long hair black as a raven
Oh, how we danced and you whispered to me
Youll never be going back home
Oh, how we danced with the rose of tralee
Her long hair black as a raven
Oh, how we danced and you whispered to me
Youll never be going back home"

O pobre do ilhéu

A culpa é sempre das autonomias...

Nós, os ricos

Se eu, por um momento que fosse, acreditasse que o dinheiro iria ser bem aplicado, até aplaudiria. O problema é que tenho certeza que os 65 milhões vão servir apenas para encher os, já bem ataviados, bolsos da corrupta classe dirigente de Luanda!
Por isso, acho-os muito mal empregues. Coisa de gente rica!

25.7.07

Critérios...

Não percebo os critérios jornalísticos do Tolentino Nóbrega. Mediatiza um discurso cujo único ponto de interesse foi a citação de Natália Correia - com o ridículo de citar uma intervenção por demais conhecida -, proferida por um deputado que nem tem grupo parlamentar e esquece da posição do MPT? Afinal, este partido também tem um deputado.
Isto, para já não falar da intervenção do líder da bancada socialista, remetido lá para o finalzinho do texto. Que raio de critério é este?
Deve ser este o jornalismo rasgadinho que o Paulo Barata tanto se refere.

Náuseas

O primeiro-ministro está neste momento a ser entrevistado (se é que àquele conjuntinho de perguntas simpáticas se pode chamar de entrevista). Não saio do escritório sob pena de vomitar em cima da televisão. O homem provoca-me náuseas!

Mas o momento para esta entrevistazinha é extremamente oportuno. Ora, 'bora fazer umas perguntinhas ao nosso PM, a ver se a populaça volta a reconhecer o brilho do nobre líder!
Como diria a minha avó, "que triste figura de deus".

Heróis da Lusitânia

Nunca gostei de heróis da pátria, nem de dirigentes messiânicos. Por isso, sinceramente, não gosto de Maria José Morgado nem de Saldanha Sanches (os ex-militantes de movimentos maoistas parece-me todos iguais).
Mas tenho que reconhecer que, não obstante à magistrada terem sido disponibilizados meios como nunca antes aconteceu, ela demonstrou trabalho no processo Apito Dourado. Espero também é que as acusações sejam consistentes, a ver se da montanha não salta um roedorzeco qualquer. Porque muito mal estaria o país se das 20 acusações, apenas resultassem 2 ou 3 condenações (como vai acontecer com o processo Casa Pia).

Que falta de decência! E ninguém escapou.

Começa a ser tempo de Jaime Ramos ter algum tento na língua. As afirmações proferidas mais do que envergonharem o parlamento, deveriam envergonhar o próprio. Não defendo hipocrisias como as que existem na Assembleia da República (aquela do terem medo de chamar os bois pelos nomes "mata-me"), mas é imperioso que os deputados à Assembleia Legislativa Regional respeitem a instituição máxima da Autonomia. Sob pena da sua total e inapelável desacreditação.
Para além disso, os argumentos apresentados por Jaime Ramos são absurdos. Como se o homem deixasse de receber os lucros no final do ano apenas por não ser administrador ou gerente de empresas que todos sabemos serem dele. Haja decência!
Miguel de Sousa também não ficou nada bem na fotografia, por não ter acabado com aquele regabofe logo de início. E foi pior a emenda do que o soneto, quando fez a sua defesa. É que autocrítica por autocrítica, até não lhe ficava nada mal alguma!
Estranhei também foi a compreensão de Victor Freitas em relação às afirmações de Jaime Ramos. Então é normal um deputado "perder a cabeça" e proferir as barbaridades que o líder da bancada parlamentar do PSD - Madeira proferiu? Então Victor, andas a preparar alguma, é?...

Havia de ser bonito se houvesse quotas. Com deputadas deste nível...

Com deputadas do calibre de Rafaela Fernandes, pelo menos com a qualidade de afirmações como aquela que proferiu no debate do dia 24, só apetece mesmo dizer: volta Célia, estás perdoada!

Permitam-me um pequeno aparte: é inacreditável a quantidade de energúmenos que os aparelhos partidários, e muito concretamente as jotas, conseguem produzir. Tenho certeza que ao nível da produção de clientela e de carreiristas, os partidos portugueses batem recordes de produtividade!

Daniel Powter - Bad Day

Uma belíssima canção pop. Que apareceu por cá sem razão aparente e que eu resolvi deixar ficar.

Bom senso? até aplaudo!

Ao contrário da mensagem que se tenta fazer passar, o "caso Charrua" não terminou bem para o professor. O processo foi arquivado, mas Fernando Charrua não volta à Direcção Regional de Educação do Norte. Que aliás era uma das suas pretensões. Já para Margarida Moreira, a vida continua igual àquilo que sempre foi. Resumindo: o bom senso da ministra tem que se lhe diga!

E que tal baralhar outra vez?

Marques Mendes, Aguiar Branco e Luís Filipe Menezes...

Xiça, não é melhor começar de novo? Baralhar e voltar a dar a ver se sai trunfo? Fechar a tasca por uns tempos? Passar o Verão em Porto Rico?

Bem sei que o bom do Mendes tem sido simpático para com o pessoal cá da terra. Mas não só. Tem espalhado simpatia para com o primeiro-sargento Sócrates. Nos debates mensais então, é um ver se te avias de salamaleques...

Boa hipótese

Geometria Variável

A opção de Alberto João Jardim de não aplicar a lei sobre IVG é política e juridicamente inaceitável no âmbito do sistema que temos. Que fique, por isso, registada a minha estupefacção perante a forma como o Presidente da República, Governo e PSD fingem que nada se passa.

Coisa diferente é saber, no quadro de uma reforma do sistema político e constitucional que temos, se não seria desejável que o enquadramento legislativo nacional não fosse de geometria variável, de forma a permitir que, em regiões como a Madeira, que firmemente se opuseram à despenalização da IVG, pudessem ali negar a sua realização. O mesmo é dizer que permitiria que uma região claramente favorável à despenalização no referendo de 1998 se tivesse antecipado ao resto do país, despenalizando aí a sua prática.

Tenho para mim que um sistema como esse, que implicaria uma profunda reforma do sistema e uma absoluta mudança de paradigmas constitucionais que actualmente adoptamos, traria mais vantagens, aproximando, como se espera, o poder político dos cidadãos por ele servidos e encarnaria o princípio da subsidiariedade da actuação estadual. Um assunto a desenvolver depois de férias.


Um excelente texto, de Adolfo Mesquita Nunes, roubado d'aqui.

No seu melhor

A Assembleia no seu melhor...

24.7.07

Habitação que é património mundial!

Estava para iniciar com algumas obras em breve, mas já que vai haver 100 milhões de Euros para investir, eu espero!

Patetices socretinas

Patético, patético, o anúncio do choque tecnológico com criancinhas amestradas e bem pagas, a exemplificarem como serão as aulas do futuro. Não terá este governo noção do ridículo?

Teve início a matança dos inocentes...


Governo Electrónico

Foi ontem apresentada aos cibernautas do mundo e da Madeira, uma solução inovadora de comunicação governamental.

O professor Marcelo já disse que a ideia deve ser aproveitada pelo governo do Eng. José Sócrates.

Porquê?
Custa zero ao erário público e aproxima o Governo das pessoas.

Quais são as desvantagens?
Nenhuma!

Tem vantagens?
Tem!
Quais são?
Além das que já disse, não há perdas de tempo e acaba com as filas de milhares de cidadãos às portas da burocrática máquina administrativa do Estado. Neste caso, do Governo Regional da Madeira

Problemas?
Só vejo um.
E qual é professor?
O programa ir ao ar, ou uma falha no sistema. É o risco das novas tecnologias.


Afinal do que se trata???
De uma página no Hi5.
A ideia tem um duplo objectivo: ombrear com o programa Simplex, (lançado pelo Governo Socialista) e fazer da Madeira a Singapura do Atlântico.

Para já, AJJ já conseguiu 80 amigos. Entre eles não há nenhuma cara conhecida do PSD. Aconselha-se os senhores deputados a fazerem o registo one-line e se submeterem à aprovação do chefe. Espero que nenhum pedido de amizade seja rejeitado.

Também já foram enviados 16 fives. Realizados 7 comentários ao perfil e
10 comentários às fotografias.

Ainda não se pode falar em recordes, mas, desde que entrou em linha já teve
65 visitas.

Mais pormenores no
hi5.

A Vera não subiu a aba

Caro LFM:

No "Ultraperiferias", um texto em registo humorístico postado por mim foi alvo da sua resposta pronta. Agradeço a atenção, embora me pareça exagerada. É que, reafirmo, encaro a blogosfera como um brinquedo giro. Sou uma espécie de puto com uma bola nas mãos, que joga o jogo pelo puro prazer de jogá-lo. E como o tal puto, remato para onde estou virado. Deixando de parte os simbolismos, posto aquilo que me apetece, sejam tontices ou não, porque não tenho pretensões de formar ou de informar. Muito menos de recomendar. Agradeço a quem me lê, mas se não me lerem dá-me rigorosamente na mesma.

Voltando ao post, a expressão que deu origem à sua resposta é caricatural, sendo a caricatura particularmente utilizada nos textos humorísticos (mesmo que não tenham ponta de piada). Tal como a referência à Festa do Chão da Lagoa, ou aos outros blogs, de resto. A frase, curta, não tem qualquer intenção subjacente nem implica uma classificação ou qualificação dos textos postados sobre as ilhas espanholas. Em resumo, é óbvio que a Vera não subiu a aba.

Cumprimentos

Gonçalo Santos

23.7.07

Sócrates e seguidores

Às tropas de Cavaco deram o nome de "cavaquistas", às de Guterres, "guterristas", às de Durão Barroso, de "barrosistas", às de Santana (para além das santanetes), santanistas. Como se chamarão os seguidores de Sócrates? SóCRETINOS?!

Os amantes

"Voltas a retrair-te e a entregar-te da mesma maneira, a deixar-me na boca o mesmo travo de orquídea, de sândalo queimado e de bruma salina. Acabas agora de me puxar para ti, vagarosamente ao longo de ti, num ritmado movimento que ninguém te ensinou, que retomas sempre com igual cadência e de que nunca inteiramente te aperceberás. Estou já de novo a olhar-te nos olhos, a sorver lentamente a leve crispação da tua boca. Começa o mar a castigar-te os flancos e a resumir, em poucos minutos, uma sonâmbula evolução de muitos milénios, convertendo em pedra o que era peixe, desfazendo em areia o que foi pedra, incorporando cada vez mais pó no volume das suas águas... Passam entretanto pelo céu nocturno cavalgadas de nuvens magnéticas; entre as estrelas mais longínquas estabelecem-se pactos efémeros; e morrem aves nos pântanos da Lua, sob a luz que da terra lhe enviamos. Não sei se principias a gemer, se é a lenha mais alto a crepitar. Luzes, luzes! Luzes soltas no meio da escuridão... Instala-se o firmamento nas tuas entrenhas. O êmbolo do vento acelera-te o ritmo. O teu último gemido, nem o consegues dominar: derrapou no pavor de ser um grito, suicida-se na curva do teu ombro."

David Mourão Ferreira, in Os Amantes e Outros Contos.

Ademus?

Ademus ad montem fodere putas cum porribus nostros

A minha expressão latina favorita. Vejam lá se descobrem o que significa. É o nosso passatempo de Verão. Somos como o Público e no verão, até vendemos jogos.

Only Moutrato is real

Sócrates não existe. Mas o Eduardo Mourato sim. A sua "não música" é perfeitamente audível. Até por mim que não existo!

Caso para dizer que "only Mourato is real".

Aguardo ansiosamente que um amigo meu açoriano (existirão, os Açores?) me envie o espantoso êxito chamado Calafões. Mourato at is best!

Este blog é uma ficção

Eu anuncio solenemente: este blog não existe. Pronto!

Que venha a festa

A ver vamos se a "silly season" anima com o Chão da Lagoa... É que nos últimos dias, não se tem passado rigorosamente nada. na blogosfera então, reina uma pobreza franciscana. O Farpas anda às voltas com a perda de mandato dos vereadores do PS há mais de uma semana...O "ultraperiferias" parece ter-se mudado para Canárias. A direita não corta nada que se veja. E a esquerda anda a tentar caçar o Coelho. Parece que a época de caça abriu antes de tempo... A crise é tanta, que o pessoal até dedicou tempo a escrever sobre o Congresso de um partido que no continente é de direita mas que aqui é de esquerda, ou é de centro, ou é assim-assim ou coisa que o valha. Valha-nos deus Nosso Senhor! O Nélio deve ter ido de férias. E com ele levou o olho de fogo. São muitos dias sem falar da muralha do Jardim, companheiro. Começo a sentir saudades, a sério. A Lenca, que honra lhe seja feita, andava há semanas a pedir férias, finalmente deve ter sentido chegar o momento. É hora, como cantava o outro! Já a Vera deve ter regressado por momentos da aba. Com o Bruno e o Angel de férias, com o Magno enterrado na areia e com a minha falta de inspiração (eu sei, não é de agora, é de sempre), tem-nos valido o Sancho, verdadeiro "carregador de piano" desde blog - sempre adorei esta expressão dos comentadores de futebol. É absolutamente delicioso imaginar o Sancho a carregar um piano no meio do relvado de um campo de futebol, com chuteiras de "biqueira d'aço" e o ar mais tresloucado do mundo!

Bom, e a julgar por este texto, venha o Chão da Lagoa. Que até já começou bem, com o secretário-geral do PSD a anunciar, na apresentação da festa, que o Governo da Republica não existe.Eu não o quero contrariar, mas cá para mim se Sócrates e "sus muchachos" não existem Alberto João Jardim reencarna D. Quixote, combatendo moinhos de vento e imaginando dragões... Mas fui eu que fiquei confuso, é verdade!

Já agora, se o Governo da Lusa Pátria não existe, a Assembleia da Republica também é fruto de uma alucinação colectiva. Assim sendo, a Lei do Aborto, afinal, nunca foi sequer votada. Porque também é do foro do paranormal, creio eu. Agora percebo a sua não aplicação. Embora outro órgão irreal, o Tribunal Constitucional (rima mas não é verdade), não o entenda assim. Que se lixem. Espera... Não se podem lixar porque não existem... Isto parece confuso, de facto!

Venha de lá essa festa, pá! Com o irreal Marques Mendes a discursar e tudo!

Um andarilho finlandês

Um blog muito bom. De um andarilho finlandês (a maior parte dos textos estão em inglês, felizmente. Os que estão na língua materna do blogger são, obviamente, para passar à frente. Pelo menos para mim, como é óbvio. É que conheço comentadores oficiais da blogosfera cá do sítio que, com um bocadinho de sorte, até comentam em bom finlandês... eu sei lá!"

É verdade, seria melhor que o blog fosse de uma andarilha finlandesa. Mas este foi o que se pôde arranjar...

20.7.07

Man Ray, Tears, 1932.



Tribunal de Contas: entre o PREC e o Neoliberalismo

Sinceramente, nunca entendi a necessidade do Tribunal de Contas. Acho que não passa de uma instituição de inspiração PREC que tem como única utilidade a manipulação e a acção política.
Mas hoje fiquei extremamente surpreendido com o resultado da auditoria à Entidade Reguladora do Sector Energético (ERSE) e sobre as conclusões dos auditores. Então os senhores acham que o Governo não deveria interferir nos preços estipulados pela ERSE, mesmo que os aumentos propostos violem as mais básicas regras do bom senso? Então para que raio servirá um governo? Apenas para adjudicar umas empreitadas para meia dúzia de empresas sobreviverem?

Já estava habituado a ver do Banco de Portugal da linha de frente da defesa do liberalismo económico absolutamente selvagem. Não estava nada à espera que o Tribunal de Contas seguisse pelo mesmo trilhos. Mas é bem feito, para ver se aprendo que já nada do que acontece neste teatro de marionetas à beira mar plantado deve ser motivo de espanto!

L'État c'est moi

Todos os partidos da oposição acusaram hoje o governo do bacharel Sócrates de tiques de autoritarismo. Tiques? Tiques, não! Autoritarismo puro e duro, à boa moda dos ditadorzecos de pacotilha.

Mas achei piada ao primeiro-ministro hoje no debate da nação, onde garantia não receber lições de democracia de ninguém, qual paladino da liberdade - quase que o vejo cavalgando as serranias seguindo as pegadas de Viriato na defesa da liberdade do povo.
O que o primeiro-ministro ainda não percebeu é que aquela figura de prima dona, de virgem ofendida, já não pega.
E bem podem pregar os socialistas que a situação económica é fantástica, que o governo fez maravilhas, mas já não conseguem disfarçar o mal-estar que se vive a nível nacional. Pode o próprio primeiro-ministro acusar o PCP de manipulação e de organização de manifestações - 'tadinho, ele que o povo ama e que é tão maltratado pelos malvadões da oposição -, que a verdade é que a rua já não está com ele. Sócrates ameça mesmo tornar-se personna non grata em Portugal. Por mim digo-o desde já: esse senhor na minha casa não entraria!

Hit the road Jack!

Mais uma das canções de que mais gosto. Mr. Ray Charles.

19.7.07

Ignorância

Eis o que se chama persistir no erro. Só quem não percebe nada de História e desconhece por completo os Balcãs defende a independência do Kosovo. A ignorância, de facto, tem um preço elevado!

Eduardo Mourato ao Vivo

E agora, uma versão ao vivo...

Eduardo Mourato - Stand Up Comédia

O bom do Moutaro, afinal, é um multifacetado artista açoriano. Se não, oiçam. Este homem é um génio!

Eduardo Mourato -

A melhor canção dos últimos 500 anos.

"Feel the breaze of the sêeeee..."

Ah gandes Açores, terras abençoadas!

18.7.07

Ainda o aborto da Lei n.º 16/2007

"É injustificado e insultuoso pretender que os médicos tenham de confirmar, por escrito, o seu respeito pela ética.
Após o referendo nacional sobre o "aborto", antecedido por frequentes e claras afirmações de muitos dos mais representativos dos votantes pelo "sim", de que o consideravam um mal (embora por vezes, e segundo eles, necessário), surgiu a Lei n.º 16/2007, seguida da Portaria n.º 741-A/2007.
Para além do conteúdo-base (que repudiamos), verifica-se que a lei, no seu artigo 6.º, assegura aos profissionais de saúde, e nomeadamente aos médicos, a "objecção de consciência". A objecção de consciência, direito fundamental constitucionalmente protegido, permite que os médicos recusem a prática de actos da sua profissão quando tal prática entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária ou contradiga o disposto no seu código deontológico.
Obviamente esses profissionais não poderão ser prejudicados, de nenhum modo e sob nenhum pretexto, por exercerem tal direito. Se, por outro lado, o regime aprovado proíbe os médicos de participar na consulta prévia, e no acompanhamento durante o período de reflexão, por outro pretende, de forma contraditória, injustificada e ilegal, obrigá-los a indicar quem pratique o aborto.
Se, com uma mão, a lei assina um atestado de incompetência e falta de isenção aos médicos, impedindo-os de acompanhar a grávida na fase pré-aborto, com a outra empurra, sem corda, para a falésia, este direito de agir segundo os seus princípios morais, religiosos ou humanitários, ao obrigar esses mesmos profissionais, "incompetentes e parciais", a que encaminhem a grávida até ao... aborto. Afinal, deve ou não o objector de consciência pronunciar-se? A partir de que fase tem competência, dignidade moral e isenção para intervir? Porque só é obrigado a intervir para que a prática do aborto, de que discorda, se concretize? Como será possível conciliar as duas imposições?A portaria indica que a objecção de consciência deve ser manifestada em documento (burocrático e mesmo insultuoso, porque parece desconhecer a ética médica), assinado pelo objector, o qual deve ser apresentado ao seu director clínico. Mas, certamente, apenas deverá competir a quem aprovou a lei, o Estado, divulgar onde o aborto poderá, infelizmente, vir a materializar-se. (...)
Assim sendo, e mesmo quando objector de consciência, nunca deixará o médico de tratar uma doente que, por causa de um aborto, sofra consequências. É, por isso mesmo, injustificado e insultuoso pretender que os médicos tenham de confirmar, por escrito, o seu respeito pela ética. (...)
No artigo 30.º do código, referente à objecção de consciência, diz-se claramente que o médico tem o direito de recusar a prática de actos da sua profissão quando tal entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária ou contradiga o disposto no código deontológico.
Pontos essenciais, incluídos no juramento hipocrático, estão consagrados no artigo 47.º, onde se estabelece que o médico deve guardar respeito pela vida humana desde o seu início; que constitui falta deontológica grave a prática do aborto e da eutanásia; que esclarece, no entanto, que não é considerado aborto uma terapêutica imposta pela situação clínica do doente como único meio capaz de salvaguardar a sua vida.
É o caso-limite, do confronto entre duas vidas, das quais só uma poderá ser salva.
Sabendo-se, segundo a leges artis, que a ecografia é o meio mais fiável para datar uma gravidez, era bom que a lei dissesse se, neste momento, se conhece outro meio alternativo igualmente fiável para que seja possível dispensar a ecografia, que na lei deixou de ser obrigatória.
Assim sendo, esperamos que o Governo proceda à alteração da portaria referida, por considerar necessária e suficiente uma simples declaração, sob compromisso de honra profissional, dos médicos objectores de consciência."

Prof. Gentil Martins, Ex-bastonário da Ordem dos Médicos e ex-presidente da Associação Médica Mundial e da sua comissão de ética, in Público, de 17 de Julho de 2007

Por uma pequena falha

"No entanto... tinha vergonha, sim, mesmo da Sónia, por isso a fazia sofrer, tratando-a com modos desdenhosos e grosseiros. Não era vergonha pelos grilhões e pela cabeça rapada, estava ferido no seu orgulho. Adoeceu de orgulho ferido. Oh, como seria feliz se conseguisse acusar-se a si mesmo! Então aguentaria tudo, até a vergonha e o opróbrio. Mas, por mais severamente que se julgasse, a consciência não via no seu passado uma culpa especialmente terrível, a não ser talvez uma simples falta, uma falha que qualquer um podia ter. O que o envergonhava era precisamente o ter-se perdido (desta maneira tão cega, desesperada, torpe e estúpida) só por uma sentença qualquer do destino cego; e o ter de resignar-se perante o absurdo de tal sentença, se quisesse sossegar-se ao menos um pouco.
Uma inquietude indefinida e sem objecto no presente e no futuro, um mero e infinito sacrifício sem finalidade e pelo qual nada se podia alcançar - era isso que tinha pela frente o resto da vida.
Que importava, passados estes oito anos, ter apenas trinta e dois e poder recomeçar a vida? Viver para quê? Com que objectivos? Com que aspirações? Viver para existir? Mas, se já antes ele estava mil vezes pronto a trocar a existência por uma ideia, por uma esperança, por uma fantasia! Existir, apenas, nunca tinha sido bastante para ele, sempre quisera mais. Talvez tivesse sido só por força dos seus desejos que se considerara a si mesmo como um homem a quem era permitido mais do que aos outros."

Fiódor Dostoiévski, in Crime e Castigo

Da realidade à loucura


1- Dia d18 de Julho de 2007. 1 Hora e 36 minutos da madrugada.
A casa está em chamas! O quarto do meio parece um tição negro. Escorre água e lavas de cinzas pelo chão.
O quarto ao lado está em idêntico estado. Na parede da rua, mesmo por cima da lumieira, ainda é visível o rasto do fumo negro que trepou a casa. Imagino a intensidade das chamas. Entro em pânico. É necessário salvar o que resta. Oiço gritos…. Vou buscar a mangueira de regar o jardim, ou peço socorro?? A dúvida paralisa-me, tal é a dimensão da tragédia. Neste momento é maior do que o desespero. Incontornável!
Decido marcar o 118……É óbvio que não é o número correcto….Mesmo assim, os nervos impedem-me de acertar nas teclas certas do telemóvel. E são apenas três.
Entretanto, decido entrar no quarto do meio. Os gritos parecem que vêem dali. Deparei com um cenário, mais deplorável do que imaginei….


2-Num outro dia, na mesma casa, era um homem feliz. Radiante da vida e com a vida. Tinha dinheiro, muito dinheiro. Confesso que não sabia o que fazer a tanta massa. Era como se tivesse ganho o euromilhões. Era uma espécie de “eurohomem”. Ainda imaginei que estava a sonhar, mas não! Eu próprio fiz questão de conferir esse pequeno e insignificante pormenor, para não me estragar a felicidade. O que estava a acontecer era mesmo verdade. Já tinha planos para o futuro. Não vou revelar para não cair no mesmo que afirma o comum dos mortais, sempre que é confrontado com questão.

São duas estórias, diferentes, com traços comuns. Ambas foram vividas à noite ainda que em casas diferentes. Na primeira estória estava fora de casa. Na segunda estava na primeira casa. O outro traço, comum, é que as duas foram sonhos. Se na segunda lamentei não ser verdade, na primeira agradeci estar a sonhar. Como é tão bom a realidade.